{"id":6041,"date":"2021-11-11T18:20:24","date_gmt":"2021-11-11T21:20:24","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=6041"},"modified":"2022-09-10T17:31:36","modified_gmt":"2022-09-10T20:31:36","slug":"producoes-cinematograficas-crescem-fora-do-eixo-rio-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2021\/11\/11\/producoes-cinematograficas-crescem-fora-do-eixo-rio-sp\/","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas crescem fora do eixo Rio-SP"},"content":{"rendered":"\n<p>Devido a empresas de produ\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, longas metragens produzidos fora destes estados s\u00e3o pouco vistos no pa\u00eds<\/p>\n\n\n\n<p><em>Por Jo\u00e3o Gabriel Silva<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas brasileiras v\u00eam crescendo gradativamente. Mesmo estando com rendimentos mais baixos que mercados do exterior mais maduros (Europa, Cor\u00e9ia do Sul, \u00cdndia), a participa\u00e7\u00e3o dos lucros obtidos pelas produ\u00e7\u00f5es do pa\u00eds se mant\u00e9m similar \u00e0 de anos anteriores, sendo respons\u00e1veis pela renda de mais de R$ 328 milh\u00f5es (2019).&nbsp; Desde seu crescimento na d\u00e9cada de 60, o cinema nacional est\u00e1 se tornando mais aceito, tanto em mercado exterior, quanto em seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio. Regi\u00f5es que n\u00e3o possu\u00edam reconhecimento em produ\u00e7\u00e3o est\u00e3o cada vez mais vis\u00edveis, contando com apoios e incentivos na \u00e1rea. Por\u00e9m, a centraliza\u00e7\u00e3o nas cria\u00e7\u00f5es ainda s\u00e3o percept\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2016, 77% dos filmes produzidos no pa\u00eds foram elaborados dentro do eixo Rio-S\u00e3o Paulo. De acordo com Franthiesco Ballerini, jornalista com especializa\u00e7\u00e3o em audiovisual e jornalismo cultural, fundador da Ethos Comunica\u00e7\u00e3o e antigo coordenador geral da Academia Internacional de Cinema, as legisla\u00e7\u00f5es e fomentos nos outros estados j\u00e1 s\u00e3o boas para o apoio desses filmes. Apesar disso, o cr\u00edtico acredita que as cria\u00e7\u00f5es est\u00e3o mais concentradas nessa regi\u00e3o por conta das empresas de produ\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as maiores se encontram dentro dela.<\/p>\n\n\n\n<p>No pa\u00eds, diversas distribuidoras s\u00e3o respons\u00e1veis por colocar os filmes nas salas de cinemas. Em 2019, as distribuidoras internacionais responderam por mais de 80% do p\u00fablico e da renda dos filmes exibidos. Dentre os destaques, encontram-se os filmes distribu\u00eddos&nbsp; pela Disney e pela Warner, onde juntas, correspondem a mais de 56% do p\u00fablico total nas salas de cinema.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste mesmo per\u00edodo, o consumo de filmes nacionais se manteve est\u00e1vel, apresentando uma queda baixa de 0,7%. Segundo a Ancine (Segundo a Ag\u00eancia Nacional de Cinema), 167 filmes brasileiros foram lan\u00e7ados. Por\u00e9m, dos filmes nacionais que mais tiveram p\u00fablico nas sess\u00f5es de cinema, todos foram realizados dentro do eixo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Vitrine Filmes, maior distribuidora de filmes independentes do pa\u00eds, encarregada pela dissemina\u00e7\u00e3o de Bacurau, \u00e9 respons\u00e1vel por apenas 5,7% dos longas nacionais. Quando posta em compara\u00e7\u00e3o com a Downtown ( encarregada pelo filme nacional com maior p\u00fablico no cinema (per\u00edodo de 2009-2019)), a diferen\u00e7a de filmes lan\u00e7ados \u00e9 gritante, onde esta \u00e9 respons\u00e1vel pela distribui\u00e7\u00e3o de&nbsp; mais de 83 longas brasileiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Mesmo com um crescimento quantitativo nas salas de cinema no pa\u00eds, S\u00e3o Paulo \u00e9 o estado que apresenta o maior n\u00famero de exibidoras. Ao total, s\u00e3o 3.507 salas distribu\u00eddas em todo o Brasil. Mais de mil delas est\u00e3o dentro deste estado. Embora o n\u00famero ainda seja bem concentrado dentro do eixo Rio-S\u00e3o Paulo ,\u00a0 o nordeste lidera o crescimento do parque em 2019, conseguindo dobrar o n\u00famero de aposentos, em um per\u00edodo de dez anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>Regi\u00f5es<\/strong><\/td><td><strong>Quantidade