{"id":2416,"date":"2019-06-04T14:29:44","date_gmt":"2019-06-04T17:29:44","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=2416"},"modified":"2019-06-04T14:29:44","modified_gmt":"2019-06-04T17:29:44","slug":"implantacao-da-reforma-trabalhista-nao-diminui-desemprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2019\/06\/04\/implantacao-da-reforma-trabalhista-nao-diminui-desemprego\/","title":{"rendered":"Implanta\u00e7\u00e3o da Reforma Trabalhista n\u00e3o diminui desemprego"},"content":{"rendered":"<h4><em>Por Amanda Cristina Sousa e Destiny Goulart<\/em><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em novembro de 2017 entrou em vigor a <strong>reforma trabalhista<\/strong>, maior mudan\u00e7a nas leis do trabalho desde a cria\u00e7\u00e3o da CLT ( Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho), alterando cerca de 10% da legisla\u00e7\u00e3o. Ao sancion\u00e1-la, o ex-presidente Michel Temer defendeu a reforma como uma maneira de<strong> gerar empregos<\/strong>. \u00c0 \u00e9poca, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, projetou um crescimento de<strong> 2 milh\u00f5es de novas vagas<\/strong> em 2018 e 2019, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, estimou um crescimento de<strong> 6 milh\u00f5es de empregos<\/strong> com a reforma. A taxa de <strong>desemprego<\/strong>\u00a0estava, ent\u00e3o, no patamar de\u00a0 12%. Ao contr\u00e1rio do que prometiam os governantes, n\u00e3o houve impacto positivo na cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho, pelo contr\u00e1rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A taxa de<strong> desemprego<\/strong> no Brasil, no primeiro trimestre de 2019, chegou a\u00a0 12,7%, ou seja, 13,4 milh\u00f5es de pessoas sem emprego, 1,3 milh\u00e3o a mais que no \u00faltimo trimestre de 2018.\u00a0 At\u00e9 em Santa Catarina, estado com o menor \u00edndice de desemprego do pa\u00eds, o \u00edndice de desempregados no primeiro trimestre deste ano \u00e9 maior (7,2%) que no mesmo per\u00edodo do ano passado (6,5%). De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica),\u00a0O desemprego cresceu em 14 das 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o no primeiro trimestre deste ano\u00a0 na compara\u00e7\u00e3o com o trimestre anterior.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2436\" aria-describedby=\"caption-attachment-2436\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2436 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Desemprego.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"468\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2436\" class=\"wp-caption-text\">Em Joinville, 500 pessoas por semana procuram emprego no SINE \/ Foto: Destiny Goulart<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro fator preocupante \u00e9 a<strong> informalidade<\/strong>, pois o n\u00famero de brasileiros trabalhando sem <strong>carteira assinada <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">foi o maior j\u00e1 registrado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNAD) desde 2012. Segundo a pesquisa, entre 2014 e 2018 o Brasil teve seu n\u00famero de postos formais reduzidos em 10,1%, al\u00e9m de ter uma alta de 7,8% no n\u00famero de <strong>trabalhadores<\/strong> sem carteira assinada no mesmo per\u00edodo.<\/span><\/p>\n<p>Em abril, Santa Catarina at\u00e9 esbo\u00e7ou alguma rea\u00e7\u00e3o, com saldo positivo de 6,4 mil postos de trabalho, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). No mesmo m\u00eas, Joinville teve saldo positivo de 886 empregos. Os n\u00fameros, contudo, est\u00e3o longe de significar uma solu\u00e7\u00e3o para a crise.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nat\u00e1lia Schlikmann, 22 anos, cursa o terceiro ano de Terapia Ocupacional e est\u00e1 sem emprego desde que concluiu o ensino m\u00e9dio.