{"id":17779,"date":"2025-12-09T16:56:17","date_gmt":"2025-12-09T19:56:17","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17779"},"modified":"2025-12-09T16:56:37","modified_gmt":"2025-12-09T19:56:37","slug":"surfe-catarinense-conquista-espaco-no-cenario-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/12\/09\/surfe-catarinense-conquista-espaco-no-cenario-mundial\/","title":{"rendered":"Surfe Catarinense conquista espa\u00e7o no cen\u00e1rio mundial"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Por Luiza Rodrigues<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, surfistas brasileiros v\u00eam levantando t\u00edtulos na elite mundial e afirmando que a \u201cBrazilian Storm\u201d n\u00e3o era modismo. Mas, em 1\u00ba de setembro de 2025 Santa Catarina tomou as r\u00e9deas do cen\u00e1rio global: Yago Dora se tornou campe\u00e3o mundial do WCT, erguendo pela primeira vez o trof\u00e9u m\u00e1ximo<strong> <\/strong>do circuito masculino, ao passo que, em 1992, Teco Padaratz, catarinense, ganhava pela primeira vez o mundial World Men&#8217;s Qualifying Series (WQS).<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/afp\/2025\/09\/02\/yago-dora-e-campeao-mundial-de-surfe.htm?utm_source=chatgpt.com\">&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos desses atletas nasceram em praias onde o surfe n\u00e3o oferecia facilidades: mar dif\u00edcil de ser lido, correntezas perigosas e ondas exigentes, como nas valas de Barra do Sul, no litoral norte catarinense. Sem treinador, aprendiam a decifrar cada ondula\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica, com pranchas emprestadas ou equipamentos caros demais para a realidade local. \u201cMinha primeira prancha eu troquei por um pneu de bicicleta\u201d, conta Teco, que aprendeu observando da areia e, aos 13, j\u00e1 tinha um plano de carreira estruturado pelo shaper e empres\u00e1rio Avelino Bastos. O surfe, que nas d\u00e9cadas passadas era visto mais como um passatempo de quem \u201cn\u00e3o queria nada com a vida\u201d, foi ganhando contornos de dignidade, reconhecimento e estrutura. Ao longo dos \u00faltimos vinte anos, est\u00e1 saindo da margem do preconceito para ocupar o cen\u00e1rio ol\u00edmpico, consolidando-se como esporte de alto rendimento e motor de transforma\u00e7\u00e3o. Essas gera\u00e7\u00f5es anteriores tiveram papel crucial ao dar solidez ao esporte no estado, moldaram o cen\u00e1rio local e tornaram poss\u00edvel que hoje Santa Catarina erguesse o trof\u00e9u<strong>. <\/strong>\u00c9 essa hist\u00f3ria, feita de conquistas vis\u00edveis e de lutas silenciosas, que esta reportagem percorre.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2014, quando o Brasil voltou a vencer o Championship Tour com Gabriel Medina, foram oito trof\u00e9us erguidos por diferentes nomes: Adriano de Souza, \u00cdtalo Ferreira, Filipe Toledo e, em 2025, Yago Dora.<\/p>\n\n\n\n<p>No feminino, a trajet\u00f3ria tamb\u00e9m ganhou for\u00e7a. Tatiana Weston-Webb levou o Brasil \u00e0 medalha de prata nas olimp\u00edadas de 2024, \u00e0s finais do Championship Tour e foi vice-campe\u00e3 em 2021, repetindo o feito hist\u00f3rico de Silvana Lima em 2008 e 2009. Hoje, segue entre as melhores do <em>ranking<\/em>, enquanto novas surfistas como a catarinense Laura Raupp lideram nas divis\u00f5es de base.<\/p>\n\n\n\n<p>Fora d\u2019\u00e1gua, o crescimento tamb\u00e9m \u00e9 vis\u00edvel: o Brasil deve ter, at\u00e9 2026, treze piscinas de ondas artificiais em funcionamento, incluindo projetos de alto investimento como o de Curitiba, que ser\u00e1 coberto e com \u00e1gua aquecida. S\u00e3o marcos de um esporte que, em poucas d\u00e9cadas, deixou a margem para ocupar o centro da cena esportiva global, atraindo m\u00eddia, patrocinadores e novos praticantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria catarinense n\u00e3o se confunde com postal; ela \u00e9 feita de correnteza, ressaca, ressaca moral e escolhas. D\u00e9cadas de cultura de base, campeonatos locais, associa\u00e7\u00f5es organizadas, profissionais que transformaram talento em m\u00e9todo e uma gest\u00e3o que aprendeu a falar de or\u00e7amento, calend\u00e1rio, seguran\u00e7a e governan\u00e7a. Mais do que uma ascen\u00e7\u00e3o do esporte, a vit\u00f3ria responde a uma pergunta que acompanha este texto de ponta a ponta: por que Santa Catarina \u00e9 pot\u00eancia do surfe?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Claudia Santos &#8211; uma das pioneiras a representar o bodyboard feminino catarinense para o mundial<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O mar sempre foi casa para Claudia dos Santos. Joinvilense, criada na Barra do Sul (SC), filha de pescador e construtor naval, cresceu entre barcos, redes e ondas. \u201cEu j\u00e1 tinha uma liga\u00e7\u00e3o muito grande com o mar\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro com o <em>bodyboarding <\/em>aconteceu por acaso, no fim dos anos 1980, quando uma prancha trazida de S\u00e3o Paulo despertou sua curiosidade. \u201cMe apaixonei na hora. Pedi de presente e, em outubro, ganhei a minha primeira prancha junto com a minha irm\u00e3 mais velha. Ela logo desistiu, mas eu continuei\u201d, conta. Tr\u00eas meses depois, j\u00e1 competia pela primeira vez na Barra, e subia ao p\u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-09-164154.