de salas (2019)<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Evolu\u00e7\u00e3o (%) em dez anos<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>Centro-Oeste<\/td><td>286<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">44,4%<\/td><\/tr><tr><td>Nordeste<\/td><td>586<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">117,0%<\/td><\/tr><tr><td>Norte<\/td><td>235<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">139,8%<\/td><\/tr><tr><td>Sudeste<\/td><td>1846<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">45,4%<\/td><\/tr><tr><td>Sul<\/td><td>554<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">49,7%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo F\u00e1bio Cabral, cineasta catarinense, diretor do filme: Uma carta para Ferdinand, um longa geralmente se inicia com um vislumbre de uma hist\u00f3ria a ser contada. A partir disso, se d\u00e1 in\u00edcio aos processos de produ\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, as ideias come\u00e7am a ser colocadas em pr\u00e1tica. A escolha do local, assim como a maneira&nbsp; que ir\u00e1 trabalhar no longa, devem ser pensados antes que se comece a produzir. Depois da elabora\u00e7\u00e3o do roteiro, se faz todas as visualiza\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias sobre o que ser\u00e1 preciso para a realiza\u00e7\u00e3o do material.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA partir da\u00ed, filma-se, monta-se e finaliza-se tecnicamente o material, originando o produto a ser distribu\u00eddo e transmitido nos diversos meios de exibi\u00e7\u00e3o de produtos audiovisuais\u201c, conta Cabral sobre os processos de produ\u00e7\u00e3o. Com o material pronto, inicia-se a p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, que retrata as corre\u00e7\u00f5es dos erros, assim como o envio (para as salas de cinema, plataformas de streaming) do material finalizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os irm\u00e3os Lumi\u00e8re criaram o primeiro filme ( que constava com a sa\u00edda de seus funcion\u00e1rios de sua f\u00e1brica, em 1895), j\u00e1 se tinha um vislumbre do que seria o processo de produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica. Sendo uma das artes que melhor se desenvolveu com o passar do tempo, at\u00e9 meados de 1914, quase todas as t\u00e9cnicas de elabora\u00e7\u00e3o de um longa j\u00e1 tinham sido inventadas, com exce\u00e7\u00e3o do som (que surge no cinema pela primeira vez em 1927 com o filme: O cantor de Jazz), da cor (filme Kodak, de 1922, foi o primeiro a exibir pr\u00e1ticas coloridas) e do 3D (considera-se o longa <strong>O poder do amor<\/strong> como o primeiro filme, nesta t\u00e9cnica, a ser exibido).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dificuldades de produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 5 de novembro de 1896, mais ou menos um ano depois da inven\u00e7\u00e3o do cinema pelos irm\u00e3os franceses, acontecia a primeira exibi\u00e7\u00e3o p\u00fablica de cinema no Brasil. Com uma primeira reprodu\u00e7\u00e3o j\u00e1 realizada no Rio de Janeiro, n\u00e3o demorou muito para que o estado lan\u00e7asse seu primeiro registro audiovisual. Em 1898, Afonso Segreto gravava o que conhecemos como o primeiro filme brasileiro, reproduzindo a sua chegada \u00e0 Ba\u00eda de Guanabara (neste dia, 19 de julho, se comemora o dia do cinema nacional).<\/p>\n\n\n\n<p>O cinema facilmente se tornou popular no pa\u00eds. J\u00e1 em 1897, dois anos ap\u00f3s sua inven\u00e7\u00e3o, transmiss\u00f5es eram realizadas na Para\u00edba (Parahyba como se chamava na \u00e9poca). Na Festa das Neves, se transmitiu&nbsp; o mesmo filme visto no Grand Caf\u00e9 de Paris,o hist\u00f3rico longa que deu in\u00edcio aos desenvolvimentos da s\u00e9tima arte. Por\u00e9m, apesar de possuir um curto per\u00edodo de tempo entre os dois estados nas transmiss\u00f5es cinematogr\u00e1ficas, as diferen\u00e7as no sistema de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o dos longas, s\u00e3o muito percept\u00edveis na atualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Bertrand Lira, cineasta paraibano, graduado em comunica\u00e7\u00e3o social, mestre em sociologia e doutor em ci\u00eancias sociais, n\u00e3o existem muitos editais voltados para