{"id":18453,"date":"2026-07-02T17:19:18","date_gmt":"2026-07-02T20:19:18","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=18453"},"modified":"2026-07-06T16:37:23","modified_gmt":"2026-07-06T19:37:23","slug":"restaurante-popular-divide-opinioes-sobre-seguranca-e-inclusao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2026\/07\/02\/restaurante-popular-divide-opinioes-sobre-seguranca-e-inclusao-social\/","title":{"rendered":"Restaurante Popular divide opini\u00f5es sobre seguran\u00e7a e inclus\u00e3o social"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Unidade do Bucarein enfrenta press\u00e3o, ap\u00f3s abaixo-assinado apresentado por vereador&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Eduarda Warmeling, Julia Kluck e Maira Silveira<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/restaurantepopular.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Cerca de mil pessoas passam diariamente pelo Restaurante Popular I Herbert Jos\u00e9 de Souza, no bairro Bucarein. O espa\u00e7o fornece refei\u00e7\u00f5es a baixo custo para pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social e garante o sustento de crian\u00e7as, adultos e idosos. Em abril deste ano, o vereador Instrutor Lucas criou um abaixo-assinado que prop\u00f5e o fechamento da institui\u00e7\u00e3o. Aumento da criminalidade e inseguran\u00e7a na regi\u00e3o foram os motivos alegados.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do argumento utilizado pelo vereador, a \u00fanica ocorr\u00eancia registrada ocorreu em 9 de abril, quando um funcion\u00e1rio ligado ao deputado estadual Sargento Lima (PL), cujo gabinete regional fica pr\u00f3ximo ao estabelecimento, foi amea\u00e7ado e teve o carro apedrejado ao tentar intervir em uma briga envolvendo pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 15 de abril, o vereador Instrutor Lucas publicou um v\u00eddeo em seu perfil no Instagram divulgando o abaixo-assinado e incentivando o fechamento do Restaurante Popular. \u201cMoradores e comerciantes da regi\u00e3o est\u00e3o com medo pela falta de seguran\u00e7a e pelo aumento da criminalidade naquele local\u201d, declara Lucas no v\u00eddeo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m sugeriu uma poss\u00edvel alternativa para o problema: \u201cEu acredito que uma das solu\u00e7\u00f5es seria transferir a alimenta\u00e7\u00e3o de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua para longe das \u00e1reas urbanas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Rotina do restaurante n\u00e3o envolve infra\u00e7\u00f5es severas<\/h3>\n\n\n\n<p>O cheiro do tempero, o barulho das tampas de panelas e o tilintar dos talheres servem de pano de fundo para a conversa com Elizabete Cristine Farias da Silva, mais conhecida como Eliza, nutricionista que trabalha no Restaurante Popular desde outubro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a profissional, o restaurante n\u00e3o deveria fechar, porque isso prejudicaria a popula\u00e7\u00e3o. \u201cO espa\u00e7o \u00e9 aberto para qualquer pessoa, inclusive para as fam\u00edlias em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade. H\u00e1 gente que vem at\u00e9 aqui de \u00f4nibus s\u00f3 para comer\u201d, informou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o vi nenhum caso de viol\u00eancia acontecer; aqui dentro \u00e0s vezes acontece algum desentendimento, mas tudo se resolve pacificamente. Quando acontece algo mais grave, temos o apoio da Guarda Municipal\u201d, relatou Eliza.<\/p>\n\n\n\n<p>O Restaurante Popular tem sido monitorado pela Guarda Municipal de Joinville, que nega a ocorr\u00eancia de graves incidentes. De acordo com a corpora\u00e7\u00e3o, os registros de ocorr\u00eancias na \u00e1rea compreendem \u201cdesentendimentos interpessoais, amea\u00e7as, uso de entorpecentes e perturba\u00e7\u00e3o do sossego alheio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Guarda Municipal informa que essas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o tratadas de forma pontual, com o objetivo de restabelecer a ordem e garantir a seguran\u00e7a tanto de quem utiliza o servi\u00e7o de alimenta\u00e7\u00e3o quanto de quem circula ou reside na regi\u00e3o. A atua\u00e7\u00e3o inclui rondas peri\u00f3dicas na regi\u00e3o, com presen\u00e7a ostensiva para inibir pr\u00e1ticas il\u00edcitas, al\u00e9m do trabalho conjunto com a Secretaria de Assist\u00eancia Social (SAS) e equipes de Abordagem Social, respons\u00e1veis pelo encaminhamento de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade aos servi\u00e7os de acolhimento e assist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mais que uma refei\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Diego, 39, vive em situa\u00e7\u00e3o de rua e frequenta o Restaurante Popular h\u00e1 3 meses. Ele reconhece que, no Bucarein, \u00e9 mais f\u00e1cil \u201cchegar \u00e0 comida\u201d. Caso haja uma mudan\u00e7a de local, ele ser\u00e1 obrigado a percorrer uma dist\u00e2ncia maior para se alimentar. Morando em Joinville desde fevereiro, Diego, que veio de Lages, conta que viveu a depend\u00eancia qu\u00edmica durante anos. \u201cJ\u00e1 passei por abrigos, estive com muitas pessoas, agora estou por aqui.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o de Diego, o restaurante n\u00e3o deveria fechar e, se isso acontecesse, prejudicaria grande parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Centro de Direitos Humanos Maria da Gra\u00e7a Br\u00e1z (CDH), os direitos da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade est\u00e3o sendo completamente desconsiderados na reivindica\u00e7\u00e3o do abaixo-assinado. \u201cIsso \u00e9 um pretexto para criar formas de impedir as pessoas de acessarem seus direitos e expuls\u00e1-las da cidade\u201d, afirmou Nasser Haidar Barbosa, coordenador geral do CDH.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Nasser, afastar das \u00e1reas centrais os servi\u00e7os destinados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de baixa renda pode intensificar a exclus\u00e3o social. \u201c\u00c9 um risco pensado e planejado, uma pol\u00edtica organizada para excluir\u201d, destaca o representante do CDH. \u201cN\u00e3o h\u00e1 como discutir qualquer outro direito humano, como moradia e trabalho, com quem est\u00e1 com fome. Primeiro matamos a fome\u201d, refor\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em not\u00edcia veiculada no site da C\u00e2mara Municipal, Rodrigo Pinheiro, coordenador-geral do Instituto Amor Incondicional (Aminc), entidade terceirizada pela Prefeitura para administrar os restaurantes populares de Joinville (Bucarein e Adhemar Garcia), afirmou que mais de 60% dos frequentadores do restaurante vivem em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar grave, ou seja, n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de realizar ao menos tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es balanceadas por dia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 Fome, os Restaurantes Populares do Brasil est\u00e3o localizados em centros urbanos com popula\u00e7\u00e3o superior a cem mil habitantes, preferencialmente instalados em locais estrat\u00e9gicos, como pr\u00f3ximo a terminais de transporte p\u00fablico e \u00e1reas com grande circula\u00e7\u00e3o de pessoas, para facilitar o acesso da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Unidade do Bucarein enfrenta press\u00e3o, ap\u00f3s abaixo-assinado apresentado por vereador&nbsp; Por Eduarda Warmeling, Julia Kluck e Maira Silveira Cerca de mil pessoas passam diariamente pelo Restaurante Popular I Herbert Jos\u00e9 de Souza, no bairro Bucarein. 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