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-17780\" style=\"width:490px;height:281px\" width=\"490\" height=\"281\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivo pessoal\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Naquele per\u00edodo, o <em>bodyboarding <\/em>feminino brasileiro j\u00e1 existia, de forma ainda incipiente, mas come\u00e7ava a se firmar com nomes de peso. Claudia recorda que suas principais refer\u00eancias eram atletas que abriam caminho em um cen\u00e1rio predominantemente masculino. \u201cAs irm\u00e3s Nogueira j\u00e1 estavam competindo e conquistando espa\u00e7o. Para n\u00f3s, era uma inspira\u00e7\u00e3o ver brasileiras chegando t\u00e3o longe\u201d, afirma. Ela cita tamb\u00e9m nomes como Glenda Kozlowski, Mariana Nogueira e M\u00f4nica Rodrigues, que despontavam como pioneiras e mostravam que o esporte poderia ser levado a s\u00e9rio por mulheres. \u201cElas j\u00e1 tinham resultados expressivos, competiam fora e eram muito respeitadas. Ver isso me motivava a acreditar que eu tamb\u00e9m podia chegar l\u00e1\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na adolesc\u00eancia, os dias eram inteiros dedicados ao mar. O que era, antes, sem pretens\u00e3o de se tornar profissional, tornou-se parte do dia a dia. Claudia treinava de quatro a seis horas por dia, sempre com incentivo da fam\u00edlia. \u201cEles sempre me apoiaram muito, at\u00e9 financeiramente. Eu s\u00f3 pensava em treinar e competir.\u201d Logo vieram os circuitos catarinense e nacional. Sem t\u00e9cnico, sem psic\u00f3logo, com horas de \u00e1gua e apoio da fam\u00edlia, Claudia atravessou o Brasil aos 15 anos e embarcou sozinha para Salvador (BA) para disputar o Brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem patrocinadores fixos, contava apenas com apoios pontuais. \u201cTive ajuda de empresas de Joinville, como a Cl\u00ednica S\u00e3o Marcos e a marca de roupas Pink and Blue. Mas era sempre muito dif\u00edcil manter.\u201d Mesmo assim, persistiu.<\/p>\n\n\n\n<p>A guinada aconteceu em 1995, no ber\u00e7o do esporte. No Hava\u00ed, ficou em oitavo lugar no ranking geral e recebeu o t\u00edtulo de melhor atleta amadora do mundo naquele campeonato. A performance chamou aten\u00e7\u00e3o de uma olheira japonesa da marca Local Motion, ligada \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o Miname. \u201cEles me ofereceram um contrato que inclu\u00eda roupas, equipamentos e apoio financeiro para disputar dois campeonatos internacionais por ano. Foi assim que comecei a competir no Jap\u00e3o e no Hava\u00ed com regularidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/SaveClip.App_462698026_2282947195392153_1100293659979591846_n.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17781\" style=\"width:598px;height:397px\" width=\"598\" height=\"397\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivo pessoal\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A transi\u00e7\u00e3o definitiva para o profissional aconteceu no Jap\u00e3o, em 1995. \u201cFiquei em terceiro lugar. Quando fui receber o pr\u00eamio, percebi que era em dinheiro. A partir dali, passei a ser considerada profissional.\u201d De acordo com as regras do esporte, regulamentada pela Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Surfe (ISA), a categoria passa de amador para profissional a partir do momento em que h\u00e1 um retorno financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O contrato trouxe estabilidade rara para atletas brasileiras da \u00e9poca. Pranchas e roupas passaram a estampar seu nome, e ela recebia royalties pelos produtos. Durante oito anos, competiu em pa\u00edses como Calif\u00f3rnia, Portugal, Fran\u00e7a, Ilhas Guadalupe, Ilhas Reuni\u00e3o e Madagascar, sempre figurando entre as oito melhores do mundo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desafios de uma pioneira<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Naquele tempo, o <em>bodyboarding <\/em>feminino no Brasil ainda dava seus primeiros passos. Sem t\u00e9cnicos, psic\u00f3logos ou preparadores, Claudia administrava sozinha a rotina de treinos e competi\u00e7\u00f5es. \u201cN\u00e3o tinha treinador, psic\u00f3logo esportivo, ningu\u00e9m. Eu fazia tudo sozinha. Talvez, se tivesse esse acompanhamento, minha carreira tivesse sido ainda maior.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m lembra que a vida de atleta \u00e9 curta. \u201cA carreira dura, no m\u00e1ximo, uns dez anos. Depois, \u00e9 preciso estar pronto para outra etapa. Na minha \u00e9poca, n\u00e3o se falava disso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Se no in\u00edcio dos anos 1990 o surfe e o <em>bodyboarding <\/em>eram vistos com preconceito, hoje Claudia enxerga avan\u00e7os, mas ainda cobra incentivo. \u201cAs pessoas diziam que era coisa de vagabundo. Ainda existe esse olhar, mas j\u00e1 melhorou bastante.\u201d Para ela, falta apoio p\u00fablico: \u201cO poder p\u00fablico investe quase s\u00f3 no futebol. Outras modalidades ficam de lado. O esporte exige disciplina, dedica\u00e7\u00e3o, e pode transformar a vida de crian\u00e7as e jovens. Eu sou prova disso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>De Barra do Sul ao Jap\u00e3o, do anonimato aos p\u00f3dios mundiais, Claudia dos Santos construiu uma trajet\u00f3ria marcada pela persist\u00eancia e pelo amor ao mar. Mais do que t\u00edtulos, deixou um exemplo de disciplina e supera\u00e7\u00e3o em um esporte ainda pouco valorizado no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu me apaixonei pelo <em>bodyboarding <\/em>na primeira vez que subi numa prancha. E nunca mais desci.