{"id":5783,"date":"2021-10-16T14:17:42","date_gmt":"2021-10-16T17:17:42","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=5783"},"modified":"2022-09-12T18:06:22","modified_gmt":"2022-09-12T21:06:22","slug":"longe-de-casa-encontrei-um-lar-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2021\/10\/16\/longe-de-casa-encontrei-um-lar-2\/","title":{"rendered":"Longe de casa encontrei um lar &#8211; Cap\u00edtulo 2"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><em><em>Somayhe<\/em> <em>mora no Brasil com sua fam\u00edlia<\/em> <em>h\u00e1 18 anos e busca manter viva as ra\u00edzes de seu pa\u00eds natal<\/em><\/em><\/h5>\n\n\n\n<p><em>Por Raquel Ramos<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cap\u00edtulo 2<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O casamento &#8211; Uma hist\u00f3ria de amor \u00e0 primeira vista<\/h3>\n\n\n\n<p>No dia da viagem para o Brasil, Hamidreza Nikdelamnab, foi chamado por uma prima de Somayhe para levar a fam\u00edlia dela ao aeroporto. &#8220;Ele tinha uma caminhonete e precis\u00e1vamos de um carro grande, porque \u00e9ramos cinco pessoas: a minha m\u00e3e, os seis filhos, e muitas malas&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela relembra que naquele dia, pouco observou o homem que hoje \u00e9 seu marido. Estava mais preocupada em viajar para o Brasil e rever o pai de quem estavam separados h\u00e1 5 anos. Mas depois ficou sabendo que naquela oportunidade &#8220;Ele j\u00e1 gostou de mim, mas n\u00e3o podia se pronunciar porque nossos costumes n\u00e3o permitem um homem se aproximar de uma mulher que n\u00e3o conhece&#8221;, inicia o relato.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"960\" height=\"960\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/O-casal-Hamidreza-e-Somayhe.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13052\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/O-casal-Hamidreza-e-Somayhe.jpg 960w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/O-casal-Hamidreza-e-Somayhe-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption>O casal Hamidreza e Somayhe. Fonte: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No Ir\u00e3, quando um homem fica interessado em uma mulher, a m\u00e3e do rapaz entra em contato com a m\u00e3e da mo\u00e7a, explica o interesse do filho e prop\u00f5e que eles se conhe\u00e7am. Portanto, dentro dos costumes &#8220;Ele conversou com a m\u00e3e dele sobre a mo\u00e7a que tinha visto e pediu para ela falar com a fam\u00edlia para eles se conhecerem&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo as formalidades da cultura, dois meses depois de chegarem ao Brasil, a m\u00e3e de Hamidreza procurou Mahi Samadi, m\u00e3e de Somayeh, para pedir a m\u00e3o da filha dela em casamento. \u00c9 dessa forma que acontece: &#8220;Depois que as m\u00e3es conversam entre si, elas falam com os pais dos futuros noivos e ent\u00e3o iniciam as conversas. D\u00e3o as refer\u00eancias dos pretendentes e combinam de marcar um ch\u00e1 para as fam\u00edlias se conhecerem\u201d, conta. Como eles estavam no Brasil e a fam\u00edlia do pretendente no Ir\u00e3, essas tratativas foram feitas atrav\u00e9s das tias dela, que moram l\u00e1. &#8220;A nossa opini\u00e3o s\u00f3 vale depois, se os pais aceitarem a uni\u00e3o. Da\u00ed o casal pode conversar&#8221;, fala sempre sorrindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, na fam\u00edlia de Somayeh sempre houve um pouco mais de consenso. Embora ela n\u00e3o quisesse casar, naquele momento, foi aconselhada pela m\u00e3e a aceitar que o rapaz viesse ao Brasil para se conhecerem. &#8220;Meus pais falaram que ele era de uma fam\u00edlia boa, o rapaz \u00e9 educado, a fam\u00edlia \u00e9 religiosa, fator de grande import\u00e2ncia. Se voc\u00ea gostar, voc\u00ea casa, se n\u00e3o gostar, devolve o noivado&#8221;, diz. Somaye explica que anos atr\u00e1s n\u00e3o era assim. Pelas tradi\u00e7\u00f5es quem decidia pelo casamento, ou n\u00e3o, eram os