{"id":18776,"date":"2026-09-25T15:20:36","date_gmt":"2026-09-25T18:20:36","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=18776"},"modified":"2026-09-25T15:31:07","modified_gmt":"2026-09-25T18:31:07","slug":"lar-emanuel-uma-historia-de-acolhimento-amor-e-luta-diaria-em-joinville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2026\/09\/25\/lar-emanuel-uma-historia-de-acolhimento-amor-e-luta-diaria-em-joinville\/","title":{"rendered":"Lar Emanuel: uma hist\u00f3ria de acolhimento, amor e luta di\u00e1ria em Joinville\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, uma casa na Rua Padre Roma, em Joinville, acolhe crian\u00e7as e adolescentes que, por diferentes motivos, precisaram ser afastados de suas fam\u00edlias. O Lar Emanuel nasceu de um gesto simples \u2014 um prato de comida oferecido a crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de rua \u2014 e se tornou uma institui\u00e7\u00e3o de acolhimento que hoje abriga 13 crian\u00e7as e adolescentes, todos sob a tutela da Justi\u00e7a, \u00e0 espera de um caminho de volta para casa, para uma nova fam\u00edlia, ou para a vida adulta.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria come\u00e7ou em 1994. O presidente e fundador Gilson Soares, que segue \u00e0 frente do projeto at\u00e9 hoje, sempre descreveu o in\u00edcio como uma orienta\u00e7\u00e3o divina. Tudo come\u00e7ou com um projeto de levar caf\u00e9 da manh\u00e3 para crian\u00e7as que estavam em situa\u00e7\u00e3o de rua. A iniciativa foi crescendo, at\u00e9 se tornar o Lar Emanuel. Era uma resid\u00eancia simples de madeira, com algumas frestas que faziam ter pingueiras em dias de chuva. Diante da situa\u00e7\u00e3o delicada e da falta de recursos, foi buscado aux\u00edlio da prefeitura. A primeira casa ficava na rua Florian\u00f3polis, com apenas uma cuidadora, sem psic\u00f3loga e sem assistente social.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nos momentos de maior aperto, ela chegava a ligar avisando que n\u00e3o havia nem uma bolacha para o almo\u00e7o do dia seguinte, e o diretor sa\u00eda correndo atr\u00e1s de doa\u00e7\u00f5es para garantir a refei\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2003, por meio&nbsp; de mission\u00e1rios vindos dos Estados Unidos, foi constru\u00edda a casa atual na rua Padre Roma, num terreno cedido pelo munic\u00edpio. Uma edifica\u00e7\u00e3o grande, mas que ficou inacabada faltando portas, janelas e acabamentos, que foram sendo completados aos poucos, com ajuda da comunidade.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ChatGPT-Image-25-de-set.-de-2026-15_12_56.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-18785\" style=\"width:393px;height:393px\" width=\"393\" height=\"393\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Via: Redes sociais<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Funcionamento do lar<\/h3>\n\n\n\n<p>Os lares da cidade apresentam dificuldades financeiras, mesmo com aux\u00edlio da prefeitura. \u201cO que a gente recebe da prefeitura, praticamente a gente paga funcion\u00e1rio, \u00e1gua e luz\u201d, comenta Sharon Martins, coordenadora administrativa do lar. \u201cO fato \u00e9 que hoje financeiramente os lares n\u00e3o conseguem sobreviver com o recurso que recebe da prefeitura.\u201d, complementa. Segundo a coordenadora, \u00e9 a comunidade, com doa\u00e7\u00f5es de roupas, alimentos, fraldas e produtos de higiene, que garante boa parte do que chega \u00e0 mesa e ao corpo das crian\u00e7as todos os dias.<\/p>\n\n\n\n<p>As crian\u00e7as chegam para a institui\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da retirada de suas fam\u00edlias, por meio de ordens judiciais, sendo buscadas por um oficial de justi\u00e7a diretamente na escola, na casa ou pelo Conselho Tutelar. A capacidade de cada casa-lar \u00e9 limitada por lei at\u00e9 10 crian\u00e7as. Caso a capacidade seja menor do que esse n\u00famero, o lar \u00e9 obrigado a acolher essa crian\u00e7a. Acima desse n\u00famero, \u00e9 chamado de \u201cvaga extra\u201d e a casa pode dizer sim ou n\u00e3o para o acolhimento, segundo a coordena\u00e7\u00e3o.