{"id":4946,"date":"2020-11-19T11:28:13","date_gmt":"2020-11-19T14:28:13","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=4946"},"modified":"2020-11-19T11:28:13","modified_gmt":"2020-11-19T14:28:13","slug":"mulheres-ainda-enfrentam-preconceito-no-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2020\/11\/19\/mulheres-ainda-enfrentam-preconceito-no-mercado-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Mulheres ainda enfrentam preconceito no mercado de trabalho"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Por J\u00falia Venturi <\/strong><\/em>*<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, 1.314 <strong>mulheres<\/strong> foram v\u00edtimas de <strong>feminic\u00eddio<\/strong> em 2019, m\u00e9dia de uma morte a cada sete horas. Morreram porque eram mulheres. No pa\u00eds em que um jogador manda matar a m\u00e3e do filho e d\u00e1 o corpo para cachorros comerem e ainda assim tem f\u00e3s; \u00a0onde outro jogador estupra uma mulher completamente alcoolizada em outro pa\u00eds e, mesmo assim, tem v\u00e1rios defensores; onde um cantor que agrediu a namorada entra em um reality show e ganha uma torcida gigante; onde um deputado diz a uma colega de parlamento que ela \u201cn\u00e3o merece ser estuprada\u201d porque \u00e9 muito feia, e depois \u00e9 eleito presidente, \u00e9 f\u00e1cil perceber o quanto o <strong>machismo<\/strong> est\u00e1 enraizado.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos), em 2019 os homens tiveram m\u00e9dia salarial 22% superior \u00e0s mulheres. Para a jornalista e mestra em antropologia social Lorena Trindade, as <strong>estruturas patriarcais <\/strong>e sexistas foram mobilizadas para deixar as mulheres em espa\u00e7os delimitados, como forma de controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Lorena, mesmo ap\u00f3s as mulheres terem conseguido ocupar lugares que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o eram designados a elas, ainda enfrentam muitas barreiras. \u201cConvencionou-se a acreditar como algo \u2018natural\u2019 que as mulheres sejam mais habilidosas para profiss\u00f5es do cuidado: pedagogia, enfermagem, psicologia\u201d, observa. Esse estigma leva ao senso comum que enxerga as mulheres como incapazes de realizar algo fora dos padr\u00f5es para os quais n\u00e3o foram \u201cnaturalmente\u201d destinadas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Lorena.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4951\"\/><figcaption>Lorena Trindade: senso comum naturaliza profiss\u00f5es como masculinas ou femininas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Apesar de muitas mulheres j\u00e1 terem ouvido que seu lugar \u201c\u00e9 na cozinha\u201d, quando se trata de cozinha profissional o discurso \u00e9 diferente. A gastr\u00f3loga e cozinheira Bianca Kruger conta que, quando come\u00e7ou na profiss\u00e3o, trabalhava com cinco homens, quatro eram auxiliares, como ela, mais o <em>chef<\/em>. Desde o in\u00edcio, ela percebia a diferen\u00e7a de tratamento entre eles. Depois de um tempo conseguiu mostrar que era \u00e1gil e habilidosa e com isso o <em>chef<\/em> contou que ele e os outros funcion\u00e1rios tinham feito uma aposta de quanto tempo ela duraria no emprego, porque n\u00e3o tinha \u201ccara\u201d e apar\u00eancia de cozinheira. O <em>chef<\/em> ainda lhe disse que ela era uma exce\u00e7\u00e3o, pois ele n\u00e3o gostava de contratar mulheres, porque cozinha \u00e9 lugar de homem.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cAnos depois, todos os cinco sa\u00edram do estabelecimento, inclusive o <em>chef<\/em> e eu me tornei a cozinheira respons\u00e1vel pela equipe. Quando surgiam novas contrata\u00e7\u00f5es e eram homens dava pra sentir no olhar o julgamento, por eu ser mulher e por eu ser t\u00e3o jovem\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, Bianca \u00e9 <em>chef<\/em> em outro restaurante. Sempre que algum cliente quer elogiar o&nbsp;respons\u00e1vel pela comida, chamam um dos auxiliares que trabalha com ela &#8211; um homem alto e forte -, pois acreditam que \u00e9 ele quem