\u00a0 &#8220;N\u00e3o consegui nada al\u00e9m de alguns<strong> bicos&#8221;, <\/strong>conta. Atualmente Nat\u00e1lia <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">presta servi\u00e7o de bab\u00e1\u00a0para algumas fam\u00edlias, mas sua pretens\u00e3o \u00e9 fazer um<strong style=\"font-weight: 400;\"> est\u00e1gio<\/strong> na \u00e1rea em que estuda. Ela destaca a dificuldade e<strong style=\"font-weight: 400;\"> falta de oportunidade<\/strong> para os jovens que est\u00e3o no ensino m\u00e9dio ou come\u00e7ando a faculdade. \u201cPara quem est\u00e1 tentando entrar no <strong style=\"font-weight: 400;\">mercado de trabalho<\/strong> n\u00e3o existe muito suporte, existem lugares como o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Sistema<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Nacional de Empregos (Sine), mas eu nunca consegui \u00a0um est\u00e1gio por l\u00e1. Conhe\u00e7o sete pessoas entre 18 e 20 anos que est\u00e3o desempregadas e com dificuldade para encontrar um trabalho\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Magnus Klostermann, administrador do <\/span><b><i>Sistema Nacional de Emprego (Sine)<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> de Joinville, informou que cerca de 500 pessoas por semana procuram o Sine em busca de emprego. Os dias de maior movimento s\u00e3o segunda, ter\u00e7a e quarta-feira. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">As vagas t\u00e9cnicas ou que exigem um perfil muito espec\u00edfico s\u00e3o as mais dif\u00edceis de preencher. \u201cO maior problema \u00e9 a baixa qualifica\u00e7\u00e3o, escolaridade e, \u00e0s vezes, pouca estabilidade no emprego\u201d, comenta.<\/span><\/p>\n<h3>Falta investimento em qualifica\u00e7\u00e3o do trabalhador<\/h3>\n<p>Para <strong>Gerson Cipriano<\/strong>, presidente do <strong>Sinditex<\/strong> (Sindicato dos Trabalhadores nas Ind\u00fastrias de Fia\u00e7\u00e3o, Malharia, Tinturaria, Tecelagem e Assemelhados de Joinville), o Brasil n\u00e3o estava preparado para a Reforma Trabalhista. Embora reconhe\u00e7a a necessidade de moderniza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o, ele observa que falta investimento em pol\u00edticas de qualifica\u00e7\u00e3o do trabalhador. Em consequ\u00eancia, segundo o l\u00edder sindical, a economia n\u00e3o cresceu conforme se esperava.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2431\" aria-describedby=\"caption-attachment-2431\" style=\"width: 419px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2431 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Cipriano.jpg\" alt=\"\" width=\"419\" height=\"455\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2431\" class=\"wp-caption-text\">Cipriano: &#8220;Brasil n\u00e3o estava preparado para a reforma trabalhista&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n<p>No setor t\u00eaxtil, o panorama \u00e9 de estagna\u00e7\u00e3o, segundo Cipriano. \u201cUma grande empresa est\u00e1 desativando o terceiro turno e tentando realocar esses funcion\u00e1rios, mas sem perspectiva de novas contrata\u00e7\u00f5es. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a Fibrasca, que abriu recentemente 80 postos de trabalho, mas isso \u00e9 uma gota no oceano\u201d, analisa. Al\u00e9m da falta de oportunidades de qualifica\u00e7\u00e3o, o trabalhador ainda enfrenta a automatiza\u00e7\u00e3o industrial e os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que contribuem para diminuir a oferta de empregos.