&nbsp; &#8220;A gente fica numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, pensando onde vai ficar essa crian\u00e7a?&#8221;, relata Sharon. &#8220;A parte humana fala mais alto, e a gente acolhe.&#8221; O Lar Emanuel trabalha quase permanentemente nesse regime: hoje soma 13 crian\u00e7as, mas j\u00e1 chegou a abrigar 16, o maior n\u00famero j\u00e1 registrado na casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a chegada, \u00e9 realizado por uma profissional todo um estudo e an\u00e1lise sobre a fam\u00edlia da crian\u00e7a: se os pais est\u00e3o juntos, se s\u00e3o separados, se h\u00e1 algum c\u00f4njuge de algum lado, se h\u00e1 av\u00f3s, tios, irm\u00e3os que possibilitem a guarda.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando existe possibilidade de reaproxima\u00e7\u00e3o, os pais t\u00eam o direito de se reorganizar e provar que podem receber os filhos de volta. O processo \u00e9 gradual: come\u00e7a com visitas mais t\u00edmidas, por v\u00eddeo ou presenciais, evolui para fins de semana com a fam\u00edlia e, se tudo correr bem, caminha para o retorno definitivo. A cada volta da visita, a equipe faz uma escuta cuidadosa da crian\u00e7a, de como ela chegou, como voltou, se estava feliz, triste, quieta ou agressiva, para entender se o ambiente est\u00e1 realmente seguro.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo n\u00e3o segue um prazo fixo. Tenta-se, nos primeiros seis meses, j\u00e1 ter um panorama das possibilidades, mas o tempo real pode se estender por um ano, um ano e meio. Quando todas as alternativas com a fam\u00edlia se esgotam, o caminho passa a ser o da ado\u00e7\u00e3o, um processo, segundo a equipe, ainda mais delicado, j\u00e1 que a maioria das crian\u00e7as acolhidas tem irm\u00e3os, e fam\u00edlias interessadas em adotar costumam priorizar os mais novos, sobretudo beb\u00eas. Adolescentes, como reconhece a equipe, dificilmente s\u00e3o adotados.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro da casa, n\u00e3o h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o por faixa et\u00e1ria, situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica ou perfil, os beb\u00eas, crian\u00e7as, adolescentes, meninos e meninas, aqueles em processo de retorno \u00e0 fam\u00edlia e os que caminham para ado\u00e7\u00e3o convivem juntos, no mesmo espa\u00e7o e na mesma rotina.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O dia a dia na casa<\/h3>\n\n\n\n<p>A rotina das crian\u00e7as come\u00e7a cedo, com a ida \u00e0 escola pela manh\u00e3 ou \u00e0 tarde, alternada com atividades de contraturno em parceiros como o Instituto Priscila Zanette (IPZ) e a Legi\u00e3o da Boa Vontade (LBV), que incluem apoio \u00e0s tarefas escolares, aulas de dan\u00e7a e esportes. Nos fins de semana, o foco muda para o lazer, com brincadeiras na quadra na casa, oficinas, gincanas e aulas de culin\u00e1ria, algumas vezes com apoio de volunt\u00e1rios e universit\u00e1rios que visitam o lar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG-20260917-WA0031.