o audiovisual no estado: \u201cTemos poucos editais por aqui. Existem o estadual e o municipal. O municipal funciona melhor, mas n\u00e3o s\u00e3o tantos recursos. N\u00e3o se tem tanto recurso. O estado est\u00e1 capengando a muito tempo, e nos deve muito um edital decente que se pague em dia, e&nbsp; tudo mais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O diretor do filme: O seu amor de volta (mesmo que ele n\u00e3o queira) acredita que as dificuldades para produ\u00e7\u00f5es est\u00e3o presentes em todo lugar, n\u00e3o s\u00f3 nos estados fora do eixo de produ\u00e7\u00e3o. Bertrand cr\u00ea que esses eixos produzem longas em maiores quantidades por uma quest\u00e3o hist\u00f3rica. Localizada no Rio de Janeiro, a Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes SA), empresa de economia mista estatal produtora e distribuidora de filmes, contribuiu muito no aux\u00edlio e nas dissemina\u00e7\u00f5es dos longas produzidos na regi\u00e3o. Com um est\u00edmulo maior dado ap\u00f3s a posse de Roberto Farias (cineasta e produtor), os filmes passaram a ter mais incentivos e valoriza\u00e7\u00f5es, durante o per\u00edodo militar, o que contribuiu para a ascens\u00e3o do estado na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Lira conta que a dificuldade est\u00e1 realmente nas distribui\u00e7\u00f5es dos longas. \u201cOs governos anteriores tentaram controlar um pouco com alguns editais, o que fazia com que os filmes alternativos chegassem \u00e0s salas. O contexto atual, falando do governo e n\u00e3o da pandemia, dificultou muito, e para todo mundo\u201d. O diretor ainda critica as a\u00e7\u00f5es do atual governo, retratando que os apoios destinados \u00e0 cultura est\u00e3o sendo impedidos: \u201cA gente tinha um edital de distribui\u00e7\u00e3o e eu estava pronto para concorrer. O distribuidor que queria disseminar meu filme estava esperando um edital de R$ 100 mil para propagar o meu longa em algumas salas mais alternativas.&nbsp; E a\u00ed entrou esse governo que n\u00e3o gosta da arte, da Cultura, e atrapalhou tudo.&nbsp; Acabou tudo isso. Estamos \u00e0 deriva agora.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o cineasta, a prefer\u00eancia dos brasileiros se d\u00e1 muito para filmes estadunidenses. Bertrand diz que, no Brasil, s\u00e3o poucos filmes que conseguem um impacto junto ao p\u00fablico. Para ele, as pessoas gostam de consumir filmes com narrativas tradicionais, mais pr\u00f3ximas de um relato universal. \u201cA produ\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 muito grande, mas tem uma produ\u00e7\u00e3o mais autoral, que n\u00e3o vai atingir o grande p\u00fablico,&nbsp; vai s\u00f3 para os iniciados.&nbsp; Acho que tem esse&nbsp; problema tamb\u00e9m, de todo mundo querer fazer filmes mais herm\u00e9ticos,&nbsp; mais intelectuais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente torce para que d\u00ea para conviver essas duas vertentes: do sistema mais fechado, com propostas de est\u00e1ticas mais experimentais; mas tamb\u00e9m precisamos ter uma ind\u00fastria que o filme chegue ao p\u00fablico. De filmes que apresentem tamb\u00e9m um certo apelo que n\u00e3o seja s\u00f3 focado na m\u00e3o de uma produtora, e que tenha todo um mecanismo de distribui\u00e7\u00e3o que \u00e9 importante. Sen\u00e3o o filme morre na praia.\u201d, brinca Bertrand.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cultura como identidade cinematogr\u00e1fica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><\/strong>J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 de hoje a prefer\u00eancia dos brasileiros para filmes estrangeiros. O diretor argentino (naturalizado brasileiro), Hector Babenco, respons\u00e1vel por Carandiru, j\u00e1 relatou&nbsp; que o cinema brasileiro estava acabado, devido a falta de apoio e originalidade apresentada pelas produ\u00e7\u00f5es. Segundo a Ancine, em 2019 (\u00faltimo balan\u00e7o completo feito pela empresa), houve um aumento na procura de 9,4%&nbsp; para filmes produzidos fora do solo nacional. O n\u00famero de t\u00edtulos brasileiros lan\u00e7ados tamb\u00e9m se apresenta em queda quando comparado a anos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Franthiesco Ballerini,representar a cultura nacional \u00e9 o que d\u00e1 mais reconhecimento e visibilidade para os filmes em festivais internacionais. &#8220;Os filmes tem que saber falar do pa\u00eds, e tamb\u00e9m fazer um bom trabalho nas partes t\u00e9cnicas. O ritmo de roteiro, a montagem do filme e todos os outros elementos ajudam a dar essa melhor visibilidade.