{"id":5029,"date":"2020-12-14T14:31:42","date_gmt":"2020-12-14T17:31:42","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=5029"},"modified":"2020-12-14T14:31:42","modified_gmt":"2020-12-14T17:31:42","slug":"egito-impressoes-de-uma-turista-reporter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2020\/12\/14\/egito-impressoes-de-uma-turista-reporter\/","title":{"rendered":"Egito: impress\u00f5es de uma turista-rep\u00f3rter"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por Raquel Ramos<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Cairo<\/strong> \u00e9 uma cidade de contrastes. \u00c9 linda. \u00c9 polu\u00edda. \u00c9 encantadoramente congestionada, n\u00e3o s\u00f3 pelo tr\u00e2nsito. \u00c9 preciso compreend\u00ea-la antes de julg\u00e1-la.&nbsp; Ela tem o barulho ensurdecedor do idioma <strong>\u00e1rabe<\/strong>. Forte, alto e masculino contrabalan\u00e7ado pelo sil\u00eancio das vozes femininas abafadas sob o Niqab, v\u00e9u de cor preta que cobrem os seus rostos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desprenda-se do conceito de cidades europeias ou americanas e embrenhe-se num mundo cultural fascinante. S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel entender a cidade. A <strong>cultura<\/strong> \u00e9 alicer\u00e7ada na religi\u00e3o mu\u00e7ulmana e por isso mesmo complexa. O tempo est\u00e1 sempre submetido ao hor\u00e1rio das ora\u00e7\u00f5es. \u00c9 estranho at\u00e9 que se compreenda a din\u00e2mica, porque ao final tudo funciona.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A chegada<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s 36 horas de viagem entre aeroportos e voos, finalmente o avi\u00e3o iniciou as manobras de aterrissagem. Era madrugada, pouco se via l\u00e1 de cima, apenas luzes. Muitas luzes que anunciavam a chegada ao Cairo, capital do <strong>Egito<\/strong>, dando a dimens\u00e3o da megal\u00f3pole que encontraria.<\/p>\n\n\n\n<p>Comumente, antes de uma viagem, costumo ler e estudar sobre o pa\u00eds e cidade de destino. Se, com essa pr\u00e1tica, as surpresas acontecem, no caso do Cairo, a falta dela poderia ser desastrosa. Lidas e relidas as instru\u00e7\u00f5es, ainda assim estava ansiosa diante do desconhecido pa\u00eds. A tens\u00e3o para obter o visto de entrada, ali mesmo no aeroporto, era s\u00f3 uma das minhas preocupa\u00e7\u00f5es. Embora Shaimaa Hassan, agente de viagem da Menphis Tour, tenha garantido que aquele era um procedimento normal, sabemos que esta \u00e9 uma burocracia que se obt\u00e9m antes de sair do seu pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Por entre os corredores do aeroporto, j\u00e1 olhando os indecifr\u00e1veis letreiros escritos em \u00e1rabe, avistei um homem com a famosa plaquinha com o meu nome. Algu\u00e9m me esperava e falava espanhol. Um al\u00edvio. Foi a primeira vez que vi funcion\u00e1rios de ag\u00eancia de turismo esperando o passageiro na parte interna,\u00a0antes da imigra\u00e7\u00e3o e esteira de retirada das malas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Vista-rio-Nilo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5033\"\/><figcaption>Vista da cidade do Cairo margeando o rio Nilo\/ Foto Raquel Ramos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que entendi: era ele quem iria fazer o encaminhamento do visto. Como previamente avisada, j\u00e1 tinha \u00e0 m\u00e3o o meu documento e 25 d\u00f3lares para pagamento da taxa. O homem se dirigiu a um guich\u00ea e voltou com o passaporte carimbado, sem nenhum problema, como Shaimaa havia dito v\u00e1rias vezes. Partimos ent\u00e3o para o servi\u00e7o de imigra\u00e7\u00e3o, j\u00e1 na companhia de mais dois casais brasileiros, que se juntaram para o mesmo fim.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo resolvido, malas na m\u00e3o, o que \u00e9 sempre um al\u00edvio, ainda no aeroporto, fomos para o primeiro c\u00e2mbio para a moeda daquele pa\u00eds. A nota de Libra Eg\u00edpcia estampada com a Esfinge de Gize, pelo Central Bank of Egipty, deu-me a certeza de estar em solo eg\u00edpcio. Outra provid\u00eancia tomada ali mesmo foi a compra de um chip de celular local, para uso de internet fora dos ambientes de wi-fi.