{"id":5050,"date":"2021-01-14T19:08:21","date_gmt":"2021-01-14T22:08:21","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=5050"},"modified":"2021-01-14T19:08:21","modified_gmt":"2021-01-14T22:08:21","slug":"mulheres-negros-e-lgbtqi-ainda-tem-pouco-espaco-na-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2021\/01\/14\/mulheres-negros-e-lgbtqi-ainda-tem-pouco-espaco-na-politica\/","title":{"rendered":"Mulheres, negros e LGBTQI+ ainda t\u00eam pouco espa\u00e7o na pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><em>Por Ana Carla Rubi<\/em>*<\/h5>\n\n\n\n<p>O novo mandato para prefeitos e vereadores come\u00e7ou h\u00e1 quase um m\u00eas, mas o espa\u00e7o para<strong> mulheres<\/strong>, <strong>negros<\/strong> e representantes da comunidade <strong>LGBTQI+<\/strong> continua restrito. Em Joinville, dos 14 candidatos a prefeito, apenas duas eram mulheres, <strong>T\u00e2nia Eberhardt<\/strong> (Cidadania) e <strong>Mayara Colzani <\/strong>(PSOL). T\u00e2nia ficou em 4\u00b0 lugar, com 17.436 votos, e Mayara em 13\u00b0, com 3.080 votos. Entre as 177 candidatas que concorreram a uma cadeira na C\u00e2mara de Vereadores,  apenas duas conseguiram se eleger: <strong>T\u00e2nia Larson<\/strong> (PSL) e <strong>Ana L\u00facia Martins<\/strong> (PT), o que representa apenas 1,12% das candidaturas. T\u00e2nia j\u00e1 era vereadora e Ana L\u00facia se elegeu pela primeira vez. Ela tamb\u00e9m \u00e9 a primeira vereadora negra eleita na hist\u00f3ria de Joinville.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Tania-e-Mayara.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5052\"\/><figcaption>T\u00e2nia Eberhardt e Mayara Colzani foram as \u00fanicas mulheres na disputa para prefeita<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A <strong>Frente Negra Joinville<\/strong> foi criada no ano passado com objetivo de ampliar a representatividade dos negros na pol\u00edtica local. Dos quatro candidatos da Frente Negra, apenas Ana L\u00facia Martins foi eleita. Ela obteve 3.126 votos. No dia 15, ao final das apura\u00e7\u00f5es, a vereadora sofreu ataques de cunho racista na internet e amea\u00e7as de morte. <\/p>\n\n\n\n<p>Emerson Fran\u00e7a de Souza, presidente da sociedade K\u00eania Club de Joinville, ressalta que o clube sempre tenta colocar candidatos negros para ter maior representatividade na C\u00e2mara. Conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), 18% da popula\u00e7\u00e3o de Joinville \u00e9 negra. \u00c9 o maior contingente de Santa Catarina. Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es municipais, 12,2% dos candidatos em Joinville eram negros e pardos, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Ana-Lucia.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5053\"\/><figcaption>Candidatura de <em>Ana L\u00facia Martins <\/em> nasceu na Frente Negra Joinville<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 dados estat\u00edsticos oficiais sobre as candidaturas de LGBTQI+, pois no processo de homologa\u00e7\u00e3o das candidaturas essa informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 coletada pelo TSE. Segundo a Uni\u00e3o Nacional LGBTQI+ (UNA), que faz um levantamento pr\u00f3prio, havia cerca de 411 candidaturas no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A<strong> Uni\u00e3o Nacional LGBTQI+<\/strong> conta com representa\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios locais do pa\u00eds, inclusive em Joinville. Criada em 2020, a UNA ressalta que a maneira adotada para trazer candidaturas mais representativas \u00e9 eleger pessoas com conhecimentos das demandas das minorias.\u00a0 Jonas Massaro, presidente da UNA &#8211; Joinville, acentua que a uni\u00e3o tenta trazer a popula\u00e7\u00e3o para o centro da conversa como parte integrante da candidatura. \u201c\u00c9 a \u00fanica forma de construir uma Joinville diferente\u201d, afirma. <\/p>\n\n\n\n<p>Massaro conta que a pandemia acabou dificultando o estreitamento da Uni\u00e3o junto com a popula\u00e7\u00e3o joinvilense. \u201cTivemos muitas dificuldades em nos inserir em ambientes p\u00fablicos por conta do isolamento social\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Soci\u00f3logo defende sistema mais participativo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O professor Dauto da Silveira, doutor em Sociologia, enfatiza que o cen\u00e1rio de domin\u00e2ncia no Brasil pode ser mudado a partir de uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica oper\u00e1ria. \u201c\u00c9 um movimento que tem que partir dos trabalhadores, das maiorias. \u00c9 preciso transformar os poderes pol\u00edticos em um sistema participativo, no qual coloque a classe trabalhadora como protagonista do processo pol\u00edtico democr\u00e1tico\u201d, ressalta Dauto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Dauto.