{"id":2151,"date":"2019-05-27T16:10:58","date_gmt":"2019-05-27T19:10:58","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=2151"},"modified":"2019-05-27T16:10:58","modified_gmt":"2019-05-27T19:10:58","slug":"brechos-bazares-e-desapegos-refletem-preocupacao-com-economia-e-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2019\/05\/27\/brechos-bazares-e-desapegos-refletem-preocupacao-com-economia-e-ambiente\/","title":{"rendered":"Brech\u00f3s, bazares e desapegos refletem preocupa\u00e7\u00e3o com economia e ambiente"},"content":{"rendered":"<p>Basta andar pela cidade ou fazer uma busca na internet para perceber que o n\u00famero de <strong>brech\u00f3s<\/strong> e sites de <strong>desapego<\/strong> tem aumentado nos \u00faltimos anos. A revenda de roupas usadas \u00e9 uma tend\u00eancia mundial. Nos Estados Unidos, estudo realizado pela\u00a0 Thred Up, em parceria com a Ellen MacArthur Foundation, mostra que esse mercado ainda tende a crescer bastante. Em 2016, 45% das mulheres entrevistadas tinham comprado ou estavam dispostas a comprar pe\u00e7as de segunda m\u00e3o. Esse \u00edndice aumentou para 64% em 2018.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mostrou que o mercado total de <strong>roupas usadas<\/strong> dobrou nos \u00faltimos cinco anos. Atualmente, 40% das consumidoras entrevistadas j\u00e1 consideram o valor de revenda no momento em que compram uma pe\u00e7a nova, ou seja, pensam em revend\u00ea-la mais tarde.<\/p>\n<p>A prolifera\u00e7\u00e3o dos brech\u00f3s e desapegos, conforme a doutora <strong>Graziela Morelli<\/strong>, professora do curso de <strong>Moda<\/strong> da Univali (Universidade do Vale do Itaja\u00ed) est\u00e1 relacionada tanto \u00e0 quest\u00e3o de <strong>sustentabilidade<\/strong> quanto \u00e0s dificuldades econ\u00f4micas. \u00a0Do ponto de vista da sustentabilidade, favorecem uma mudan\u00e7a de cultura, que passa pela n\u00e3o-necessidade de posse e\u00a0 valoriza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia, al\u00e9m de prolongar o ciclo de uso das pe\u00e7as. Do \u00e2ngulo econ\u00f4mico, a abertura de brech\u00f3s se intensificou ap\u00f3s a crise de 2008.<\/p>\n<h3>Por um mundo melhor<\/h3>\n<p>O<em><strong> ReCloth Brech\u00f3 de Boutique<\/strong><\/em> foi criado por tr\u00eas s\u00f3cias: Carla da Silva Alves, a irm\u00e3 dela e a prima, Roberta da Silva Pacheco. A preocupa\u00e7\u00e3o com a sustentabilidade est\u00e1 presente at\u00e9 na mob\u00edlia da loja. &#8220;S\u00e3o m\u00f3veis que a gente ganhou de amigos, parentes. Tem m\u00f3veis que minha sogra ia jogar fora, eu peguei, pintamos e usamos como enfeite no brech\u00f3&#8221;, conta.<\/p>\n<p>A ideia do brech\u00f3, segundo Carla, teve o apoio da fam\u00edlia.\u00a0 &#8220;Minha m\u00e3e vendeu roupas por muitos anos, l\u00e1 em casa t\u00ednhamos muitas roupas. Falei com a minha irm\u00e3 e a minha prima para fazermos um brech\u00f3 e elas toparam na hora.&#8221;\u00a0As pe\u00e7as s\u00e3o compradas de forma consignada, passam por uma avalia\u00e7\u00e3o criteriosa\u00a0 e depois s\u00e3o colocadas \u00e0 venda. O brech\u00f3 fica localizado na rua Anita Garibaldi, 574, esquina com a rua Porto Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2325\" aria-describedby=\"caption-attachment-2325\" style=\"width: 771px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2325 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/banheiro.jpg\" alt=\"\" width=\"771\" height=\"480\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2325\" class=\"wp-caption-text\">At\u00e9 o banheiro possui decora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel no ReCloth Brech\u00f3 de Boutique \/ Foto: Destiny Goulart<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para a professora e pesquisadora Graziela Morelli,\u00a0 a preocupa\u00e7\u00e3o com a sustentabilidade \u00e9 um posicionamento que passa a ser perene na ind\u00fastria da moda, pois tal comportamento atinge toda a sociedade. \u201cAs marcas de moda est\u00e3o preocupadas em buscar solu\u00e7\u00f5es para garantir sustentabilidade\u201d, explica. