{"id":4014,"date":"2020-02-21T16:00:32","date_gmt":"2020-02-21T19:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=4014"},"modified":"2020-02-21T16:00:32","modified_gmt":"2020-02-21T19:00:32","slug":"carnaval-e-joinville-uma-relacao-iniciada-ha-mais-de-150-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2020\/02\/21\/carnaval-e-joinville-uma-relacao-iniciada-ha-mais-de-150-anos\/","title":{"rendered":"Carnaval e Joinville: uma rela\u00e7\u00e3o iniciada h\u00e1 mais de 150 anos"},"content":{"rendered":"<h5><em>Por Destiny Goulart e Bruna Schenekemberg<\/em><\/h5>\n<p>Quem acha que <strong>Joinville<\/strong> n\u00e3o tem tradi\u00e7\u00e3o carnavalesca est\u00e1 muito enganado. O registro do primeiro <strong>carnaval<\/strong> da Cidade dos Pr\u00edncipes \u00e9 de 1865, conforme\u00a0 publica\u00e7\u00e3o do primeiro jornal da cidade, o <strong>Kolonie-Zeitung<\/strong>.\u00a0 Isso prova que, passados apenas 14 anos de funda\u00e7\u00e3o, os festejos de Momo j\u00e1 faziam parte da cultura local.<\/p>\n<p>O professor\u00a0 Joceli Fabr\u00edcio Coutinho, o &#8220;<strong>Pipo<\/strong>&#8220;, acaba de defender sua\u00a0 <strong>disserta\u00e7\u00e3o<\/strong> de <strong>mestrado<\/strong>\u00a0 sobre a <strong>hist\u00f3ria<\/strong> do Carnaval em Joinville. Sua pesquisa mostra que os primeiros bailes carnavalescos eram direcionados\u00a0\u00a0apenas \u00e0 elite da cidade, enquanto os festejos de rua reuniam pessoas de todas as classes, inclusive escravos. Na d\u00e9cada de 1920, para usar <strong>m\u00e1scaras<\/strong> nas festas era necess\u00e1rio obter consentimento das autoridades, como comprova publica\u00e7\u00e3o no jornal da \u00e9poca. Sem autoriza\u00e7\u00e3o, o <strong>foli\u00e3o<\/strong> poderia ser preso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_4019\" aria-describedby=\"caption-attachment-4019\" style=\"width: 416px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-4019 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Pipo1.jpg\" alt=\"\" width=\"416\" height=\"334\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4019\" class=\"wp-caption-text\">Jornal de Joinville de 1926 \/ Arquivo Hist\u00f3rico de Joinville<\/figcaption><\/figure>\n<p>Conforme Pipo, uma pr\u00e1tica um tanto grotesca, conhecida como &#8220;entrudo&#8221;, costumava ser praticada em todo o pa\u00eds durante o Carnaval: as pessoas arremessavam laranjas, baldes de \u00e1gua e farinha umas nas outras. No in\u00edcio do s\u00e9culo, com a chegada dos autom\u00f3veis \u00e0 cidade, as batalhas de confete substitu\u00edram o entrudo. O livro\u00a0<strong>Mem\u00f3ria de Um Menino de Dez\u00a0 Anos<\/strong>, escrito por Adolfo Bernardo Schneider, relata como era o carnaval naquela\u00a0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>A disserta\u00e7\u00e3o de Coutinho mostra que o\u00a0 carnaval \u00e9 uma das primeiras manifesta\u00e7\u00f5es culturais de Joinville e sempre viveu altos e baixos, com pouco ou nenhum apoio dos governantes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4020\" aria-describedby=\"caption-attachment-4020\" style=\"width: 4608px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-4020 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Tangar\u00e1s-e-Z\u00e9-Pereira.jpg\" alt=\"\" width=\"4608\" height=\"2592\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4020\" class=\"wp-caption-text\">An\u00fancio publicado no Jornal Commercio de Joinville de 25\/02\/1911 &#8211; AHJ<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pipo comenta que, antigamente, n\u00e3o eram permito fazer cr\u00edticas \u00e0 P\u00e1tria e n\u00e3o havia liberdade de imprensa. \u201cTinha que ser tudo de acordo com as\u00a0regras, os carros tinham que ter buzina sereia porque andavam nas ruas jogando confetes, \u00e9 uma hist\u00f3ria riqu\u00edssima de detalhes\u201d, observa.