{"id":17761,"date":"2025-12-08T15:27:04","date_gmt":"2025-12-08T18:27:04","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17761"},"modified":"2025-12-08T15:27:05","modified_gmt":"2025-12-08T18:27:05","slug":"quem-cuida-da-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/12\/08\/quem-cuida-da-agua\/","title":{"rendered":"Quem cuida da \u00e1gua?"},"content":{"rendered":"\n<p>Fam\u00edlias de S\u00e3o Bento do Sul mostram que preservar o meio ambiente pode auxiliar na seguran\u00e7a h\u00eddrica da cidade<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Larissa Hirt<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e1rea rural de S\u00e3o Bento do Sul, em meio a \u00e1rvores, estradas de terra e pontes para atravessar, existem fam\u00edlias que ajudam a preservar a \u00e1gua que abastece a popula\u00e7\u00e3o da cidade. Anice e Clovis Flaukoski Wactawski s\u00e3o um exemplo desse trabalho. Aos 77 anos, o casal j\u00e1 n\u00e3o planta mais no terreno como antigamente, deixando o espa\u00e7o arrendado e cuidando de uma planta\u00e7\u00e3o para consumo pr\u00f3prio. Mas tem algo que, desde 2010, os enche de orgulho: o trabalho volunt\u00e1rio no projeto\/programa Produtor de \u00c1gua do Rio do Vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa faz parte do Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (PSA), do Sistema Aut\u00f4nomo de \u00c1gua e Esgoto (Samae) de S\u00e3o Bento do Sul, criado em 2010. A iniciativa consiste em pagar aos produtores rurais volunt\u00e1rios uma porcentagem pelo trabalho de preserva\u00e7\u00e3o realizado em volta do Rio Vermelho. Como explicou Paulo Schwirkowski, coordenador do programa e diretor de opera\u00e7\u00f5es do sistema de esgoto sanit\u00e1rio do Samae, \u00e9 uma compensa\u00e7\u00e3o por um peda\u00e7o de terra antes utilizado para o plantio, mas que passa a ser usado para preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Podem participar os moradores com propriedades na microbacia do Rio Vermelho. Segundo o edital, \u00e9 uma \u00e1rea a partir da lagoa de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, localizada no cruzamento das ruas Estrada Carlos Muhlmann e Estrada Francisco Wiecinovski at\u00e9 a nascente mais distante.&nbsp; Al\u00e9m de estarem inseridos na bacia, com a propriedade localizada antes da capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do Samae, o terreno deve estar no nome do interessado em participar e com a matr\u00edcula regularizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Clovis e Anice fazem parte desse contexto, com uma resid\u00eancia no bairro Rio Vermelho Povoado. Quem passa pela resid\u00eancia do casal nem consegue imaginar que um dia aquele corredor, hoje cheio de vegeta\u00e7\u00e3o e \u00e1rvores nativas, era usado para o plantio. E, apesar de parecer uma pequena mudan\u00e7a, deixar de plantar em 15 metros e reflorestar o espa\u00e7o contribui muito para a qualidade da \u00e1gua. \u201cNa \u00e9poca de replantio, fica a terra exposta. Vem a chuva e leva a parte da terra, e, antes, tudo isso acabava no rio. Agora n\u00e3o, isso fica parado no meio da vegeta\u00e7\u00e3o, e o que chega no rio \u00e9 praticamente \u00e1gua limpa\u201d, explica Paulo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Paulo-Schwirkowski-coordenador-do-PSA-Foto-Larissa-Hirt-scaled.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17764\" style=\"width:520px;height:390px\" width=\"520\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Paulo-Schwirkowski-coordenador-do-PSA-Foto-Larissa-Hirt-scaled.jpeg 2560w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Paulo-Schwirkowski-coordenador-do-PSA-Foto-Larissa-Hirt-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Paulo-Schwirkowski-coordenador-do-PSA-Foto-Larissa-Hirt-2048x1536.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 520px) 100vw, 520px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Paulo Schwirkowski, coordenador do PSA | Foto &#8211; Larissa Hirt<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Uma a\u00e7\u00e3o simples, combinando o plantio de \u00e1rvores e a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o da natureza, serve at\u00e9 para barrar os agrot\u00f3xicos da lavoura. \u201cNunca \u00e9 100% eficiente, mas \u00e9 uma boa ajuda. E tamb\u00e9m serve como corredor ecol\u00f3gico. Porque os animais migram, v\u00e3o de um lugar para outro, e eles evitam \u00e1reas abertas, n\u00e9? Ent\u00e3o, eles usam isso daqui como \u00e1rea de corredor mesmo\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 s\u00f3 uma das maneiras de os produtores rurais contribu\u00edrem. Tamb\u00e9m s\u00e3o implementadas a\u00e7\u00f5es como conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas com vegeta\u00e7\u00e3o nativa, a restaura\u00e7\u00e3o de \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente e Reserva Legal e de \u00e1reas priorit\u00e1rias para conserva\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos, bem como pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o em lavouras e pastagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo \u00e9 cercar em volta das nascentes, em locais onde possuem vacas ou gado por perto. Nesse contexto, cercar a nascente ajuda a manter a vaz\u00e3o de \u00e1gua dela. Rog\u00e9rio Pietrzack, engenheiro-agr\u00f4nomo da Epagri, explicou que, muitas vezes, se o animal for at\u00e9 essa nascente beber \u00e1gua, pode acabar pisando no local e aterrando o olho d\u2019\u00e1gua. \u201cN\u00e3o s\u00f3 isso, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pisoteio, mas ele come\u00e7a a desmatar ao redor tamb\u00e9m, ele come\u00e7a a deixar limpo e bate mais sol, acaba degradando aquela \u00e1gua e aquele olho da \u00e1gua acaba secando\u201d, complementa. Pode parecer apenas um fio de \u00e1gua, mas, somado ao dos vizinhos, ele ajuda a formar o rio que abastece a cidade, lembrou o engenheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia da visita da equipe de fiscaliza\u00e7\u00e3o ao produtor rural, era isso que Clovis estava mostrando: as nascentes. Contente, comentou como elas est\u00e3o bonitas e bem cuidadas, e fez quest\u00e3o de mostrar cada canto da propriedade, sem se importar em passar pelas cercas ou as descidas \u00edngremes. Afinal, como ele mesmo disse, \u00e9 algo que gosta de fazer. N\u00e3o s\u00f3 ele. Preservar j\u00e1 est\u00e1 no sangue do casal. Pelo local, especialmente pr\u00f3ximo \u00e0 casa, \u00e9 poss\u00edvel notar uma variedade de plantas, flores e mudas em vasos, esperando a hora adequada para serem plantadas pelo terreno.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Fiscalizacao-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-1-scaled.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17767\" style=\"width:591px;height:443px\" width=\"591\" height=\"443\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Fiscalizacao-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-1-scaled.jpeg 2560w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Fiscalizacao-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-1-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Fiscalizacao-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-1-2048x1536.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 591px) 100vw, 591px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fiscaliza\u00e7\u00e3o na propriedade de Clovis e Anice | Foto &#8211; Larissa Hirt<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong><em>Pensando no futuro<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Engana-se quem pensa que o casal passou a pensar com essa mentalidade s\u00f3 em 2010. Anice comentou que j\u00e1 era uma realidade na fam\u00edlia. \u201cEu achei que era bom [participar do programa]. Um dia a gente tem que pensar nos filhos, nos netos. Eles v\u00e3o precisar de \u00e1gua um dia. Se o pessoal destr\u00f3i tudo, nossa, a \u00e1gua est\u00e1 ficando fraca. Eu j\u00e1 penso assim, n\u00e9? Est\u00e1 diminuindo\u201d, refletiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos a pensar assim. O processo para a \u00e1gua chegar at\u00e9 as resid\u00eancias come\u00e7a na capta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 a adu\u00e7\u00e3o, quando ela \u00e9 transportada por tubula\u00e7\u00f5es ou canais at\u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento. Depois, passa por v\u00e1rias etapas para garantir que fique pot\u00e1vel e vai ser reservada para ser distribu\u00edda por uma rede de tubula\u00e7\u00f5es at\u00e9 as resid\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em S\u00e3o Bento do Sul, esse processo come\u00e7a um pouco antes, sendo feito por v\u00e1rias m\u00e3os. O projeto que come\u00e7ou com 17 propriedades, hoje j\u00e1 est\u00e1 com 34. E, se em 2010 eram 500 hectares passando por essa prote\u00e7\u00e3o, hoje s\u00e3o 1.500. Isso representa quase 30% de prote\u00e7\u00e3o da bacia do Rio Vermelho, segundo o coordenador do projeto, Paulo Schwirkowski.<br><br>Al\u00e9m de Anice e Clovis, quem participa desde 2010 da iniciativa \u00e9 o casal Marlene Cziczek Muehlmann e Jo\u00e3o Carlos Muehlmann. O convite partiu de Magno Bollmann, na \u00e9poca prefeito e um dos idealizadores do projeto, e o casal decidiu participar por ver a import\u00e2ncia do trabalho e saber que poderiam ajudar a aumentar a \u00e1gua das nascentes.