{"id":17724,"date":"2025-12-03T11:29:58","date_gmt":"2025-12-03T14:29:58","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17724"},"modified":"2025-12-03T11:31:07","modified_gmt":"2025-12-03T14:31:07","slug":"guara-se-torna-simbolo-dos-cuidados-ambientais-com-aves-silvestres-em-joinville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/12\/03\/guara-se-torna-simbolo-dos-cuidados-ambientais-com-aves-silvestres-em-joinville\/","title":{"rendered":"Guar\u00e1 se torna s\u00edmbolo dos cuidados ambientais com aves silvestres em Joinville"},"content":{"rendered":"\n<p>Dados do site Visite Joinville indicam que o munic\u00edpio possui 488 esp\u00e9cies de aves, cerca de um quarto do total nacional<\/p>\n\n\n\n<p>Por <em>Caroline de Apolin\u00e1rio<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Durante d\u00e9cadas, a ave guar\u00e1 (Eudocimus ruber) esteve ausente nos manguezais de Joinville. Com decl\u00ednio populacional intenso na d\u00e9cada de 1950, a esp\u00e9cie desapareceu da regi\u00e3o, amea\u00e7ada pela ocupa\u00e7\u00e3o humana e a degrada\u00e7\u00e3o dos manguezais. O cen\u00e1rio mudou apenas em 2010, quando os bandos come\u00e7aram a ser vistos novamente. Desde ent\u00e3o, essa esp\u00e9cie n\u00e3o apenas retornou, mas passou a colorir os c\u00e9us e manguezais de Joinville, tornando-se um s\u00edmbolo da recupera\u00e7\u00e3o ambiental e da resili\u00eancia da natureza.<br>Alexandre Venson Grose, 42, bi\u00f3logo, consultor ambiental e presidente do Clube de Observadores de Aves (COA Joinville), destaca que o reaparecimento est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o dos manguezais. \u201cSe tem mangue, tem guar\u00e1; se n\u00e3o tem, ele some. \u00c9 um animal que vive exclusivamente nesse ecossistema e hoje volta a ser avistado em diferentes pontos da regi\u00e3o\u201d, comenta.<br>O manguezal \u00e9 frequentemente visto de forma negativa pela popula\u00e7\u00e3o, em grande parte devido \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o, que intensifica seu odor caracter\u00edstico. De forma natural, o ecossistema possui um cheiro mais forte, mas em locais sem despejo de esgoto, o cheiro \u00e9 menos intenso. Em 2024, Joinville atingiu 50% de cobertura de redes coletoras de esgoto na cidade, o que ainda deixa parte do ecossistema suscet\u00edvel \u00e0 polui\u00e7\u00e3o.<br>Em seu doutorado, Alexandre passou quatro anos estudando a ave de plumagem vermelha, acompanhando sua reprodu\u00e7\u00e3o e comportamento. Segundo ele, o animal \u00e9 importante para a regi\u00e3o por ter desaparecido por d\u00e9cadas e por evidenciar a vulnerabilidade da fauna frente \u00e0 a\u00e7\u00e3o humana, mostrando que esp\u00e9cies inteiras podem desaparecer, \u00e0s vezes de forma definitiva.<br>Hoje, a popula\u00e7\u00e3o local \u00e9 estimada em cerca de 3.500 indiv\u00edduos, n\u00famero que depende da preserva\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do manguezal. O munic\u00edpio de Joinville abriga o \u00fanico local de reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie em Santa Catarina, na Ilha do Jarivatuba, pr\u00f3xima \u00e0 foz do Rio Cachoeira, dentro da Ba\u00eda Babitonga, onde o ciclo reprodutivo ocorre regularmente desde 2011.<br>Al\u00e9m de sua import\u00e2ncia ecol\u00f3gica, o animal chama aten\u00e7\u00e3o pela colora\u00e7\u00e3o intensa das penas. \u201c\u00c9 uma esp\u00e9cie que tem uma tonalidade viva muito forte, que se intensifica principalmente na reprodu\u00e7\u00e3o. Ele fica ainda mais vermelho porque \u00e9 uma estrat\u00e9gia de aproxima\u00e7\u00e3o entre os casais\u201d, comenta Grose. O bi\u00f3logo refor\u00e7a que n\u00e3o \u00e9 raro observar grandes bandos no final do dia em locais de Joinville como Vigorelli, Morro do Amaral e Espinheiros.