{"id":18370,"date":"2026-06-19T20:56:15","date_gmt":"2026-06-19T23:56:15","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=18370"},"modified":"2026-06-19T23:57:30","modified_gmt":"2026-06-20T02:57:30","slug":"mova-2026-promove-espaco-de-reflexao-sobre-corpo-e-corporalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2026\/06\/19\/mova-2026-promove-espaco-de-reflexao-sobre-corpo-e-corporalidade\/","title":{"rendered":"MOVA 2026 promove espa\u00e7o de reflex\u00e3o sobre corpo e corporalidade"},"content":{"rendered":"\n<p>A Mostra Viva de Arte (MOVA) de 2026 possibilitou um momento de reflex\u00e3o sobre tem\u00e1ticas atuais, como viol\u00eancia, tecnologia e explora\u00e7\u00e3o, no contexto da manifesta\u00e7\u00e3o dos corpos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Luzes, fuma\u00e7a, cheiros, imagens, tudo provoca uma sensa\u00e7\u00e3o, um sentimento, resgata uma mem\u00f3ria que nem parecia mais estar mais l\u00e1. Foi assim que a Mostra Viva de Arte (MOVA) invadiu o espa\u00e7o da Faculdade Ielusc na noite de ontem, 18. A atualidade das obras em contraste com a <em>Deutsche Schule<\/em> (pr\u00e9dio de 1866) foi o cen\u00e1rio perfeito para promover um momento de intenso contato com a arte e com tudo aquilo que ela proporciona.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A MOVA, projeto de curriculariza\u00e7\u00e3o da extens\u00e3o da faculdade, \u00e9 uma mostra de arte contempor\u00e2nea aberta ao p\u00fablico, criada e desenvolvida pelos alunos da 3\u00aa fase do curso de Publicidade e Propaganda e organizada pelos professores Jonas P\u00f4rto e Patr\u00edcia Villar.&nbsp; O tema deste ano foi \u201cCorpo e as formas que ele pode existir e se manifestar\u201d. A professora Patr\u00edcia Villar conta que a mostra de artes surgiu h\u00e1 10 anos. Na \u00e9poca, apenas alguns alunos participavam e n\u00e3o havia um espa\u00e7o f\u00edsico definido. Foi em 2018 que o evento consolidou-se.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm 2018, a gente pegou uma turma ferrada, eles falaram \u2018todo mundo vai fazer, n\u00f3s vamos pegar o pr\u00e9dio todo!\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, todos os anos, uma turma diferente organiza a mostra. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tem\u00e1tica, Patr\u00edcia diz que o tema \u201cCorpo\u201d se trata de algo muito atual e que atravessa diversas esferas da vida. Sobre as obras, a professora acrescenta que as caracter\u00edsticas de cada turma influenciam muito no teor dos conte\u00fados, que podem ser mais ou menos complexos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cCada ano tem um perfil, esse ano est\u00e1 super forte, porque essa turma \u00e9 muito forte.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Jonas P\u00f4rto destacou a import\u00e2ncia do trabalho de orienta\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o feito em sala de aula.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente trabalhou o conceito de corpo para al\u00e9m do corpo f\u00edsico, na perspectiva do corpo enquanto territ\u00f3rio, porque quando esse corpo \u00e9 invadido, violado, n\u00e3o \u00e9 apenas o corpo f\u00edsico que \u00e9 ferido, mas sim o territ\u00f3rio de exist\u00eancia de cada ser\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por dentro da exposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao adentrar o corredor da exposi\u00e7\u00e3o \u201cPorta 180\u201d, das alunas Allana Fran\u00e7a, Andr\u00e9 Giacomelli, Maria Marmol e Poliana Basquirotte, todos os sentidos s\u00e3o agu\u00e7ados. A voz feminina ao telefone pedindo socorro \u00e0 pol\u00edcia, as manchetes de jornal coladas nas paredes denunciando casos de viol\u00eancia sexual e femin\u00edcido, a luz amarela, tudo traz \u00e0 tona uma realidade que, de t\u00e3o banalizada no cotidiano, impacta de uma forma muito profunda.