{"id":2821,"date":"2019-07-23T15:52:01","date_gmt":"2019-07-23T18:52:01","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=2821"},"modified":"2019-07-23T15:52:01","modified_gmt":"2019-07-23T18:52:01","slug":"capoeira-ensina-licoes-de-vida-afeto-e-disciplina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2019\/07\/23\/capoeira-ensina-licoes-de-vida-afeto-e-disciplina\/","title":{"rendered":"Capoeira ensina li\u00e7\u00f5es de vida, afeto e disciplina"},"content":{"rendered":"<h4><em><strong>Por Vin\u00edcius Sprotte<\/strong><\/em><\/h4>\n<p>A capoeira \u00e9 considerada Patrim\u00f4nio Imaterial da Cultura brasileira pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN) e Patrim\u00f4nio Cultural da Humanidade pela UNESCO.\u00a0 No per\u00edodo da escravid\u00e3o dos negros, a capoeira foi uma forma de resist\u00eancia dos escravos trazidos da \u00c1frica, utilizada para defesa f\u00edsica, consolidou-se no Quilombo dos Palmares. Por certo per\u00edodo, passou a ser vista como uma pr\u00e1tica violenta pelos brancos e, por esse motivo, quem praticava a Capoeira estava cometendo um crime. A partir de 1930, voltou a ser legalizada, quando o Mestre Bimba fez uma apresenta\u00e7\u00e3o da luta para o ex-presidente Get\u00falio Vargas, que a al\u00e7ou \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de esporte nacional do Brasil.<\/p>\n<p>Juliano Ramos d\u00e1 aulas de capoeira desde 2006 e conheceu essa arte em meados da d\u00e9cada de 1990, em Balne\u00e1rio Barra do Sul, por causa de um grupo de amigos.\u00a0 Desde ent\u00e3o, apaixonou-se por esse esporte e tem em Vicente Ferreira Pastinha, conhecido por Mestre Pastinha, sua refer\u00eancia.\u00a0 Para ele, a capoeira \u00e9 mais do que uma luta.\u00a0 \u201cEncaixa-se tanto como cultura quanto esporte, arte ou luta, brincadeira ou jogo\u201d, afirma Juliano. \u00a0Com a pr\u00e1tica da capoeira, Juliano aprendeu que para ser forte n\u00e3o \u00e9 preciso brigar.\u00a0 \u201cEla \u00e9 boa para a vida. A capoeira \u00e9 a \u00fanica luta tocada e cantada\u201d, conta o professor.<\/p>\n<p>Fernando Ramos Caetano pratica capoeira h\u00e1 11 anos no grupo Beribazu, do professor Juliano Ramos. \u00a0O esporte ajuda-o como defesa pessoal, mas ele tamb\u00e9m gosta da musicalidade, da identidade cultural e da hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o e ancestralidade da luta.\u00a0 Para ele, a capoeira \u00e9 um dos poucos esportes inclusivos.\u00a0 \u201cA \u2018capoeiragem\u2019 n\u00e3o olha classe social, religi\u00e3o e limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas\u201d, analisa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2822\" aria-describedby=\"caption-attachment-2822\" style=\"width: 846px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2822 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Capoeira-3.jpg\" alt=\"\" width=\"846\" height=\"501\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2822\" class=\"wp-caption-text\">Dan\u00e7a, jogo, arte, esporte, capoeira \u00e9 patrim\u00f4nio cultural do Brasil \/ Foto: acervo Andrei Padilha<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na opini\u00e3o de Fernando, a capoeira \u00e9 pouco valorizada na Am\u00e9rica do Sul.\u00a0 \u201cCertamente, se nascesse em pa\u00eds europeu ou asi\u00e1tico seria muito mais valorizada\u201d, opina o aluno.\u00a0 A luta deveria, segundo ele, estar em todas as escolas p\u00fablicas para estimular a parte f\u00edsica, motora, dar equil\u00edbrio emocional, ajudar na criatividade, entre outros benef\u00edcios.<\/p>\n<p>Professor de capoeira em Joinville, Marcelo de Souza Rafael leciona no col\u00e9gio Positivo para a educa\u00e7\u00e3o infantil.\u00a0 Ele come\u00e7ou a praticar quando tinha tr\u00eas anos de idade, em 1985, treinado por Mauro Barreto Dutra.\u00a0 \u201c\u00c9 um dos meus meios de vida, a capoeira \u00e9 o que eu sou\u201d, define ele emocionado. Ensinar a conviver em sociedade, a ter disciplina e a respeitar as outras pessoas, al\u00e9m de cuidar do corpo s\u00e3o alguns dos ensinamentos que a capoeira traz para a vida de seus praticantes. \u201cO legado da capoeira \u00e9 o respeito \u00e0 mem\u00f3ria dos mestres, daqueles escravos que morreram para a capoeira estar onde ela est\u00e1 hoje\u201d, complementa Marcelo.<\/p>\n<p><strong>Musicalidade ajuda a compreender a capoeira<\/strong><\/p>\n<p>Toda roda de capoeira \u00e9 acompanhada de m\u00fasica contagiante. Dan\u00e7as como maculel\u00ea, samba, coco de roda, ciranda, frevo, puxada de rede tamb\u00e9m s\u00e3o, muitas vezes, apresentadas pelos capoeiristas.<\/p>\n<p>As m\u00fasicas tratam da hist\u00f3ria de um povo, de um mestre, de uma \u00e9poca, de amor, de guerra e de paz. \u201cDepende do que o cantador quer comunicar na roda ou no jogo, serve para muitas coisas como louvar um Deus, um santo ou um orix\u00e1\u201d, explica Juliano. \u201cDepende da cren\u00e7a de quem canta, para incentivar o jogo, provocar, acalmar, iniciar ou acabar a roda.\u201d<\/p>\n<p>Por meio da musicalidade, a capoeira trabalha o conhecimento do corpo e de seus comandos. Conforme Marcelo de Souza, os praticantes dependem das cantigas para jogar. \u201c\u00c9 como uma orquestra de berimbaus, atabaques, pandeiro, tudo isso conduzindo dois capoeiristas\u201d.<\/p>\n<p><em>Foto capa: Marcelo Casal Jr.\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Vin\u00edcius Sprotte A capoeira \u00e9 considerada Patrim\u00f4nio Imaterial da Cultura brasileira pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN) e Patrim\u00f4nio Cultural da Humanidade pela UNESCO.\u00a0 No per\u00edodo da escravid\u00e3o dos negros, a capoeira foi uma forma de resist\u00eancia dos escravos trazidos da \u00c1frica, utilizada para defesa f\u00edsica, consolidou-se no Quilombo dos Palmares. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":2824,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14,20,4,46,26],"tags":[269,710,197,184,143],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2821"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2821"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2821\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}