manda na cozinha. \u201cMas isso sempre me deu for\u00e7a pra seguir em frente e mostrar pra todo mundo e pra eu mesma que eu sou capaz de qualquer coisa e posso chegar aonde eu quiser, independentemente do machismo que existe\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">M\u00faltiplas agress\u00f5es<\/h3>\n\n\n\n<p>Segundo levantamento feito pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a cada quatro minutos o Brasil registra um caso de agress\u00e3o a mulheres e a cada 11 uma mulher \u00e9 estuprada. Mas existem muitas outras formas de agress\u00e3o. A Lei Maria da Penha classifica os tipos de abuso contra a mulher nas categorias viol\u00eancia patrimonial, sexual, f\u00edsica, moral e psicol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 agress\u00f5es consideradas viol\u00eancia dom\u00e9stica que muita gente desconhece, como, por exemplo, humilhar, xingar e diminuir a autoestima, tirar a liberdade de cren\u00e7a, fazer a mulher achar que est\u00e1 ficando louca, expor a vida \u00edntima, impedir a mulher de prevenir a gravidez ou obrig\u00e1-la a abortar, controlar o dinheiro ou reter documentos, al\u00e9m de quebrar objetos da mulher. Muitas dessas coisas n\u00e3o acontecem apenas no ambiente dom\u00e9stico, mas tamb\u00e9m nas redes sociais, templos religiosos e na \u00e1rea profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVai lavar uma lou\u00e7a que l\u00e1 \u00e9 o seu lugar.\u201d Esse coment\u00e1rio foi postado por um homem em uma das redes sociais da jornalista esportiva Rafaela Oliveira, ap\u00f3s post em que ela opinava sobre a F\u00f3rmula 1. \u201cNo primeiro momento eu fiquei sem rea\u00e7\u00e3o, depois veio a raiva, a descren\u00e7a, o choro e por \u00faltimo a vontade de ser ouvida e de dar voz para outras como eu.\u201d\u00a0 Dois anos depois ela criou o blog \u201c<a href=\"http:\/\/garotadaf1.com.br\/\">Garota da F1<\/a>\u201d onde fala sobre automobilismo e sobre os desafios das mulheres que participam desse meio.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Rafaela-Oliveira.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4952\"\/><figcaption>Coment\u00e1rios machistas motivaram jornalista Rafaela Oliveira a criar blog sobre F\u00f3rmula 1<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Rafaela relata que, apesar de ser apaixonada pelo esporte desde os 12 anos, seu conhecimento \u00e9 sempre colocado em d\u00favida. Muitas vezes j\u00e1 sofreu ass\u00e9dio e importuna\u00e7\u00e3o enquanto estava assistindo a corridas e quando escreve expondo essas situa\u00e7\u00f5es recebe diversos coment\u00e1rios de homens que duvidam e falam que ela est\u00e1 mentindo. Mas nada disso fez com que ela desistisse ou se calasse. A jornalista entende que, para que o cen\u00e1rio machista no automobilismo mude, \u00e9 preciso di\u00e1logo, educa\u00e7\u00e3o e incentivo para que mais mulheres possam participar sem medo de sofrerem preconceito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Participa\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica ainda \u00e9 t\u00edmida<\/h3>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as ao movimento feminista, as mulheres conquistaram direitos que, at\u00e9 algum tempo atr\u00e1s, seriam inimagin\u00e1veis. No Brasil do ano 1500 a 1827, a educa\u00e7\u00e3o era direito apenas dos homens e o voto feminino s\u00f3 foi poss\u00edvel em 1934. Apesar da import\u00e2ncia desse movimento para a conquista de uma vida digna para todas as mulheres, o feminismo ainda \u00e9 mal visto e mal interpretado por grande parcela da sociedade. Algumas das lutas atuais incluem a maior inser\u00e7\u00e3o das mulheres no meio pol\u00edtico, n\u00e3o s\u00f3 como eleitoras, mas tamb\u00e9m como governantes. Segundo o IBGE, as mulheres representam 51,9% da popula\u00e7\u00e3o, por\u00e9m a representatividade feminina na C\u00e2mara de Deputados, em 2018, era de apenas 15%. O C\u00f3digo Eleitoral prev\u00ea que, no m\u00ednimo, 30% das \u00a0candidaturas sejam femininas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Feminismo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4947\"\/><figcaption>Movimento