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Federa\u00e7\u00e3o Catarinense de Surfe &#8211; A Fecasurf<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Fundada em 1987, a Fecasurf foi a base. Organizou associa\u00e7\u00f5es, rankings, categorias de base e, principalmente, um calend\u00e1rio que mantinha a comunidade surfando com prop\u00f3sito. O segundo degrau foi a Praia da Vila, em Imbituba, que recebeu etapas da elite mundial entre 2003 e 2010. Para um adolescente que sonhava com o circuito, bastava ficar na areia para aprender: timing de s\u00e9rie, posicionamento no pico, leitura de prioridade, crit\u00e9rio de julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse encontro entre base organizada e refer\u00eancia internacional gerou algo recorrente nas entrevistas: ambi\u00e7\u00e3o informada. Quando a r\u00e9gua sobe, a prepara\u00e7\u00e3o sobe junto, e Santa Catarina foi empurrada ao patamar seguinte.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Rafael Imhof &#8211; astro da Barra do Sul tomou p\u00f3dio mundial&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O barulho do mar em Barra do Sul, no litoral norte de Santa Catarina, sempre esteve presente na vida de Rafael Imhof. Filho de uma inf\u00e2ncia dividida entre a casa da m\u00e3e e do pai ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o dos dois, ele encontrava no oceano uma esp\u00e9cie de abrigo. Primeiro no <em>bodyboarding<\/em>, ainda crian\u00e7a, Rafael \u201cinventava moda\u201d surfando em p\u00e9 na prancha de <em>bodyboard <\/em>at\u00e9 o dia em que seu pai o levou para uma loja de pranchinhas de surfe, quando se apaixonou. Descobriu n\u00e3o apenas um esporte, mas tamb\u00e9m um modo de vida. Hoje, aos 48 anos, psic\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o e <em>videomaker <\/em>por profiss\u00e3o, Rafael se v\u00ea como um <em>free surfer<\/em>, mas olha para tr\u00e1s e enxerga uma trajet\u00f3ria que acompanha o amadurecimento do pr\u00f3prio surfe catarinense.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-09-164417-e1765309510220.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-17783\" style=\"width:551px;height:579px\" width=\"551\" height=\"579\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-09-164417-e1765309510220.png 766w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-09-164417-e1765309510220-285x300.png 285w\" sizes=\"(max-width: 551px) 100vw, 551px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>\u201cEu comecei no <em>bodyboard <\/em>por uma quest\u00e3o familiar. Meus pais eram separados, ent\u00e3o o <em>bodyboard <\/em>acabou sendo uma ferramenta de divers\u00e3o. Era mais f\u00e1cil, mais acess\u00edvel. Eu pegava onda sem precisar de muito. Mas, em 1990, 1991, migrei para o surfe. Foi a\u00ed que tudo mudou\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>A transi\u00e7\u00e3o para a prancha coincidiu com o in\u00edcio das primeiras competi\u00e7\u00f5es. Rafael mergulhou de cabe\u00e7a no universo dos campeonatos, sem nunca perder a espontaneidade de quem havia aprendido a surfar pela observa\u00e7\u00e3o. \u201cGanhei v\u00e1rios campeonatos na \u00e9poca de amador. Eu surfava bem para o contexto daquele tempo. Lembro que n\u00e3o tinha t\u00e9cnico, n\u00e3o tinha refer\u00eancia de v\u00eddeo, era muito mais pelo instinto. A gente aprendia errando, caindo, olhando os outros e repetindo\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>O talento natural se confirmou com t\u00edtulos importantes. No circuito universit\u00e1rio, enquanto cursava Psicologia na Univille, foi tricampe\u00e3o catarinense. A concilia\u00e7\u00e3o entre estudos e surfe moldou um atleta disciplinado, mas tamb\u00e9m realista diante dos limites do esporte no Brasil dos anos 1990.<\/p>\n\n\n\n<p>Na virada da d\u00e9cada, Rafael conquistou um feito raro para surfistas da regi\u00e3o: um patroc\u00ednio de marca de <em>surfwear<\/em>. Mas, junto com o apoio financeiro, vieram tamb\u00e9m novas press\u00f5es. \u201cO patroc\u00ednio caiu meio de paraquedas. Eu tive que negociar sozinho, n\u00e3o tinha empres\u00e1rio, n\u00e3o tinha assessoria. Consegui uma marca, mas com isso veio a cobran\u00e7a: tinha que ter resultado, tinha que aparecer. Era uma rela\u00e7\u00e3o patr\u00e3o-empregado. Aquilo me amadureceu muito, mas tamb\u00e9m me mostrou o lado duro do surfe profissional\u201d, reflete.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-09-164604.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-17784\" style=\"width:637px;height:414px\" width=\"637\" height=\"414\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O surfe, que sempre fora uma paix\u00e3o livre, passou a carregar a exig\u00eancia de resultados. \u201c\u00c0s vezes, voc\u00ea queria s\u00f3 surfar, mas tinha que estar no p\u00f3dio, tinha que sair bem na foto. Era complicado conciliar a cobran\u00e7a com o prazer de estar no mar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Rafael constru\u00eda sua trajet\u00f3ria, Santa Catarina se consolidava como um dos ber\u00e7os do surfe brasileiro. Em praias como Barra do Sul, S\u00e3o Francisco do Sul e, mais tarde, Imbituba, o esporte ganhava cada vez mais adeptos e relev\u00e2ncia. \u201cNaquela \u00e9poca, o surfe ainda era marginalizado, visto como coisa de vagabundo. A gente ia competir e ouvia piada. Hoje \u00e9 diferente: o Brasil \u00e9 pot\u00eancia mundial, temos campe\u00f5es como Medina, \u00cdtalo e Filipe. Mas o caminho foi longo. Nos anos 90, a gente era pioneiro, fazendo por amor, sem estrutura\u201d, recorda Rafael.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo, a press\u00e3o dos campeonatos deu lugar a uma escolha mais leve. Rafael se afastou do circuito profissional, mas nunca das ondas. Tornou-se psic\u00f3logo, fot\u00f3grafo, <em>videomaker<\/em>, sempre com o mar como pano de fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje sou <em>free surfer<\/em>. N\u00e3o tenho mais aquela cobran\u00e7a, n\u00e3o preciso competir. Mas continuo vivendo o surf todos os dias. \u00c9 algo que est\u00e1 no sangue, n\u00e3o tem como tirar.