\u201d Citando como exemplo, o jornalista tr\u00e1s os filmes do diretor pernambucano Kleber Mendon\u00e7a Filho, que tem seus filmes elaborados no eixo Nordeste\/Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Bacurau (2019), o filme mais recente do diretor, consegue retratar a cultura de um povo, sem deixar de apresentar os detalhes e vis\u00f5es pr\u00f3prias do autor. N\u00e3o s\u00f3 aclamado em solo nacional ao receber seis pr\u00eamios, em categorias principais, no Grande Pr\u00eamio de Cinema Brasileiro (melhor dire\u00e7\u00e3o, melhor ator, melhor roteiro original, melhor longa metragem-fic\u00e7\u00e3o,&nbsp; melhor montagem-fic\u00e7\u00e3o e melhor efeito visual), o filme tamb\u00e9m conquistou o Pr\u00eamio do J\u00fari, no Festival de Cannes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O \u00faltimo longa de Kleber Mendon\u00e7a, apesar de todos os ganhos, s\u00f3 foi a nona cria\u00e7\u00e3o nacional mais vista no ano de lan\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p>A tentativa de se construir uma identidade pr\u00f3pria para o cinema nacional j\u00e1 \u00e9 antiga no pa\u00eds. Olhando para o passado, antes de uma consolida\u00e7\u00e3o do cinema brasileiro, os longas locais eram fundamentados e influenciados pelas produ\u00e7\u00f5es hollywoodianas. Cansados de consumir e produzir filmes \u2018prostitu\u00eddos\u2019, um grupo de jovens cineastas deu in\u00edcio a um movimento.Com o lema: uma c\u00e2mera na m\u00e3o e uma ideia na cabe\u00e7a, o Cinema Novo foi um dos mais importantes movimentos cinematogr\u00e1ficos do mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Baseando-se no cinema italiano e franc\u00eas, buscaram obter uma identidade pr\u00f3pria nos longas e produ\u00e7\u00f5es brasileiras. O neorrealismo italiano se caracterizava pelas hist\u00f3rias sobre a classe trabalhadora, filmadas com poucos recursos. Grande parte das produ\u00e7\u00f5es tratavam das dificuldades sociais e econ\u00f4micas do pa\u00eds, ap\u00f3s os acontecimentos da segunda guerra. Nas nouvelles francesas,\u00a0 buscava-se utilizar uma t\u00e9cnica como uma forma de estilo. Para eles, os cineastas eram um autor, que deveria desafiar e desconstruir as bases do cinema, contrariando a l\u00f3gica das narrativas tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Com origem em 1960, os principais longas lan\u00e7ados durante o movimento pertenciam ao eixo Rio-S\u00e3o Paulo, mobilizando um desenvolvimento maior dos estados nas produ\u00e7\u00f5es do pa\u00eds. Um dos destaques dessa revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 o cineasta Glauber Rocha, respons\u00e1vel por elaborar um dos filmes brasileiros indicados ao principal pr\u00eamio do Festival de Cannes: a Palma de Ouro. \u2018Deus e o Diabo na terra do sol\u2019(1964) representava a cultura nacional, mas com identidade pr\u00f3pria, conseguindo, simultaneamente, representar e universalizar o sofrimento de um povo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O cinema Catarinense<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O jornal <strong>\u00d4 Catarina,<\/strong> j\u00e1 em 2007, demonstrava o crescimento nas produ\u00e7\u00f5es audiovisuais no estado. Criada na d\u00e9cada de 90, o&nbsp; impresso possui o intuito de difundir a cultura do local,&nbsp; servindo como espa\u00e7o para mostrar o que fazem e pensam os segmentos de costumes, na regi\u00e3o. Voltando a circular em 2007, Felipe Lenhart e Jade Martins Lenhart dedicaram na edi\u00e7\u00e3o n\u00famero 64, um especial sobre o cinema catarinense.