{"id":18543,"date":"2026-08-03T15:35:48","date_gmt":"2026-08-03T18:35:48","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=18543"},"modified":"2026-08-03T15:36:35","modified_gmt":"2026-08-03T18:36:35","slug":"pec-do-fim-da-6x1-movimenta-setor-metalurgico-de-joinville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2026\/08\/03\/pec-do-fim-da-6x1-movimenta-setor-metalurgico-de-joinville\/","title":{"rendered":"PEC do fim da 6&#215;1 movimenta setor metal\u00fargico de Joinville"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Sindicatos discutem impactos da nova jornada de trabalho em um dos principais setores econ\u00f4micos do norte catarinense&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Aim\u00eae Martins, Ana Livia Dos Santos Lopes e Kethlyn Dos Santos Mariano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A metalurgia representa 3,1% do PIB brasileiro e, em Joinville, o setor representa 10% da economia local. O debate sobre o fim da escala 6&#215;1 tem provocado posi\u00e7\u00f5es divergentes entre patr\u00f5es e empres\u00e1rios e at\u00e9 a administra\u00e7\u00e3o municipal discute os impactos que a mudan\u00e7a na jornada de trabalho pode tra &nbsp; zer ao setor econ\u00f4mico mais importante da cidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A PEC 221\/2019, que prop\u00f5e a jornada m\u00e1xima de trabalho de 40 horas semanais, com dois dias consecutivos de descanso para cada cinco dias trabalhados (escala 5&#215;2), foi aprovada no dia 27 de maio pela C\u00e2mara dos Deputados. Foram 472 votos a favor e apenas 22 contra, na primeira vota\u00e7\u00e3o, e 461 a favor e 19 contr\u00e1rios na segunda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a proposta, a transi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de 14 meses. Nos dois primeiros, ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o, a carga hor\u00e1ria m\u00e1xima ser\u00e1 de 42 horas semanais e dois dias de descanso. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, deve-se consolidar definitivamente o teto de 40 horas semanais. No entanto, a PEC, que chegou ao senado no dia 28 de maio, deve passar pela Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ) antes de ir ao Plen\u00e1rio. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirma que \u00e9 preciso discutir e aperfei\u00e7oar o texto, e n\u00e3o apenas \u201ccarimb\u00e1-lo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Joinville j\u00e1 sofre com a falta de trabalhadores, em especial em fun\u00e7\u00f5es operacionais. Segundo William Escher, Secret\u00e1rio Municipal de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Inova\u00e7\u00e3o, a escassez de m\u00e3o de obra n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o direta com a jornada de trabalho, e sim porque os jovens procuram por fun\u00e7\u00f5es que n\u00e3o exigem tanto esfor\u00e7o f\u00edsico. Para Escher, reduzir a escala deve representar a perda de 10% de produtividade por pessoa, o que resultaria na necessidade de mais contrata\u00e7\u00f5es, as quais o mercado de trabalho n\u00e3o suportaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o presidente do Sindicato Metal\u00fargico de Joinville, Rodolfo Ramos, a falta de trabalhadores ocorre porque os jovens buscam melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, priorizando conforto e disponibilidade de tempo em vez do esfor\u00e7o f\u00edsico pesado e das muitas horas de trabalho. \u201cEssa gera\u00e7\u00e3o quer trabalhar para viver. Ent\u00e3o, se n\u00f3s conseguirmos unir os empres\u00e1rios e os trabalhadores numa pauta que vai trazer melhor resultado e produtividade, mais qualidade, a gente continua sendo competitivo\u201d, opina.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O impacto na vis\u00e3o de patr\u00f5es e trabalhadores<\/h3>\n\n\n\n<p>O debate sobre a escala 6&#215;1 no setor metal\u00fargico em Joinville ocorre principalmente entre o Sindicato dos Trabalhadores e o Sindicato Patronal. De acordo com dados da Prefeitura de Joinville, houve crescimento no n\u00famero de novas empresas nos \u00faltimos anos, mas 73,8% desses novos neg\u00f3cios s\u00e3o de&nbsp; Microempreendedores Individuais, o que corrobora com a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, o trabalhador deixa de trabalhar com carteira assinada e se torna um prestador&nbsp; de servi\u00e7os terceirizados. A movimenta\u00e7\u00e3o representa, muitas vezes, a perda de direitos trabalhistas, que s\u00e3o exclusivos da CLT.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo lado dos trabalhadores, o Sindicato dos Metal\u00fargicos diz que trabalhadores descansados e motivados produzem mais. Ramos cita uma experi\u00eancia local em que o aumento de intervalos no ciclo de trabalho n\u00e3o alterou o volume de produ\u00e7\u00e3o final. Ele tamb\u00e9m destaca exemplos em pa\u00edses europeus, como Alemanha e Espanha, que tamb\u00e9m reduziram a carga hor\u00e1ria e mantiveram ou at\u00e9 aumentaram a produtividade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Ramos, existe uma resist\u00eancia do setor patronal em realizar testes, apesar de evid\u00eancias de que a redu\u00e7\u00e3o da jornada n\u00e3o prejudica o faturamento industrial. Para o sindicalista, a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que tamb\u00e9m tomou conta do tema da escala 6&#215;1, acentua o impasse na discuss\u00e3o entre sindicatos, prefeitura e comunidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/IMG-20260514-WA0026.