<br>Durante o acompanhamento dos ninhos, Grose percebeu um efeito inusitado da interfer\u00eancia humana: res\u00edduos urbanos, como el\u00e1sticos de dinheiro, eram confundidos pelas aves adultas com organismos do mangue e levados aos filhotes, comprometendo o cuidado e o desenvolvimento natural. Para ele, \u00e9 \u201cum exemplo claro do impacto que o que a gente gera todos os dias pode ter sobre um animal\u201d.<br>O guar\u00e1, portanto, \u00e9 um s\u00edmbolo da fauna local, e tamb\u00e9m um indicativo da import\u00e2ncia de proteger os manguezais, que em Joinville ocupam cerca de 36,5 km\u00b2, mais da metade da \u00e1rea total da Ba\u00eda. Esses ecossistemas funcionam como ber\u00e7\u00e1rios naturais para peixes, moluscos, caranguejos e aves.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Projeto Guar\u00e1 mobiliza comunidade e amplia pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Projeto Guar\u00e1 nasceu de uma iniciativa da Pol\u00edcia Civil em Joinville, ap\u00f3s a observa\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a da ave no bairro Espinheiros, regi\u00e3o de manguezais da Ba\u00eda da Babitonga. O agente Rafael Amorin e a delegada T\u00e2nia Harada idealizaram a proposta com o objetivo de engajar moradores e institui\u00e7\u00f5es em a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<br>\u201cQuando visualizamos o guar\u00e1 no bairro Espinheiros, pensamos em uma forma de envolver a comunidade na prote\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, que j\u00e1 chegou a ser considerada extinta em Santa Catarina\u201d, esclarece Amorin. A ideia foi criar um movimento que tivesse v\u00e1rias frentes de atua\u00e7\u00e3o, desde a educa\u00e7\u00e3o ambiental at\u00e9 mutir\u00f5es de limpeza, passando tamb\u00e9m por atividades culturais e parcerias institucionais.<br>A Pol\u00edcia Civil reuniu esfor\u00e7os de diferentes setores e institui\u00e7\u00f5es, transformando o Projeto Guar\u00e1 em uma iniciativa coletiva. Entre os parceiros envolvidos est\u00e3o a Docol, Unisociesc, Univille, Prefeitura de Joinville, NDTV e o COA Joinville. O objetivo era unir for\u00e7as pela conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie s\u00edmbolo da regi\u00e3o, que, al\u00e9m de ter relev\u00e2ncia ecol\u00f3gica, representa a beleza e a sensibilidade que inspiram a preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<br>Amorin lembra que o processo de organiza\u00e7\u00e3o exigiu articula\u00e7\u00e3o e tempo. \u201cO projeto foi criado em janeiro, aprovado em maio pelo Instituto Ingo Doubrawa da Docol e teve in\u00edcio em julho. At\u00e9 reunir todos os parceiros e garantir a verba, foi um per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o. Agora seguimos com as pr\u00f3ximas etapas, que envolvem crian\u00e7as e moradores do bairro\u201d, explica.<br>Uma das primeiras atividades do projeto foi o mutir\u00e3o de limpeza dos manguezais, realizado em julho deste ano. A a\u00e7\u00e3o contou com a participa\u00e7\u00e3o de mais de 40 volunt\u00e1rios, que atuaram por cerca de quatro horas e recolheram aproximadamente 280 kg de res\u00edduos. \u201cRecolhemos muito mais material do que imagin\u00e1vamos. As ca\u00e7ambas ficaram cheias e tivemos que encerrar o trabalho porque n\u00e3o havia mais como comportar o lixo retirado. Chegamos a uma satura\u00e7\u00e3o\u201d, conta Amorin.