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os autores, produ\u00e7\u00f5es catarinenses j\u00e1 apresentavam um aspecto m\u00ednimo de profissionaliza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, existia a dificuldade de se consumir a obra que se era produzida. O cineasta F\u00e1bio Cabral, de Florian\u00f3polis, conta que a maior dificuldade de se produzir um filme fora do eixo \u00e9 na montagem de uma equipe que seja profissional em cinema, e que tenha um conhecimento t\u00e9cnico de toda a opera\u00e7\u00e3o. \u201c A escassez de equipamentos t\u00e9cnicos dispon\u00edveis tamb\u00e9m dificulta na produ\u00e7\u00e3o, mas acredito que isso n\u00e3o prejudique na hora de disseminar os filmes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de desconhecer apoios pr\u00f3prios do estado no incentivo de produ\u00e7\u00e3o, F\u00e1bio retrata que todas as possibilidades de fomentos federais s\u00e3o destinados para todos os estados brasileiros, atrav\u00e9s das inscri\u00e7\u00f5es realizadas no sistema da Ancine.\u201dO importante para a conclus\u00e3o de uma obra audiovisual \u00e9 nunca desistir, caso voc\u00ea queira que ela se concretize. Todas as jornadas s\u00e3o longas e bem dif\u00edceis de se realizar, e requer muita dedica\u00e7\u00e3o, estudo, paix\u00e3o, conhecimento t\u00e9cnico, experi\u00eancia e, principalmente, muita vontade e persist\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar do tempo, o cinema da regi\u00e3o vem se estruturando como um dos mais organizados do pa\u00eds. J\u00e1 s\u00e3o dois sindicatos criados para orientar as produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas no estado. O Santacine (Sindicato da Ind\u00fastria Audiovisual de Santa Catarina) exerce a representa\u00e7\u00e3o legal das empresas que atuam no setor audiovisual, tendo como finalidade, representar e defender as produ\u00e7\u00f5es no estado. A Sintracine (Sindicato dos Trabalhadores do Cinema e Audiovisual de Santa Catarina) \u00e9 respons\u00e1vel por assegurar os direitos trabalhistas dos cineastas catarinenses.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como o aumento no reconhecimento e em institui\u00e7\u00f5es que respondem pelo audiovisual na regi\u00e3o, diversas organiza\u00e7\u00f5es de ensino est\u00e3o sendo montadas com o intuito de formar profissionais qualificados e experientes. Em Joinville, j\u00e1 s\u00e3o duas faculdades que auxiliam na forma\u00e7\u00e3o destes estudantes: a UniSociesc e, recentemente, a Univille. A acad\u00eamica de cinema e audiovisual, Anna J\u00falia Viliczinski, acredita que o incentivo \u00e9 a melhor maneira de preparar os estudantes para o futuro. \u201c\u00c9 dif\u00edcil ser artista independente, ainda mais fora do eixo, por isso incentivar e abrir os olhos para onde se tem algum tipo de resultado, \u00e9 uma \u00f3tima op\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, Santa Catarina apresentou o primeiro filme no cat\u00e1logo da Netflix. Quando o Sol se P\u00f5e, do diretor joinvilense F\u00e1bio Faria, tamb\u00e9m \u00e9 o primeiro filme crist\u00e3o a estar presente na plataforma de streaming. O estado, em 2017, demonstrou uma taxa de crescimento de&nbsp; 8,8% no setor, assim como contribuiu na forma\u00e7\u00e3o de empregos, abrindo mais de 330 mil vagas em diversos setores da economia. Premia\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e3o sendo destinadas a filmes catarinenses, que ganham cada vez mais reconhecimento e visibilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Devido a empresas de produ\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, longas metragens produzidos fora destes estados s\u00e3o pouco vistos no pa\u00eds Por Jo\u00e3o Gabriel Silva As produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas brasileiras v\u00eam crescendo gradativamente. Mesmo estando com rendimentos mais baixos que mercados do exterior mais maduros (Europa, Cor\u00e9ia do Sul, \u00cdndia), a participa\u00e7\u00e3o dos lucros obtidos pelas produ\u00e7\u00f5es do pa\u00eds [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12818,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[88],"tags":[270,1446],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6041"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6041"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6041\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12819,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6041\/revisions\/12819"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6041"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6041"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6041"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}