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18777\" style=\"width:600px;height:450px\" width=\"600\" height=\"450\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Via: Casa Lar Emanuel<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Na parte dos estudos, sempre que poss\u00edvel, a equipe tenta manter a crian\u00e7a na mesma escola em que j\u00e1 estudava antes do acolhimento. Quando isso n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel, prioriza-se uma unidade pr\u00f3xima ao Lar, j\u00e1 que o deslocamento, feito com apenas um carro dispon\u00edvel, precisa ser cuidadosamente organizado na casa, uma vez&nbsp; que a escola, CEI e contraturno t\u00eam hor\u00e1rios de in\u00edcio semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A institui\u00e7\u00e3o mant\u00e9m tr\u00eas cuidadoras durante o dia e duas \u00e0 noite, nunca menos, j\u00e1 que qualquer emerg\u00eancia, como uma crian\u00e7a que precise ir ao hospital, por exemplo, exige sempre que reste algu\u00e9m na casa. Com 13 crian\u00e7as sob os cuidados de uma equipe pequena, cada cuidadora acumula fun\u00e7\u00f5es: preparar refei\u00e7\u00f5es, trocar fraldas, dar banho, mediar conflitos e ainda cuidar da manuten\u00e7\u00e3o da casa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Preparando para a vida<\/h3>\n\n\n\n<p>Um dos aspectos mais delicados do trabalho \u00e9 preparar os adolescentes para o momento em que, ao completarem 18 anos, precisam deixar o Lar, por determina\u00e7\u00e3o legal\u2014 segundo a coordena\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 permitido permanecer. Para jovens que dificilmente retornar\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia de origem e que t\u00eam poucas chances de ado\u00e7\u00e3o nessa idade, a equipe t\u00e9cnica come\u00e7a, com anteced\u00eancia, a estruturar um plano de vida: inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de autocuidado, organiza\u00e7\u00e3o do ambiente, higiene e culin\u00e1ria simples fazem parte do aprendizado di\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o desligamento, a institui\u00e7\u00e3o ainda realiza um acompanhamento por seis meses, um per\u00edodo que a pr\u00f3pria equipe reconhece como curto diante da complexidade da transi\u00e7\u00e3o. &#8220;A gente se preocupa e vai atr\u00e1s desse ambiente, de onde essa pessoa vai ficar, tenta preparar um enxoval&#8221;, explica Sharon. &#8220;A gente faz isso com muito amor, para que siga em frente e d\u00ea tudo certo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 hist\u00f3rias com final feliz, como um jovem que viveu no Lar, constituiu fam\u00edlia, teve filhos e, mais tarde, assumiu a guarda do pr\u00f3prio irm\u00e3o, que ainda estava acolhido na institui\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 desfechos que marcam a equipe de forma dolorosa, como jovens que, ao sa\u00edrem, seguiram por caminhos de criminalidade ou depend\u00eancia qu\u00edmica. &#8220;A gente precisa fazer tudo que a gente puder enquanto eles est\u00e3o aqui para tentar trabalhar, um caminho bom&#8221;, comenta a coordenadora. &#8220;\u00c9 uma miss\u00e3o dif\u00edcil. A gente ri e chora com eles.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Crian\u00e7as com hist\u00f3rias cada vez mais complexas<\/h3>\n\n\n\n<p>Profissionais da casa que est\u00e3o a mais tempo, observam uma mudan\u00e7a no perfil das crian\u00e7as acolhidas nos \u00faltimos anos, com aumento significativo do n\u00famero de casos com autismo, ansiedade e depend\u00eancia de medicamentos para controle comportamental, quadros que segundo relatos, eram muito menos frequentes no passado. Isso exige da institui\u00e7\u00e3o um acompanhamento mais individualizado, buscando junto ao SUS consultas com psic\u00f3logos, avalia\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas, ajustes de medica\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00f5es no ambiente conforme a necessidade de cada crian\u00e7a, desde o uso de abafadores de ru\u00eddo at\u00e9 mudan\u00e7as na forma de conduzir tarefas simples, como o banho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m tem uma receita pronta, cada crian\u00e7a vai trazer uma hist\u00f3ria, \u00e0s vezes um trauma&#8221;, descreve Sharon. Muitas vezes s\u00e3o as pr\u00f3prias cuidadoras, no contato direto e di\u00e1rio, as primeiras a perceber uma dificuldade espec\u00edfica e a acionar a equipe