{"id":3600,"date":"2019-11-18T15:23:25","date_gmt":"2019-11-18T17:23:25","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=3600"},"modified":"2019-11-18T15:23:25","modified_gmt":"2019-11-18T17:23:25","slug":"instagram-aumenta-o-numero-de-brechos-online","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2019\/11\/18\/instagram-aumenta-o-numero-de-brechos-online\/","title":{"rendered":"Instagram aumenta o n\u00famero de brech\u00f3s online"},"content":{"rendered":"<h4><em>Por J\u00e9ssica Horr, publicado originalmente no jornal Primeira Pauta<\/em><\/h4>\n<p>A pesquisa pela <strong>hashtag \u201cbrech\u00f3\u201d<\/strong> tem quase <strong>dois milh\u00f5es<\/strong> de resultados no <strong>Instagram<\/strong>. A onda de reaproveitamento de pe\u00e7as de vestu\u00e1rio tomou conta da rede social nos \u00faltimos dois anos. Por vezes tamb\u00e9m chamados de<strong> \u201cdesapegos\u201d<\/strong> ou <strong>\u201cgarimpos\u201d<\/strong>, o formato de vender roupas pela plataforma online traz<strong> inova\u00e7\u00e3o<\/strong> e <strong>praticidade<\/strong> para os consumidores. Os motivos para come\u00e7ar um perfil de brech\u00f3 no Instagram podem variar. Geralmente envolvem a necessidade de dar outro destino para roupas antigas.<\/p>\n<p>No caso de Sueila Carlesso, 19 anos, a motiva\u00e7\u00e3o foi diferente. O <strong>BadGal Brech\u00f3<\/strong> nasceu em outubro de 2018 de uma necessidade de renda extra. A filha, na \u00e9poca com nove meses, precisava de uma creche, mas n\u00e3o havia vagas. Sem conseguir encontrar emprego e sem renda, a alternativa foi desapegar de roupas que n\u00e3o serviam mais. \u201cDesde muito nova comprei em brech\u00f3 e bazar beneficente\u201d, conta. \u201cHoje, 100% do meu arm\u00e1rio s\u00e3o pe\u00e7as que eu garimpei, ent\u00e3o eu sempre tive muita roupa\u201d.<\/p>\n<p>Em outras situa\u00e7\u00f5es, o sucesso vem quase que por acaso. Keidima Inhaia, 29, n\u00e3o tinha a inten\u00e7\u00e3o de abrir uma loja com desapegos quando come\u00e7ou a vender pe\u00e7as que n\u00e3o queria mais, em um grupo de <strong>Whatsapp,<\/strong> em <strong>S\u00e3o Francisco do Sul<\/strong>. As clientes pediam roupas novas quando ela fazia as entregas. \u201cEu conheci uma mulher que veio morar aqui e tinha um brech\u00f3 s\u00f3 no Instagram, a\u00ed a gente resolveu se juntar e abrir uma loja f\u00edsica e online tamb\u00e9m\u201d, comenta. Assim foi criado, h\u00e1 um ano, o <strong>Sunset Brech\u00f3<\/strong>, com a mistura do estilo moderno de Keidima e o vintage de Luan, a s\u00f3cia.<\/p>\n<p>N\u00e3o t\u00e3o numerosa quanto a hashtag de brech\u00f3s, mas ainda assim consider\u00e1vel, a palavra <strong>\u201cgarimpo\u201d<\/strong> tem <strong>451 mil<\/strong> resultados no Instagram. \u00c9 o termo usado pelos donos de brech\u00f3s, quando se referem ao ato de procurar boas pe\u00e7as para vender. As &#8220;garimpeiras&#8221; frequentam bazares de outras lojas ou bazares beneficentes. O trabalho \u00e9 \u00e1rduo, mas vale a pena. \u201cTem mesas enormes com roupas empilhadas, nas quais n\u00e3o existe organiza\u00e7\u00e3o, tem muita roupa e por um pre\u00e7o bem barato\u201d, explica Sueila.<\/p>\n<p>Procurar pe\u00e7as antigas e dar um novo significado a elas \u00e9, al\u00e9m de um processo, parte de uma paix\u00e3o. Maria Gabriela da Costa, 29, e a m\u00e3e, Valdiria de Oliveira, 69, cuidam de um brech\u00f3 juntas. Para manter a loja sempre cheia de novidades, fazem o que apelidaram de <strong>&#8220;garimpo bruto&#8221;<\/strong>. Da mesma forma que \u00e9 feito com diamantes, mas com montanhas de roupa. Cerca de 90% do resultado das vitrines e araras v\u00eam de a\u00e7\u00f5es sociais. Depois da busca vem a curadoria, que envolve limpeza, retoques e etiquetamento. &#8220;Eu amo esse tipo de garimpo, porque al\u00e9m de estarmos ajudando causas sociais, achamos pe\u00e7as raras&#8221;, diz Maria Gabriela.<\/p>\n<p>As <strong>\u201cgarimpeiras\u201d<\/strong>\u00a0 podem conseguir novas roupas em v\u00e1rios lugares , como desapegos de outras pessoas. Fazer consignado tamb\u00e9m \u00e9 uma pr\u00e1tica comum: a pessoa entrega a pe\u00e7a para o brech\u00f3 e, se vendida, fica com uma porcentagem do valor.