<\/p>\n<p>A Reforma Trabalhista, na opini\u00e3o de Cipriano, n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica culpada pelo desemprego. \u201cTalvez num pa\u00eds desenvolvido, a reforma at\u00e9 funcionasse, mas o Brasil ainda n\u00e3o estava preparado para essas mudan\u00e7as\u201d, avalia. A instabilidade pol\u00edtica, aliada ao cen\u00e1rio econ\u00f4mico internacional, tamb\u00e9m contribuem para agravar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO governo n\u00e3o se achou ainda\u201d (Gerson Cipriano, presidente do Sinditex)&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>O sindicalista n\u00e3o enxerga sinais de melhora a curto prazo. \u201cEste ano j\u00e1 est\u00e1 perdido e, a julgar pela gravidade do quadro cl\u00ednico da nossa economia, vai precisar uns dois a tr\u00eas anos para reagir\u201d, estima. Os dados do IBGE divulgados na quinta-feira confirmam os progn\u00f3sticos de Cipriano. O PIB (Produto Interno Bruto) caiu 0,2% no primeiro trimestre de 2019, comparado ao \u00faltimo trimestre do ano passado. A \u00faltima vez que o Brasil teve uma contra\u00e7\u00e3o trimestral da economia foi quarto trimestre de 2016 (-0,6%).<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que o governo prega, Cipriano n\u00e3o acredita que a Reforma da Previd\u00eancia possa solucionar o problema econ\u00f4mico do Brasil. \u201c\u00c9 uma das formas de economizar, mas deveria ser amplamente debatida com a sociedade e, depois de implantada, precisa passar por uma s\u00e9ria avalia\u00e7\u00e3o dentro de quatro ou cinco anos, para verificar quais os efeitos positivos e negativos\u201d, argumenta,<\/p>\n<h3><strong>Instabilidade pol\u00edtica emperra rea\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo o presidente da <\/span><b><i>Associa\u00e7\u00e3o Empresarial de Joinville (ACIJ)<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, Jo\u00e3o Joaquim Martinelli, n\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre a reforma trabalhista e o n\u00edvel de emprego.\u00a0A situa\u00e7\u00e3o atual, segundo ele, tem estreita rela\u00e7\u00e3o com a falta de seguran\u00e7a pol\u00edtica para que o empres\u00e1rio fa\u00e7a investimentos e empreenda. <\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c9 claro que a reforma flexibilizou as regras de contrata\u00e7\u00e3o, mas por si s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 suficiente. N\u00e3o se faz investimentos para o curto prazo, mas sim para o m\u00e9dio e longo prazos e, no momento atual, est\u00e1 dif\u00edcil visualizar como ser\u00e1 a economia do pa\u00eds no pr\u00f3ximo ano. Emprego decorre desses investimentos\u201d (Jo\u00e3o Martinelli, presidente da ACIJ)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com o presidente, caso as reformas pretendidas sejam feitas, come\u00e7ando pela da <strong>Previd\u00eancia<\/strong>, \u00e9 poss\u00edvel uma melhora no cen\u00e1rio de emprego. \u201cCaso as reformas n\u00e3o sejam realizadas, dificilmente conseguiremos recuperar o n\u00edvel de emprego desejado\u201d, observa.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2432\" aria-describedby=\"caption-attachment-2432\" style=\"width: 524px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2432 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Martinelli.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"346\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2432\" class=\"wp-caption-text\">Martinelli: emprego decorre de investimentos \/ Foto: Divulga\u00e7\u00e3o Acij<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na opini\u00e3o de Martinelli, para que haja uma recupera\u00e7\u00e3o da<strong> economia<\/strong> a classe pol\u00edtica brasileira precisa entender o momento pelo qual passa o pa\u00eds e sua import\u00e2ncia em auxiliar na solu\u00e7\u00e3o dos problemas. &#8220;Acreditamos que tudo est\u00e1 atrelado a uma mudan\u00e7a de cen\u00e1rio, as reformas trar\u00e3o ao empres\u00e1rio \u00e2nimo para investir, contratar. As reformas depender\u00e3o muito mais do poder legislativo do que do executivo&#8221;, explica.