{"id":697,"date":"2018-10-03T17:38:52","date_gmt":"2018-10-03T20:38:52","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=697"},"modified":"2018-10-03T17:38:52","modified_gmt":"2018-10-03T20:38:52","slug":"comunicacao-de-surdos-precisa-da-cooperacao-dos-ouvintes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2018\/10\/03\/comunicacao-de-surdos-precisa-da-cooperacao-dos-ouvintes\/","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o de surdos precisa da coopera\u00e7\u00e3o dos ouvintes"},"content":{"rendered":"<p>Quando tinha nove anos, Lu\u00edza Grilli recebeu o diagn\u00f3stico de\u00a0<strong>S\u00edndrome de Meni\u00e9re.<\/strong>\u00a0Os sintomas incluem uma sensa\u00e7\u00e3o de tontura, perda auditiva, zumbido e press\u00e3o nos ouvidos. No ouvido esquerdo ela tem\u00a0<strong>perda Severa Mista,\u00a0<\/strong>o que possibilita o uso de aparelho auditivo, mas, no direito, h\u00e1\u00a0<strong>perda Profunda Mista, <\/strong>o que inviabiliza o uso do recurso mec\u00e2nico. Hoje, aos 21 anos, Lu\u00edza \u00e9 estudante de Letras. Ela conta que seu processo de oraliza\u00e7\u00e3o foi tranquilo, pois nasceu ouvinte, o que lhe permite uma boa dic\u00e7\u00e3o devido \u00e0 mem\u00f3ria auditiva. Mesmo assim, enfrentou muitas dificuldades, sobretudo na aprendizagem, por conta de professores despreparados e do\u00a0<em>bullying <\/em>praticado pelos\u00a0colegas<em>. <\/em>Pequenas atitudes de quem ouve normalmente podem contribuir para a inclus\u00e3o de pessoas como Lu\u00edza nas conversas do cotidiano.<\/p>\n<p>O aparelho auditivo, que Lu\u00edza passou a usar a partir dos 9 anos, era o pretexto preferido das crian\u00e7as para os coment\u00e1rios maldosos. &#8220;No Ensino M\u00e9dio havia pessoas que falavam mal de mim nas minhas costas, achando que eu n\u00e3o estava ouvindo&#8221;, lembra.\u00a0 Ao longo de sua aprendizagem, percebeu que muitos professores n\u00e3o sabiam lidar com uma aluna deficiente auditiva, pois falavam andando pela sala e de costas escrevendo no quadro dificultando a leitura labial. &#8220;Era terr\u00edvel ter aula de ingl\u00eas, a professora colocava m\u00fasica e eu n\u00e3o entendia nada&#8221;, exemplifica.\u00a0 A surdez de Lu\u00edza tamb\u00e9m \u00e9 <strong>flutuante<\/strong>, em alguns dias escutava tudo,\u00a0 em outros, nada. Nesses dias ela precisava\u00a0 de materiais escritos\/visuais, por isso\u00a0 tinha maior dificuldade em Matem\u00e1tica. N\u00e3o entendia o racioc\u00ednio dos professores, pois as aulas eram orais, n\u00e3o havia textos ou livros de apoio.<\/p>\n<p>A <strong>leitura labial<\/strong> \u00e9 um processo cont\u00ednuo e autom\u00e1tico para Lu\u00edza, porque \u00e9 uma forma de apoio visual necess\u00e1ria para comunica\u00e7\u00e3o. &#8220;Ajuda a saber se aquela palavra teve um som mais aberto ou fechado, para saber a referencia de palavra do som que eu entendi&#8221;, explica a estudante. A maioria dos surdos\u00a0 e deficientes auditivos precisa da leitura labial, por isso \u00e9 importante que as outras pessoas falem de frente e articulem bem as palavras.<\/p>\n<p>&#8220;Uma coisa que eu percebo \u00e9 que muitos ouvintes conversam paralelamente \u00e0 mesa. O surdo precisa olhar e saber de onde est\u00e1 saindo o som, para achar quem est\u00e1 falando j\u00e1 \u00e9 uma perda de tempo&#8221;, observa. Para facilitar a comunica\u00e7\u00e3o com pessoas surdas ou com defici\u00eancia auditiva \u00e9 importante, numa conversa em grupo, que\u00a0 apenas uma pessoa fale por vez. O volume da voz tamb\u00e9m \u00e9 importante: gritar\u00a0 pode ferir o ouvido de quem est\u00e1 se acostumando com o aparelho auditivo e n\u00e3o contribui para a comunica\u00e7\u00e3o. &#8220;A pessoa pode falar no seu tom de voz normal, de uma forma nivelada e, se requisitado, falar um pouco mais alto&#8221;, afirma Lu\u00edza.