<\/p>\n<p>Um dos maiores estere\u00f3tipos do brech\u00f3, e talvez a maior de suas premissas, \u00e9 o pre\u00e7o baixo. Mas o conceito de<strong> &#8220;barateza&#8221;<\/strong> pode ser relativo. \u00c9 comum que as garimpeiras busquem novidades fora dos bazares locais: pe\u00e7as importadas ou \u00fanicas tamb\u00e9m t\u00eam espa\u00e7o nas vitrines e o valor agregado pode assustar de in\u00edcio. Keidima conta que a pe\u00e7a mais cara que vendeu foi um poncho por R$ 200. O contraste com o valor original \u00e9 grande; a pe\u00e7a, na internet, custava R$ 1.500. Segundo ela, a procura foi enorme.<\/p>\n<p>Assim como em qualquer tipo de neg\u00f3cio, a divulga\u00e7\u00e3o e o atendimento dos brech\u00f3s \u00e9 muito importante. A peculiaridade de vender pelo Instagram \u00e9 que o atendimento precisa ser muito mais qualificado, j\u00e1 que o cliente s\u00f3 tem a foto da pe\u00e7a como refer\u00eancia. E a criatividade rola solta, como no caso do BadGal. Sueila faz autorretratos e combina roupas que est\u00e3o dispon\u00edveis. Para ela, isso ajuda a criar a identidade do brech\u00f3, permite que quem olhe o feed imagine v\u00e1rias possibilidades com uma mesma pe\u00e7a.<br \/>\nQuando n\u00e3o existe uma loja f\u00edsica,\u00a0 a log\u00edstica da venda funciona de uma forma um pouco diferente: as entregas s\u00e3o feitas nos terminais de \u00f4nibus de Joinville, mediante uma taxa para pagar o transporte.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3644\" aria-describedby=\"caption-attachment-3644\" style=\"width: 614px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3644 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Brech\u00f3.jpg\" alt=\"\" width=\"614\" height=\"298\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3644\" class=\"wp-caption-text\">Produ\u00e7\u00e3o de fotos com looks atraentes \u00e9 fundamental nos brech\u00f3s online \/Reprodu\u00e7\u00e3o Instagram<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Impacto ambiental da ind\u00fastria da moda<\/strong><\/p>\n<p>Segundo pesquisa da <strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria T\u00eaxtil e de Confec\u00e7\u00e3o (ABIT)<\/strong>, em 2018 a produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia t\u00eaxtil no Brasil foi de 1,3 milh\u00e3o de toneladas. O n\u00famero \u00e9 menor que o de 2016, por exemplo (1,6 milh\u00e3o de toneladas), mas ainda \u00e9 preocupante. Foram quase 9 bilh\u00f5es de pe\u00e7as produzidas em contraste com os 208 milh\u00f5es de habitantes brasileiros (de acordo com dados de 2018 do IBGE).<\/p>\n<p>Outros estudos apontam a ind\u00fastria da moda como uma das mais poluentes no mundo. Nem todos os materiais demoram tanto para se decompor na natureza. O algod\u00e3o leva de um a cinco meses. J\u00e1 o poli\u00e9ster, por sua vez, dura at\u00e9 400 anos na natureza antes de se desintegrar por completo. Al\u00e9m do tempo de decomposi\u00e7\u00e3o, o uso de \u00e1gua tamb\u00e9m \u00e9 alarmante. Segundo dados do <strong>Science Media Center<\/strong>, para produzir um par de sapatos s\u00e3o gastos em torno de 3,8 mil litros de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Nesse \u00e2mbito, os brech\u00f3s s\u00e3o uma boa forma de praticar a chamada <strong>\u201cmoda sustent\u00e1vel\u201d<\/strong>. Optar por uma pe\u00e7a usada ao inv\u00e9s de comprar uma nova e iniciar um novo ciclo de decomposi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ajudar pequenos empreendedores como Sueila, Keidima e Maria Gabriela, tamb\u00e9m colabora com o meio ambiente. \u00c9 usar a moda de forma \u00e9tica, mais do que simplesmente uma pe\u00e7a de vestu\u00e1rio.<br \/>\nQuem tem brech\u00f3 geralmente bate na tecla da sustentabilidade. Para Sueila, a jun\u00e7\u00e3o de bom pre\u00e7o com a ajudar ao planeta, al\u00e9m de ser extremamente ben\u00e9fica para os dois lados, tamb\u00e9m gera discuss\u00f5es relevantes, principalmente em uma \u00e9poca em que a moda se tornou descart\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por J\u00e9ssica Horr, publicado originalmente no jornal Primeira Pauta A pesquisa pela hashtag \u201cbrech\u00f3\u201d tem quase dois milh\u00f5es de resultados no Instagram. 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