\u201d A experi\u00eancia de ter vivido o surfe competitivo, aliado \u00e0 maturidade pessoal, lhe d\u00e1 uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre os rumos do esporte. Para ele, o futuro do surfe brasileiro est\u00e1 diretamente ligado ao equil\u00edbrio entre a profissionaliza\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o da ess\u00eancia. \u201cO surfe cresceu muito, virou ol\u00edmpico, tem dinheiro, m\u00eddia. Mas a ess\u00eancia n\u00e3o pode se perder. No fim das contas, \u00e9 sobre entrar no mar, sentir a onda, viver o momento. \u00c9 isso que mant\u00e9m a chama acesa\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/amador-brava-.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17785\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Ao revisitar sua trajet\u00f3ria, Rafael n\u00e3o mede as palavras: o surfe foi mais do que um esporte, foi um caminho de vida. Do <em>bodyboard <\/em>da inf\u00e2ncia \u00e0s pranchas atuais, dos t\u00edtulos universit\u00e1rios ao patroc\u00ednio exigente, cada fase deixou marcas. \u201cQuando eu penso no surfe, penso na minha vida. Tudo se mistura: a inf\u00e2ncia em Barra do Sul, as competi\u00e7\u00f5es, a faculdade, os patroc\u00ednios. Cada etapa me ensinou algo. E o mais importante \u00e9 que nunca perdi a conex\u00e3o com o mar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, sem o peso das disputas oficiais, Rafael Imhof segue como personagem fundamental para compreender o surfe catarinense \u2014 um esporte que, como ele pr\u00f3prio, amadureceu, ganhou respeito e se profissionalizou, mas ainda guarda no fundo a liberdade que o move desde sempre.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Outro Patamar&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Santa Catarina aprendeu a treinar. A rotina hoje comum nos CTs e Challengers \u2014 t\u00e9cnico, preparador f\u00edsico, psicologia esportiva, nutri\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise de v\u00eddeo \u2014 virou padr\u00e3o entre os melhores do estado. N\u00e3o \u00e9 luxo: \u00e9 o que separa o \u201cj\u00e1 muito bom\u201d do consistente. A figura do coach-filmer ganhou destaque: gravar, pausar, comparar, corrigir linha, eixo, velocidade, leitura de se\u00e7\u00e3o. \u00c9 a gram\u00e1tica de uma gera\u00e7\u00e3o que, em vez de s\u00f3 \u201cir ver no mar\u201d, estuda o mar.<\/p>\n\n\n\n<p>No plano nacional, a a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Surf (CBSurf) tomou for\u00e7a e mudou sua situa\u00e7\u00e3o em menos de tr\u00eas anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que o surfe passou a integrar o programa ol\u00edmpico, a CBSurf entrou no radar do GET \u2014 o \u00edndice de Gest\u00e3o, \u00c9tica e Transpar\u00eancia do Comit\u00ea Ol\u00edmpico do Brasil. Quando Teco Padaratz foi eleito presidente, em 2022, a nota da entidade, que varia de 0 a 10, era de 0,9, ocupando a 38\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre 39 confedera\u00e7\u00f5es. Em 2025, o cen\u00e1rio mudou radicalmente: a CBSurf alcan\u00e7ou 9,25 pontos e passou a figurar no top 3 do ranking.<\/p>\n\n\n\n<p>Padaratz atribui a virada a um esfor\u00e7o de governan\u00e7a e comprova\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias. \u201c\u00c9 <em>\u201cs\u00f3\u201d<\/em> o direito do esporte\u201d, disse. Ele explicou que, quanto mais a confedera\u00e7\u00e3o comprova a\u00e7\u00f5es em gest\u00e3o, \u00e9tica e transpar\u00eancia, como projetos sociais e ambientais, capacita\u00e7\u00e3o, pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher e comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, maior a pontua\u00e7\u00e3o no GET. Segundo ele, esse conjunto de evid\u00eancias tamb\u00e9m inclui resultados esportivos, assembleias gerais com contas aprovadas em cart\u00f3rio tr\u00eas vezes ao ano e a atua\u00e7\u00e3o de um conselho fiscal que se re\u00fane periodicamente para avaliar as finan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente detalha que a confedera\u00e7\u00e3o implementou auditoria independente e passou a cumprir \u201cuma infinidade de itens\u201d que comp\u00f5em o \u00edndice. \u201cVoc\u00ea d\u00e1 uma nota de 0 a 10 e, conforme for a sua nota, ela representa a fatia da verba das loterias para a confedera\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou. Padaratz relatou que, quando assumiu, a CBSurf tinha R$ 3,5 milh\u00f5es por ano bloqueados e n\u00e3o possu\u00eda a certifica\u00e7\u00e3o dos artigos 18 e 18-A \u2014 o \u201cselo 18\/18-A\u201d \u2014 que habilita o recebimento de recursos p\u00fablicos de prefeituras, governos estaduais e federal. Ele diz que, em seis meses, a equipe montou uma gest\u00e3o \u201cno amor \u00e0 camisa\u201d, com trabalho volunt\u00e1rio e sem garantia de pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo Darbilly, advogado oficial da CBSurf, que acompanha o tema, refor\u00e7a o requisito legal. Ele explicou que, para receber recursos descentralizados da loteria e qualquer verba federal \u2014 inclusive via Lei de Incentivo ao Esporte \u2014, as entidades precisam da Certifica\u00e7\u00e3o dos artigos 18 e 18-A da Lei Pel\u00e9, emitida pelo Minist\u00e9rio do Esporte, cumprindo os requisitos ali previstos e reproduzidos tamb\u00e9m no artigo 36 da Lei Geral do Esporte. Sem a certifica\u00e7\u00e3o, a porta de entrada para esses recursos permanece fechada.