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5059\"\/><figcaption>Para soci\u00f3logo, trabalhadores precisam assumir protagonismo na pol\u00edtica<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo o soci\u00f3logo, na atual sociedade liberal, predomina a representatividade das classes que possuem mais poder aquisitivo, dos mais ricos, que n\u00e3o s\u00e3o maioria em popula\u00e7\u00e3o, mas o s\u00e3o em espa\u00e7os de decis\u00e3o. Silveira enfatiza a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora nesses espa\u00e7os de poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do aumento nas candidaturas de mulheres, sua representa\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 limitada a cerca de 30% das novas composi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, mesmo representando 51,8% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, de acordo com os dados do \u00faltimo Censo, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mandatos coletivos s\u00e3o nova op\u00e7\u00e3o entre candidatos<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A democracia representativa tem muitas formas de se apresentar aos eleitores. Uma forma recente de dividir a responsabilidade e somar esfor\u00e7os em torno de uma mesma causa s\u00e3o as candidaturas coletivas. O TSE permite apenas candidaturas individuais, por\u00e9m, nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es v\u00e1rias candidaturas apresentaram-se como coletivas. Joinville contou com duas campanhas coletivas, a do <strong>Coletivo Juntas<\/strong> (PT) e da <strong>Coletiva Bem Viver <\/strong>(PSOL).<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro das campanhas coletivas, os candidatos se unem em torno de um objetivo comum. Entretanto, somente um candidato pode formalizar o registro dentro do TSE, enquanto os outros participam da campanha, organizam-se para conseguir votos e, se eleitos, auxiliam a formular projetos de lei. A participa\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto de um acordo entre o partido e candidatos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Juntas.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5058\"\/><figcaption>Coletivo Juntas aposta em candidaturas femininas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A Coletiva Bem Viver faz parte do Subverta, do PSOL, um coletivo nacional com ideias de preserva\u00e7\u00e3o ambiental e divis\u00e3o de poder mais igualit\u00e1ria. No Brasil s\u00e3o tr\u00eas candidaturas: Rio de Janeiro, Florian\u00f3polis e Joinville. Em Joinville, a Coletiva \u00e9 representada por tr\u00eas pessoas: Eduardo Besouro, Rossana Bel\u00e9 e Tarc\u00edsio Cura. Eduardo estava inscrito no TSE como candidato principal. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Coletiva Bem Viver, cada candidato tem sua personalidade no decorrer da campanha, o que pode ser identificado em suas redes sociais. A coletiva Bem Viver de Florian\u00f3polis conseguiu eleger representante nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Outra campanha coletiva que concorreu em Joinville foi do Juntas, do PT. O coletivo \u00e9 composto por cinco mulheres: Iraci Seefeldt, Maria Ivonete Peixer, M\u00f4nica Almeida, Patr\u00edcia da Silva e Val\u00e9ria Nunes. Oficialmente, no TSE, a candidatura registrada foi de Val\u00e9ria Nunes. As outras quatro seriam co-vereadoras. A principal proposta do Juntas \u00e9 o fortalecimento da mulher inserida no meio pol\u00edtico. O coletivo ressalta que \u00e9 raro ver mulheres em situa\u00e7\u00e3o de protagonismo no campo pol\u00edtico, e que isso \u00e9 ainda mais dif\u00edcil em cidades do Sul do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Reportagem desenvolvida na disciplina de Jornalismo Impresso II (Tutoria), com orienta\u00e7\u00e3o da professora Maiara Maduro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ana Carla Rubi* O novo mandato para prefeitos e vereadores come\u00e7ou h\u00e1 quase um m\u00eas, mas o espa\u00e7o para mulheres, negros e representantes da comunidade LGBTQI+ continua restrito. Em Joinville, dos 14 candidatos a prefeito, apenas duas eram mulheres, T\u00e2nia Eberhardt (Cidadania) e Mayara Colzani (PSOL). 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