{"id":2619,"date":"2019-06-26T18:06:23","date_gmt":"2019-06-26T21:06:23","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=2619"},"modified":"2019-06-26T18:06:23","modified_gmt":"2019-06-26T21:06:23","slug":"grafite-espalha-arte-por-joinville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2019\/06\/26\/grafite-espalha-arte-por-joinville\/","title":{"rendered":"Grafite espalha arte por Joinville"},"content":{"rendered":"<h4><em>Por Helo\u00edsa Krzeminski<\/em><\/h4>\n<p>Foram os festivais da cultura <strong><em>hip hop<\/em> <\/strong>que trouxeram o grafite para Joinville. Conforme a antrop\u00f3loga e professora Maria Elisa Maximo, o <em>hip hop<\/em> n\u00e3o \u00e9 apenas um estilo musical, mas uma <strong>cultura urbana<\/strong> que abriga o<strong> grafite<\/strong> como um de seus elementos.<\/p>\n<p>Muitos <strong>grafiteiros<\/strong> respons\u00e1veis por alguns dos desenhos em muros e paredes de Joinville s\u00e3o artistas urbanos com obras expostas em galerias e at\u00e9 em outros pa\u00edses. Geralmente, contudo, a hist\u00f3ria de muitos deles come\u00e7a na \u201cilegalidade\u201d. O artista <strong>Jos\u00e9 Malinoski<\/strong>, o \u201c<strong>Fox<\/strong>\u201d, sempre gostou de arte urbana e come\u00e7ou a grafitar na adolesc\u00eancia. De in\u00edcio, utilizava pincel e rolinho para gravar em muros de escolas o que desejava dizer ao mundo. Posteriormente fez trabalhos gratuitos em diversos eventos e, a partir deles, foi aprimorando sua t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Enfrentar os preconceitos \u2013 expl\u00edcitos e camuflados &#8211;\u00a0 costuma ser um desafio na vida dos grafiteiros. \u201cEstava pintando a parede de uma loja para um trabalho comercial para o qual eu havia sido contratado e ent\u00e3o chegou um policial armado. Ele me mandou colocar as m\u00e3os na parede, achou que eu estava fazendo alguma parada ilegal\u201d, conta Fox. Depois do esclarecimento, o policial pediu desculpas e se retirou. \u201cO preconceito existe, mas \u00e9 mais comum vir da galera que n\u00e3o tem conhecimento nem mente aberta para a <strong>arte<\/strong>\u201d, avalia o artista.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2620\" aria-describedby=\"caption-attachment-2620\" style=\"width: 575px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2620 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Fox-pintando.jpg\" alt=\"\" width=\"575\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2620\" class=\"wp-caption-text\">Estabelecimentos comerciais e propriet\u00e1rios de im\u00f3veis contratam artistas urbanos<\/figcaption><\/figure>\n<p>O preconceito tamb\u00e9m est\u00e1 presente na famosa pergunta \u201cvoc\u00ea trabalha ou s\u00f3 grafita?\u201d Fox j\u00e1 perdeu a conta de quantas vezes ouviu esse questionamento. Segundo ele, isso ocorre porque muitas pessoas encaram a arte como um hobby e n\u00e3o uma profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A publicit\u00e1ria <strong>Mari\u00ea Balbinot<\/strong> grafita desde 2010, ano em que fundou o <strong>Coletivo Ch\u00e1<\/strong>, iniciativa que utiliza o meio urbano como superf\u00edcie de exposi\u00e7\u00e3o unindo projetos art\u00edsticos independentes. Ela faz trabalhos comerciais e tamb\u00e9m por passatempo. \u201cEm 2010, ser artista urbana em Joinville apresentava muitos desafios, dentre eles, o preconceito do conservadorismo, caracter\u00edstico da cidade\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para Mari\u00ea, o grafite \u00e9 mais do que um meio de sustento, representa sua vida, ou melhor, sua miss\u00e3o\u00a0de vida. \u201c\u00c9 a minha principal ferramenta para existir e resistir no espa\u00e7o f\u00edsico\u201d, define. Fox