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a casa em ordem, a verba come\u00e7ou a destravar e a crescer. Padaratz contou que, ap\u00f3s a regulariza\u00e7\u00e3o das contas e a implementa\u00e7\u00e3o de compliance, o repasse anual saltou: \u201cNo ano seguinte a nossa verba j\u00e1 era R$ 7 milh\u00f5es, no outro ano R$ 10 milh\u00f5es e, neste ano, perto de R$ 11 milh\u00f5es.\u201d Ele acrescenta que a evolu\u00e7\u00e3o no GET tamb\u00e9m foi cont\u00ednua: a nota subiu de 8,65 para 9,25 de 2024 para 2025. Ainda assim, pondera que o montante final depende do desempenho das demais confedera\u00e7\u00f5es. \u201cSe outras fizeram acima de 9,25, por exemplo, a gente, mesmo com nota maior do que no ano passado, pode receber menos, porque \u00e9 um sistema para n\u00e3o dar a mesma verba para todo mundo\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo observa que a distribui\u00e7\u00e3o de recursos pelo Comit\u00ea Ol\u00edmpico segue crit\u00e9rios objetivos e prev\u00ea um piso anual. \u201cA descentraliza\u00e7\u00e3o de recursos pelo COB segue crit\u00e9rios definidos, que s\u00e3o analisados e, a depender do desempenho da confedera\u00e7\u00e3o, determinam o valor destinado\u201d, disse. Para 2025, segundo ele, o valor m\u00ednimo foi de R$ 3.581.081,08, enquanto a confedera\u00e7\u00e3o com maior repasse foi a de v\u00f4lei (CBV), com R$ 14.142.373,98.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Teco Padaratz, a trajet\u00f3ria recente da CBSurf evidencia que o cumprimento de boas pr\u00e1ticas de governan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 mera formalidade, mas um mecanismo que sustenta o financiamento do alto rendimento e das pol\u00edticas institucionais. Ele resume: quanto mais s\u00f3lida e transparente a gest\u00e3o, maiores as chances de avan\u00e7ar no GET, e de transformar nota em investimento para o esporte.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Com a modalidade no programa ol\u00edmpico, repasses via Comit\u00ea Olimpico Brasileiro (COB) passaram a depender de governan\u00e7a, \u00e9tica, transpar\u00eancia e entrega de calend\u00e1rio. Teco Padaratz, presidente da confedera\u00e7\u00e3o, descreve em n\u00fameros e contexto jur\u00eddico:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA partir do momento em que o surfe virou ol\u00edmpico, o Comit\u00ea Ol\u00edmpico inclui o surfe na distribui\u00e7\u00e3o da verba das loterias [&#8230;] a CBSurf larga no ano uma m\u00e9dia de R$ 10 milh\u00f5es de or\u00e7amento\u201d, disse. Rodrigo Darbilly, advogado oficial da Confedera\u00e7\u00e3o, detalha a base legal: a destina\u00e7\u00e3o das loterias ao esporte nasceu com a Lei 10.264\/2001 (Agnelo Piva), foi regulamentada pela Lei 13.756\/2018 e hoje \u00e9 complementada pela Lei Geral do Esporte; o COB descentraliza recursos para as confedera\u00e7\u00f5es de acordo com crit\u00e9rios de gest\u00e3o, \u00e9tica, transpar\u00eancia e desempenho, com 75% para atividade-fim e 25% para custeio. Em 2025, o surfe recebeu R$ 10.303.743,67; o piso de repasse foi R$ 3.581.081,08 e a confedera\u00e7\u00e3o com maior valor foi a de v\u00f4lei (R$ 14.142.373,98), segundo o advogado.<\/p>\n\n\n\n<p>Padaratz descreve a regra do jogo: a nota no GET (Gest\u00e3o, \u00c9tica e Transpar\u00eancia) do COB define a fatia das loterias; auditoria independente, conselho fiscal ativo e assembleias em dia contam pontos. \u201cConforme for a sua nota, isso representa a fatia da verba das loterias\u201d, afirmou. Ele diz que, quando assumiu, \u201ca verba era R$ 3,5 milh\u00f5es por ano e estava bloqueada\u201d, e que a regulariza\u00e7\u00e3o habilitou a entidade a acessar verbas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO faturamento hoje da confedera\u00e7\u00e3o supera R$ 20 milh\u00f5es por ano somando prefeituras, governos estaduais, patrocinadores, lei de incentivo e loterias.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Darbilly observa que as demonstra\u00e7\u00f5es financeiras das confedera\u00e7\u00f5es s\u00e3o p\u00fablicas nos sites institucionais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Maya Carpinelli &#8211; a nova gera\u00e7\u00e3o chegou<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><em>Em Garopaba, onde as ondas da Silveira quebram na areia, uma surfista encontrou seu destino n\u00e3o por heran\u00e7a direta, mas por uma decis\u00e3o que reescreveu os sonhos de uma jovem atleta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nascida e criada na Praia da Silveira, filha de m\u00e3e nativa e pai surfista vindo de S\u00e3o Paulo, o mar sempre foi seu playground. &#8220;Desde pequena eu amo o mar, sempre amei brincar nas ondas, ficar me jogando com meus amigos&#8221;, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o caminho para o surfe profissional n\u00e3o foi uma linha reta. Durante a inf\u00e2ncia, Maya era uma espectadora. O protagonismo nas ondas pertencia ao seu irm\u00e3o, Ian, tr\u00eas anos mais velho. Era ele quem o pai, apaixonado pelo esporte, incentivava a seguir seus passos, numa \u00e9poca em que o surfe feminino ainda lutava por visibilidade. &#8220;A real \u00e9 que o surfe \u00e9 um esporte machista, essa \u00e9 a real&#8221;, afirma Maya, com a franqueza de quem viveu a transforma\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio. &#8220;Na \u00e9poca do meu pai, era esporte de marginal. Pior ainda se fosse uma mulher surfando. N\u00e3o se via muita mulher na \u00e1gua.