{"id":6398,"date":"2022-04-20T20:02:11","date_gmt":"2022-04-20T23:02:11","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=6398"},"modified":"2022-09-10T15:31:33","modified_gmt":"2022-09-10T18:31:33","slug":"elas-querem-passar-circular-pelas-ruas-e-motivo-de-medo-para-a-maioria-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2022\/04\/20\/elas-querem-passar-circular-pelas-ruas-e-motivo-de-medo-para-a-maioria-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Elas querem passar: circular pelas ruas \u00e9 motivo de medo para a maioria das mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Amanda Santos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ir e vir \u00e9 um direito garantido pela constitui\u00e7\u00e3o brasileira a todos os cidad\u00e3os. Entretanto, para as mulheres, circular livremente pelas ruas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil. S\u00e3o diversas pesquisas, dados e depoimentos que apontam para tal. Nem mesmo ir \u00e0 padaria, \u00e0 faculdade ou ao trabalho s\u00e3o a\u00e7\u00f5es simples para as mulheres, pois a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 constante e o medo est\u00e1 quase sempre presente.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma vez eu estava indo para o centro da cidade a p\u00e9, um carro com dois homens se aproximou de mim e me ofereceram uma carona. Eu recusei e eles me seguiram durante v\u00e1rias quadras\u201d, relata Dyenifer Soares, 20 anos. Segundo ela, essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o que mais a deixou com medo ao andar sozinha pela rua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, as situa\u00e7\u00f5es de importuna\u00e7\u00e3o e ass\u00e9dio \u00e0s mulheres nas ruas s\u00e3o comuns. Conforme a pesquisa <a href=\"https:\/\/dossies.agenciapatriciagalvao.org.br\/dados-e-fontes\/pesquisa\/percepcoes-sobre-seguranca-das-mulheres-nos-deslocamentos-pela-cidade-instituto-patricia-galvao-locomotiva-2021\/\">&#8220;Percep\u00e7\u00f5es sobre seguran\u00e7a das mulheres nos deslocamentos pela cidade&#8221;<\/a> realizada pelo Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o e Instituto Locomotiva, 69% das mulheres j\u00e1 sofreram cantadas inconvenientes e olhares insistentes durante os seus deslocamentos. Al\u00e9m disso, 35% j\u00e1 foram v\u00edtimas de importuna\u00e7\u00e3o\/ass\u00e9dio sexual e 67% das mulheres negras disseram j\u00e1 terem passado por alguma situa\u00e7\u00e3o de racismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Nat\u00e1lia Schlickmann, 25 anos, o medo de andar nas ruas \u00e9 maior \u00e0 noite e em locais com pouco movimento. \u201cEu j\u00e1 mudei meu trajeto v\u00e1rias vezes por medo de que algo acontecesse comigo\u201d, conta ela. Nat\u00e1lia tamb\u00e9m j\u00e1 passou por situa\u00e7\u00f5es em que homens na rua lhe disseram coisas inconvenientes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de mudar o trajeto, algumas mulheres deixam de ir para os locais desejados por conta do medo. Em uma enquete realizada com 27 mulheres pela Revi, 70% delas disseram j\u00e1 terem deixado de sair por medo de irem sozinhas at\u00e9 o local. A pesquisa tamb\u00e9m mostrou que todas elas j\u00e1 passaram por alguma situa\u00e7\u00e3o de ass\u00e9dio ao sa\u00edrem sozinhas de casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Justamente pelo n\u00famero de casos e pelo medo, algumas alternativas s\u00e3o desenvolvidas para que o trajeto das mulheres se torne um pouco mais seguro. Este \u00e9 o caso da<a href=\"https:\/\/portal.ninamob.com\/\"> Nina<\/a>, uma plataforma desenvolvida para que mulheres possam denunciar casos de ass\u00e9dio e viol\u00eancia na mobilidade urbana. Com base nessas den\u00fancias, a plataforma busca influenciar na cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e privadas para a preven\u00e7\u00e3o de casos. A Nina foi criada por Simony Cesar, premiada pela \u2018Forbes Under 30\u2019 pelo projeto. Al\u00e9m da Nina, o aplicativo <a href=\"https:\/\/malalai.com.br\/\">Malalai<\/a> tamb\u00e9m tem o objetivo de tornar o deslocamento das mulheres mais protegido. Atrav\u00e9s dele \u00e9 poss\u00edvel consultar quais s\u00e3o os caminhos mais seguros para percorrer o trajeto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas iniciativas s\u00e3o essenciais para que as mulheres se sintam seguras em um pa\u00eds como o Brasil. Segundo a ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas), o Brasil \u00e9 o quinto pa\u00eds que mais pratica feminic\u00eddio no mundo, ou seja, onde as mulheres s\u00e3o v\u00edtimas por conta do seu pr\u00f3prio g\u00eanero. Al\u00e9m das mortes, tamb\u00e9m \u00e9 registrado um caso de estupro a cada 11 minutos e 536 ocorr\u00eancias de viol\u00eancia por hora.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto para Dyenifer quanto para Nat\u00e1lia, a educa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero nas escolas poderia diminuir o machismo existente e reduzir situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio e viol\u00eancia. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio reverter toda cria\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o machista que levam os homens a n\u00e3o nos respeitarem\u201d, pontua Dyenifer.<\/p>\n\n\n\n<p>Foto de capa: reproduzido por capazes.pt\/cronicas\/nada-vai-mudar-se-nao-lutarmos-e-denunciarmos\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Amanda Santos Ir e vir \u00e9 um direito garantido pela constitui\u00e7\u00e3o brasileira a todos os cidad\u00e3os. Entretanto, para as mulheres, circular livremente pelas ruas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil. S\u00e3o diversas pesquisas, dados e depoimentos que apontam para tal. 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