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18544\" style=\"width:556px;height:417px\" width=\"556\" height=\"417\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sindicato dos trabalhadores quer avan\u00e7o nas negocia\u00e7\u00f5es | Foto: Aim\u00eae Martins\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O executivo do Sindicato Patronal dos Metal\u00fargicos de Joinville, Vanderlei Schadeck, contesta. Ele afirma que a preocupa\u00e7\u00e3o por parte dos empres\u00e1rios \u00e9 exclusivamente com a competitividade entre as empresas, e n\u00e3o parte de uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica. \u201cO custo de reposi\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra pode chegar a 11,6%\u201d, explica Schadeck. \u201cReduzir a jornada em 10% leva a um custo maior, porque \u00e9 preciso contratar mais pessoas, pagar mais benef\u00edcios e ter um custo de gest\u00e3o maior.&#8221;&nbsp; Conforme o representante dos empres\u00e1rios, essa diminui\u00e7\u00e3o da jornada far\u00e1 o valor do produto final aumentar, e os clientes podem optar pela importa\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses. A queda nas vendas, segundo Schadeck, poderia at\u00e9 resultar em demiss\u00f5es no setor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O segmento metalmec\u00e2nico \u00e9 dividido em v\u00e1rios sindicatos patronais, e, apenas o setor de materiais el\u00e9tricos e metalurgia, representa 200 empresas, que v\u00e3o desde MEIs a grandes ind\u00fastrias, respons\u00e1veis por cerca de 22 mil trabalhadores em Joinville. Para o executivo, o Sindicato Patronal tem responsabilidade por esses empregos, o que reflete em sua cautela diante do assunto. Na conven\u00e7\u00e3o coletiva que ocorreu em mar\u00e7o deste ano, o Sindicato dos Trabalhadores trouxe a pauta de redu\u00e7\u00e3o da jornada para discuss\u00e3o. Ap\u00f3s os dois lados apresentarem seus posicionamentos, optou-se por esperar a decis\u00e3o governamental.<br><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Economistas analisam adapta\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho tende a ser um novo desafio para as grandes ind\u00fastrias. A economista C\u00edntia Ma\u00edsa Bender, 46, coordenadora do curso de Administra\u00e7\u00e3o da Faculdade Ielusc, comenta sobre os impactos negativos da redu\u00e7\u00e3o da jornada a curto prazo, por conta do aumento de gastos e rotatividade de funcion\u00e1rios. \u201cEssas empresas precisar\u00e3o aumentar o banco de horas, contratar mais pessoas e aumentar a automa\u00e7\u00e3o para continuarem atendendo \u00e0s demandas. Como a concorr\u00eancia internacional \u00e9 alta no setor, um aumento nos custos reduziria a competitividade das empresas no mercado\u201d, analisa a economista.<br><br>Segundo C\u00edntia, os benef\u00edcios dessa nova pol\u00edtica devem ser sentidos a m\u00e9dio e&nbsp; longo prazo. O aumento da produtividade dos trabalhadores e de profissionais qualificados para atuar no setor metal\u00fargico de Santa Catarina faria com que os resultados se igualassem aos obtidos com a escala 6&#215;1.<br><br>A economista Cl\u00e1udia Trentini argumenta que o maior desafio n\u00e3o \u00e9 econ\u00f4mico, mas sim da gest\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o. Ela explica que, com o planejamento adequado, pol\u00edticas de apoio \u00e0s pequenas e m\u00e9dias empresas e envolvimento dos sindicatos e das entidades empresariais, como Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de Santa Catarina (Fiesc) e Associa\u00e7\u00e3o Comercial e Industrial de Joinville (Acij), a mudan\u00e7a \u00e9 vi\u00e1vel, por\u00e9m, sem esses cuidados, o risco \u00e9 real.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O debate sobre o fim da escala 6&#215;1 ganhou destaque no Brasil, em 2024, impulsionado pelo Movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho (VAT), organizado pelo vereador do Rio de Janeiro Rick Azevedo. A pauta se tornou o assunto mais comentado na rede social X e uma peti\u00e7\u00e3o p\u00fablica pelo fim da escala 6&#215;1 levantou o apoio de 1,4 milh\u00e3o de pessoas. A partir disso, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) levou a causa para o Congresso. A proposta ultrapassou o n\u00famero m\u00ednimo de assinaturas para ser protocolada na C\u00e2mara dos Deputados e iniciar debates na Casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O texto que est\u00e1 no Senado \u00e9 um substitutivo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) para a PEC do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que previa jornada de 36 horas, e para a <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/1136412-pec-preve-a-adocao-da-jornada-de-quatro-dias-de-trabalho-para-todos-os-trabalhadores-brasileiros\">PEC 8\/25<\/a>, da deputada \u00c9rika Hilton (Psol-SP), de igual jornada em quatro dias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sindicatos discutem impactos da nova jornada de trabalho em um dos principais setores econ\u00f4micos do norte catarinense&nbsp; Por Aim\u00eae Martins, Ana Livia Dos Santos Lopes e Kethlyn Dos Santos Mariano A metalurgia representa 3,1% do PIB brasileiro e, em Joinville, o setor representa 10% da economia local. 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