{"id":3034,"date":"2019-08-21T17:25:57","date_gmt":"2019-08-21T20:25:57","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=3034"},"modified":"2019-08-21T17:25:57","modified_gmt":"2019-08-21T20:25:57","slug":"historias-em-quadrinhos-trajetoria-que-atravessa-seculos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2019\/08\/21\/historias-em-quadrinhos-trajetoria-que-atravessa-seculos\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias em quadrinhos: trajet\u00f3ria que atravessa s\u00e9culos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Personagens de <strong>hist\u00f3rias em quadrinhos<\/strong> possuem um forte impacto no imagin\u00e1rio popular. Tanto grandes franquias do cinema, como os <strong>Vingadores<\/strong> e <strong>Mulher Maravilha<\/strong>, at\u00e9 anima\u00e7\u00f5es que fizeram parte da inf\u00e2ncia de muita gente, como <strong>Dragon Ball Z<\/strong> e <strong>Liga de Justi\u00e7a<\/strong>, usam as hist\u00f3rias em quadrinhos como fonte prim\u00e1ria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Precursores estil\u00edsticos do mang\u00e1 podem ser rastreados at\u00e9 o s\u00e9culo XIII, no entanto, o termo foi primeiramente usado s\u00e9culos depois, em 1798, com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Shiji no Yukikai\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(Quatro Esta\u00e7\u00f5es), obra de Sant\u014d Ky\u014dden. Na segunda metade do s\u00e9culo XIX, artistas japoneses passaram a se interessar por pinturas europeias com as quais tinham contato e buscaram aprender mais como meio de melhorar suas t\u00e9cnicas. Uma grande influ\u00eancia no <strong>mang\u00e1<\/strong>, na mesma \u00e9poca, foi a de Charles Wirgman. Segundo Helen McCarthy, autora de\u00a0<em>Uma Breve Hist\u00f3ria do Mang\u00e1\u00a0<\/em>(em tradu\u00e7\u00e3o livre), Wirgman pode ser considerado o verdadeiro criador do mang\u00e1, que atrav\u00e9s da Japan Punch, uma revista japonesa de ilustra\u00e7\u00f5es que comentava sobre acontecimentos sociais da \u00e9poca, conseguiu deixar a sua marca.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O per\u00edodo ap\u00f3s a <strong>Segunda Guerra Mundial<\/strong> significou um boom criativo para mang\u00e1s. Claramente existiam hist\u00f3rias antes desse per\u00edodo, mas o compromisso\u00a0 com propagandas para com a causa imperialista durante a guerra restringia a criatividade dos autores. O governo controlava at\u00e9 mesmo o papel usado nas publica\u00e7\u00f5es. Consequentemente, autores que n\u00e3o se dedicassem \u00e0 causa belicista a favor do governo n\u00e3o conseguiam publicar.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3041\" aria-describedby=\"caption-attachment-3041\" style=\"width: 772px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3041 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Mang\u00e1.jpg\" alt=\"\" width=\"772\" height=\"484\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3041\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-weight: 400;\">Yu Yu Hakusho, obra de\u00a0Yoshihiro Togashi, \u00e9 um dos mang\u00e1s populares no Brasil pelo anime \/ Foto: reprodu\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Logo ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra, <em>Astro Boy<\/em> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Sazae-san <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">foram obras que conseguiram um bom desempenho e, de certa forma, representaram uma mudan\u00e7a de paradigma na mentalidade japonesa, pois seus protagonistas apresentavam um comportamento mais gentil e sereno em contraponto \u00e0 mentalidade imperialista agressiva que predominou durante a guerra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As obras mais conhecidas pelo p\u00fablico brasileiro, como Dragon Ball, <strong>Cavaleiros do Zod\u00edaco<\/strong> e <strong>Yu Yu Hakusho<\/strong>, que se tornaram populares devido aos animes (adapta\u00e7\u00f5es dos mang\u00e1s ao formato de anima\u00e7\u00e3o), foram publicadas anos mais tarde, nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cCome\u00e7ando desde One Piece, Bleach, Naruto, Hunter x Hunter, entre outros famosos, eu comecei a ler centenas de mang\u00e1s menos conhecidos&#8221;,\u00a0 afirma Diogo de Mello, estudante de Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o da Udesc. Ele transformou o hobby ocasional de ler mang\u00e1s em uma rotina di\u00e1ria.