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">No <strong>hotel<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Dentro da van com destino ao hotel, o trajeto foi feito por uma avenida contornada de tamareiras. Pela primeira vez eu via a \u00e1rvore que produz a t\u00e2mara. Um fruto conhecido por n\u00f3s somente embalado em caixas de papel\u00e3o na \u00e9poca de Natal. Uma mistura de sentimentos tomou conta de mim, diante de tanta beleza, ainda assim o novo, o inusitado, o desconhecido me causava inseguran\u00e7a. Essa sensa\u00e7\u00e3o se acentuou na chegada ao hotel, com a passagem por barreiras de seguran\u00e7a e detectores de metal.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, Shaimaa, uma eg\u00edpcia que estudou e fala fluentemente o portugu\u00eas, comentou, alguns dias depois, que tudo aquilo era para a nossa seguran\u00e7a. Acrescentou que, ap\u00f3s colocarem policiais armados, seu povo se sentia livre para caminhar pelas ruas. Passei a olhar aquilo de maneira diferente. N\u00e3o sei como, mas o calor humano daqueles homens barulhentos e seus sons em erres emitidos da garganta conseguem, como que por m\u00e1gica, parecer realmente nos proteger. Tudo o que se fala sobre o ass\u00e9dio masculino, n\u00e3o vi.<\/p>\n\n\n\n<p>A escolha por se hospedar no Grand Nile Tower, no centro do Cairo, diferente da oferta inicial de ir para Giz\u00e9, com vista para as pir\u00e2mides, foi acertada. Deparar-se com o Nilo refletido pelas luzes a sua volta foi fundamental para aceitar a triste realidade de um rio polu\u00eddo quando encontrado \u00e0 luz do dia. Ainda assim, mesmo que n\u00e3o o vejamos como gostar\u00edamos, ele \u00e9 grandioso.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Saguao-hotel.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5034\"\/><figcaption>Sagu\u00e3o do Hotel Grand Nilo Tower\/Foto Raquel Ramos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O Grand Nilo Tower tem uma imponente entrada. Mais suntuosa do que muitos dos hot\u00e9is em que j\u00e1 me hospedei e com o valor da di\u00e1ria menor do que muitas pousadas que estamos acostumados a pagar no Brasil. O caf\u00e9 da manh\u00e3 \u00e9 impec\u00e1vel. O grandioso sagu\u00e3o e seus imensos lustres repleto de escrivaninhas, m\u00f3veis e sof\u00e1s espalhados decorativamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Incomodativo e desagrad\u00e1vel \u00e9 o cheiro de cigarro impregnado em ambientes internos, inclusive dentro dos quartos dos hot\u00e9is, de uma forma geral. O fumo \u00e9 uma pr\u00e1tica habitual entre os homens eg\u00edpcios e n\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00e3o de local para fumar, exce\u00e7\u00e3o feita aos ambientes de refei\u00e7\u00f5es.&nbsp; Nos <em>lounges<\/em>, os narguiles est\u00e3o dispon\u00edveis para todos. H\u00e1 que se adaptar.<\/p>\n\n\n\n<p>A op\u00e7\u00e3o da viajar durante o inverno eg\u00edpcio foi oportuna. Era janeiro, quando a temperatura m\u00e9dia varia entre 15 e 20 graus. Sol, vento e friozinho \u00e0 noite. N\u00e3o faltou disposi\u00e7\u00e3o para as longas caminhadas muito bem alertada que fui pelo ortopedista, referindo-se aos meus joelhos j\u00e1 desgastados. Sem dor e sem cansa\u00e7o, al\u00e9m do normal, o que havia mesmo era muita expectativa e ansiedade pelos passeios aos monumentos seculares que estavam por vir.&nbsp; Por\u00e9m a hist\u00f3ria deixo para os especialistas, arque\u00f3logos, historiadores e tantos materiais dispon\u00edveis para consulta. Tudo o que relato foi o que vi e o que senti.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A cidade do Cairo&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Essa bela e tumultuada capital tem uma desorganiza\u00e7\u00e3o organizada, pr\u00f3pria dela. Ela tem a cor nude da areia do deserto. A discri\u00e7\u00e3o das mulheres que s\u00f3 exp\u00f5em os olhos e escondem o corpo sob vestes compridas, mas n\u00e3o as subestimem por esta apar\u00eancia. \u00c9 cultural e uma op\u00e7\u00e3o delas. Nas vitrines de roupas femininas, o que se v\u00ea s\u00e3o trajes sensuais e muito brilho. Da mesma forma, mostram ao mundo ocidental que o uso das vestes compridas n\u00e3o s\u00e3o apenas panos pretos jogados sobre seus corpos. Eles merecem cuidado, aten\u00e7\u00e3o, detalhes e h\u00e1 lojas especializadas nestes trajes.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/roupas-locais-vitrine.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5042\"\/><figcaption><em>Vitrine com roupas femininas tradicionais \/ Foto: Raquel Ramos<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O Cairo carrega a dureza da vida de seu povo estampada em faces sem muitos sorrisos. Ela tem sol e o clima do deserto marcados como vincos rasgados na pele do rosto das pessoas. Para amenizar tudo isso ela tem a marca da passagem do menino Jesus com Maria e Jos\u00e9, fugidos do rei Herodes. Simplesmente emocionante.