<br>Apesar de ser uma a\u00e7\u00e3o pontual, o objetivo \u00e9 despertar a consci\u00eancia ambiental. Para o presidente do COA Joinville, Alexandre Grose, que participou da mobiliza\u00e7\u00e3o, o efeito do mutir\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 educativo, \u201ca limpeza mostra para as pessoas que o manguezal \u00e9 uma \u00e1rea importante. Se a gente protege o manguezal, estamos protegendo o guar\u00e1 e outras esp\u00e9cies que dependem desse ecossistema\u201d.<br>O bi\u00f3logo concorda que a iniciativa pode ir al\u00e9m da prote\u00e7\u00e3o da ave em si. \u201cQuando usamos o guar\u00e1 como esp\u00e9cie bandeira, estamos chamando aten\u00e7\u00e3o para a conserva\u00e7\u00e3o de todo o manguezal e de outros animais que dependem dele. O lixo \u00e9 um problema s\u00e9rio, que afeta v\u00e1rias esp\u00e9cies com relatos de ingest\u00e3o, morte e contamina\u00e7\u00e3o. Por isso, a\u00e7\u00f5es como essa precisam se repetir e ganhar for\u00e7a\u201d, conclui.<br>Al\u00e9m do mutir\u00e3o, o projeto prev\u00ea a\u00e7\u00f5es educativas em escolas do bairro Espinheiros, como um concurso cultural em que crian\u00e7as receber\u00e3o representa\u00e7\u00f5es da ave. Tamb\u00e9m est\u00e3o previstas iniciativas para aproximar a ave da comunidade, envolvendo comerciantes locais que pretendem criar pratos, bebidas e at\u00e9 artesanatos inspirados na esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observa\u00e7\u00e3o de <\/strong>aves<strong> une preserva\u00e7\u00e3o e lazer<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A observa\u00e7\u00e3o de aves, ou birdwatching, \u00e9 uma pr\u00e1tica que consiste em observar atentamente diferentes esp\u00e9cies de aves em seus ambientes naturais, com o objetivo de conhecer seus comportamentos, padr\u00f5es de voo, cantos, cores e h\u00e1bitos alimentares. Para realizar essa atividade, os observadores costumam utilizar equipamentos como bin\u00f3culos e c\u00e2meras fotogr\u00e1ficas, que permitem enxergar e registrar detalhes que seriam dif\u00edceis de perceber a olho nu.<br>No total, Joinville conta com mais de 488 esp\u00e9cies de aves registradas, resultado da Mata Atl\u00e2ntica que ainda cobre grande parte do munic\u00edpio e oferece ref\u00fagio para essa diversidade. Segundo o site \u201cAqui tem Mata?\u201d, a cidade preserva 61.276 hectares de Mata Atl\u00e2ntica, \u00e1rea equivalente a quase 80 mil campos de futebol e correspondente a 54,33% da vegeta\u00e7\u00e3o original.<br>Rosilene Rocha, 45, formada em Gest\u00e3o Comercial, mora em uma ch\u00e1cara na Serra Dona Francisca, regi\u00e3o do Quiriri (SC), onde se dedica aos cuidados com animais resgatados. Apaixonada pela natureza, come\u00e7ou h\u00e1 cerca de 13 ou 14 anos a observar aves, transformando o que era um hobby em parte da sua rotina. \u201cEu moro isolada, no meio da natureza. Quando me mudei para a \u00e1rea rural, \u00e9 outro mundo. H\u00e1 muito mais \u00e1rvores, ent\u00e3o come\u00e7o a colocar bananas, mangas, fazer um comedouro, colocar gr\u00e3os\u2026 e, aos poucos, elas v\u00e3o aparecendo, e a gente se encanta\u201d, recorda.<br>Ao longo dos anos, ela passou a registrar o que via em fotografias, aprendendo sozinha a manusear a c\u00e2mera, fazendo cursos para aprimorar a t\u00e9cnica e se aprofundando cada vez mais na pr\u00e1tica. Praticamente todas as imagens publicadas no perfil Quintal de Casa Fotos, no Instagram, foram feitas dentro de sua pr\u00f3pria propriedade, sendo raras as que mostram locais fora do quintal da casa.