{"id":17731,"date":"2025-12-03T16:31:51","date_gmt":"2025-12-03T19:31:51","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17731"},"modified":"2025-12-03T16:31:53","modified_gmt":"2025-12-03T19:31:53","slug":"entidade-de-joinville-promove-inclusao-e-estimula-autonomia-de-pessoas-com-deficiencia-visual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/12\/03\/entidade-de-joinville-promove-inclusao-e-estimula-autonomia-de-pessoas-com-deficiencia-visual\/","title":{"rendered":"Entidade de Joinville promove inclus\u00e3o e estimula autonomia de pessoas com defici\u00eancia visual"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A defici\u00eancia visual atinge cerca de 7,9 milh\u00f5es de brasileiros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por <em>Luana Alves Maia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Joinvilense para Integra\u00e7\u00e3o dos Deficientes Visuais (Ajidevi) foi fundada em 1981 e atende gratuitamente mais de 900 pessoas com defici\u00eancia visual entre adultos e crian\u00e7as. A entidade proporciona diferentes atividades para a reintegra\u00e7\u00e3o das pessoas na sociedade, entre elas est\u00e3o a estimula\u00e7\u00e3o multissensorial; estimula\u00e7\u00e3o visual; orienta\u00e7\u00e3o e mobilidade infantil (O.M.), atividades da vida aut\u00f4noma infantil (A.V.A.), pr\u00e9 apropria\u00e7\u00e3o a simbologia braille, educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e desporto, entre muitas outras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTem aula de nata\u00e7\u00e3o, tem aula de jud\u00f4, tem aula de xadrez. Tem um projeto de ciclismo para as pessoas passearem, tem um projeto do pessoal fazer remo, de barco\u201d, conta F\u00e1bio Junior de Souza. Ele \u00e9 formado em Geografia e faz parte da Ajidevi h\u00e1 mais de 25 anos. F\u00e1bio iniciou como paratleta, depois foi professor de m\u00fasica e atualmente faz parte da equipe de apoio pedag\u00f3gico e diretoria da Ajidevi.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Casa-dos-sentidos-ajidevi.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17732\" style=\"width:515px;height:396px\" width=\"515\" height=\"396\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><br>Professora Olivia na Casa dos Sentidos, ela est\u00e1 realizando uma atividade que simula o corte de comida<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>De acordo com informa\u00e7\u00f5es do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) a defici\u00eancia visual atinge cerca de 7,9 milh\u00f5es de brasileiros. J\u00e1 um levantamento feito pela Secretaria de Inspe\u00e7\u00e3o do Trabalho (SIT) realizado em 2024 mostra que apenas 98.977 pessoas com defici\u00eancia visual entre homens e mulheres est\u00e3o inseridas no mercado de trabalho. A desigualdade salarial ainda \u00e9 uma realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pessoa que tem defici\u00eancia, ele vai ter obst\u00e1culos a vida toda. Ela tem que o tempo todo superar limites\u201d, relata F\u00e1bio, que lida diariamente com as dificuldades de ser deficiente visual e acompanha a evolu\u00e7\u00e3o dos educandos dentro da entidade. O contato dos educandos com ferramentas que auxiliam no dia a dia \u00e9 um trabalho de reintegra\u00e7\u00e3o que faz a diferen\u00e7a e desenvolve as potencialidades de cada um.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Professor-e-bibliotecario-ajidevi.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17733\" style=\"width:516px;height:368px\" width=\"516\" height=\"368\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><br>Professor e bibliotec\u00e1rio Wallan Gabriel<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Um dos diferenciais na entidade \u00e9 o atendimento personalizado, levando em considera\u00e7\u00e3o as dificuldades individuais de cada educando e o tempo de aprendizado. \u201c\u00c9 muito da demanda individual de cada um, n\u00e3o se estipula muito o prazo. Porque um dos pap\u00e9is da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 a troca, n\u00e9? Ent\u00e3o, eu acho que al\u00e9m da quest\u00e3o da reabilita\u00e7\u00e3o, o conv\u00edvio faz muito bem para as pessoas\u201d, explica F\u00e1bio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma trajet\u00f3ria que transformou desafios e preconceito em supera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Paulo-Suldovski.