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma totalidade ainda, \u00e9 algo em crescimento. O pr\u00f3prio <em>fast fashion<\/em> est\u00e1 preocupado, at\u00e9 pela press\u00e3o que vem sofrendo, por isso desde marcas de luxo a marcas menores e tamb\u00e9m a ind\u00fastria t\u00eaxtil, que trabalha com a mat\u00e9ria-prima, v\u00eam investindo bastante em a\u00e7\u00f5es de sustentabilidade\u201d, ressalta. A professora cita o <em>Copenhagen Fashion Summit<\/em> como exemplo de evento voltado a discutir quest\u00f5es de sustentabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; background: white; margin: 0cm 0cm 8.0pt 0cm;\">Roupas descartadas no ambiente podem levar at\u00e9 200 anos para se decomporem totalmente, dependendo do tipo de tecido. Para fabricar uma cal\u00e7a jeans, emitem-se poluentes que equivalem a dirigir um carro por 128 quil\u00f4metros e, para fabricar uma camiseta de algod\u00e3o, s\u00e3o gastos, em m\u00e9dia, 2,7 mil litros de \u00e1gua, de acordo com a World Resources Institute. A preocupa\u00e7\u00e3o com todo esse impacto sobre os recursos naturais j\u00e1 come\u00e7a a atingir os consumidores. De acordo com o estudo da Ellen MacArthur Foundation, o \u00edndice de consumidores entrevistados que prefere comprar produtos de marcas amigas do meio ambiente cresceu de 57% em 2013 para 72% em 2018.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2382\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/\u00e1gua.jpg\" alt=\"\" width=\"714\" height=\"349\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>De renda extra \u00e0 fonte principal de receita<\/h3>\n<p>Renda para quem vende, economia para quem compra. Essa l\u00f3gica levou o casal\u00a0Angelita Amanda In\u00e1cio e Fernando Paoli a abrirem o\u00a0<em><strong>Angel Bazar e Brech\u00f3,<\/strong><\/em>\u00a0localizado na rua Ministro Cal\u00f3geras, 266. Ela atende a divis\u00e3o feminina e infantil e Fernando cuida das roupas masculinas. Um diferencial do Bazar \u00e9 a consultoria de moda. &#8220;Eu monto uma mala j\u00e1 pensando no estilo da cliente e mando para a casa da cliente, ela escolhe mais \u00e0 vontade&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>O local tamb\u00e9m oferece hor\u00e1rio diferenciado, com um feir\u00e3o\u00a0 aos domingos \u00e0 tarde. &#8220;\u00c9 bem legal, pois \u00e9 um evento para a fam\u00edlia. Geralmente os homens\u00a0 ficam assistindo a um jogo enquanto as mulheres ficam bem \u00e0 vontade&#8221;, explica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2326\" aria-describedby=\"caption-attachment-2326\" style=\"width: 762px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2326 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Angel.jpg\" alt=\"\" width=\"762\" height=\"526\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2326\" class=\"wp-caption-text\">Casal comanda o Angel Bazar e Brech\u00f3 e oferece consultoria em moda e atendimento tamb\u00e9m aos domingos<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para as jornalistas J\u00e9ssica Karina Weirich e Let\u00edcia de Castro, o\u00a0<em><strong>De Pisan Brech\u00f3 <\/strong><\/em>nasceu da necessidade de uma renda extra quando ainda estavam na faculdade.\u00a0O nome do brech\u00f3 online no Instagram \u00e9 uma homenagem \u00e0 feminista Christine de Pizan.\u00a0&#8220;A gente tinha roupas que n\u00e3o queria mais usar e nossas amigas tamb\u00e9m, ent\u00e3o decidimos montar o brech\u00f3 online&#8221;, conta Let\u00edcia.<\/p>\n<p>Como todo brech\u00f3, o De Pisan possui algumas regras na hora de escolher as roupas que ser\u00e3o vendidas. Uma das facilidades \u00e9 enviar fotos\u00a0\u00a0das pe\u00e7as por direct. &#8220;A gente analisa se n\u00e3o tem nenhum rasgo, se n\u00e3o est\u00e1 manchado, al\u00e9m do estilo. Se h\u00e1 interesse,\u00a0 combinamos o valor&#8221;, explica J\u00e9ssica. Para as amigas, o brech\u00f3 fez com que elas pensassem na moda de forma mais consciente.<\/p>\n<p>Kathleen Mori, dona do<em><strong> Brech\u00f3 Desapega Que Eu Pego,<\/strong><\/em>\u00a0come\u00e7ou vendendo objetos da fam\u00edlia. &#8220;Eu vendia produtos de pesca do meu pai, do meu irm\u00e3o, prancha. Comecei vendendo m\u00f3veis, depois optei por vender s\u00f3 roupas&#8221;, conta. O brech\u00f3,\u00a0 localizado na rua \u00c1gua Marinha, 428, no bairro Sagua\u00e7u, fica no piso superior da casa dela.