<br><br>Assim como os Wactawski, os Muehlmann tamb\u00e9m j\u00e1 tinham no\u00e7\u00e3o de que preservar era o caminho para o futuro. Mas, ao entrar no PSA, essa vis\u00e3o foi ampliada. \u201cDesde quando entramos no programa, mudou muito a nossa maneira de ver o meio ambiente. Cada \u00e1rvore plantada nos mostra como a natureza nos retribui com flores, frutos e v\u00e1rias esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros e animais que nos agraciam com suas vistas\u201d, pontuou Marlene.<\/p>\n\n\n\n<p>Na propriedade do casal, h\u00e1 planta\u00e7\u00e3o de milho na \u00e9poca de ver\u00e3o e, no inverno, aveia para refor\u00e7ar a pastagem. Ainda mant\u00eam colmeias pelo terreno, mas, hoje, \u00e9 outro apicultor que cuida. Marlene reconhece que j\u00e1 havia percebido que seria necess\u00e1rio plantar \u00e1rvores nos locais desmatados por eles mesmos, \u201cpois os barrancos na beira dos rios come\u00e7aram a desmoronar, deixando o lugar triste\u201d, relatou. Na \u00e1rea desmatada pr\u00f3xima ao rio, eles cercaram e reflorestaram com mudas vindas da Prefeitura.<\/p>\n\n\n\n<p>Marlene, com 62 anos, e o esposo, com 65, entenderam o valor de cuidar do espa\u00e7o deles. Segundo ela, mais pessoas deveriam aderir, pois, ao andar pelo bairro Rio Vermelho Povoado, \u00e9 poss\u00edvel ver muitos espa\u00e7os a serem reflorestados nas beiras de rios. \u201cE o programa n\u00e3o te tira liberdade de usufruir da sua propriedade, somente nos auxilia de como come\u00e7ar e ainda nos retribui financeiramente\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Seguran\u00e7a h\u00eddrica<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Paulo Schwirkowski esclarece que a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 impedir nenhum produtor de plantar no terreno. \u201cN\u00e3o precisa chegar aqui e falar que n\u00e3o pode mais plantar, n\u00e3o pode usar nada e vamos recuperar tudo. N\u00e3o\u201d, complementa, dizendo que, se cada propriedade estiver fazendo um pouco, no geral, o resultado \u00e9 grande.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de trabalhar com o reflorestamento e a preserva\u00e7\u00e3o, o programa traz seguran\u00e7a h\u00eddrica para a cidade. Segundo Filipe Gon\u00e7alves, engenheiro sanitarista, se o manancial estiver saud\u00e1vel e com vaz\u00e3o suficiente para atender \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, automaticamente a disponibilidade h\u00eddrica ser\u00e1 preservada.<br><br>O reflorestamento e o cuidado com as nascentes auxiliam na redu\u00e7\u00e3o do assoreamento, ainda mais se existe uma mata auxiliar no entorno. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel na casa de Clovis. Uma cerca de arame divide o espa\u00e7o reflorestado e o espa\u00e7o com gado. \u00c9 n\u00edtida a diferen\u00e7a, pois, em 15 anos, as sementes plantadas cresceram e a natureza fez a sua parte. \u201c\u00c9 um trabalho que a gente gosta de fazer, n\u00e3o \u00e9 seguido, \u00e9 aos poucos. \u00c9 s\u00f3 deixar a natureza agir\u201d, disse Anice.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Fiscalizacao-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-3-scaled.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17770\" style=\"width:556px;height:417px\" width=\"556\" height=\"417\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Fiscalizacao-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-3-scaled.jpeg 2560w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Fiscalizacao-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-3-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Fiscalizacao-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-3-2048x1536.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 556px) 100vw, 556px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fiscaliza\u00e7\u00e3o na propriedade de Clovis e Anice | Foto &#8211; Larissa Hirt<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O engenheiro Filipe mencionou que estudos de casos feitos Brasil afora demonstram que, em locais onde existem projetos semelhantes ao Produtor de \u00c1gua Rio do Vermelho, a qualidade da \u00e1gua e a disponibilidade, principalmente em mananciais menores, s\u00e3o melhores. \u201cVem sendo cada vez mais comum a\u00e7\u00f5es como essa, como o Produtor de \u00c1gua. Por exemplo, no litoral, a gente j\u00e1 tem alguns munic\u00edpios que se preocupam com a quest\u00e3o da disponibilidade h\u00eddrica\u201d, pontua. Ele exemplifica, falando de Balne\u00e1rio Cambori\u00fa, que realiza a capta\u00e7\u00e3o no rio Cambori\u00fa. \u201cL\u00e1 j\u00e1 tem o Programa Produtor de \u00c1gua, visando preservar a quantidade de disponibilidade do manancial do rio Cambori\u00fa.