<\/p>\n<p>A partir de 1988, o carnaval joinvilense ganha ares mais contemor\u00e2neos. \u201cNesse ano existia o Pr\u00edncipe do Samba, que era o antigo K\u00eania, Unidos do Boa Vista, Uni\u00e3o Tricolor e o famoso Bloco das Depravadas, do seu Maria Fofoca\u201d, comenta.<\/p>\n<p>De 1988 a 1993, Pipo destaca o desfile na Rua do Pr\u00edncipe que atra\u00eda de 25 a 30 mil pessoas. \u201cA Prefeitura\u00a0 bancava\u00a0 desfiles bel\u00edssimos, as agremia\u00e7\u00f5es n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es de fazer o carnaval sozinhas. Em 1988 e 1989 a prefeitura n\u00e3o deu dinheiro, o\u00a0 Freitag (Wittich Freitag, ent\u00e3o prefeito) entra e fica revoltado com a festa. De 1990 a 1992 o desfile volta a ocorrer, mas, em 1993, na segunda gest\u00e3o do Freitag\u00a0 o desfile novamente \u00e9 cortado\u201d, explica.<\/p>\n<p>Conforme, o pesquisador, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 havia press\u00e3o de parte da popula\u00e7\u00e3o para que o prefeito n\u00e3o desse dinheiro para o carnaval, considerado por alguns como uma festa obscena.\u00a0 \u201cQuem est\u00e1 dentro do carnaval, v\u00ea como cultura, quem n\u00e3o vive o carnaval nem sempre tem essa compreens\u00e3o\u201d. A comunidade do samba passou a realizar protestos, andando pelas ruas de Joinville com um caix\u00e3o com o nome do prefeito. \u201cAs agremia\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m eram muito desorganizadas financeiramente, dependentes do poder p\u00fablico. A rela\u00e7\u00e3o entre\u00a0 samba e prefeitura sempre foi de amor e \u00f3dio\u201d, resume.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4021\" aria-describedby=\"caption-attachment-4021\" style=\"width: 637px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-4021 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/mestre-sala.jpg\" alt=\"\" width=\"637\" height=\"439\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4021\" class=\"wp-caption-text\">Mestre sala e porta-bandeira &#8211; reprodu\u00e7\u00e3o do Jornal A Not\u00edcia 12\/2\/1991 &#8211; AHJ<\/figcaption><\/figure>\n<h4><strong>Treze anos sem folia<\/strong><\/h4>\n<p>Ap\u00f3s o carnaval de 1992,\u00a0 Joinville ficou\u00a0 13 anos sem desfile de carnaval. A sa\u00edda encontrada pelos foli\u00f5es mais animados foi migrar para S\u00e3o Francisco do Sul. \u201cMontaram escolas de samba e iam competir em S\u00e3o Chico, onde os joinvilenses foram campe\u00f5es v\u00e1rias vezes, mas representando\u00a0 bairros de S\u00e3o Francisco\u201d, conta Pipo.<\/p>\n<p>Em 2006, o vice-prefeito Rodrigo Bornholdt convidou os representantes carnavalescos da d\u00e9cada de 1980 para uma reuni\u00e3o. \u201cA conclus\u00e3o foi de que n\u00e3o seria poss\u00edvel come\u00e7ar com os desfiles porque as agremia\u00e7\u00f5es estavam &#8216;dormindo&#8217;, por isso o carnaval daquele ano reuniu blocos&#8221;, conta o pesquisador. Nesse mesmo ano, o bloco das Depravadas contou com mais de 600 homens vestidos de mulheres. Cerca de 25 mil pessoas festejaram no Mercado Municipal.<\/p>\n<p>Em 2011, os desfiles\u00a0 passaram a ocorrer na rua Rio Branco e as escolas de samba voltaram. Novas agremia\u00e7\u00f5es nascem e a festa tem o apoio financeiro da Prefeitura.<\/p>\n<p>Em 2017, a Prefeitura da cidade cancela o carnaval um dia antes do evento. \u201cAs escolas de samba se reuniram no Mercado P\u00fablico, mas a pol\u00edcia n\u00e3o permitiu as apresenta\u00e7\u00f5es. S\u00f3 podiam tocar sertanejo\u201d, enfatiza Pipo.<\/p>\n<p>O interesse pela hist\u00f3ria do carnaval em Joinville come\u00e7ou em 2012, quando Pipo desfilou pela primeira vez na Unidos Pela Diversidade. \u201cEu sempre quis desfilar numa Escola de Samba, em 2012 eu consegui e a\u00ed explodiu o meu interesse pelo tema. Ano a ano eu participo das confec\u00e7\u00f5es de fantasias, de tudo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Destiny Goulart e Bruna Schenekemberg Quem acha que Joinville n\u00e3o tem tradi\u00e7\u00e3o carnavalesca est\u00e1 muito enganado. 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