{"id":5458,"date":"2021-07-13T11:09:25","date_gmt":"2021-07-13T14:09:25","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=5458"},"modified":"2022-09-17T17:02:53","modified_gmt":"2022-09-17T20:02:53","slug":"apolinario-ternes-memorias-de-um-tempo-estranho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2021\/07\/13\/apolinario-ternes-memorias-de-um-tempo-estranho\/","title":{"rendered":"Apolin\u00e1rio Ternes: &#8220;mem\u00f3rias de um tempo estranho&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Escritor joinvilense relembra do tempo em que escrevia cr\u00f4nicas para a coluna do Teclados Sem Censura, em A Not\u00edcia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Dyeimine Schlindwein<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>Mem\u00f3rias<\/strong> de um tempo estranho\u201d, assim traduziu <strong>Apolin\u00e1rio Ternes<\/strong> ao recordar do tempo em que ele escrevia <strong>cr\u00f4nicas<\/strong> para a coluna Teclados Sem Censura, em A Not\u00edcia. N\u00e3o fic\u00e7\u00e3o foi o g\u00eanero que o jornalista escolheu para narrar fatos que ocorreram durante a <strong>ditadura militar<\/strong> e do p\u00f3s-regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1972, com aprova\u00e7\u00e3o do diretor de reda\u00e7\u00e3o Nerval Pereira, Ternes manteve por quase dois anos a coluna \u201cTeclados Sem Censura\u201d, onde publicou cerca de 900 cr\u00f4nicas em espa\u00e7o nobre.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta foi bem recebida, na medida em que as cr\u00f4nicas ofereciam aos leitores textos di\u00e1rios que visavam comentar de forma informal os novos \u00e2ngulos do cotidiano. Com o surgimento de uma coluna com modos e meios diferentes de fazer jornalismo, rapidamente se transformou no espa\u00e7o mais procurado pelos leitores de todas as gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cA come\u00e7ar pelo t\u00edtulo, ousado e agressivo num momento em que a ditadura militar exercia pleno controle da imprensa em todo o pa\u00eds, Teclados Sem Censura surgiu como uma proposta destinada a durar muito pouco tempo\u201d, relembra o cronista.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"546\" height=\"534\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/apolinarioternes1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13379\"\/><figcaption>Fonte: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Ternes escrevia cr\u00f4nicas sobre \u201cas estripulias da alma\u201d, filmes e livros que circulavam na cidade, sobre as \u201cperegrina\u00e7\u00f5es pela noite\u201d e as paix\u00f5es amorosas de homens e mulheres que buscavam o entendimento m\u00fatuo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA coluna tinha uma personagem chamada M\u00f4nica, com a qual o cronista trocava cartas faiscantes de saudade, mostrando que o ex\u00edlio da mo\u00e7a, em algum canto do planeta, alucinava o cronista em dilacerante espera. Quando publiquei \u2018Carta a uma determinada mulher\u2019, choveram respostas de v\u00e1rias partes de Santa Catarina, todas mostrando que a mulher imagin\u00e1ria vivia sim, em tal e tal cidade\u201d, recorda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do cen\u00e1rio nacional de \u201ccinza-chumbo\u201d, Apolin\u00e1rio conta que a coluna n\u00e3o chegou a sofrer nenhuma interven\u00e7\u00e3o, recomenda\u00e7\u00e3o ou limita\u00e7\u00e3o dos militares. A censura direta, com censor presente na reda\u00e7\u00e3o, s\u00f3 ocorria nos grandes jornais do pa\u00eds, como o Correio da Manh\u00e3, Estad\u00e3o, O Globo, Folha, Veja e em tabloides de humor, como O Pasquim. No resto do pa\u00eds, a censura era fiscalizada atrav\u00e9s do telefone, com oficial do Ex\u00e9rcito informando ao diretor de reda\u00e7\u00e3o que tais e tais assuntos n\u00e3o deveriam ser publicados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAssim tocava a m\u00fasica e assim dan\u00e7ava o povo, jornalistas inclu\u00eddos. Foram mais de dez anos de censura plena, movida pelo mais translucido medo de eventual pris\u00e3o e de suas consequ\u00eancias inevit\u00e1veis como tortura, persegui\u00e7\u00e3o e m\u00faltiplas paranoias. Foi nesse clima que a coluna Teclados Sem Censura pairou por quase dois anos, sem nenhum tipo de interven\u00e7\u00e3o.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ternes comenta que as cr\u00f4nicas eram diagramadas em duas colunas, com cerca de 30 cent\u00edmetros de altura, sempre no mesmo lugar e assinadas em nome de: Apoliter. Abaixo do logotipo da coluna, diariamente se aplicava o numeral correspondente a ordem de edi\u00e7\u00e3o, de forma que os leitores podiam colecionar apenas as cr\u00f4nicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCabe dizer que a cr\u00f4nica constitu\u00eda um dos pontos fortes do jornalismo brasileiro, ainda que com pouco destaque na imprensa local, foram 900 cr\u00f4nicas publicadas e muitas comentadas, \u00e0s vezes por v\u00e1rios dias. As cartas de amor, sempre estiveram entre as mais lidas e as de cunho filos\u00f3fico tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O espa\u00e7o Teclados Sem Censura foi interrompido em 1974. Um ano antes de publicar a \u00faltima cr\u00f4nica, Apolin\u00e1rio foi convidado a ocupar o cargo de Assessor de Imprensa da Prefeitura de Joinville, no governo de Pedro Ivo Campos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ternes atualmente \u00e9 membro da Academia Catarinense de Letras e da Academia Joinvilense de Letras, onde escreve cr\u00f4nicas e n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o. Em 2005 recebeu o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Benem\u00e9rito de Joinville e a Medalha Anita Garibaldi, do governo de Santa Catarina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escritor joinvilense relembra do tempo em que escrevia cr\u00f4nicas para a coluna do Teclados Sem Censura, em A Not\u00edcia Dyeimine Schlindwein \u201cMem\u00f3rias de um tempo estranho\u201d, assim traduziu Apolin\u00e1rio Ternes ao recordar do tempo em que ele escrevia cr\u00f4nicas para a coluna Teclados Sem Censura, em A Not\u00edcia. 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