\u201d<br><br>O engenheiro sanitarista menciona tamb\u00e9m que a pol\u00edtica p\u00fablica pode ser difundida rapidamente, e esse \u00e9 um dos pontos fortes. Mas, para ele, o ponto de dificuldade \u00e9 ter um cadastramento de todas as nascentes no meio rural. \u201cIsso ainda \u00e9 um pouco dificultoso. Eu acredito que um ponto a melhorar seria esse, sabe? Se tivesse um cadastramento ok de todas as nascentes, j\u00e1 ajudaria muito na quest\u00e3o de conseguir fazer esse programa mais r\u00e1pido\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Desafios<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi justamente um dos desafios do projeto no in\u00edcio. O PSA teve origem a partir da necessidade de cumprir um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual e de regulamenta\u00e7\u00e3o da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Rio Vermelho\/Humbold. O TAC respondia ao crime ambiental promovido pelo corte de tr\u00eas arauc\u00e1rias e outras quatro \u00e1rvores nativas, sem licen\u00e7a ambiental, pelo Samae.<\/p>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o os produtores ficavam com receio de participar. Afinal, como citou Paulo Schwirkowski, era uma novidade e os moradores achavam suspeito o governo municipal oferecer dinheiro. \u201cAchavam que o governo ia tomar a posse da terra, que n\u00e3o ia mais poder plantar, n\u00e3o ia mais poder ter gado, sabe? Ent\u00e3o, poucos queriam, n\u00e9? Foi conversado com dezenas de propriet\u00e1rios da \u00e9poca, feitas reuni\u00f5es, tudo. S\u00f3 17 concordaram. E, ao longo do tempo, isso foi mudando\u201d, pontua Paulo.<br><br>Hoje \u00e9 bem-visto pela popula\u00e7\u00e3o em torno do rio. E o desafio j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais conseguir pessoas para participar, e sim ter a verba para todos. No momento, a quantidade de propriedades a serem credenciadas est\u00e1 limitada \u00e0 quantidade de recursos financeiros dedicados ao programa. Mas a expans\u00e3o \u00e9 cont\u00ednua, segundo o coordenador, por\u00e9m \u00e9 de pouco em pouco. Por exemplo, em 2024 foram pagos 110 mil reais aos produtores. Este ano, o valor pago ser\u00e1 de 130 mil. \u201cSe fosse hoje bater de porta em porta, iria ter muitas propriedades, teriam mais de 50 com toda certeza.\u201d<br><br>Mas existe uma limita\u00e7\u00e3o de recursos e de equipe. Afinal, o trabalho dos produtores precisa ser acompanhado, para ver se realmente est\u00e3o com os cuidados em dia. Aos poucos, a equipe est\u00e1 crescendo e o recurso tamb\u00e9m, para que, assim, mais propriedades participem, ampliando a preserva\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a h\u00eddrica do local.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Rio-vermelho-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-1-scaled.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17765\" style=\"width:566px;height:425px\" width=\"566\" height=\"425\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Rio-vermelho-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-1-scaled.jpeg 2560w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Rio-vermelho-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-1-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Rio-vermelho-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-1-2048x1536.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 566px) 100vw, 566px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rio vermelho na propriedade de Clovis e Anice | Foto &#8211; Larissa Hirt<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong><em>Como funciona a fiscaliza\u00e7\u00e3o?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O projeto&nbsp; possui um Comit\u00ea Gestor do Programa Municipal de Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais, respons\u00e1vel tamb\u00e9m pela avalia\u00e7\u00e3o das propostas dos produtores. O comit\u00ea \u00e9 composto por membros do Samae, Cons\u00f3rcio Intermunicipal Quiriri, representantes da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Epagri e Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas fiscaliza\u00e7\u00f5es, que acontecem pelo menos uma vez por ano, os membros do Samae e outros parceiros do comit\u00ea visitam as propriedades que fazem parte do projeto. Geralmente, s\u00e3o feitas duas visitas por dia. No local, eles acompanham o propriet\u00e1rio, que mostra o espa\u00e7o, as melhorias, nascentes e a margem dos rios. \u00c9 tamb\u00e9m um momento de tirar d\u00favidas. A propriet\u00e1ria Marlene comentou que, para eles, a visita \u00e9 importante para auxiliar com novas maneiras de continuar com a preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Equipe-do-Samae-e-o-engenheiro-agr.