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Gruta-onde-Jose-e-Maria-se-esconderam.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5039\"\/><figcaption><em>Gruta que serviu de ref\u00fagio \u00e0 Maria e Jos\u00e9 \/ Foto: Raquel Ramos<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A Cidade tem o ouro das tumbas em exposi\u00e7\u00e3o no Museu do Cairo. Em cada galeria ou sala \u00e9 poss\u00edvel estar por entre os tesouros desenterrados das areias e a hist\u00f3ria da humanidade. Ela tem incont\u00e1veis mesquitas com torres do tipo Minarete, por isso \u00e9 chamada de &#8220;Cidade dos Minaretes&#8221;. \u00c9 o local de onde o <em>almuad\u00e9m<\/em>, homem encarregado de convocar em voz alta os mul\u00e7umanos para as cinco ora\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, o faz com pontualidade brit\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Mesquita-na-cidade-de-Saladino.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5038\"\/><figcaption>Mesquita na cidade de Saladino \/ Foto: Raquel Ramos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tr\u00e2nsito e com\u00e9rcio&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algo que ningu\u00e9m que v\u00e1 \u00e0 cidade do Cairo, deixa de comentar, de se assustar e, mesmo sem compreender, passa a aceitar. \u00c9 o tr\u00e2nsito e o com\u00e9rcio no mercado Khan El Khalili. Nem o mais fiel v\u00eddeo do YouTube \u00e9 capaz de mostrar o que \u00e9 essa realidade. Nem pedestres nem carros obedecem \u00e0 faixa ou placa de tr\u00e2nsito. Atravessam as ruas por entre os carros, ningu\u00e9m respeita sem\u00e1foro, mas tamb\u00e9m ningu\u00e9m atropela ningu\u00e9m e, acredite, \u00e9 sem estresse. As buzinas soam estridentes como alertas e n\u00e3o como ofensas. Estranhamente n\u00e3o h\u00e1 \u00f4nibus de transporte urbano. Em contrapartida, as vans est\u00e3o l\u00e1 aos milhares.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Khan-El-Khalili-mercado-mais-famoso-do-Oriente-Medio.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5035\"\/><figcaption> Khan El Khalili: o mais famoso mercado do Oriente M\u00e9dio \/ Foto: Raquel Ramos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia no mercado \u00e9 sem descri\u00e7\u00e3o. No Egito, pechinchar o valor na hora da compra funciona como uma tradi\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma pr\u00e1tica enraizada no sangue do homem eg\u00edpcio e a negocia\u00e7\u00e3o parece n\u00e3o terminar nunca. Por maior que seja o desconto obtido voc\u00ea tem a sensa\u00e7\u00e3o de que foi explorado. E tenha certeza de que foi, porque eles nunca saem perdendo. Qualquer mercadoria voc\u00ea consegue adquirir pela metade do pre\u00e7o, \u00e0s vezes muito menos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea se nega a comprar eles o seguem pelos corredores do mercado a insistir e fazem uma contraproposta. Ainda assim, \u00e9 poss\u00edvel dizer n\u00e3o para que eles abram a possibilidade de voc\u00ea fazer a oferta. Este vai e vem pode levar horas at\u00e9 que a compra se concretize. \u00c9 muito cansativo e, em muitas situa\u00e7\u00f5es, preferi n\u00e3o demonstrar interesse por alguma mercadoria a enfrentar toda essa media\u00e7\u00e3o. O trabalho \u00e9 essencialmente feito por homens. N\u00e3o h\u00e1 mulheres trabalhando nas lojas do mercado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Comida e suco<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o tive problema com alimenta\u00e7\u00e3o ou a t\u00e3o profanada \u00e1gua. Num passeio a p\u00e9 pelo centro da cidade, n\u00e3o resisti \u00e0 cor vermelho-rosada do suco de rom\u00e3, um dos frutos mais conhecidos do Egito. Bebi sem me dar conta se era ou n\u00e3o feito com \u00e1gua mineral. E, certamente, n\u00e3o era. Atra\u00edda pelo homem vestido em traje t\u00edpico, provei o sabor do suco de amora. Sobre frutas, o morango tem uma consist\u00eancia e do\u00e7ura que nunca senti nada igual em outro lugar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante outro passeio pela rua, fui abordada por um casal que, ao me ouvir falar portugu\u00eas, parou para conversar. Tratava-se de uma brasileira casada com um funcion\u00e1rio do corpo diplom\u00e1tico eg\u00edpcio no Brasil. Eles comiam e tamb\u00e9m n\u00e3o resisti ao aroma da comida vendida no carrinho de rua. Provei. Tratava-se de um delicioso preparo l\u00edquido, como um caldo, feito de gr\u00e3o de bico e aveia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/vendedor-de-suco.