<br>H\u00e1 cerca de dois meses, Rosi conseguiu se aproximar pela primeira vez do guar\u00e1, uma esp\u00e9cie que admira. A fot\u00f3grafa lembra que estava bastante ansiosa e acompanhada do grupo de observadores no Parque Caieira, em Joinville. Apesar das dificuldades, mesmo com o tempo ruim, conseguiram registrar a foto desejada da ave.<br>O in\u00edcio da jornada de observa\u00e7\u00e3o foi tamb\u00e9m um passaporte para conhecer outras pessoas. A partir de grupos de WhatsApp e das redes de observadores de aves, Rosi mergulhou em novas descobertas. \u201cTem aves que a gente n\u00e3o conhece, coloca no grupo, diz o local e j\u00e1 te ajudam a identificar a ave, e o grupo vai crescendo, e sua paix\u00e3o vai aumentando\u201d, esclarece.<br>A admira\u00e7\u00e3o e a pr\u00e1tica de observa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o compartilhadas dentro de casa. O marido de Rosi, F\u00e1bio Ricardo Botelho, 47, t\u00e9cnico de programa\u00e7\u00e3o, participa das descobertas, mesmo sem se dedicar \u00e0 fotografia. \u201c\u00c0s vezes eu t\u00f4 fazendo as coisas de casa, ele vem rapidinho falar que tem uma ave diferente ali, a\u00ed eu j\u00e1 pego a c\u00e2mera. Ent\u00e3o, ele acaba convivendo comigo e acaba observando tamb\u00e9m\u201d, conta.<br>Este ano, Rosi tamb\u00e9m se juntou a um movimento crescente de mulheres na observa\u00e7\u00e3o de aves. Ela participou da primeira edi\u00e7\u00e3o da Passarinhada Feminina do COA Joinville, clube do qual \u00e9 membro. \u201cFoi bem bacana, tem tantas mulheres. A gente, quando vai passarinhar, geralmente \u00e9 duas ou tr\u00eas mulheres, o resto s\u00e3o homens. Ent\u00e3o, eu achei legal isso. Ver que est\u00e1 crescendo, \u00e9 bem bacana.\u201d<br>Para Rosi, o clique nem sempre \u00e9 o mais importante. Mesmo quando a luz ou o clima trazem dificuldades, ela acredita que o verdadeiro valor est\u00e1 na experi\u00eancia e na troca de ideias entre os participantes nas sa\u00eddas fotogr\u00e1ficas. Ainda assim, faz quest\u00e3o de se preparar para n\u00e3o perder o momento certo. Com anima\u00e7\u00e3o, ela lembra dos \u00faltimos encontros e conta que sempre leva a c\u00e2mera e o bin\u00f3culo. Nessas ocasi\u00f5es, tamb\u00e9m escolhe roupas espec\u00edficas, j\u00e1 que pe\u00e7as chamativas podem espantar as aves; \u00e9 preciso estar o mais camuflado poss\u00edvel. Tudo precisa estar em ordem, porque quando o p\u00e1ssaro pousa, o instante \u00e9 muito r\u00e1pido.<br>O WikiAves, plataforma brasileira colaborativa e interativa dedicada \u00e0 observa\u00e7\u00e3o de aves no Brasil, tornou-se um aliado para pesquisa e compartilhamento entre os observadores. \u201cEu comecei a usar mostrando as minhas fotos, porque at\u00e9 onde \u00e9 a regi\u00e3o que eu moro, tem muita ave que n\u00e3o tem em outros locais. Quando eu n\u00e3o sei, eu vou l\u00e1 e procuro. Ent\u00e3o \u00e9 uma forma de compartilhar\u201d, comenta a fot\u00f3grafa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Prote\u00e7\u00e3o de aves e animais silvestres ganha aten\u00e7\u00e3o crescente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se para observadores de aves como Rosilene Rocha, o fasc\u00ednio est\u00e1 em registrar esp\u00e9cies em liberdade, a Pol\u00edcia Civil de Joinville encara um cen\u00e1rio oposto. A captura e o cativeiro ilegal de aves silvestres. O agente Rafael Amorin, que atua diretamente nessa \u00e1rea, explica que o munic\u00edpio \u00e9 um dos que mais registra apreens\u00f5es desse tipo em Santa Catarina.