{"id":17893,"date":"2025-12-18T19:59:47","date_gmt":"2025-12-18T22:59:47","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17893"},"modified":"2025-12-18T19:59:50","modified_gmt":"2025-12-18T22:59:50","slug":"como-o-boom-migratorio-transforma-santa-catarina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/12\/18\/como-o-boom-migratorio-transforma-santa-catarina\/","title":{"rendered":"Como o \u201cboom\u201d migrat\u00f3rio transforma Santa Catarina"},"content":{"rendered":"\n<p>Estado j\u00e1 recebeu mais de 700 mil novos habitantes desde 2010, aponta IBGE<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Isabelle Buzzi<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, Santa Catarina deixou de ser apenas um destino tur\u00edstico para se tornar um dos principais receptores de novos moradores no Brasil. Os dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) mostram que o estado recebeu mais de 700 mil habitantes desde 2010, crescendo acima da m\u00e9dia nacional e atraindo pessoas em busca de seguran\u00e7a, qualidade de vida e novas oportunidades. Esse fluxo pressiona o pre\u00e7o dos im\u00f3veis, o tr\u00e2nsito, a oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos e a organiza\u00e7\u00e3o urbana e reacende a pergunta: o estado est\u00e1 preparado?<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Censo 2022, quase 25% da popula\u00e7\u00e3o catarinense nasceu fora do estado. Na capital do estado, Florian\u00f3polis, o \u00edndice chega a 39%. Entre 2017 e 2022, foram mais de 503 mil chegadas interestaduais, resultando em um saldo migrat\u00f3rio positivo acima de 354 mil pessoas. Florian\u00f3polis, Joinville, Palho\u00e7a, Itaja\u00ed e Blumenau lideram as entradas em SC.<\/p>\n\n\n\n<p>Para especialistas, o estado soube construir uma narrativa poderosa que conecta o imagin\u00e1rio da \u201cvida mais tranquila\u201d ao desejo das classes m\u00e9dias urbanas. A arquiteta e urbanista Tayna Vicente observa, por\u00e9m, que o fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo. \u201cO perfil de quem chega mudou. H\u00e1 quem venha pela subsist\u00eancia e quem venha pela ideia de qualidade de vida. Esses grupos vivem experi\u00eancias muito diferentes aqui\u201d, diz. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, isso tamb\u00e9m acentua rea\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>\u201cH\u00e1 movimentos xen\u00f3fobos, especialmente contra pessoas vindas do Norte e Nordeste ou que chegam em vulnerabilidade. J\u00e1 quem migra com base econ\u00f4mica s\u00f3lida encontra menos barreiras.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para evitar que o crescimento aprofunde desigualdades, Tayna defende pol\u00edticas intersetoriais focadas nas pessoas e n\u00e3o apenas no mercado. \u201cParece ut\u00f3pico, mas \u00e9 assim que se constr\u00f3i pertencimento e se evita que o desenvolvimento expulse quem sempre esteve ali.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Se os especialistas observam tend\u00eancias, quem se mudou sente o impacto no cotidiano. A ga\u00facha Duani Verlindo de Lima, publicit\u00e1ria, vive em Joinville h\u00e1 nove meses. A mudan\u00e7a ocorreu por trabalho: sua esposa recebeu proposta no setor de constru\u00e7\u00e3o civil, que cresce aceleradamente na regi\u00e3o. \u201cA gente quase n\u00e3o conhecia o norte do estado. As empresas contratam muita gente de fora porque falta m\u00e3o de obra qualificada aqui\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o trouxe contrastes. Vinda de Porto Alegre, Duani sentiu falta de uma vida urbana mais diversa. \u201cPorto Alegre \u00e9 muito cultural. Aqui, senti pouca oferta de lazer e menor abertura das pessoas. Meu conv\u00edvio \u00e9 basicamente com colegas de trabalho.\u201d A infraestrutura tamb\u00e9m a surpreendeu. \u201cJoinville parece ter passado por um boom muito r\u00e1pido. Ruas estreitas, tr\u00e2nsito intenso, muita gente chegando ao mesmo tempo.\u201d Para ela, o estado tem estrutura para receber migrantes, mas cidades como Joinville ainda n\u00e3o se readequaram totalmente ao novo ritmo populacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A press\u00e3o demogr\u00e1fica modela o mercado imobili\u00e1rio. Incorporadoras ampliam lan\u00e7amentos, bairros se verticalizam e cidades disputam moradores com marketing agressivo. O corredor litor\u00e2neo entre Florian\u00f3polis e Joinville concentra quase 80% do crescimento. Itapema, uma das cidades que mais cresce proporcionalmente no Brasil, e Penha, tamb\u00e9m registram alta acima da m\u00e9dia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que explica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A migra\u00e7\u00e3o para Santa Catarina envolve fatores objetivos e subjetivos. Entre os principais motivos citados por quem chega est\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a maior que a m\u00e9dia nacional;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; custo-benef\u00edcio atrativo para quem vem de grandes capitais;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; possibilidade de trabalhar remotamente;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; contato com natureza e \u00e1reas preservadas, clima mais ameno e infraestrutura urbana considerada \u201corganizada\u201c.