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Eduarda e Poliana, duas das respons\u00e1veis pela obra,\u00a0dizem que a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a realidade fa\u00e7a as pessoas refletirem sobre os crescentes casos de abuso e viol\u00eancia contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO \u00edndice de viol\u00eancia contra a mulher aumentou muito nos \u00faltimos anos. O objetivo \u00e9 que as mulheres tenham coragem para denunciar, al\u00e9m de conscientizar a todos sobre essa realidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image.jpeg\" alt=\"Mesa forrada com jornais. Em cima dela, um espelho antigo, um telefone fora do gancho e uma vitrola que reproduz \u00e1udios de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de den\u00fancia. Na parede, folhas de jornais coladas e o n\u00famero 180 escrito em tamanho grande. \" class=\"wp-image-18371\" style=\"width:403px;height:537px\" width=\"403\" height=\"537\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Na mesa, a vitrola reproduz \u00e1udios de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de den\u00fancia. Cr\u00e9ditos: Isabele Meurer<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Mais ao fundo, a obra &#8220;At\u00e9 que a morte nos separe&#8221;, das alunas Gabrielly Louise Cabral, Julia Padilha Gon\u00e7alves e Kathelen Cristina Costa Rodrigues, convida-nos a uma imers\u00e3o. O cheiro de flores e as roupas com sangue penduradas em cabides lembram um funeral de almas suspensas, que j\u00e1 n\u00e3o sofrem, j\u00e1 n\u00e3o sangram. H\u00e1 uma mala no canto, talvez representando a fuga da pr\u00f3pria vida, da pr\u00f3pria casa. Com certeza, um dos momentos mais fortes, mais viscerais, em que o lamento de v\u00e1rias mulheres se mistura ao sentimento de impot\u00eancia frente \u00e0 viol\u00eancia.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-19-at-16.45.37.jpeg\" alt=\"Sala forrada com tecido preto. Em uma das paredes, est\u00e3o escritos, com giz branco, v\u00e1rios nomes de mulheres. No centro, pe\u00e7as de roupas femininas sujas de sangue penduradas em cabides. Na mesa, no centro da sala, v\u00e1rias not\u00edcias impressas com casos de feminic\u00eddio e abusos. Sobre os papeis, p\u00e9talas de flores espalhadas. \" class=\"wp-image-18372\" style=\"width:421px;height:562px\" width=\"421\" height=\"562\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Homens visitam espa\u00e7o imersivo. No fundo, \u00e1udios de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Cr\u00e9ditos: Isabele Meurer<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Yury Jos\u00e9 veio \u00e0 mostra a convite de sua esposa, que \u00e9 acad\u00eamica de Publicidade e Propaganda. Ele contou que ficou admirado com a riqueza de detalhes na constru\u00e7\u00e3o dos cen\u00e1rios. Sobre \u201cPorta 180\u201d e &#8220;At\u00e9 que a morte nos separe&#8221;, Yury diz que se sentiu impactado de uma forma profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando a pessoa escuta os relatos reais, (mulheres ligando para a pol\u00edcia) ao fechar os olhos, fica imersa na situa\u00e7\u00e3o que ela est\u00e1 vivendo ali. Ent\u00e3o, a gente acaba se emocionando, \u00e9 bem forte.\u201d\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAto 2\u201d, das alunas Carla Giordanna Coelho, Maria Eduarda Dias Tavares e Mirela Dias Tavares, \u00e9 aquela obra pensada para causar desconforto e fazer pensar. Um banquete um tanto estranho, peda\u00e7os de corpos humanos e m\u00e3os vivas que saem debaixo da mesa comp\u00f5em uma imagem que causa repulsa. O cheiro de carne, de tempero e a menina que lambe os dedos enquanto se delicia, de forma sarc\u00e1stica, nos obriga a pensar. A frase \u201cAntes de condenar o banquete, reconhe\u00e7a o seu lugar na mesa\u201d \u00e9 um soco no est\u00f4mago e questiona de que forma devoramos e nos deixamos devorar o corpo sem nos darmos conta.