<\/p>\n<h3>Economistas\u00a0 preveem mais dificuldades<\/h3>\n<p>A principal causa do desemprego \u00e9 o fraco desempenho da economia e a crise j\u00e1 caminha para o est\u00e1gio de recess\u00e3o, caso o governo n\u00e3o adote pol\u00edticas econ\u00f4micas mais eficazes para estimular os investimentos tanto p\u00fablicos quanto privados. O alerta \u00e9 da economista e professora da Univille Anemarie Dalchau.<\/p>\n<p>Conforme a professora, \u00e9 normal que haja per\u00edodos de desacelera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, pois a economia \u00e9 c\u00edclica. \u201cEssa desacelera\u00e7\u00e3o diminui a demanda que, por sua vez, afeta o lucro das empresas e estas passam a trabalhar com ociosidade, levando \u00e0 demiss\u00e3o de colaboradores\u201d, explica. O desemprego afeta a renda das fam\u00edlias que passam a fazer cortes maiores em seus or\u00e7amentos. Neste caso, dois trimestres consecutivos de crise s\u00e3o interpretados como recess\u00e3o. \u201cAs incertezas quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e consumo chegam a propor\u00e7\u00f5es onde a \u00fanica certeza dos empres\u00e1rios \u00e9 desempregar e parar novos investimentos para n\u00e3o falir\u201d, diz Anemarie.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2434\" aria-describedby=\"caption-attachment-2434\" style=\"width: 436px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2434 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Ane-2.jpg\" alt=\"\" width=\"436\" height=\"467\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2434\" class=\"wp-caption-text\">Anemarie: crise caminha para est\u00e1gio de recess\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o professor de economia <strong>Jo\u00e3o Luis Bertoli<\/strong>, o desemprego tem suas conex\u00f5es com a crise de 2008 e com a eleva\u00e7\u00e3o da <strong>taxa de juros<\/strong> e cortes nos gastos do governo em 2015, que provocaram uma retra\u00e7\u00e3o na atividade econ\u00f4mica. \u201cFoi o que de fato expandiu essa taxa que passou de 6,5% no \u00faltimo trimestre de 2014 para 13,7% no primeiro trimestre de 2017\u201d, explica.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;\u00c9 ilus\u00f3rio pensar que uma redu\u00e7\u00e3o do custo da m\u00e3o de obra, ou seja, o rebaixamento do sal\u00e1rio, possibilitaria uma expans\u00e3o nos investimentos. Sem um mercado consumidor fortalecido o empres\u00e1rio industrial n\u00e3o tem para quem produzir.&#8221; (Jo\u00e3o Bertoli, economista)<\/p><\/blockquote>\n<p>A reforma trabalhista n\u00e3o \u00e9 suficiente para fazer frente \u00e0s incertezas e riscos decorrentes do fraco desempenho da economia, segundo Anemarie. \u201cPrecisamos que as empresas invistam. S\u00f3 o investimento vai gerar empregos\u201d, aponta. Do mesmo modo, a economista alerta que a reforma da previd\u00eancia \u00e9 uma das causas da instabilidade econ\u00f4mica, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica vil\u00e3. Ela destaca a necessidade de reformas ainda mais amplas, como a fiscal e a comercial. \u201cSomos um pa\u00eds com a mais complexa e perversa pol\u00edtica fiscal no mundo\u201d, observa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No com\u00e9rcio internacional, Anemarie afirma que o Brasil \u00e9 muito protecionista. \u201cQueremos vender muito para todos, mas comprar pouco. H\u00e1 necessidade de ajustes nessas rela\u00e7\u00f5es comerciais\u201d, avalia.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO que os investidores se perguntam \u00e9 como o governo vai honrar seus compromissos diante de um d\u00e9ficit p\u00fablico crescente. Ningu\u00e9m quer investir ou emprestar dinheiro para quem demonstra n\u00e3o ter f\u00f4lego para honrar seus compromissos assumidos.\u201d (Anemarie Dalchau, economista)<\/p><\/blockquote>\n<p>Bertoli complementa que a reforma da previd\u00eancia tamb\u00e9m n\u00e3o ajudar\u00e1 na redu\u00e7\u00e3o da taxa de desemprego, pois ampliar\u00e1 os investimentos no mercado financeiro e n\u00e3o no mercado produtivo, que realmente gera postos de trabalho. \u201cQuanto maior as aplica\u00e7\u00f5es no mercado financeiro, menor tende a ser a atratividade de investimentos no setor produtivo\u201d, explica. \u201cSe o setor financeiro gera mais ganhos do que o setor produtivo, pra que investir no setor produtivo?