<br>Segundo ele, h\u00e1 uma forte tradi\u00e7\u00e3o cultural ligada \u00e0 captura de p\u00e1ssaros, especialmente os canoros, que s\u00e3o utilizados em torneios de canto e at\u00e9 em apostas. Entre as esp\u00e9cies mais comuns est\u00e3o o trinca-ferro, curi\u00f3, coleirinho e pintassilgo. Tamb\u00e9m h\u00e1 registros frequentes de papagaios, mantidos ilegalmente como animais de estima\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 apenas pela posse. Muitas vezes, essas aves t\u00eam alto valor no com\u00e9rcio ilegal e acabam sendo exploradas para competi\u00e7\u00f5es clandestinas\u201d, destaca.<br>No Brasil, a cria\u00e7\u00e3o de aves silvestres em cativeiro \u00e9 ilegal e punida pela Lei de Crimes Ambientais (Lei n\u00ba 9.605\/1998), especificamente no Artigo 29, que pro\u00edbe a aquisi\u00e7\u00e3o e guarda de esp\u00e9cimes silvestres sem a devida autoriza\u00e7\u00e3o. Para ter aves silvestres legalmente, \u00e9 preciso obter licen\u00e7a do IBAMA, adquirir o animal de criadores autorizados com certificado de origem e nota fiscal, e garantir que seja anilhado para comprovar que n\u00e3o foi retirado da natureza.<br>A atua\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil nas apreens\u00f5es de aves silvestres acontece a partir de den\u00fancias. Diferentemente da Pol\u00edcia Militar Ambiental, que atua de forma preventiva, a Pol\u00edcia Civil trabalha no p\u00f3s-crime, investigando os casos j\u00e1 configurados. \u201cN\u00f3s s\u00f3 podemos agir com elementos m\u00ednimos, provas que sustentem uma investiga\u00e7\u00e3o. Isso pode ser uma foto, um v\u00eddeo, at\u00e9 a grava\u00e7\u00e3o da ave no ambiente, mas precisa haver materialidade para o pedido de busca e apreens\u00e3o ser autorizado pela Justi\u00e7a\u201d, explica o agente Amorin.<br>Os n\u00fameros evidenciam a dimens\u00e3o do problema. De acordo com dados da pr\u00f3pria Pol\u00edcia Civil, em 2024 a Delegacia de Prote\u00e7\u00e3o Animal resgatou cerca de 320 animais, entre dom\u00e9sticos e silvestres. Em 2025, apenas at\u00e9 setembro, o total j\u00e1 ultrapassava 590 registros, praticamente dobrando as ocorr\u00eancias em menos de um ano. Ap\u00f3s o resgate, os animais passam por triagem veterin\u00e1ria. Com autoriza\u00e7\u00e3o do Instituto de Meio Ambiente (IMA), podem ser reabilitados e devolvidos \u00e0 natureza, ou encaminhados a zool\u00f3gicos e centros de conserva\u00e7\u00e3o.<br>Al\u00e9m das aves, a pol\u00edcia tamb\u00e9m j\u00e1 se deparou com outros animais mantidos em situa\u00e7\u00e3o irregular, como jiboias e at\u00e9 um macaco-prego, o que mostra a variedade de esp\u00e9cies envolvidas no tr\u00e1fico e na posse ilegal. Casos envolvendo esp\u00e9cies amea\u00e7adas tamb\u00e9m j\u00e1 ocorreram. O agente citou a apreens\u00e3o de papagaios-de-peito-roxo, uma esp\u00e9cie que n\u00e3o \u00e9 t\u00edpica da regi\u00e3o, mas que mesmo assim foi encontrada em resid\u00eancias da cidade. \u201cIsso mostra como o problema \u00e9 mais amplo e n\u00e3o se restringe apenas \u00e0s aves locais\u201d, ressalta.<br>Amorin refor\u00e7a que o papel da sociedade \u00e9 importante para combater esses crimes. As den\u00fancias podem ser feitas de forma an\u00f4nima pela Delegacia Virtual da Pol\u00edcia Civil, pelo telefone 181 ou ainda pelo WhatsApp dispon\u00edvel no site da corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados do site Visite Joinville indicam que o munic\u00edpio possui 488 esp\u00e9cies de aves, cerca de um quarto do total nacional Por Caroline de Apolin\u00e1rio Durante d\u00e9cadas, a ave guar\u00e1 (Eudocimus ruber) esteve ausente nos manguezais de Joinville. 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