{"id":1883,"date":"2019-04-02T15:52:33","date_gmt":"2019-04-02T18:52:33","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=1883"},"modified":"2019-04-02T15:52:33","modified_gmt":"2019-04-02T18:52:33","slug":"movimento-estudantil-busca-mais-espaco-em-joinville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2019\/04\/02\/movimento-estudantil-busca-mais-espaco-em-joinville\/","title":{"rendered":"Movimento estudantil busca mais espa\u00e7o em Joinville"},"content":{"rendered":"<h5>* Atualizada em 3\/4\/2019, \u00e0s 14h<\/h5>\n<h6><em>Por Thiago Rodrigues<\/em><em> e Vin\u00edcius Sprotte<\/em><\/h6>\n<p>S\u00e3o 16h de um dia nublado de mar\u00e7o. Nesse hor\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 muitos alunos na Udesc. Pr\u00f3ximo \u00e0 entrada, encontra-se um banco, onde est\u00e1 Wictoria, usando uma blusa cinza. A aluna se desloca para a lanchonete ao lado da universidade, onde h\u00e1 mais alunos em suas mesas de pl\u00e1stico. Wictoria Souza, 21 anos, \u00e9 estudante de Engenharia Civil e ingressou cedo no movimento estudantil. Ela cursou o Ensino M\u00e9dio no Instituto Federal Catarinense (IFC), onde participou das ocupa\u00e7\u00f5es das escolas em 2016. \u201cAqui as pessoas n\u00e3o se importam muito com movimento estudantil\u201d, avalia a estudante. Atualmente, a universit\u00e1ria \u00e9 uma das coordenadoras do Diret\u00f3rio Acad\u00eamico Nove de Mar\u00e7o (Danma).<\/p>\n<p>Comportamentos inapropriados, inclusive den\u00fancias de ass\u00e9dio sexual na institui\u00e7\u00e3o, est\u00e3o entre os problemas mais frequentes e de maior gravidade enfrentados pelo Diret\u00f3rio. Ambiente em que a presen\u00e7a masculina se mostra mais expressiva, o campus da Udesc, em Joinville, torna-se muitas vezes hostil para as mulheres. \u201cTem at\u00e9 professor que olha para a bunda das alunas e nada \u00e9 feito\u201d, afirma a universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A reclama\u00e7\u00e3o mais frequente recebida pelo diret\u00f3rio \u00e9 sobre a falta de did\u00e1tica de alguns professores ao repassarem o conte\u00fado. Quando o diret\u00f3rio recebe v\u00e1rias reclama\u00e7\u00f5es acerca de um professor n\u00e3o concursado, busca apurar as den\u00fancias e, se confirmadas, o caminho \u00e9 pressionar a administra\u00e7\u00e3o para providenciar a substitui\u00e7\u00e3o. \u00a0Com professores concursados, a estabilidade na carreira dificulta tomar alguma provid\u00eancia. O Danma tamb\u00e9m cobra da administra\u00e7\u00e3o melhores condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura. Enquanto Wictoria relata as principais lutas do diret\u00f3rio, aponta para tr\u00eas c\u00e3es largados no local. O diret\u00f3rio tamb\u00e9m possui um projeto para estimular a ado\u00e7\u00e3o dos cachorros que vivem no campus.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1885\" aria-describedby=\"caption-attachment-1885\" style=\"width: 537px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1885 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/IFC.jpg\" alt=\"\" width=\"537\" height=\"353\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1885\" class=\"wp-caption-text\">Wictoria participou da ocupa\u00e7\u00e3o do IFC e continua no movimento estudantil na universidade<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Engajamento pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>Uma das queixas de Wictoria \u00e9 a falta de incentivo ao envolvimento pol\u00edtico. \u201cNo ano passado, quando eu nem estava na gest\u00e3o, o diret\u00f3rio postou #EleN\u00e3o nas redes sociais. Nos coment\u00e1rios, reclamaram muito dizendo que n\u00e3o era o papel do diret\u00f3rio se envolver com pol\u00edtica. E isso est\u00e1 muito errado, movimento estudantil tem tudo a ver com pol\u00edtica e pode muito bem se manifestar\u201d.<\/p>\n<p>A vontade de se engajar politicamente n\u00e3o se restringe \u00e0 Udesc. Bruna Medina, estudante de Hist\u00f3ria e uma das coordenadoras do Centro Acad\u00eamico Livre de Hist\u00f3ria Eunaldo Verdi (Calhev), da Univille, ao falar da rela\u00e7\u00e3o entre movimentos estudantis e a pol\u00edtica atual, conta como Marielle Franco serve de inspira\u00e7\u00e3o. \u201cHoje ela [Marielle] se tornou uma grande inspira\u00e7\u00e3o para os movimentos de mulheres e para o Calhev, que tem um grupo composto mais por mulheres.\u201d \u00a0Segundo a acad\u00eamica, isso se deve ao lugar pol\u00edtico e de resist\u00eancia que a vereadora ocupava. \u201cEla acabou se tornando um s\u00edmbolo inspirador de for\u00e7a pol\u00edtica, tanto que quando se fala dela, fala-se do ato pol\u00edtico, na opress\u00e3o do Estado, desigualdade social e o machismo impregnado na sociedade\u201d, analisa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-1886\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Danma.