pais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na cultura iraniana n\u00e3o existe o namoro para o casal se conhecer. Esse per\u00edodo de relacionamento \u00e9 chamado de noivado. Um compromisso s\u00e9rio, mas que pode ser desfeito. Uma rela\u00e7\u00e3o onde n\u00e3o h\u00e1 contato f\u00edsico entre o casal. Havendo a decis\u00e3o entre os noivos para a concretizar o casamento, esse noivado tem que ser formalizado em cerim\u00f4nia realizada em uma Mesquita. Entre Hamidreza e Somayhe isso aconteceu em 29 de maio de 2003, em Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante dois anos eles ficaram noivos. Em 19 de junho de 2004, foi realizado o casamento civil, com a presen\u00e7a de um representante da Embaixada do Ir\u00e3, em festa realizada aqui em Joinville. Com um sorriso ela relembra de quando se conheceram &#8220;quando ele veio a gente foi se apaixonando, cada vez um pouquinho mais e nos casamos&#8221;. Na primeira viagem ao Ir\u00e3, j\u00e1 com o primeiro filho, a fam\u00edlia de Hamidreza fez uma festa \u00edntima para comemorar o casamento. Somayeh comenta: &#8220;uma festa \u00edntima que tinha mais de 500 convidados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Estabelecer o dote de casamento \u00e9 uma pr\u00e1tica tradicional no Ir\u00e3. Antes do noivado os pais dos noivos estabelecem qual vai ser a quantia do dote baseada em moeda de ouro. Tudo \u00e9 combinado antes e o valor varia conforme a cota\u00e7\u00e3o no dia em que este for pago. N\u00e3o existe o que chamamos de pens\u00e3o aliment\u00edcia ou heran\u00e7a e sim o pagamento do valor do dote em caso de separa\u00e7\u00e3o ou viuvez. Somayhe faz quest\u00e3o de deixar claro que desde o in\u00edcio n\u00e3o aceitou este costume: &#8220;N\u00e3o estou \u00e0 venda. Dote parece coisa de quem est\u00e1 se vendendo. Eu nunca quis e n\u00e3o tenho dote.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mentalidade mais liberal do que a dos iranianos tradicionais, ela justifica como influ\u00eancia recebida desde a \u00e9poca quando o pai voltava das viagens e comentava os costumes do Ocidente. &#8220;Na Fran\u00e7a \u00e9 assim, na Su\u00ed\u00e7a \u00e9 diferente.\u201d Naquela \u00e9poca n\u00e3o havia v\u00eddeo chamada. Mas o pai mandava cartas, fotografias dos lugares por onde andava e ela j\u00e1 percebia muitas diferen\u00e7as. &#8220;Mas isso n\u00e3o acontecia na fam\u00edlia do meu marido. Por isso, eles t\u00eam, at\u00e9 hoje, uma cultura e pensamentos muito mais fechados\u201d, explica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A figura paterna e a fam\u00edlia do c\u00f4njuge homem tem uma representa\u00e7\u00e3o forte dentro da cultura iraniana. Ela menciona o que aconteceu durante a sua perman\u00eancia no Ir\u00e3, quando o marido precisou fazer uma cirurgia card\u00edaca. Ela, como esposa, acompanhou o marido nas consultas m\u00e9dicas, procedimentos, e fez o dep\u00f3sito para pagamento do hospital.&nbsp; Estava \u00e0 frente de tudo e ainda assim foi exigido a presen\u00e7a do pai dele para assinar a autoriza\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica. Caso o pai seja falecido, a m\u00e3e vai, e na falta desta, s\u00e3o os irm\u00e3os dele que devem comparecer para assinar. &#8220;Eu e nada \u00e9 a mesma coisa&#8221;, diz ela. Uma aceita\u00e7\u00e3o com ares de indigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois irm\u00e3os e a irm\u00e3 de Somayhe s\u00e3o casados com brasileiros. Os pais nunca se opuseram, mas \u00e9 necess\u00e1rio que o(a) pretendente brasileiro(a) aceite as tradi\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia iraniana. &#8220;Na verdade&#8221;, comenta, &#8220;as duas culturas t\u00eam que ser respeitadas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A Mulher iraniana<\/h3>\n\n\n\n<p>&#8220;A mulher iraniana se arruma para ficar em casa. \u00c9 vaidosa, se veste com trajes de tecidos finos e muito ouro, para esperar o marido. Quando voc\u00ea vai \u00e0 casa de uma iraniana, voc\u00ea \u00e9 recebida por uma mulher produzida como se estivesse indo para uma festa&#8221;, diz enchendo-se de orgulho. O uso de maquiagem \u00e9 um item quase obrigat\u00f3rio entre elas, com destaque para os olhos e os l\u00e1bios.