feminista voltou a ganhar for\u00e7a nesta d\u00e9cada \/ Foto: Pixabay <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em Joinville, a vereadora T\u00e2nia Larson (PSL) ressalta a import\u00e2ncia da representatividade feminina no meio pol\u00edtico. Ela frisa que, apesar das mulheres serem a maioria do eleitorado no Brasil, ainda s\u00e3o poucas as que est\u00e3o de fato nos governos municipais, estaduais e federal. Isso gera consequ\u00eancias que se refletem nos ideais defendidos e na constru\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas ligadas ao p\u00fablico feminino.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e2nia conta que precisou aprender a se impor e exigir respeito dentro da pol\u00edtica, porque, mesmo depois de eleita, sofreu com o preconceito e, muitas vezes, duvidaram da sua capacidade apenas por ser mulher. \u201cA falta de mulheres na pol\u00edtica causa um debate inadequado de temas relacionados ao p\u00fablico feminino, por isso h\u00e1 necessidade de representantes, para proporcionar maior di\u00e1logo e um pensamento mais abrangente das pautas femininas\u201d, destaca a vereadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a doutora em Antropologia Social Maria Elisa M\u00e1ximo, \u00e9 preciso que haja pol\u00edticas p\u00fablicas que promovam debates sobre quest\u00f5es de g\u00eanero nos mais diferentes espa\u00e7os e proporcionem a representatividade feminina no alto escal\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o social para que as mulheres se enxerguem nesses espa\u00e7os. Ela acredita que uma sociedade igualit\u00e1ria em termos de g\u00eanero s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel quando as mulheres tiverem igual acesso aos direitos fundamentais e deixarem de ser oprimidas. Para a antrop\u00f3loga, mesmo que as mulheres estejam ocupando mais espa\u00e7os e conquistando direitos que deveriam ser concedidos de forma espont\u00e2nea, \u00e9 preciso entender que a forma como s\u00e3o enxergadas nesses postos ainda precisa evoluir muito.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Tania-Larson.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4948\"\/><figcaption>No meio  pol\u00edtico, mulheres precisam provar sua capacidade a todo momento <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Machismo no esporte<\/h3>\n\n\n\n<p>Paloma Pereira \u00e9 atleta de basquete desde os oito anos e hoje joga como armadora da Sociedade Gin\u00e1stica de Joinville. Ela j\u00e1 foi v\u00edtima do machismo diversas vezes, seja por jogar um esporte considerado \u201cmasculino\u201d, seja por usar roupas largas e esportivas. \u201cO investimento no esporte feminino corresponde, em geral, \u00e0 metade do que \u00e9 investido no masculino. \u00c9 a\u00ed que come\u00e7a a desvaloriza\u00e7\u00e3o e a diminui\u00e7\u00e3o do esporte feminino, pois acabam diminuindo as oportunidades\u201d, conta. A atleta ressalta que \u00e9 preciso mais investimento, divulga\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o profissional para que haja igualdade para ambos os sexos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de outubro de 2020, a Revista Forbes divulgou quais eram os atores e atrizes mais bem pagos de Hollywood e o que chamou mais aten\u00e7\u00e3o foi a diferen\u00e7a salarial de cada g\u00eanero. O ator mais bem pago era o estadunidense Dwayne Johnson, com US$ 87,5 milh\u00f5es, enquanto a atriz mais bem paga era a colombiana Sof\u00eda Vergara, com o valor de US$ 43 milh\u00f5es. Johnson recebeu mais que o dobro de Vergara.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Sofia-Vergara.