{"id":2928,"date":"2019-08-15T13:30:24","date_gmt":"2019-08-15T16:30:24","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=2928"},"modified":"2019-08-15T13:30:24","modified_gmt":"2019-08-15T16:30:24","slug":"faculdade-ielusc-ganha-coletanea-do-primeiro-jornal-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2019\/08\/15\/faculdade-ielusc-ganha-coletanea-do-primeiro-jornal-brasileiro\/","title":{"rendered":"Faculdade Ielusc ganha colet\u00e2nea do primeiro jornal brasileiro"},"content":{"rendered":"<h4><em>Por Destiny Goulart e Tiago Feitosa Rodrigues<\/em><\/h4>\n<p>O <strong>Correio Braziliense<\/strong>\u00a0ou <strong>Armaz\u00e9m Liter\u00e1rio<\/strong> foi o primeiro jornal brasileiro a circular no pa\u00eds. Era produzido em Londres<strong>,<\/strong> por <strong>Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa,\u00a0<\/strong>entre os anos de 1808 a 1822. As\u00a0175 edi\u00e7\u00f5es\u00a0vieram para o Brasil de navio e cada uma demorava entre 45 a 90 dias para chegar. A circula\u00e7\u00e3o era clandestina, pois uma ordem da Coroa\u00a0 proibia a entrada e publica\u00e7\u00e3o do peri\u00f3dico.\u00a0 Agora, a <strong>Faculdade Ielusc<\/strong> conta com\u00a0uma <strong>Colet\u00e2nea Fac-Similar<\/strong> do <strong>Correio Braziliense, <\/strong>doada por <strong>Carlos Taufik Haddad\u00a0<\/strong>ao curso de <strong>Jornalismo<\/strong>. S\u00e3o\u00a032 livros\u00a0que totalizam\u00a022.862 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Segundo Carlos Haddad, ap\u00f3s uma visita \u00e0s instala\u00e7\u00f5es da Faculdade Ielusc, a convite do amigo Silvio Melatti, surgiu a ideia de doar a cole\u00e7\u00e3o. Dos 32 volumes, 29 s\u00e3o de c\u00f3pias dos jornais. O livro 30 cont\u00e9m textos complementares, ilustra\u00e7\u00f5es, bibliografia, \u00edndice remissivo dos artigos introdut\u00f3rios do volume 1. O volume 31 cont\u00e9m o \u00edndice remissivo e tem\u00e1tico dos 29 volumes originais (reprodu\u00e7\u00e3o fac-similar da edi\u00e7\u00e3o de 1976 da Biblioteca Nacional &#8211; Rio de Janeiro). &#8220;Os demais volumes foram copiados da cole\u00e7\u00e3o do bibli\u00f3filo Jos\u00e9 Mindlin, inclusive capas e sobrecapas&#8221;, comentou Haddad.<\/p>\n<p>Coordenador Editorial da Imprensa Oficial do Estado de S\u00e3o Paulo, onde trabalhou durante 38 anos, Carlos foi coeditor da colet\u00e2nea. O idealizador e editor\u00a0 foi o jornalista <strong>Alberto Dines<\/strong>. A edi\u00e7\u00e3o contou com a parceria do Observat\u00f3rio da Imprensa e do Laborat\u00f3rio de Estudos Avan\u00e7ados em Jornalismo &#8211; Labjor, da Imprensa Oficial do Estado de S\u00e3o Paulo,\u00a0\u00a0Jornal Correio Braziliense e\u00a0\u00a0Funda\u00e7\u00e3o Assis Chateaubriand. &#8220;Para a consecu\u00e7\u00e3o da obra, as equipes das tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es participaram desde o projeto at\u00e9 a sua distribui\u00e7\u00e3o em pouco mais de dois anos de trabalho. Foram impressos 3.000 exemplares, distribu\u00eddos por conta de um planejamento da equipe de log\u00edstica da Imprensa Oficial, divididos em v\u00e1rios segmentos: envio para livrarias dos exemplares avulsos para venda at\u00e9 o encerramento da produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o para os assinantes e entrega solene para as 600 bibliotecas p\u00fablicas. Os custos da obra foram divididos entre os part\u00edcipes&#8221;, conta o doador.