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2324\" aria-describedby=\"caption-attachment-2324\" style=\"width: 771px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2324 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Brecho1.jpg\" alt=\"\" width=\"771\" height=\"473\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2324\" class=\"wp-caption-text\">Kathleen Mori come\u00e7ou vendendo m\u00f3veis, mas encontrou nas roupas seu foco preferido \/ Foto: Destiny Goulart<\/figcaption><\/figure>\n<p>O espa\u00e7o \u00e9 pequeno, mas ela pretende expandir para uma sala.\u00a0O p\u00fablico alvo s\u00e3o as mulheres, pois, de acordo com a propriet\u00e1ria, elas t\u00eam mais facilidade em desapegar. &#8220;Homem j\u00e1 \u00e9 mais dif\u00edcil, eles usam a roupa ou sapato at\u00e9 gastar bem. As mulheres, muitas vezes, compram por impulso nem sempre usam&#8221;, explicou.<\/p>\n<h3>Mudan\u00e7a cultural leva \u00e0 troca da posse pela experi\u00eancia<\/h3>\n<p>A ind\u00fastria da moda, na opini\u00e3o da professora Graziela, j\u00e1 sente efeito desse reaproveitamento de pe\u00e7as. \u201cA ind\u00fastria busca entrar nesse sistema tamb\u00e9m, apresentando solu\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde reciclar uma pe\u00e7a, agregando valor a ela sem uma transforma\u00e7\u00e3o industrial, at\u00e9 a inclus\u00e3o de pe\u00e7as Vintage em grandes lojas de departamentos\u201d, exemplifica. \u201c\u00c9 preciso buscar novas possibilidades, pois criar, produzir, vender e jogar fora n\u00e3o vai mais acontecer na totalidade, vamos mesclar o guarda-roupa com outras solu\u00e7\u00f5es\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Graziela destaca o minimalismo como tend\u00eancia que vem crescendo. \u201cVoltar-se mais para a experi\u00eancia e menos para o ac\u00famulo \u00e9 uma mudan\u00e7a social para pessoas que est\u00e3o mais ligadas a si mesmas, a seu bem-estar, do que preocupadas em se mostrar aos outros\u201d, observa. Por isso, ela observa que os brech\u00f3s refletem um movimento que engloba crise, sustentabilidade, outro olhar para a rela\u00e7\u00e3o com a sociedade e questionamento da necessidade de posse.<\/p>\n<p>Autora do livro \u201cDo empr\u00e9stimo a n\u00e3o posse: novas perspectivas no consumo de servi\u00e7os e produtos\u201d, resultado de sua tese de doutorado, Graziela afirma que a sociedade come\u00e7a a valorizar a experi\u00eancia mais do que a posse, como ocorre com os clientes da Netflix ou do Uber. \u201cOs brech\u00f3s indicam uma mudan\u00e7a de cultura, mas ainda est\u00e3o presos \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o do produto\u201d, destaca. Ela cita outros sistemas voltados para a moda, como aluguel de roupas, empr\u00e9stimos, guarda-roupa compartilhado e sistemas de assinatura nos quais a posse n\u00e3o ocorre. \u201cVoc\u00ea pode pagar uma esp\u00e9cie de assinatura e ter direito a emprestar uma quantidade determinada de pe\u00e7as por m\u00eas, no m\u00eas seguinte pode trocar. A\u00ed sim deixa de haver a posse. S\u00e3o possibilidades desse segmento que est\u00e3o em evolu\u00e7\u00e3o\u201d, conta. Seja por cuidado com o ambiente ou por quest\u00f5es econ\u00f4micas, a previs\u00e3o \u00e9 de que, at\u00e9 2028, as pe\u00e7as de segunda m\u00e3o representem 13% do guarda-roupa das mulheres contra os 6% atuais, segundo a pesquisa Resale Report 2019.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2385\" aria-describedby=\"caption-attachment-2385\" style=\"width: 358px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2385 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Capa-livro-grazi.jpg\" alt=\"\" width=\"358\" height=\"571\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2385\" class=\"wp-caption-text\">Livro analisa novas alternativas de circula\u00e7\u00e3o de bens<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Basta andar pela cidade ou fazer uma busca na internet para perceber que o n\u00famero de brech\u00f3s e sites de desapego tem aumentado nos \u00faltimos anos. 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