tem opini\u00e3o parecida: o grafite faz parte de sua ess\u00eancia. \u201c\u00c9 um sonho que eu estou vivendo e ele se realiza um pouquinho a cada dia\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Arte urbana conquista comerciantes<\/strong><\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 popularidade que o grafite tem recebido nos \u00faltimos anos, muitas lojas e estabelecimentos comerciais optam por decorar seus ambientes com desenhos autorais de artistas urbanos. Um exemplo disso \u00e9 o Tucanos A\u00e7a\u00ed. A franquia contratou Fox para trabalhar em uma das paredes da matriz. Conforme Deila Pepe, s\u00f3cia-propriet\u00e1ria, o principal objetivo ao contratar grafiteiros \u00e9 valorizar o trabalho dos artistas. \u201cSempre achamos um trabalho muito bonito\u201d, disse. Com o reposicionamento da marca, toda a decora\u00e7\u00e3o apoia artistas regionais, contratando-os para decorar os ambientes, a fim de trazer mais brasilidade para os estabelecimentos.<\/p>\n<p>De acordo com Deila, os clientes gostam muito do trabalho realizado por Fox. \u201cSempre perguntam quem fez, pedem o contato e tiram muitas fotos\u201d, conta. O grafite da lanchonete d\u00e1 mais visibilidade para o estabelecimento e para o artista, que j\u00e1 realizou trabalhos para outros comerciantes, inclusive em outras cidades.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2629\" aria-describedby=\"caption-attachment-2629\" style=\"width: 592px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2629 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Fox3.jpg\" alt=\"\" width=\"592\" height=\"336\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2629\" class=\"wp-caption-text\">Obra de Fox Malinoski \/Fotos: acervo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Modo de express\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>O grafitismo surgiu como uma forma de cr\u00edtica social. \u00c9 uma interven\u00e7\u00e3o das camadas mais pobres no cen\u00e1rio urbano. De acordo com Maria Elisa Maxio, o grafite tornou-se popular na d\u00e9cada de 1970, nas grandes cidades do Brasil e do mundo. Esse tipo de arte \u00e9 caracterizado por deixar marcas na cidade e construir territorialidade entre grupos e tribos urbanas.<\/p>\n<p>Muitas vezes, segundo Maria Elisa, a hist\u00f3ria do grafite se confunde com a da picha\u00e7\u00e3o. Muitos te\u00f3ricos defendem as diferen\u00e7as entre ambas, embora o surgimento do grafite e da picha\u00e7\u00e3o apresentem origens semelhantes, como a pr\u00e1tica de marcar na cidade algumas territorialidades e identidades.\u00a0A principal diferen\u00e7a entre as duas manifesta\u00e7\u00f5es \u00e9 que o grafite baseia-se em desenhos e figuras, trazendo elementos elaborados com o objetivo de expressar os sentimentos do artista. A picha\u00e7\u00e3o limita-se a escritas ou rabiscos n\u00e3o elaborados. O grafite ganhou status art\u00edstico enquanto a picha\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 considerada vandalismo pelas autoridades.<\/p>\n<p>O grafite apropria-se de pr\u00e9dios p\u00fablicos ou constru\u00e7\u00f5es de grandes corpora\u00e7\u00f5es e \u00e9 uma forma de dizer que a cultura popular resiste. \u00c9 uma forma das camadas populares\u00a0conquistarem voz e expressarem sua mensagem de forma art\u00edstica para o restante da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Helo\u00edsa Krzeminski Foram os festivais da cultura hip hop que trouxeram o grafite para Joinville. Conforme a antrop\u00f3loga e professora Maria Elisa Maximo, o hip hop n\u00e3o \u00e9 apenas um estilo musical, mas uma cultura urbana que abriga o grafite como um de seus elementos. 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