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"445\" \/><\/p>\n<p>Criado em 1987, durante o governo Sarney, o Calhev foi fundado por acad\u00eamicos de Hist\u00f3ria cr\u00edticos do Regime Militar. O grupo aproximou-se do PT no come\u00e7o da d\u00e9cada de 90, por quest\u00f5es de alinhamento ideol\u00f3gico. \u201cAtualmente a nossa gest\u00e3o n\u00e3o acredita\u00a0nos pol\u00edticos em geral, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 da nossa conduta contatar um vereador, um secret\u00e1rio\u201d, conta Jo\u00e3o Pedro Gillet, 21 anos, estudante de Hist\u00f3ria. Segundo ele, o diret\u00f3rio dificilmente atende a pedidos de pol\u00edticos quando estes solicitam conversar com os estudantes. Isso ocorre para evitar que usem a universidade como palanque eleitoral. \u00a0\u00a0O acad\u00eamico observa que hoje, em Joinville, n\u00e3o existe vereador ou secret\u00e1rio de esquerda. \u201cN\u00e3o tem ningu\u00e9m comprometido com a defesa do professor, com a defesa da ci\u00eancia e da cultura.\u00a0 Ent\u00e3o, mesmo que tivesse, a gente n\u00e3o faria o di\u00e1logo, at\u00e9 porque o estatuto coloca o Calhev como apartid\u00e1rio\u201d, justifica.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ielusc tem dificuldade para manter movimento estudantil<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de a Faculdade Ielusc se destacar pela participa\u00e7\u00e3o de seus estudantes em movimentos sociais e at\u00e9 na pol\u00edtica eleitoral, com egressos eleitos para a Assembleia Legislativa, como Kennedy Nunes e Patr\u00edcio Destro, ou que se candidataram nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, como Leonel Camas\u00e3o &#8211; que disputou o governo do Estado &#8211; o movimento estudantil atravessa alguns anos de desarticula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fernanda Eliza Silva, de 22 anos, rec\u00e9m-formada em Jornalismo pelo Ielusc, destaca alguns motivos da estagna\u00e7\u00e3o do DCE (Diret\u00f3rio Central Estudantil).\u00a0 Segundo a jornalista, havia uma mescla entre pessoas j\u00e1 acostumadas a se envolver com movimentos sociais com outras n\u00e3o habituadas a esse meio, mas\u00a0 ningu\u00e9m tinha experi\u00eancia com movimento estudantil. \u00a0\u201cAo inv\u00e9s de fazer um DCE para a faculdade inteira, como a gente n\u00e3o tinha ningu\u00e9m com experi\u00eancia no movimento estudantil, pensamos em fazer apenas o CA (Centro Acad\u00eamico), voltado apenas para os alunos de PP e Jornal\u201d, explica.\u00a0 A inten\u00e7\u00e3o, conforme Fernanda, era evoluir para o DCE. \u00a0Entre 2016 e 2017, ela e seu grupo leram os estatutos, a fim de montar uma chapa e uma comiss\u00e3o de elei\u00e7\u00e3o.\u00a0 \u201cTinha um aluno que estava no \u00faltimo semestre e outros dois que estavam no pen\u00faltimo e acabou ficando corrido.\u00a0 N\u00e3o conseguimos nos encontrar para fazermos o planejamento.\u201d<\/p>\n<p>Chegou-se a pensar na cria\u00e7\u00e3o de um Centro Acad\u00eamico aut\u00f4nomo, onde mais pessoas pudessem entrar ao longo do processo, sem a necessidade de vota\u00e7\u00e3o, mas sim pela vontade de contribuir com o projeto. \u201cPretend\u00edamos tomar decis\u00f5es em comum acordo, sem algu\u00e9m mandando e desmandando\u201d, afirma Fernanda. Nada disso, por\u00e9m, concretizou-se e o Ielusc segue sem DCE formado.<\/p>\n<p><strong>DCE e CA<\/strong><\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre DCE (Diret\u00f3rio Central Estudantil) e CA (Centro Acad\u00eamico), \u00e0 primeira vista, pode parecer nula, por\u00e9m, s\u00e3o coisas distintas. Enquanto o CA serve para atender \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es dos estudantes de um curso espec\u00edfico, o DCE serve para representar os estudantes de uma institui\u00e7\u00e3o de ensino inteira, de todos os cursos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* A altera\u00e7\u00e3o ocorreu no trecho: Segundo a jornalista, havia uma mescla entre pessoas j\u00e1 acostumadas a se envolver com movimentos sociais com outras n\u00e3o habituadas a esse meio, <em>mas\u00a0 ningu\u00e9m tinha experi\u00eancia com movimento estudantil<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Atualizada em 3\/4\/2019, \u00e0s 14h Por Thiago Rodrigues e Vin\u00edcius Sprotte S\u00e3o 16h de um dia nublado de mar\u00e7o. Nesse hor\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 muitos alunos na Udesc. Pr\u00f3ximo \u00e0 entrada, encontra-se um banco, onde est\u00e1 Wictoria, usando uma blusa cinza. 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