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando vai para o Ir\u00e3, confessa: &#8220;sempre sou a mais simples&#8221;, por conta do h\u00e1bito adquirido nos anos que mora no Brasil. &#8220;Adoro ouro, mas como aqui n\u00f3s evitamos usar, ao colocar j\u00e1 me sinto como se estivesse com coisas demais em mim. O meu c\u00e9rebro pensa diferente&#8221;, explica. Ela atribui esse sentimento \u00e0 mudan\u00e7a radical dos costumes que h\u00e1 entre os dois mundos.<\/p>\n\n\n\n<p>O v\u00e9u \u00e9 um h\u00e1bito religioso, por\u00e9m as mulheres usam e fazem combina\u00e7\u00e3o como um acess\u00f3rio comum. Elas tem v\u00e1rios len\u00e7os. &#8220;Assim como aqui, colocamos a cada dia uma blusa diferente, l\u00e1 n\u00e3o repetimos o mesmo len\u00e7o&#8221;, comenta. Al\u00e9m disso, ele tem que combinar com a bolsa, com o sapato e com a roupa. Lembra que quando retornou ao Ir\u00e3, depois de cinco anos no Brasil, percebeu que havia perdido completamente a pr\u00e1tica desta combina\u00e7\u00e3o. E conta como curiosidade que quando chegou usou um v\u00e9u no primeiro dia e repetiu no dia seguinte. A rea\u00e7\u00e3o da sogra foi imediata. &#8220;Ela me chamou e delicadamente perguntou se eu n\u00e3o tinha outro v\u00e9u. Respondi que n\u00e3o, mas que n\u00e3o havia problema porque s\u00f3 havia usado uma vez&#8221;. E continuou: &#8220;Ela argumentou que as pessoas que me viram no dia anterior, seriam as mesmas daquele dia, e mandou eu ir ao bazar e comprar quantos len\u00e7os quisesse&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo alegando que seria um desperd\u00edcio, pois logo voltaria para o Brasil e os len\u00e7os ficariam sem uso n\u00e3o foi convencida. As cunhadas, conhecendo o fato, chegavam cada uma com um len\u00e7o para presente\u00e1-la. Ainda hoje, mesmo depois de dar para tantas outras pessoas, conta que &#8220;ainda tem muitos em casa, alguns sem nenhum uso.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Geograficamente o Ir\u00e3 est\u00e1 no Oriente M\u00e9dio e cercado por pa\u00edses \u00e1rabes. Eles se orgulham muito de sua etnia persa e n\u00e3o gostam de ser confundidos com \u00e1rabes. Segundo Somayhe, a cultura iraniana \u00e9 mais liberal do que nos pa\u00edses \u00e1rabes. &#8220;No nosso pa\u00eds a mulher pode votar, pode dirigir, pode trabalhar, pode desfazer casamento&#8221;, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tanto tempo morando em um pa\u00eds com diferen\u00e7as t\u00e3o acentuadas, faz ela admitir, embora com certa inquietude, que &#8220;quando chego l\u00e1 me sinto estranha no meu pr\u00f3prio pa\u00eds, por\u00e9m, em uma semana assimilo tudo e fico igual a elas.\u201d Da mesma forma quando volta para o Brasil \u00e9 necess\u00e1rio se readequar. &#8220;O nosso c\u00e9rebro \u00e9 muito inteligente e se adapta a tudo&#8221;, admite.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somayhe mora no Brasil com sua fam\u00edlia h\u00e1 18 anos e busca manter viva as ra\u00edzes de seu pa\u00eds natal Por Raquel Ramos Cap\u00edtulo 2 O casamento &#8211; Uma hist\u00f3ria de amor \u00e0 primeira vista No dia da viagem para o Brasil, Hamidreza Nikdelamnab, foi chamado por uma prima de Somayhe para levar a fam\u00edlia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":13051,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[97,88,127],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5783"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5783"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5783\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13053,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5783\/revisions\/13053"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13051"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}