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5036\"\/><figcaption><em>Vendedor de suco nas ruas do Cairo \/ Foto Raquel Ramos<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea for ao Cairo, n\u00e3o pode deixar de comer Koshary no Abou Tarek, um restaurante no centro da cidade. \u00c9 bem popular, lotado de pessoas. Havendo disponibilidade, \u00e9 poss\u00edvel sentar em qualquer mesa, mesmo que j\u00e1 tenha outras pessoas. Ningu\u00e9m ocupa lugar para ficar conversando. L\u00e1 os clientes comem exageradamente r\u00e1pido e a rotatividade \u00e9 assustadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Koshary \u00e9 uma comida t\u00edpica do Egito, feita com macarr\u00e3o, arroz, lentilha, gr\u00e3o de bico, molho de tomate e cebola frita. \u00c0 parte s\u00e3o servidos molho de tomate, muito bom e bem temperado, molho de vinagre e alho, al\u00e9m da pimenta. Cada \u00edtem \u00e9 oferecido para real\u00e7ar o sabor do prato. Feita basicamente de carboidrato \u00e9 uma refei\u00e7\u00e3o popular e barata.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Enfim, as pir\u00e2mides<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Passada a primeira semana no Egito, depois de ir at\u00e9 Abul Simbel, no extremo sul, voltamos ao Cairo.&nbsp; Deixar para conhecer as pir\u00e2mides por \u00faltimo foi uma escolha. Mais do que uma decis\u00e3o de log\u00edstica, foi de estrat\u00e9gia e n\u00e3o poderia ter sido mais acertada. Nada melhor do que retornar com esta \u00faltima imagem na mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucos sabem, mas a Grande Esfinge e as Grandes Pir\u00e2mides est\u00e3o localizadas em Giz\u00e9, a terceira maior cidade do pa\u00eds, na margem ocidental do rio Nilo. A proximidade de 20 km e o tr\u00e1fego feito sem sair da regi\u00e3o metropolitana d\u00e1 a impress\u00e3o de estar em territ\u00f3rio da capital Cairo<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente elas. Seculares, misteriosas e onipresentes na hist\u00f3ria do Egito. S\u00e3o s\u00f3 tr\u00eas montes de pedra sobre a terra \u00e1rida, mas que fazem voc\u00ea se calar diante de tanta magnitude. H\u00e1 que se reverenciar os eg\u00edpcios diante delas. Est\u00e3o l\u00e1 e um pensamento \u00e9 inevit\u00e1vel. Revivo os tempos de escola e das aulas de Hist\u00f3ria Antiga do professor Carlos Humberto Perdeneira Correa, na Faculdade de Hist\u00f3ria. S\u00f3 resta uma conclus\u00e3o: elas t\u00eam um poder de sedu\u00e7\u00e3o que leitura nenhuma, estudo ou fotografia s\u00e3o capazes de transmitir tamanha a grandeza.<\/p>\n\n\n\n<p>Constru\u00eddas pela civiliza\u00e7\u00e3o do Antigo Egito, as pir\u00e2mides eram mausol\u00e9us que serviam para assegurar a exist\u00eancia do fara\u00f3 ap\u00f3s a morte. Preparados com anteced\u00eancia, l\u00e1 eles depositavam tudo o que pudessem precisar, desde ouro, alimentos a outros objetos. &nbsp;Impressionaram-me as milhares de estatuetas de homem feitas em ouro, no tamanho pr\u00f3ximo de 30 cent\u00edmetros, encontradas nas tumbas e expostas no Museu do Cairo. Elas representavam os escravos que acompanhariam os fara\u00f3s para servi-los na pr\u00f3xima vida. N\u00e3o sei se \u00e9 correto afirmar que davam mais import\u00e2ncia \u00e0 morte do que \u00e0 vida, mas certamente acreditavam em uma nova exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria do Egito \u00e9 instigante e mutante. Ainda exaustivamente estudada, por l\u00e1 nada \u00e9 definitivo. A cada descoberta, a cada escava\u00e7\u00e3o, importantes informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o acrescentadas a essa antiga civiliza\u00e7\u00e3o de mais de 4000 anos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Estatuetas-em-ouro-escravos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5037\"\/><figcaption>Esculturas em ouro representando os escravos do Fara\u00f3\/ Foto: Raquel Ramos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Raquel Ramos O Cairo \u00e9 uma cidade de contrastes. \u00c9 linda. \u00c9 polu\u00edda. \u00c9 encantadoramente congestionada, n\u00e3o s\u00f3 pelo tr\u00e2nsito. \u00c9 preciso compreend\u00ea-la antes de julg\u00e1-la.&nbsp; Ela tem o barulho ensurdecedor do idioma \u00e1rabe. 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