\u201d, questiona.<\/p>\n<h3><strong>C\u00e2mbio e guerra comercial<\/strong><\/h3>\n<p>As oscila\u00e7\u00f5es cambiais tamb\u00e9m contribuem para o clima de incertezas na economia. Sonho dos exportadores e pesadelo dos importadores, o d\u00f3lar alto tamb\u00e9m traz reflexos \u00e0 economia catarinense. O estado exporta de produtos prim\u00e1rios a servi\u00e7os tecnol\u00f3gicos de alto valor agregado, mas tamb\u00e9m busca, em diversas partes do mundo, as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que facilitem seu processo produtivo. O d\u00f3lar mais alto, como explica Anemarie, pode frear essas importa\u00e7\u00f5es e atrasar investimentos que poderiam gerar novos empregos ou novos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Em tese, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real frente ao d\u00f3lar poderia ser duplamente ben\u00e9fica ao Estado, pois tornaria o pre\u00e7o dos produtos brasileiros mais atrativos l\u00e1 fora e, ao mesmo tempo, estimularia a ind\u00fastria brasileira a comprar produtos nacionais. Entretanto, conforme observa Bertoli, por conta da guerra comercial entre Estados Unidos e China, o mundo est\u00e1 menos propenso ao com\u00e9rcio internacional e o cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 bom para exporta\u00e7\u00e3o. \u201cNo Brasil, a pr\u00f3pria conjuntura interna est\u00e1 muito ruim, pois as pessoas est\u00e3o com uma renda mais baixa, s\u00f3 compram o m\u00ednimo necess\u00e1rio e acaba sobrando muito pouco para consumir outras coisas, ent\u00e3o o cen\u00e1rio interno tamb\u00e9m \u00e9 desfavor\u00e1vel\u201d, explica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2435\" aria-describedby=\"caption-attachment-2435\" style=\"width: 491px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2435 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Bertoli-2.jpg\" alt=\"\" width=\"491\" height=\"495\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2435\" class=\"wp-caption-text\">Bertoli: cen\u00e1rio \u00e9 de instabilidade nos mercados interno e externo<\/figcaption><\/figure>\n<p>De acordo com Bertoli, como o consumo interno est\u00e1 estagnado, o investimento est\u00e1 deprimido e os gastos do governo est\u00e3o congelados, a exporta\u00e7\u00e3o tem sido a \u00fanica salva\u00e7\u00e3o que faz o PIB crescer a uma taxa baix\u00edssima. \u201cSe a guerra comercial se aprofundar, pode levar a uma guerra generalizada do com\u00e9rcio internacional e isso poderia afetar diretamente as nossas exporta\u00e7\u00f5es\u201d, calcula o economista.<\/p>\n<p>Anemarie concorda que a guerra comercial entre China e Estados Unidos \u2013 que juntos com a Argentina s\u00e3o os principais parceiros comerciais do Brasil \u2013 contribui para gerar apreens\u00e3o. No caso do pa\u00eds vizinho, a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nada favor\u00e1vel. Entretanto, ela acredita que possam surgir novas oportunidades de neg\u00f3cios na disputa entre chineses e norte-americanos, pois novos acordos podem acontecer, tanto em setores j\u00e1 consolidados quanto na abertura de novos campos de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Amanda Cristina Sousa e Destiny Goulart Em novembro de 2017 entrou em vigor a reforma trabalhista, maior mudan\u00e7a nas leis do trabalho desde a cria\u00e7\u00e3o da CLT ( Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho), alterando cerca de 10% da legisla\u00e7\u00e3o. Ao sancion\u00e1-la, o ex-presidente Michel Temer defendeu a reforma como uma maneira de gerar empregos. 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