{"id":5056,"date":"2021-01-20T19:06:02","date_gmt":"2021-01-20T22:06:02","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=5056"},"modified":"2021-01-20T19:06:02","modified_gmt":"2021-01-20T22:06:02","slug":"cinema-e-televisao-refletem-desigualdade-racial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2021\/01\/20\/cinema-e-televisao-refletem-desigualdade-racial\/","title":{"rendered":"Cinema e televis\u00e3o refletem desigualdade racial"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><em>Por Pedro Novais<\/em><\/h4>\n\n\n\n<p>\u201cA \u00fanica coisa que diferencia as mulheres negras de qualquer outra pessoa \u00e9 a oportunidade.\u201d Essa frase marcou o discurso da atriz <strong>Viola Davis<\/strong> no Emmy de 2015, quando foi a<strong> primeira mulher negra <\/strong>a ganhar na categoria de melhor atriz. Cinco anos depois, o discurso ainda diz muito sobre a <strong>ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, a morte de George Floyd, homem negro asfixiado por um policial enquanto j\u00e1 estava rendido, deu in\u00edcio a manifesta\u00e7\u00f5es em escala global e impulsionou o movimento <em><strong>Black Lives Matter<\/strong><\/em>.\u00a0 O movimento tem lutado contra o <strong>racismo<\/strong> e por mais visibilidade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra, problemas que est\u00e3o presentes em toda a sociedade e que se refletem\u00a0 no cinema e na TV. Segundo estudo publicado em 2019 pela Universidade da Calif\u00f3rnia (Ucla), apenas um em cada cinco filmes s\u00e3o estrelados por pessoas negras, ou seja,\u00a0 menos de 20% das produ\u00e7\u00f5es feitas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Viola-Davis.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5063\"\/><figcaption><em>Viola Davis: premia\u00e7\u00f5es de<\/em> atrizes negras ainda s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es no universo cinematogr\u00e1fico<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Na\u00e7\u00e3o n\u00e3o se v\u00ea nos filmes nacionais<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 muito pior quando se amplia o cen\u00e1rio para al\u00e9m das telas. Ainda de acordo com dados da Ucla, atr\u00e1s das c\u00e2meras a desigualdade \u00e9 muito mais vis\u00edvel. Apenas 12,6% dos diretores s\u00e3o pessoas negras, n\u00famero que se mant\u00e9m praticamente inalter\u00e1vel desde 2014. Nas s\u00e9ries, s\u00f3 9,4% dos criadores s\u00e3o negros e, nas premia\u00e7\u00f5es, 80% dos trof\u00e9us s\u00e3o entregues a diretores brancos e 80% a atores brancos. Viola Davis, infelizmente, continua a ser uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, segundo dados da Ancine divulgados em 2018, dos 142 longas lan\u00e7ados em 2016, um total de 75% foram dirigidos por homens brancos, e dos 827 atores e atrizes de filmes que tiveram os elencos analisados, apenas 13,4% eram negros ou pardos, isso em um pa\u00eds onde, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), mais da metade da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra. \u00c9 uma na\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se v\u00ea nos filmes nacionais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ambiente hostil para mulheres<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros de ambas as pesquisas revelam que o cen\u00e1rio \u00e9 ainda mais problem\u00e1tico quando se diminui o recorte para mulheres negras, praticamente inexistentes dentro da ind\u00fastria. De acordo com a Ucla, enquanto homens negros apareceram em 86 dos filmes produzidos entre 2016 e 2017, mulheres negras est\u00e3o em somente 29 deles. Na dire\u00e7\u00e3o, somente 12,6% das produ\u00e7\u00f5es dos filmes tiveram uma mulher na dire\u00e7\u00e3o, com ou sem um co-diretor, n\u00famero que, no in\u00edcio da d\u00e9cada, era de 6,5%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Ruth-de-Souza.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5064\"\/><figcaption>Pioneira: <em>Ruth de Souza foi a primeira atriz negra a protagonizar uma telenovela no Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nas produ\u00e7\u00f5es televisivas, as mulheres &#8211; brancas e negras &#8211; representam 22,2% dos criadores de s\u00e9ries. Entre roteiristas, a pr\u00e1tica nada igualit\u00e1ria se repete, 12,6% de mulheres contra 87,4%&nbsp; de homens, dentre os quais 92,2% s\u00e3o brancos.