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17734\" style=\"width:509px;height:618px\" width=\"509\" height=\"618\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><br>Paulo Suld\u00f3vski perdeu a vis\u00e3o total na adolesc\u00eancia<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>\u201cMe sentia perdido depois de ter acabado a escola, sem trabalho, sem perspectiva, sem saber o que fazer da vida\u201d. Quem faz esse relato \u00e9 Paulo S\u00e9rgio Suld\u00f3vski, de 45 anos. Paulo \u00e9 deficiente visual, formado em Pedagogia e atualmente trabalha na Funda\u00e7\u00e3o Catarinense de Educa\u00e7\u00e3o Especial. Um dos seus maiores desafios foi enfrentar a realidade de um mercado de trabalho carregado de preconceito e descredibiliza\u00e7\u00e3o. Foi com o apoio de familiares, amigos e sua inclus\u00e3o na Associa\u00e7\u00e3o Joinvilense para Integra\u00e7\u00e3o dos Deficientes Visuais (Ajidevi) que Paulo conseguiu superar as barreiras do preconceito e mudar a sua realidade de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo tinha baixa vis\u00e3o desde que nasceu devido a uma condi\u00e7\u00e3o rara conhecida como vitreorretinopatia exsudativa familiar (FEVR). Essa doen\u00e7a causa uma m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o dos vasos sangu\u00edneos na retina, especialmente na periferia. Com o olho esquerdo ele conseguiu enxergar at\u00e9 sua adolesc\u00eancia, por volta dos 14 anos. \u201cNo in\u00edcio dos anos noventa tive uma hemorragia e ali realmente n\u00e3o teve mais o que fazer\u201d. Paulo precisou realizar uma cirurgia de descolamento de retina e sua vis\u00e3o caiu para 10%. \u201cEu enxerguei isso at\u00e9 2006, quando eu fiz 25 anos. Eu tinha 25 anos\u201d, comenta Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando perdeu a vis\u00e3o completamente, em 2006, Paulo se viu diante de uma nova realidade e precisou enfrentar in\u00fameros desafios. \u201cComo pessoa cega, tive aquela quest\u00e3o da vergonha de usar bengala. A minha fam\u00edlia, alguns membros n\u00e3o sabiam lidar com isso, eu tamb\u00e9m n\u00e3o\u201d. Depois de alguns anos, Paulo voltou a estudar e fez parte do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Defici\u00eancia (Conede).<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu relato, Paulo diz que a tecnologia ajuda muito na quest\u00e3o de acessibilidade e acesso a informa\u00e7\u00f5es. Leitor de telas para celular, televis\u00e3o e dispositivos inteligentes como a Alexa o auxiliam diariamente na rotina. A parte mais desafiadora continua sendo o preconceito, \u201cesse descr\u00e9dito, essa inferioriza\u00e7\u00e3o da pessoa com defici\u00eancia. Muita gente vai dizer assim: \u2018\u00c9 mimimi\u2019. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mimimi, a gente sabe que n\u00e3o \u00e9. E \u00e9 isso, o preconceito est\u00e1 enraizado na sociedade em geral.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A infantiliza\u00e7\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia ainda segue sendo um problema atual. \u201cA principal dificuldade n\u00e3o \u00e9 nossa, a dificuldade \u00e9 das pessoas em nos aceitar, em nos entender, em se disponibilizar a compreender que uma pessoa com defici\u00eancia, ela \u00e9 um ser produtivo, um ser ativo na sociedade\u201d, comenta Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com concurso p\u00fablico, profiss\u00e3o est\u00e1vel e muito respeito no \u00e2mbito profissional, a principal conquista de Paulo foi sair da aposentadoria por invalidez, onde permaneceu durante oito anos. \u201cN\u00e3o me envergonha, porque era necess\u00e1rio para mim naquele momento e voltar ao mercado de trabalho, sempre evoluindo, conseguindo melhores coloca\u00e7\u00f5es\u201d, diz Paulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professores e educandos aproveitam novos materiais na sala de Braille<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17735,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[97,20,4,2122,2007],"tags":[44,1577,108,57,469,48,34],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17731"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17731"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17731\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17736,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17731\/revisions\/17736"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17735"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}