\u00a0 &#8220;Atualmente minha lista de mang\u00e1s\u00a0 cont\u00e9m mais de 500 t\u00edtulos diferentes e acompanho mais de 100 t\u00edtulos simultaneamente por m\u00eas.\u201d<\/span><\/p>\n<h3>Idealismo e o her\u00f3i americano<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O estilo de quadrinhos americanos pode ser rastreado desde a Era Vitoriana, com <em>As Aventuras de Obadiah Oldbuck<\/em>, do autor su\u00ed\u00e7o Rudolph Topffer, publicado em 1842 nos Estados Unidos sem a autoriza\u00e7\u00e3o do autor. O relativo sucesso da publica\u00e7\u00e3o incentivou autores americanos a usarem a obra como modelo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Era do Ouro, iniciada em 1938, \u00e9 assim chamada por ter introduzido uma grande quantidade de personagens cl\u00e1ssicos,\u00a0 populares at\u00e9 hoje, como <strong>Super-Homem<\/strong>, Mulher-Maravilha e <strong>Capit\u00e3o Am\u00e9rica<\/strong>. Uma caracter\u00edstica comum \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o de um sentimento patri\u00f3tico nos personagens. No cen\u00e1rio da Segunda Guerra Mundial, os her\u00f3is enfrentam\u00a0 nazistas e ostentam as cores da bandeira americana em seus uniformes. Com o fim da guerra, a \u00eanfase passou a ser o medo de um ataque nuclear.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3040\" aria-describedby=\"caption-attachment-3040\" style=\"width: 701px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3040 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Watchmen.jpg\" alt=\"\" width=\"701\" height=\"393\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3040\" class=\"wp-caption-text\">Watchmen, de Alan Moore, pertence \u00e0 Era Moderna dos quadrinhos e foi lan\u00e7ado na d\u00e9cada de 1980<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A eras seguintes possuem uma \u00eanfase narrativa diferente. A Era de Prata, iniciada em 1956, passa a enfatizar mais aspectos de combate ao crime, com uma narrativa que mescla horror e romance. <strong>Stan Lee<\/strong> e <strong>Steve Ditko<\/strong>, criadores de personagens como Homem-Aranha e <strong>Doutor Estranho<\/strong>, foram colaboradores dessa \u00e9poca. A Era de Bronze, que inicia em 1970, n\u00e3o possui muita diferen\u00e7a tem\u00e1tica para com o per\u00edodo anterior, mas coloca em pauta temas sociais, como racismo, problemas ambientais e drogas. A Era Moderna, que corresponde ao per\u00edodo atual, come\u00e7ou em 1985, e possui narrativas mais realistas e vis\u00f5es at\u00e9 c\u00ednicas de mundo, diferente da perspectiva idealista anterior. Entre os representantes da Era Moderna est\u00e3o autores como Alan Moore, com <strong>Watchmen<\/strong>, Frank Miller, com\u00a0\u00a0<strong>O<\/strong>\u00a0<strong>Cavaleiro das Trevas<\/strong>, e Garth Ennis, com <strong>The Boys<\/strong>.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos Estados Unidos, as duas principais empresas a produzirem hist\u00f3rias em quadrinhos s\u00e3o a Marvel Comics e a DC Comics. A Marvel conseguiu se diferenciar na d\u00e9cada de 60 ao focar na cria\u00e7\u00e3o de personagens mais conectados a pessoas da vida real. Um exemplo popular \u00e9 o Homem Aranha, alter-ego de Peter Parker, um adolescente comum que tinha problemas com emprego e namoradas. \u201cA localiza\u00e7\u00e3o da HQ era muito boa, o Peter saindo do Queens e cantando &#8216;Pro Dia Nascer Feliz&#8217; do Cazuza, enquanto pedalava em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 casa do amigo rica\u00e7o parecia bem org\u00e2nico\u201d, relata Isabel Torralba, estudante de Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o da PUC-RJ. Na opini\u00e3o de Isabel, uma apaixonada por quadrinhos, Homem Aranha possui hist\u00f3rias estranhas, mas que compensam por transmitirem sentimentos genu\u00ednos, como sensa\u00e7\u00f5es de perda e de otimismo, por causa da forma como o personagem \u00e9 constru\u00eddo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO mercado americano de quadrinhos tem sofrido historicamente de uma falta de variedade &#8211; a ponto de fazer tudo que n\u00e3o seja super-her\u00f3is parecer uma revolu\u00e7\u00e3o do meio. E isso tem sufocado o meio nos EUA. Jap\u00e3o e Europa tem uma cena bem mais saud\u00e1vel,\u00a0 diversa e menos apelativa por n\u00e3o estarem assim restritos\u201d, afirma Pedro Henrique Leal, jornalista da coluna Geek do Correio do Povo. Segundo Leal, outro problema atual dos quadrinhos norte-americanos \u00e9 os roteiristas tentarem emplacar uma pauta a despeito da