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil o padr\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ado. Dos&nbsp;142 filmes analisados pela Ancine, nenhum foi dirigido ou roteirizado por mulheres negras. Do total, 111 desses filmes tiveram homens como diretores e apenas tr\u00eas deles eram negros. Mulheres dirigiram sozinhas apenas 28 filmes. Na produ\u00e7\u00e3o dos roteiros, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres restringe-se a 16,2%, todas brancas.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o executiva foi a \u00fanica onde mulheres se destacaram, com participa\u00e7\u00e3o de 39,7% dos filmes. Mais uma vez, todas as profissionais eram brancas, embora duas tenham contado com a participa\u00e7\u00e3o de mulheres negras ou pardas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos dois estudos mostrarem algum aumento na participa\u00e7\u00e3o de pessoas negras na produ\u00e7\u00e3o e no elenco dos filmes ao longo da d\u00e9cada passada, \u00e9 n\u00edtido que a desigualdade racial e de g\u00eanero ainda \u00e9 muito presente na ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica. \u00c9 uma mostra de como funciona o racismo estrutural que, embutido nas pr\u00e1ticas e costumes sociais, continua segregando.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Representatividade importa<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A falta de representatividade negra nas telas tamb\u00e9m \u00e9 sentida pelos espectadores. A artista e integrante do movimento negro de Joinville Isabelle Amorim, 22, afirma que se sentir pouco representada ao assistir a filmes e s\u00e9ries, mas que vem notando a presen\u00e7a de mais personagens negros nos conte\u00fados que consome. &#8220;Quando acontece de me sentir representada \u00e9 algo muito incr\u00edvel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Isabelle acredita que a representatividade \u00e9 muito importante, pois a popula\u00e7\u00e3o negra, principalmente no Brasil, \u00e9 muito grande, e \u00e9 essencial que essas pessoas se vejam e se sintam representadas. &#8220;\u00c9 muito importante, principalmente para as crian\u00e7as. Por exemplo, meu afilhado de 4 anos estava assistindo a um desenho animado que tinha protagonistas negros, ele olhou e disse: &#8216;Olha l\u00e1! Sou eu!'&#8221;, relatou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Isa.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5065\"\/><figcaption>Isa Amorim aponta necessidade de abandonar estere\u00f3tipos e falsa representatividade<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Apesar de nos \u00faltimos anos a presen\u00e7a de personagens negros ter aumentado, alguns problemas ainda persistem, como representa\u00e7\u00f5es estereotipadas, personagens negros que aparecem e logo morrem &#8211; a chamada \u201cfalsa representatividade\u201d &#8211; e, o mais frequente, personagens que s\u00f3 existem para falar sobre racismo. \u201c\u00c9 muito cansativo, porque n\u00f3s n\u00e3o sabemos falar s\u00f3 sobre racismo\u201d, critica a artista. \u201cQuando um filme tem personagens negros que simplesmente existem e t\u00eam quest\u00f5es normais como qualquer outra pessoa \u00e9 incr\u00edvel e faz com que as pessoas rompam com ideias estereotipadas\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a falta de oportunidades, Amorim acredita que todas as pessoas, sejam elas negras, brancas, asi\u00e1ticas ou ind\u00edgenas, merecem ter oportunidades iguais. \u201cTodos t\u00eam capacidade, independente da ra\u00e7a ou g\u00eanero.\u201d A artista est\u00e1 muito confiante no impacto dos protestos <em>Black Lives Matter<\/em> nas produ\u00e7\u00f5es futuras. \u201cEu acredito que vai mudar. Est\u00e1 na hora de mudar. E esses protestos est\u00e3o a\u00ed justamente para isso.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O cinema e a televis\u00e3o s\u00e3o meios com grande alcance de p\u00fablico, por isso \u00e9 t\u00e3o importante que pessoas negras, assim como LGBTQIA+ e outras minorias n\u00e3o s\u00f3 sejam representadas, como tamb\u00e9m produzam conte\u00fados que ajudem a levar informa\u00e7\u00e3o, a acabar com preconceitos e estere\u00f3tipos e, o mais importante, que mostrem que todos t\u00eam mais em comum do que imaginam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Pedro Novais \u201cA \u00fanica coisa que diferencia as mulheres negras de qualquer outra pessoa \u00e9 a oportunidade.\u201d Essa frase marcou o discurso da atriz Viola Davis no Emmy de 2015, quando foi a primeira mulher negra a ganhar na categoria de melhor atriz. 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