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-20.21.50.jpeg\" alt=\"Mesa com toalha branca suja de sangue. Em cima, uma vela, um bra\u00e7o cenogr\u00e1fico cortado na altura do cotovelo e uma m\u00e3o de verdade saindo de um buraco na mesa. H\u00e1 tamb\u00e9m, uma placa com os dizeres &quot;Antes de condenar o banquete, reconhe\u00e7a o seu lugar na mesa&quot;. \" class=\"wp-image-18373\" style=\"width:431px;height:575px\" width=\"431\" height=\"575\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-20.21.50.jpeg 1200w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-20.21.50-1152x1536.jpeg 1152w\" sizes=\"(max-width: 431px) 100vw, 431px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Partes de um bra\u00e7o (cenogr\u00e1fico) e uma m\u00e3o (real) saindo da mesa, ao lado da placa com os dizeres &#8220;Antes de condenar o banquete, reconhe\u00e7a seu lugar na mesa. Cr\u00e9ditos: Isabele Meurer <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Pauta de muitas discuss\u00f5es na sociedade, o aborto foi tema da obra \u201cRuptura\u201d, das alunas Rebeca Gon\u00e7alves e Milena Correa. Explorando o sil\u00eancio e o vazio sentidos por quem vivenciou o aborto, a obra cria um espa\u00e7o de empatia e sensibiliza\u00e7\u00e3o. O ber\u00e7o vazio, os fios vermelhos entrela\u00e7ados, a corda ligada a uma raiz de \u00e1rvore, representando o cord\u00e3o umbilical, o sangue presente nos objetos, fralda de boca, coberta, mosquiteiro, a chupeta, o chinelinho, todo esse cen\u00e1rio lembra-nos de que, mais que uma pauta, o aborto \u00e9 um momento extremamente \u00edntimo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O mascote<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Arthur Ricardo, mascote e parte da exposi\u00e7\u00e3o da MOVA 2026, iniciou sua performance na abertura do evento. Vestido de mariposa, com asas feitas de tecido esvoa\u00e7ante e olhos vendados, Arthur movimenta-se na porta de entrada, de forma a representar os desejos que v\u00e3o al\u00e9m do que o nosso corpo permite.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO corpo \u00e9 como uma pris\u00e3o, gostando ou n\u00e3o, a gente est\u00e1 limitado a viver dentro dele. Eu queria explorar o que a gente se permitiria ser, se pudesse ir al\u00e9m. Um humano? Um inseto? Ent\u00e3o eu cheguei no conceito da metamorfose da mariposa, que foi a inspira\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o do figurino\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-19-at-17.26.25.jpeg\" alt=\"Arthur est\u00e1 vestido com um figurino com asas esvoa\u00e7antes na cor branca, feitas de tecido, uma saia curta com cortes irregulares na cor branca. Na parte de cima, veste uma esp\u00e9cie de corpete com detalhes de cordas soltas. Usa uma venda em formato triangular, imitando os olhos da mariposa e duas antenas compridas na cabe\u00e7a, parecendo duas penas. No pesco\u00e7o um tecido volumoso contorna o busto. \" class=\"wp-image-18374\" style=\"width:364px;height:618px\" width=\"364\" height=\"618\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arthur Ricardo, acad\u00eamico de Publicidade e Propaganda. Cr\u00e9ditos: Isabele Meurer <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A MOVA 2026 trouxe a todos que estiveram presentes, alunos, professores, familiares e amigos a possibilidade de pensar nas dores que cada um carrega e, principalmente, respeitar o espa\u00e7o e a dor do outro. Existir vai muito al\u00e9m de ocupar um espa\u00e7o f\u00edsico, de ser um corpo f\u00edsico, e isso p\u00f4de ser percebido nas diversas performances, instala\u00e7\u00f5es e fotografias produzidas pelos acad\u00eamicos da 3\u00aa fase do curso de Publicidade e Propaganda.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Mostra Viva de Arte (MOVA) de 2026 possibilitou um momento de reflex\u00e3o sobre tem\u00e1ticas atuais, como viol\u00eancia, tecnologia e explora\u00e7\u00e3o, no contexto da manifesta\u00e7\u00e3o dos corpos.&nbsp; Luzes, fuma\u00e7a, cheiros, imagens, tudo provoca uma sensa\u00e7\u00e3o, um sentimento, resgata uma mem\u00f3ria que nem parecia mais estar mais l\u00e1. 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