<\/p>\n<p>Como era Coordenador Editorial, Carlos acabou recebendo todos os exemplares da edi\u00e7\u00e3o para analisar os aspectos t\u00e9cnicos do produto pronto. &#8220;O fasc\u00ednio que cada editor sente ao acompanhar at\u00e9 o seu fim uma edi\u00e7\u00e3o \u00e9 indescrit\u00edvel, al\u00e9m da natural curiosidade intr\u00ednseca do editor. Assim, recebi todos os exemplares que fui armazenando na minha biblioteca&#8221;, conta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2991\" aria-describedby=\"caption-attachment-2991\" style=\"width: 717px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2991 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/ordem-rei-2.jpg\" alt=\"\" width=\"717\" height=\"501\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2991\" class=\"wp-caption-text\">Ordem de Dom Jo\u00e3o proibia a entrada e distribui\u00e7\u00e3o do Correio Braziliense\/ Foto: reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Miss\u00e3o de jornalista<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s o recebimento dos livros, Carlos leu todos. Ele destaca que Hip\u00f3lito da Costa \u00e9 considerado\u00a0\u00a0pioneiro do pensamento econ\u00f4mico brasileiro por conta da influ\u00eancia dos seus escritos\u00a0 sobre a abertura comercial de 1808, sobre o Tratado de 1810, al\u00e9m de quest\u00f5es como pol\u00edtica liberal ou protecionista inerentes aos problemas da escravid\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o. &#8220;Coerente com a sua forma\u00e7\u00e3o, sempre foi consistente e conscientemente contr\u00e1rio ao Estado Absolutista e \u00e0 censura \u00e0 imprensa&#8221;, observa.<\/p>\n<p>Entre as passagens que mais lhe chamam a aten\u00e7\u00e3o no Correio Braziliense, ele cita uma no volume XIV, de mar\u00e7o de 1815, p\u00e1gina 273, que demonstra a pluralidade de \u00e2ngulos abordados pelo jornal. &#8220;Nesse trecho h\u00e1 solicita\u00e7\u00e3o de medidas convenientes para melhorar a vida de cidad\u00e3os \u00f3rf\u00e3os que eram sumariamente presos em cadeias p\u00fablicas, sugerindo que, daquele tempo em diante, os chamados Ju\u00edzes dos \u00d3rf\u00e3os os acolhessem numa institui\u00e7\u00e3o, a Casa Pia&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O Correio Braziliense \u00e9 considerado o maior empreendimento jornal\u00edstico individual de toda a hist\u00f3ria da imprensa brasileira.\u00a0 Para Carlos, as li\u00e7\u00f5es que Hip\u00f3lito deixou ao jornalismo s\u00e3o muitas, pois abriu caminhos desconhecidos com uma imprensa de prosa moderna, clara, vibrante, concisa, repleta de pensamentos, despojada de elementos, acess\u00f3rios e que exprimia os temas centrais da \u00e9poca. &#8220;O papel do jornal e do jornalista, quanto a sua miss\u00e3o essencial, n\u00e3o mudou, continua levando informa\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma.<\/p>\n<h3><strong>Impulso para novas pesquisas<\/strong><\/h3>\n<p>A incorpora\u00e7\u00e3o da Colet\u00e2nea do Correio Braziliense ao acervo da Faculdade Ielusc pode impulsionar importantes pesquisas tanto para acad\u00eamicos de Comunica\u00e7\u00e3o como de Hist\u00f3ria. Durante a Semana Integrada de Comunica\u00e7\u00e3o, em setembro, os volumes ficar\u00e3o expostos ao p\u00fablico e, depois disso, segundo o Coordenador de Jornalismo, Silvio Melatti, ser\u00e3o incorporados ao acervo da biblioteca da faculdade. Veja mais detalhes no v\u00eddeo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mfR05mkMP08\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Hip\u00f3lito da Costa: um espi\u00e3o que amava o jornalismo<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A hist\u00f3ria de Hip\u00f3lito da Costa come\u00e7a em 1774. Nascido de uma fam\u00edlia abastada, na Col\u00f4nia de Sacramento, onde atualmente se localiza o Uruguai, mas que, na \u00e9poca, pertencia ao Imp\u00e9rio Portugu\u00eas, Hip\u00f3lito \u00e9 o patrono do jornalismo do Brasil. Come\u00e7ou a editar o Correio Braziliense em 1808, no mesmo ano em que a fam\u00edlia real portuguesa veio para o Brasil, e prosseguiu at\u00e9 1822, ano da independ\u00eancia