t\u00e9cnica, formada por psic\u00f3loga e assistente social, para buscar uma resposta adequada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Hist\u00f3rias que marcam<\/h3>\n\n\n\n<p>Ao longo dos mais de 30 anos, diversas hist\u00f3rias marcaram a casa. Sharon recorda o dia em que um menino, nervoso e gaguejando, chegou acusando a irm\u00e3 de ter brigado com ele. Ao ser chamada para explicar, a menina, com a voz embargada, contou que ele havia colocado comida demais no prato e jogado parte fora. &#8220;Tia, n\u00e3o se joga comida fora. A gente j\u00e1 passou fome, ele sabe o que \u00e9 passar fome&#8221;, disse ela. A coordenadora comentou ter visto uma dor t\u00e3o grande, aquele foi um dia de aprendizado, a consci\u00eancia daquela crian\u00e7a sobre o desperd\u00edcio de alimentos, fruto de uma viv\u00eancia de escassez, mudou at\u00e9 seus pr\u00f3prios h\u00e1bitos em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pequenos gestos que se tornam enormes na vida das crian\u00e7as, como um confete espalhado sobre um bolo que provoca uma alegria, a doa\u00e7\u00e3o de um creme para pentear o cabelo antes de ir \u00e0 escola, dois refrigerantes guardados para o almo\u00e7o de s\u00e1bado e domingo. &#8220;\u00c0s vezes s\u00e3o coisas muito simples que fazem muita diferen\u00e7a no dia a dia&#8221;, resume a coordenadora.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m momentos de afeto, com a crian\u00e7a que corre para pedir um abra\u00e7o antes de a cuidadora ir embora, a que chora de saudade da m\u00e3e e precisa de um colo, uma can\u00e7\u00e3o, uma hist\u00f3ria para se acalmar. &#8220;A gente nunca vai suprir o amor de um pai, de uma m\u00e3e&#8221;, reconhece Sharon. &#8220;Mas a gente tenta abastecer esses cora\u00e7\u00f5ezinhos de afeto, de carinho, de amor.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo entre os que seguem para a ado\u00e7\u00e3o, ficam marcas. Sharon relembra de um menino que, ao deixar o Lar para ser adotado, insistiu em voltar antes de partir para buscar uma bermuda que j\u00e1 n\u00e3o lhe servia mais, mas que havia sido um presente da pr\u00f3pria, uma lembran\u00e7a \u00e0 qual ele n\u00e3o queria renunciar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Novos projetos com oficinas para preparar o futuro<\/h3>\n\n\n\n<p>Entre os planos em andamento est\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de oficinas de trabalho manual para os adolescentes \u2014 costura, corte e cria\u00e7\u00e3o de artigos como sousplats, cart\u00f5es e topos de bolo \u2014, al\u00e9m de oficinas de culin\u00e1ria, com foco em pratos b\u00e1sicos e em receitas t\u00edpicas da regi\u00e3o, como cuca e pudim de leite. A ideia, segundo a coordenadora, \u00e9 estimular a criatividade. A institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 conta com m\u00e1quinas de costura e de recorte doadas, mas ainda precisa de materiais b\u00e1sicos, tecidos, pap\u00e9is, para colocar as oficinas em pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra iniciativa j\u00e1 em funcionamento \u00e9 um brech\u00f3 dentro da pr\u00f3pria casa, criado a partir do volume de doa\u00e7\u00f5es de roupas que supera as necessidades das crian\u00e7as. Hoje, al\u00e9m de vestir os acolhidos, o excedente \u00e9 vendido a pre\u00e7os simb\u00f3licos, entre R$ 3 e R$ 10, para gerar uma pequena renda extra, usada em despesas do dia a dia. A equipe planeja uma live no dia 1 de outubro, para divulgar o espa\u00e7o, que ainda tem poucos seguidores nas redes sociais e poucos clientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o futuro, a coordena\u00e7\u00e3o busca conquistar uma base de doadores mensais, mesmo que em valores simb\u00f3licos, de R$ 5 ou R$ 10, que n\u00e3o fa\u00e7a falta para as pessoas; assim, garantiria um m\u00ednimo de autonomia financeira para resolver necessidades cotidianas, como trocar uma torneira, comprar uma panela de press\u00e3o, tela em uma janela, trocar o pneu do carro usado para levar as crian\u00e7as \u00e0 escola.