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o irm\u00e3o tentava, entre a press\u00e3o e a frustra\u00e7\u00e3o, dominar a prancha, Maya observava da areia. &#8220;Meu pai \u00e0s vezes me botava em cima da prancha, segurava, mas eu n\u00e3o ia surfar&#8221;, conta. O ponto de virada, o momento que redefiniria seu futuro, veio de forma inesperada.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/fd6fb161-9246-48a1-ac85-b08498d51d74.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17786\" style=\"width:592px;height:529px\" width=\"592\" height=\"529\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O &#8220;N\u00e3o&#8221; que Gerou um &#8220;Sim&#8221;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Aos 13 anos, Ian tomou uma decis\u00e3o definitiva. Em uma conversa que marcou a fam\u00edlia, ele comunicou ao pai que n\u00e3o queria mais surfar. A frustra\u00e7\u00e3o havia superado a paix\u00e3o. &#8220;Meu pai ficou super chateado, porque o sonho dele era ter o filho surfando&#8221;, lembra Maya.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesse instante que Maya, com cerca de 10, anos diss ao seu pai &#8220;Pai, tudo bem que o Ian n\u00e3o quer surfar. Eu quero surfar. Me bota pra surfar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A revela\u00e7\u00e3o foi um choque para o pai. &#8220;Ele conta essa hist\u00f3ria at\u00e9 hoje, que ficou se sentindo super mal, porque pensou: &#8216;Nossa, o tempo todo eu n\u00e3o vi que quem queria surfar mesmo era minha filha'&#8221;, relata a atleta. Aquele pedido, carregado de uma vontade genu\u00edna e at\u00e9 ent\u00e3o silenciosa, foi o in\u00edcio de tudo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3ade2733-737c-4c9d-a7a7-0246a4d0d8cb-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17787\" style=\"width:556px;height:416px\" width=\"556\" height=\"416\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O pai de Maya, al\u00e9m de ensin\u00e1-la ele mesmo, matriculou-a na Escola de Surfe Onda Azul, em Garopaba. A decis\u00e3o foi um acerto. &#8220;Foi perfeito, foi incr\u00edvel o come\u00e7o da minha conex\u00e3o com o surfe&#8221;, diz Maya. A rotina da escolinha, com uma Kombi que buscava as crian\u00e7as em casa e aulas em grupo, transformou o aprendizado em uma grande brincadeira. &#8220;Fiz um grupo de amigos que estavam aprendendo a surfar tamb\u00e9m, v\u00e1rias meninas. Foi bem mais leve o meu in\u00edcio.&#8221; Com 11 anos come\u00e7ou na escolinha e, um ano e meio depois, j\u00e1 estava competindo em campeonatos infantis e regionais. Aos 14, sagrou-se campe\u00e3 catarinense sub-14. A pandemia da Covid-19 acelerou sua transi\u00e7\u00e3o, pulando etapas do amador diretamente para o circuito profissional, onde compete at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2d75cbf6-32b8-4c37-9c5c-60b83483c9fb-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17788\" style=\"width:642px;height:428px\" width=\"642\" height=\"428\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A Luta por Espa\u00e7o na \u00c1gua<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Maya Carpinelli faz parte de uma gera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 colhe os frutos da luta de pioneiras do surfe feminino. Quando come\u00e7ou, j\u00e1 existiam categorias femininas nos campeonatos regionais, algo que n\u00e3o ocorria sempre nos anos anteriores. &#8220;Eu acredito que a minha gera\u00e7\u00e3o foi uma das primeiras com mais quantidade de mulheres&#8221;, reflete. &#8220;Tenho amigas que j\u00e1 competiam e elas tinham que correr campeonato masculino.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, como a equipara\u00e7\u00e3o de pr\u00eamios nos principais eventos mundiais, a surfista aponta que a desigualdade ainda persiste nos detalhes. &#8220;Nos crit\u00e9rios dos campeonatos, quando v\u00e3o decidir quem vai cair na \u00e1gua, \u00e0s vezes eles priorizam o masculino. Tem vezes que o mar est\u00e1 melhor e eles colocam os homens, o mar est\u00e1 menor e colocam as mulheres&#8221;, critica. &#8220;Eu discordo. Acho que todo mundo tinha que cair no mesmo tipo e condi\u00e7\u00f5es de mar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Seu conselho para as meninas que est\u00e3o come\u00e7ando \u00e9 direto: &#8220;se impor dentro da \u00e1gua.&#8221; Ela relata as in\u00fameras vezes em que homens, por puro preconceito, remaram em sua onda (&#8220;rabearam&#8221;). &#8220;Saber que a gente tem o mesmo direito de todo mundo que est\u00e1 ali dentro. A gente pode tanto quanto eles surfar e pegar v\u00e1rias ondas.&#8221;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_6387-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17789\" style=\"width:632px;height:609px\" width=\"632\" height=\"609\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_6387-scaled.jpg 2560w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_6387-1536x1481.jpg 1536w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_6387-2048x1975.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 632px) 100vw, 632px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A conex\u00e3o profunda com sua terra natal trouxe o in\u00edcio&nbsp; de um patrocinio com a Mormaii, marca de Garopaba. Para Maya, o patroc\u00ednio foi a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho. &#8220;Sempre me vi muito na Mormaii. \u00c9 uma marca de Garopaba, eu conhe\u00e7o todo mundo, considero uma fam\u00edlia.&#8221; A rela\u00e7\u00e3o, segundo ela, vai al\u00e9m dos resultados e se baseia no estilo de vida que ela representa: natureza, boas energias e, claro, muito surfe. Gra\u00e7as a esse apoio e ao de seus pais, que &#8220;se entregaram junto&#8221; ao seu sonho, Maya j\u00e1 viajou o mundo, surfando em picos lend\u00e1rios nas Maldivas, Indon\u00e9sia, Hava\u00ed e Chile.