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4949\"\/><figcaption>Sofia Vergara: remunera\u00e7\u00e3o milion\u00e1ria, mas metade do ator mais bem pago de Hollywood<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Stephanie Santos \u00e9 atleta de e-sport, mais especificamente de Fifa (jogo eletr\u00f4nico de futebol). Ela diz que algumas meninas deixam de jogar por receio de sofrerem preconceito. \u201cInfelizmente n\u00f3s mulheres sempre temos que provar que somos boas, pois a nossa sociedade \u00e9 machista. Nos deparamos com coisas como: menina n\u00e3o pode jogar futebol, pois \u00e9 um esporte de homem\u201d, conta Stephanie. Ela mesma teve que deixar muitos coment\u00e1rios de lado para alcan\u00e7ar seus objetivos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como mudar&nbsp;o cen\u00e1rio&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Quando se busca por mudan\u00e7as \u00e9 necess\u00e1rio luta e representatividade. As mulheres precisam estar representadas, ocupando espa\u00e7os que at\u00e9 ent\u00e3o apenas homens ocupavam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cAinda somos muito objetificadas\u201d, analisa a jornalista Lorena Trindade. Apesar dos avan\u00e7os nas representa\u00e7\u00f5es da publicidade, ainda h\u00e1 um longo caminho para que as mulheres sejam tratadas de forma respeitosa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo \u00e9 o caso da meninda de 10 anos que, em agosto deste ano, foi violentada por um tio, conseguiu judicialmente uma autoriza\u00e7\u00e3o para realizar um aborto, direito previsto por lei. Lorena observa falhas na forma como alguns canais midi\u00e1ticos abordaram o assunto. \u201cMe incomodava ouvir, ver ou ler: \u2018Menina de 10 anos engravida ap\u00f3s ser estuprada\u201d. Como se ela fosse agente desta viola\u00e7\u00e3o. Portanto, acho que precisamos caminhar e repensar como estamos colaborando para o fortalecimento da \u2018cultura do estupro\u2019 a partir de \u2018detalhes\u2019 como este.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A antrop\u00f3loga Maria Elisa M\u00e1ximo acredita que \u00e9 preciso analisar a presen\u00e7a das mulheres em dois aspectos: a quantidade e a qualidade. A parcela de mulheres que ocupam espa\u00e7os na m\u00eddia tem sido expressiva em quase todas as \u00e1reas. Por\u00e9m, quando se observa como elas est\u00e3o presentes e o que est\u00e3o fazendo \u00e9 poss\u00edvel perceber um desequil\u00edbrio em rela\u00e7\u00e3o aos homens, com poucos lugares nos cargos de chefia e na m\u00eddia esportiva, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Elisa.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4950\"\/><figcaption>Antrop\u00f3loga Maria Elisa  alerta para estere\u00f3tipos da mulher veiculados pela m\u00eddia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Maria Elisa entende que, no sentido da representatividade, j\u00e1 houve bastante progresso, mas o problema reside quando essa representa\u00e7\u00e3o das mulheres na m\u00eddia ainda se d\u00e1 de uma maneira muito estereotipada. \u201cO problema da representatividade das mulheres na m\u00eddia passa muito por uma hipersexualiza\u00e7\u00e3o ou pela reprodu\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de beleza e pela quest\u00e3o racial\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Lorena Trindade acrescenta que a mudan\u00e7a depende de a\u00e7\u00e3o coletiva e conjunta. \u201cOs homens precisam compreender o seu lugar de privil\u00e9gio e refletir sobre as opress\u00f5es das mulheres\u201d, explica. Ela tamb\u00e9m defende que a transforma\u00e7\u00e3o venha da base, da educa\u00e7\u00e3o dada \u00e0s crian\u00e7as e que as institui\u00e7\u00f5es reconhe\u00e7am seu sexismo para depois trabalhar nas mudan\u00e7as. \u201cA pr\u00e1tica precisa superar a teoria. N\u00e3o adianta homenagear no 8 de mar\u00e7o, de forma a promover o empoderamento, e n\u00e3o oportunizar \u00e0s mulheres lugares de poder\u201d, exp\u00f5e.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>* <em>Reportagem produzida para a disciplina de Jornalismo Impresso III, sob orienta\u00e7\u00e3o do professor Jo\u00e3o Kamradt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por J\u00falia Venturi * No Brasil, 1.314 mulheres foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio em 2019, m\u00e9dia de uma morte a cada sete horas. Morreram porque eram mulheres. 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