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que falta<\/h3>\n\n\n\n<p>Segundo a equipe, os itens mais escassos hoje incluem:<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li>Produtos de limpeza, especialmente sab\u00e3o para roupas e kiboa (amaciante \u00e9 considerado um &#8220;luxo&#8221;);<\/li>\n\n\n\n<li>Itens de higiene pessoal: shampoo, condicionador, escova de dente, sabonete, creme de cabelo;<\/li>\n\n\n\n<li>Alimentos para o caf\u00e9 da manh\u00e3 e lanches: mortadela, maionese, molho e itens que v\u00e3o al\u00e9m do arroz, feij\u00e3o, farinha, a\u00e7\u00facar e sal que chegam com mais frequ\u00eancia;<\/li>\n\n\n\n<li>Suco em pacote;<\/li>\n\n\n\n<li>Material para as novas oficinas: tecidos e pap\u00e9is para artesanato;<\/li>\n\n\n\n<li>Doa\u00e7\u00f5es financeiras mensais, mesmo que de baixo valor.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma miss\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Para quem atua no Lar Emanuel, a experi\u00eancia ultrapassa qualquer descri\u00e7\u00e3o profissional. &#8220;N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um trabalho, \u00e9 uma miss\u00e3o muito grande&#8221;, resume a coordenadora administrativa. &#8220;Porque voc\u00ea vai cuidar de crian\u00e7as que n\u00e3o s\u00e3o os seus filhos, que n\u00e3o v\u00eam com regras, e voc\u00ea precisa ensin\u00e1-las, cuidar delas, respeitando a hist\u00f3ria de cada uma.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Questionada sobre o sentimento de dedicar a vida a esse trabalho, ela n\u00e3o hesita: &#8220;Para mim \u00e9 o trabalho da minha vida, um dos trabalhos que eu mais me identifiquei. Eu sei que eu posso mudar a vida de algu\u00e9m. Se eu conseguir fazer isso por uma delas, eu j\u00e1 estou no lucro.&#8221; M\u00e3e de um filho de 9 anos, ela reconhece os limites do que qualquer institui\u00e7\u00e3o pode oferecer: <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>&#8220;A gente nunca vai conseguir suprir o que \u00e9 dos pais. Mas quem deixa muito mais hist\u00f3ria e muito mais marcas s\u00e3o as cuidadoras, que est\u00e3o no dia a dia, no cuidado do banho, da comida.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Depois de tr\u00eas d\u00e9cadas de exist\u00eancia, o Lar Emanuel segue equilibrando dois desafios que se entrela\u00e7am: sustentar financeiramente uma estrutura que depende quase inteiramente da solidariedade da comunidade e sustentar emocionalmente crian\u00e7as e adolescentes que carregam hist\u00f3rias de ruptura, \u00e0 espera de um caminho \u2014 de volta para casa, para uma nova fam\u00edlia, ou para uma vida adulta com um m\u00ednimo de autonomia e dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para doa\u00e7\u00f5es ou contribui\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/eu.ajudei.org\/p\/laremanuel\/doe\/instagram?utm_source=ig&amp;utm_medium=social&amp;utm_content=link_in_bio&amp;fbclid=PAcGRvZgJleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZA85MzY2MTk3NDMzOTI0NTkAAaemyD9XjRTH6syjdh0Y7PrBpYruJcA7s_ARg7Qs0gi_LYlBjVSle4i_4qtvTA_aem_2L5GuxdQMB8FZ8DNmYwU7w\">Doa\u00e7\u00f5es<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/casalaremanueljoinville\/\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bazar.laremanuel?stkn=cXFjaG03d2l1NHU2\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/bazar.laremanuel?stkn=cXFjaG03d2l1NHU2\">Instagram bazar<\/a><br>Contato: (47) 99264-4827 &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, uma casa na Rua Padre Roma, em Joinville, acolhe crian\u00e7as e adolescentes que, por diferentes motivos, precisaram ser afastados de suas fam\u00edlias. 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