narrativa estabelecida, como, por exemplo, tentar for\u00e7ar a personagem de Carol Danvers (Capit\u00e3 Marvel) ganhar uma grande relev\u00e2ncia positiva logo ap\u00f3s ter cometido atos horrendos, como comandar campos de concentra\u00e7\u00e3o, o que acaba por frustrar o p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">O mercado americano de quadrinhos tem sofrido historicamente de uma falta de variedade &#8211; a ponto de fazer tudo que n\u00e3o seja super her\u00f3is parecer uma revolu\u00e7\u00e3o do meio. (Pedro Leal, jornalista)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Torelly tra\u00e7a retrato do Brasil em <em>Os Reguladores<\/em><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fernando Torelly \u00e9 um quadrinista carioca conhecido, principalmente, por seu trabalho em <strong>Os Reguladores<\/strong>. Ele desenha &#8220;desde sempre&#8221;, pois teve contato direto com ilustra\u00e7\u00e3o a partir de sua m\u00e3e, que \u00e9 designer e ilustradora. Fernando entrou na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2002, quando tinha 22 anos, para o curso de gravura. O artista largou o ensino superior ap\u00f3s o fim do 2\u00b0 per\u00edodo, porque achou um emprego e porque considerava a \u201cfaculdade uma perda de tempo\u201d.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Reguladores \u00e9 o Brasil dos anos 80, \u00e9poca em que eu fui crian\u00e7a: fechado, feio, pobre e deprimente. (Fernando Torelly, quadrinista)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Torelly come\u00e7ou a trabalhar com quadrinhos recentemente. Tamb\u00e9m faz ilustra\u00e7\u00f5es para revistas, livros, publica\u00e7\u00f5es e estampas de camisa. Antes de Os Reguladores, seu trabalho de maior repercuss\u00e3o foi participar da concep\u00e7\u00e3o da camisa da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de futebol. \u201cQuando a empresa veio procurar um amigo meu, Eduardo Saretta, em busca de artistas para sua nova cole\u00e7\u00e3o, eu fui o primeiro a ser indicado\u201d, conta. Torelly tamb\u00e9m escrevia sobre futebol em um site patrocinado pela Nike. \u201cMe convidaram para trabalhar na concep\u00e7\u00e3o do uniforme usado em 2012. Eu fui o primeiro artista brasileiro a trabalhar camisa da sele\u00e7\u00e3o feita pela Nike.\u201d<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3038\" aria-describedby=\"caption-attachment-3038\" style=\"width: 992px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3038 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Torelly.jpg\" alt=\"\" width=\"992\" height=\"346\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3038\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Os Reguladores&#8221;, de Fernando Torelly, tem personagens ambientados no Brasil da d\u00e9cada de 1980 \/ Foto: acervo pessoal do autor<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ideia para Os Reguladores come\u00e7ou a ser colocada em pr\u00e1tica em 2015. Torelly sempre foi leitor de quadrinhos, mas at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o se sentia seguro para desenh\u00e1-los. Segundo ele, depois de ver tanta gente fazendo coisa ruim, perdeu a vergonha e decidiu fazer os seus. \u201cReguladores \u00e9 de certo modo uma par\u00f3dia ao quadrinho brasileiro de super-her\u00f3is e a posi\u00e7\u00e3o de seus criadores em rela\u00e7\u00e3o ao papel do Estado na produ\u00e7\u00e3o do conte\u00fado nacional\u201d, afirma o quadrinista. \u201cO Brasil dos Reguladores \u00e9 o Brasil dos anos 80, \u00e9poca em que eu fui crian\u00e7a: fechado, feio, pobre e deprimente. \u00c9 o Brasil da reserva de mercado\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Personagens de hist\u00f3rias em quadrinhos possuem um forte impacto no imagin\u00e1rio popular. Tanto grandes franquias do cinema, como os Vingadores e Mulher Maravilha, at\u00e9 anima\u00e7\u00f5es que fizeram parte da inf\u00e2ncia de muita gente, como Dragon Ball Z e Liga de Justi\u00e7a, usam as hist\u00f3rias em quadrinhos como fonte prim\u00e1ria.\u00a0 Precursores estil\u00edsticos do mang\u00e1 podem ser [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3039,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14,20,127,11],"tags":[754,755,756,757,758,759,760,761,762],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3034"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3034"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3034\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}