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o, base e presen\u00e7a feminina<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A cena feminina catarinense cresceu. Al\u00e9m das categorias de base mantidas no estado, a gest\u00e3o nacional criou cargos eletivos femininos, abriu forma\u00e7\u00f5es de treinadoras com chancela internacional e estabeleceu protocolos de acolhimento. O objetivo \u00e9 n\u00e3o perder talento no entroncamento mais fr\u00e1gil: a passagem da adolesc\u00eancia para o profissional, quando estudo, custo e press\u00e3o podem fragilizar carreiras promissoras.<\/p>\n\n\n\n<p>A porta de entrada, afirma Padaratz, tem sido a rede municipal: \u201cBalne\u00e1rio Cambori\u00fa tem tr\u00eas escolas p\u00fablicas de surfe numa praia de 7 km; Florian\u00f3polis, cerca de 25\u201d, disse. Ele tamb\u00e9m cita a presen\u00e7a de ex-atletas na arbitragem e em cargos t\u00e9cnicos: \u201cHoje, 70% do quadro de ju\u00edzes \u00e9 ex-atleta de ponta; entre eles, Jaqueline Silva.\u201d A confedera\u00e7\u00e3o criou uma vice-presid\u00eancia exclusiva para mulheres, com verba dedicada.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p><strong><em>\u201cCada surfista profissional tem potencial de gerar cinco empregos diretos (treinador, preparador f\u00edsico, psic\u00f3logo, nutricionista e fot\u00f3grafo\/analista).\u201d&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Padaratz tamb\u00e9m dimensiona a opera\u00e7\u00e3o da entidade: \u201cTemos cerca de 200 a 250 prestadores de servi\u00e7o fixos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Premia\u00e7\u00e3o como pol\u00edtica de reten\u00e7\u00e3o de atletas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Padaratz argumenta que, com a retra\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria tradicional do surfe, a premia\u00e7\u00e3o nacional passou a cumprir o papel de financiar a carreira: \u201cUma etapa do nacional paga R$ 500 mil; o \u00faltimo colocado sai com R$ 4 mil; o campe\u00e3o faz R$ 50 mil. No WQS, uma etapa de R$ 150 mil s\u00f3 banca os finalistas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O caso citado por ele \u00e9 o de Silvana Lima: duas Ta\u00e7as Brasil e um Dream Tour no Nordeste, al\u00e9m do t\u00edtulo brasileiro, renderam \u201cat\u00e9 R$ 180 mil em tr\u00eas semanas\u201d, com IR retido na fonte, segundo Teco. \u201cEla terminou de construir a pousada, comprou um terreno e fez a vida\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conflito de calend\u00e1rios pode impedir surfistas de conciliar WQS e WSL<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O calend\u00e1rio nacional da CBSurf, que organiza o WQS no Brasil, conflita com as datas do circuito da World Surf League (WSL). A sobreposi\u00e7\u00e3o impede que surfistas disputem simultaneamente os dois circuitos e, na pr\u00e1tica, for\u00e7a a escolha por um deles. Segundo a dire\u00e7\u00e3o da confedera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve ajuste de datas por parte da WSL, o que preservou o choque entre etapas.<\/p>\n\n\n\n<p>No panorama competitivo, a CBSurf descreve o circuito nacional como o mais robusto em n\u00famero de eventos, atletas e premia\u00e7\u00e3o. \u201cUma etapa do nosso nacional paga R$ 500 mil em pr\u00eamios. No WQS, uma etapa d\u00e1 R$ 150 mil; s\u00f3 os finalistas conseguem bancar a viagem\u201d, disse o presidente Teco Padaratz. Ele aponta que, no Dream Tour, \u201co \u00faltimo colocado sai com R$ 4 mil\u201d, enquanto o campe\u00e3o recebe R$ 50 mil, com faixas intermedi\u00e1rias que, segundo ele, \u201cajudam a sustentar a carreira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A confedera\u00e7\u00e3o afirma que vai formalizar exig\u00eancias para a realiza\u00e7\u00e3o de eventos no pa\u00eds: autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da CBSurf e da federa\u00e7\u00e3o estadual correspondente, inexist\u00eancia de conflito com o calend\u00e1rio nacional, pagamento de taxas de homologa\u00e7\u00e3o e cumprimento de protocolos de seguran\u00e7a e compliance (UTI m\u00f3vel, plano de evacua\u00e7\u00e3o de praia, pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher, entre outros). \u201c\u00c9 uma lista de <em>compliance <\/em>que a confedera\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigada a seguir e que vamos exigir que as entidades cumpram\u201d, disse Padaratz.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos fundamentos legais, o advogado Rodrigo explica que a CBSurf \u00e9 a entidade nacional reconhecida pelo Governo Federal para administrar o surfe, integrante do Sistema Nacional do Esporte, com compet\u00eancia para organizar competi\u00e7\u00f5es de alto rendimento e de base e chancelar eventos da modalidade que n\u00e3o sejam organizados por ela ou por suas filiadas. \u201cIsso garante o cumprimento das regras e a estrutura necess\u00e1ria para a seguran\u00e7a e o bem-estar dos atletas\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>As refer\u00eancias jur\u00eddicas incluem o C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro (Lei 9.503\/1997), que exige autoriza\u00e7\u00e3o expressa da confedera\u00e7\u00e3o ou das entidades estaduais a ela filiadas para a realiza\u00e7\u00e3o de provas em \u201cvia aberta \u00e0 circula\u00e7\u00e3o\u201d \u2014 conceito que, por defini\u00e7\u00e3o legal, abrange as praias. A obriga\u00e7\u00e3o foi refor\u00e7ada pela Lei Geral do Esporte: o artigo 153 determina que eventos em vias p\u00fablicas que requeiram inscri\u00e7\u00f5es \u201cdevem ser autorizados e supervisionados pela organiza\u00e7\u00e3o esportiva que administra a modalidade\u201d. Rodrigo acrescenta que, historicamente, \u201ca WSL pedia a autoriza\u00e7\u00e3o e pagava regularmente as taxas \u00e0s federa\u00e7\u00f5es estaduais\u201d, mas \u201cnos \u00faltimos anos n\u00e3o vem mais solicitando a autoriza\u00e7\u00e3o e se recusando a manter di\u00e1logo com a confedera\u00e7\u00e3o e federa\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem a autoriza\u00e7\u00e3o, a CBSurf diz que poder\u00e1 recorrer a medidas judiciais para suspender etapas que n\u00e3o atendam aos requisitos. \u201cVamos pedir um mandado de seguran\u00e7a e parar o evento com a Pol\u00edcia Federal na praia\u201d, declarou Padaratz, justificando que o objetivo \u00e9 garantir as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a para atletas, torcedores e equipes, bem como o respeito ao calend\u00e1rio nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Darbilly confirma a exig\u00eancia legal de autoriza\u00e7\u00e3o das entidades do Sistema Nacional do Esporte para eventos em vias e logradouros p\u00fablicos \u2014 conceito que inclui praias. Ele cita o C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro (Lei 9.503\/1997), art. 67, I (autoriza\u00e7\u00e3o expressa da respectiva confedera\u00e7\u00e3o&#8230;) e o art. 2\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico (praias como vias terrestres). A Lei Geral do Esporte, art. 153, refor\u00e7a que eventos em vias p\u00fablicas com inscri\u00e7\u00e3o devem ser autorizados e supervisionados pela organiza\u00e7\u00e3o que administra a modalidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que diz a lei&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 CTB, art. 67, I: prova desportiva em via aberta depende de autoriza\u00e7\u00e3o da confedera\u00e7\u00e3o\/federa\u00e7\u00e3o e permiss\u00e3o da autoridade de tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 CTB, art. 2\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico: praias s\u00e3o consideradas vias terrestres para esses efeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Lei Geral do Esporte, art. 153: eventos em vias p\u00fablicas com inscri\u00e7\u00e3o devem ser autorizados e supervisionados pela organiza\u00e7\u00e3o da modalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Teco tamb\u00e9m defende que chancela n\u00e3o \u00e9 burocracia; \u00e9 garantia de calend\u00e1rio, seguran\u00e7a e premia\u00e7\u00e3o: \u201cPraias s\u00e3o bens de uso comum. A autoridade p\u00fablica precisa organizar. A chancela evita conflito de datas, assegura UTI m\u00f3vel e plano de seguran\u00e7a e d\u00e1 respaldo jur\u00eddico.\u201d \u2014 Teco Padaratz<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem solicitou posicionamento \u00e0 WSL sobre os pontos acima. Atualizaremos este texto caso haja manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, Santa Catarina se tornou destaque global pela soma de cinco pilares que se retroalimentam:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ol>\n<li>Geografia e variedade de ondas \u2014 Em pouco mais de 560 km de costa, o estado oferece um laborat\u00f3rio de condi\u00e7\u00f5es: beach breaks cavados (Silveira, Ferrugem), ondas mais longas e pesadas (Praia da Vila, em Imbituba), valas r\u00e1pidas e correntezas (Barra do Sul, praias de S\u00e3o Francisco do Sul), al\u00e9m de picos urbanos em Florian\u00f3polis que sustentam treino di\u00e1rio com diferentes ventos e mar\u00e9s.&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Cultura de base e associativismo \u2014 Associa\u00e7\u00f5es locais atuantes e projetos de inicia\u00e7\u00e3o (inclusive escolinhas p\u00fablicas de surf) democratizaram o primeiro contato com o mar. Crian\u00e7as entram cedo, com professores, t\u00e9cnicos e preparadores cada vez mais presentes.&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Calend\u00e1rio competitivo \u2014 A Fecasurf organiza o ecossistema desde 1987, e o estado acumulou eventos internacionais (Praia da Vila sediou etapas mundiais entre 2003 e 2010), criando refer\u00eancia t\u00e9cnica para quem crescia vendo os melhores do mundo ao vivo.&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Profissionaliza\u00e7\u00e3o \u2014 A transi\u00e7\u00e3o do \u201cinstinto\u201d para o alto rendimento consolidou equipes multidisciplinares (t\u00e9cnico, prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica, psicologia esportiva, nutri\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise de v\u00eddeo), um padr\u00e3o que hoje molda a elite.&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Gest\u00e3o e investimento \u2014 A CBSurf ampliou or\u00e7amento e governan\u00e7a; a Fecasurf sustenta a base; e o circuito nacional ganhou premia\u00e7\u00e3o e previsibilidade, segurando talentos no pa\u00eds e empurrando a ponte para o cen\u00e1rio internacional.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>O t\u00edtulo de Yago \u00e9 s\u00f3 um produto desse ecossistema, a prova de que, no estado onde a leitura de vala \u00e9 of\u00edcio, a vit\u00f3ria mundial era mais quest\u00e3o de tempo do que de sorte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luiza Rodrigues Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, surfistas brasileiros v\u00eam levantando t\u00edtulos na elite mundial e afirmando que a \u201cBrazilian Storm\u201d n\u00e3o era modismo. 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