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Santa Catarina lidera saldo migrat\u00f3rio no pa\u00eds<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gr\u00e1fico mostra que Santa Catarina lidera disparado o saldo migrat\u00f3rio positivo do pa\u00eds, enquanto estados como Rio de Janeiro, Maranh\u00e3o e Distrito Federal apresentam os maiores saldos negativos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-12-18-at-18.52.36.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17894\" style=\"width:481px;height:204px\" width=\"481\" height=\"204\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-12-18-at-18.52.36.jpeg 1600w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-12-18-at-18.52.36-1536x652.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 481px) 100vw, 481px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Mercado aquece e empreendimentos transformam cidades<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A chegada de novos moradores colocou o mercado imobili\u00e1rio catarinense entre os mais aquecidos do pa\u00eds. Incorporadoras ampliam lan\u00e7amentos e bairros antes residenciais passam por r\u00e1pida verticaliza\u00e7\u00e3o. Em Balne\u00e1rio Cambori\u00fa, pr\u00e9dios cada vez mais altos redesenham a orla. Em Florian\u00f3polis, a demanda pressiona \u00e1reas tradicionalmente protegidas. Joinville concentra novos empreendimentos no centro, enquanto Chapec\u00f3 registra expans\u00e3o de condom\u00ednios horizontais ligados \u00e0 classe m\u00e9dia alta. Os pre\u00e7os acompanham esse movimento. O valor do metro quadrado cresce acima da renda local e im\u00f3veis antes acess\u00edveis deixam de caber no or\u00e7amento de moradores antigos.<\/p>\n\n\n\n<p>A faixa litor\u00e2nea entre Florian\u00f3polis e Joinville concentra a maior parte do aumento populacional e se torna s\u00edmbolo do novo boom imobili\u00e1rio. Itapema e Penha registram crescimentos muito superiores \u00e0 m\u00e9dia nacional, impulsionados por turismo, empregos e estrat\u00e9gias de marketing territorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o \u00cdndice FipeZAP de setembro de 2025, quatro das cinco cidades com o metro quadrado mais caro do Brasil est\u00e3o em Santa Catarina. Balne\u00e1rio Cambori\u00fa, Itapema, Itaja\u00ed e Florian\u00f3polis comp\u00f5em a lista que tem apenas Vit\u00f3ria fora do estado. O cen\u00e1rio levanta alertas sobre gentrifica\u00e7\u00e3o, quando o desenvolvimento expulsa moradores de menor renda e altera o perfil cultural de bairros inteiros. Casos como Veneza, Barcelona e Lisboa mostram como turismo e valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria podem esvaziar centros tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>A arquiteta e urbanista Tayna Vicente explica que o primeiro sinal \u00e9 o afastamento de comunidades como pescadores e cai\u00e7aras. Ela afirma que a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, combinada \u00e0 press\u00e3o tur\u00edstica, torna dif\u00edcil a perman\u00eancia dessas popula\u00e7\u00f5es. Para identificar o processo, sugere quest\u00f5es essenciais: para quem \u00e9 a requalifica\u00e7\u00e3o, quem ser\u00e1 beneficiado, quem poder\u00e1 permanecer e se os alugu\u00e9is v\u00e3o aumentar. Segundo ela, a cidade fornece suporte identit\u00e1rio e retirar pessoas de seus espa\u00e7os vividos significa retirar parte de sua cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Santa Catarina, os sinais ainda s\u00e3o iniciais, mas percept\u00edveis. Moradores relatam dificuldade crescente para permanecer nos mesmos bairros. Em algumas \u00e1reas, o aluguel cresce mais r\u00e1pido que a renda, enquanto empreendimentos de alto padr\u00e3o substituem casas antigas e com\u00e9rcio local. Tayna defende pol\u00edticas p\u00fablicas que reconectem planejamento urbano \u00e0s pessoas e n\u00e3o apenas ao mercado. Para ela, cidades sustent\u00e1veis exigem a\u00e7\u00f5es integradas que preservem saberes locais e redes de conviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sem o turismo massivo europeu, Santa Catarina enfrenta a for\u00e7a de uma narrativa de desejo que valoriza a vida \u00e0 beira-mar, a est\u00e9tica urbana aspiracional, a natureza e a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. Esse imagin\u00e1rio tende a favorecer investidores e rec\u00e9m-chegados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A FACISC aponta um d\u00e9ficit de mais de 190 mil moradias no estado, enquanto o Censo mostra aumento expressivo de moradores em favelas na Grande Florian\u00f3polis. O desafio n\u00e3o \u00e9 apenas acomodar quem chega, mas evitar que o crescimento aprofunde desigualdades e transforme cidades em territ\u00f3rios inacess\u00edveis para quem j\u00e1 vive nelas. A pergunta central \u00e9 simples e decisiva: quem poder\u00e1 continuar vivendo aqui quando o futuro finalmente chegar?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estado j\u00e1 recebeu mais de 700 mil novos habitantes desde 2010, aponta IBGE Por Isabelle Buzzi Nos \u00faltimos anos, Santa Catarina deixou de ser apenas um destino tur\u00edstico para se tornar um dos principais receptores de novos moradores no Brasil. 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