-na-fiscalizacao-Foto-Larissa-Hirt-scaled.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17763\" style=\"width:570px;height:429px\" width=\"570\" height=\"429\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Equipe-do-Samae-e-o-engenheiro-agr.-na-fiscalizacao-Foto-Larissa-Hirt-scaled.jpeg 2560w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Equipe-do-Samae-e-o-engenheiro-agr.-na-fiscalizacao-Foto-Larissa-Hirt-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Equipe-do-Samae-e-o-engenheiro-agr.-na-fiscalizacao-Foto-Larissa-Hirt-2048x1536.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Equipe do Samae e o engenheiro agr. na fiscaliza\u00e7\u00e3o | Foto &#8211; Larissa Hirt<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m a partir da fiscaliza\u00e7\u00e3o que os valores de pagamento s\u00e3o definidos. A tabela de pagamento considera o estado atual da propriedade, ou seja, o quanto de vegeta\u00e7\u00e3o tem no local, quantas nascentes, a dimens\u00e3o da propriedade e o cuidado geral com a propriedade. E avalia anualmente, conforme as melhorias s\u00e3o realizadas. Os contratos s\u00e3o realizados pelo prazo de um ano, podendo ser prorrogados por igual per\u00edodo por crit\u00e9rio do Samae. Atualmente, o valor m\u00ednimo que uma propriedade pode entrar ganhando \u00e9 meio sal\u00e1rio m\u00ednimo. O sal\u00e1rio m\u00ednimo est\u00e1 hoje em 1.518 reais; portanto, meio sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 759 reais. \u201cMesmo que entre uma propriedade que tenha 500 m\u00b2, ela vai ganhar meio sal\u00e1rio m\u00ednimo. Porque, se eu for usar a tabela da avalia\u00e7\u00e3o, ela iria ganhar, tipo, 20 reais por ano. A\u00ed n\u00e3o adianta, ningu\u00e9m vai participar\u201d, explicou Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o valor m\u00e1ximo \u00e9 de 8 mil reais. O controle com valores m\u00e1ximos e m\u00ednimos foi implementado para que o programa possa contemplar todos os participantes. \u201cTem propriedade de 300 hectares. Ela iria ganhar, se fosse aplicar a tabela, iria ganhar sozinha 80 mil por ano. Iria acabar com o recurso e&nbsp; n\u00e3o \u00e9 esse o objetivo.\u201d Mesmo que um morador comece com o valor m\u00ednimo, ele pode ir aumentando conforme as melhorias feitas na propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para muitos propriet\u00e1rios, \u00e9 uma boa ajuda financeira. Anice e Clovis comentaram que o valor ajuda com as despesas de casa. \u201cAinda d\u00e1 para comprar uma coisinha meio diferente\u201d, disse Clovis. Anice complementou, falando que o valor ganho pelo incentivo \u00e9 maior que o aluguel do terreno arrendado.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Fiscalizacao-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-5-scaled.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17766\" style=\"width:522px;height:392px\" width=\"522\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Fiscalizacao-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-5-scaled.jpeg 2560w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Fiscalizacao-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-5-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Fiscalizacao-na-propriedade-de-Clovis-e-Anice-Foto-Larissa-Hirt-5-2048x1536.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fiscaliza\u00e7\u00e3o na propriedade de Clovis e Anice | Foto &#8211; Larissa Hirt<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong><em>Um orgulho<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do valor financeiro, para os propriet\u00e1rios, existe tamb\u00e9m um valor gratificante, por saberem que est\u00e3o contribuindo com o munic\u00edpio. \u201cEu me sinto muito feliz. Queria que os outros fizessem parte\u201d, sorrindo, comenta Anice. Para ela, \u00e9 uma tristeza ver os vizinhos com o trator at\u00e9 o rio e a \u00e1gua levando a terra. J\u00e1 Marlene diz se sentir mais humana e capaz de mudar o modo de pensar e agir com o meio ambiente. \u201cA consci\u00eancia do dever cumprido n\u00e3o tem pre\u00e7o! Recomendo a todas as pessoas fazerem parte do programa Produtor da \u00c1gua do Rio Vermelho. A natureza agradece.\u201d&nbsp; &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlias de S\u00e3o Bento do Sul mostram que preservar o meio ambiente pode auxiliar na seguran\u00e7a h\u00eddrica da cidade Por Larissa Hirt Na \u00e1rea rural de S\u00e3o Bento do Sul, em meio a \u00e1rvores, estradas de terra e pontes para atravessar, existem fam\u00edlias que ajudam a preservar a \u00e1gua que abastece a popula\u00e7\u00e3o da cidade. 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