brasileira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Iniciou seus estudos em Porto Alegre, concluindo-os na Universidade de Coimbra, em Portugal. Com duas gradua\u00e7\u00f5es &#8211; Filosofia e Direito &#8211; ele familiarizou-se com ideias do Iluminismo, que o influenciaram ao longo dos anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s se formar na Universidade de Coimbra, o jovem advogado come\u00e7ou a trabalhar para o governo portugu\u00eas. Em 1798, aos 24 anos, Hip\u00f3lito foi enviado para a Am\u00e9rica do Norte para fazer <strong>espionagem industrial<\/strong> acerca das tecnologias dispon\u00edveis nos Estados Unidos e no M\u00e9xico, desde a \u00e1rea da agricultura at\u00e9 a engenharia. Em sua viagem aos Estados Unidos, o que mais o impressionou\u00a0 foi o apre\u00e7o que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas possu\u00edam para com a liberdade de com\u00e9rcio e, especialmente, para com a liberdade de imprensa e o efeito da imprensa livre sobre a sociedade civil. Nos Estados Unidos, Hip\u00f3lito filiou-se \u00e0 Ma\u00e7onaria, que tinha orienta\u00e7\u00e3o liberal. Anos mais tarde, essa associa\u00e7\u00e3o seria o principal motivo de sua pris\u00e3o.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2987\" aria-describedby=\"caption-attachment-2987\" style=\"width: 1020px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2987 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Hip\u00f3lito.jpg\" alt=\"\" width=\"1020\" height=\"643\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2987\" class=\"wp-caption-text\">Perseguido pela inquisi\u00e7\u00e3o portuguesa, Hip\u00f3lito de Costa pediu ex\u00edlio na Inglaterra \/ Foto: reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1803, voltando de uma viagem \u00e0 Inglaterra, onde foi tratar de assuntos da Ma\u00e7onaria, Hip\u00f3lito foi preso pela inquisi\u00e7\u00e3o portuguesa. Como se recusou a revelar o nome de outros membros ma\u00e7ons, a Inquisi\u00e7\u00e3o manteve o advogado cativo num pequeno quarto por dois anos e meio<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0at\u00e9 o dia em que conseguiu escapar e pediu ex\u00edlio na Inglaterra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Correio Braziliense foi marcado pela vis\u00e3o antiabsolutista de Hip\u00f3lito da Costa. N\u00e3o que ele chegasse ao ponto de defender a extin\u00e7\u00e3o da monarquia, mas desejava restri\u00e7\u00f5es pol\u00edticas \u00e0 autoridade do Estado, semelhantes \u00e0s que vira nos Estados Unidos e na Inglaterra. Tamb\u00e9m defendia o abolicionismo e<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> o fim do sistema de Capitanias Heredit\u00e1rias e a instaura\u00e7\u00e3o do sistema de Prov\u00edncias. Ele n\u00e3o concordava com o n\u00edvel de autoridade concedido aos comandantes e foi defensor da<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> independ\u00eancia do Brasil. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Destiny Goulart e Tiago Feitosa Rodrigues O Correio Braziliense\u00a0ou Armaz\u00e9m Liter\u00e1rio foi o primeiro jornal brasileiro a circular no pa\u00eds. Era produzido em Londres, por Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa,\u00a0entre os anos de 1808 a 1822. As\u00a0175 edi\u00e7\u00f5es\u00a0vieram para o Brasil de navio e cada uma demorava entre 45 a 90 dias para chegar. A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":2989,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14,20,24],"tags":[319,740,741,742,579],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2928"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2928"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2928\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}