<\/p>\n<p>Gestos e leitura corporal tamb\u00e9m s\u00e3o\u00a0 ind\u00edcios visuais para a comunica\u00e7\u00e3o com os surdos. Al\u00e9m disso, conforme Lu\u00edza, \u00e9 importante repetir a fala quantas vezes for necess\u00e1rio e nunca ignorar a presen\u00e7a da pessoa com defici\u00eancia em uma\u00a0 conversa. &#8220;Mesmo que o surdo esteja acompanhado por um ouvinte, \u00e9 importante que o interlocutor olhe e se comunique tamb\u00e9m com a pessoa surda, o acompanhante est\u00e1 ali apenas para ajudar, n\u00e3o para realizar o di\u00e1logo e, se voc\u00ea for o acompanhante, n\u00e3o fale por ele&#8221;, recomenda Lu\u00edza. Para as situa\u00e7\u00f5es em que\u00a0 uma comunica\u00e7\u00e3o efetiva n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, a solu\u00e7\u00e3o pode ser usar a escrita. De <strong>Libras<\/strong> (L\u00edngua Brasileira de Sinais), Lu\u00edza\u00a0 s\u00f3 sabe o b\u00e1sico, mas, para muitos surdos e deficientes auditivos, os gestos fazem uma grande diferen\u00e7a na hora de se comunicar.<\/p>\n<div style=\"width: 640px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-697-1\" width=\"640\" height=\"640\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/WhatsApp-Video-2018-09-27-at-9.27.43-AM.mp4?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/WhatsApp-Video-2018-09-27-at-9.27.43-AM.mp4\">http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/WhatsApp-Video-2018-09-27-at-9.27.43-AM.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p><em>Treinamento em Libras \u00e9 uma das atividades do curso de Fonoaudiologia da Faculdade Ielusc<\/em><\/p>\n<p>A fila priorit\u00e1ria em lojas, bancos e mercados tamb\u00e9m \u00e9 um desafio, pois muitas pessoas n\u00e3o entendem que o objetivo n\u00e3o \u00e9 ir mais r\u00e1pido, mas ter um atendimento especializado. &#8220;Como a surdez n\u00e3o \u00e9 uma defici\u00eancia aparente, muitas pessoas negligenciam o direito do acompanhante, o direito de legenda nos eventos ou em m\u00eddias &#8220;, relata a estudante.<\/p>\n<figure id=\"attachment_716\" aria-describedby=\"caption-attachment-716\" style=\"width: 759px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-716 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/dfh.png\" alt=\"\" width=\"759\" height=\"499\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-716\" class=\"wp-caption-text\">Estudantes de fonoaudiologia preparam-se para\u00a0classificar o grau de defici\u00eancia auditiva e orientar os pacientes<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A fonoaudi\u00f3loga Patr\u00edcia Taranto explica que existem diferentes graus de perda auditiva, leve, moderada, severa e profunda. O problema pode ser de nascen\u00e7a ou gestacional,\u00a0 consequ\u00eancia de meningite, trauma ac\u00fastico ou de outras complica\u00e7\u00f5es. Vanessa Bohn tem especializa\u00e7\u00e3o em Audiologia e explica que a perda auditiva do tipo sensorioneural \u00e9 irrevers\u00edvel e o tratamento \u00e9 realizado com o uso de aparelho de amplifica\u00e7\u00e3o sonora (AASI) ou o implante coclear. As perdas auditivas condutivas e mistas podem ter tratamento medicamentoso e cir\u00fargico, realizado por otorrinolaringologista.<\/p>\n<p>&#8220;O desenvolvimento de fala e linguagem da crian\u00e7a com defici\u00eancia auditiva vai depender do tipo, do grau de altera\u00e7\u00e3o e do tempo levado para a realiza\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico&#8221;, afirma Vanessa. Ela ressalta que a terapia fonoaudiol\u00f3gica \u00e9 importante para o desenvolvimento da linguagem oral e escrita das crian\u00e7as e pode ocorrer de duas a tr\u00eas vezes na semana.<\/p>\n<p>Segundo Patr\u00edcia, a fonoaudiologia \u00e9 extremamente importante nos casos de perda auditiva, tanto para prevenir e classificar o grau de defici\u00eancia, quanto para orientar sobre os recursos oferecidos para uma vida melhor.\u00a0 Ela conta que nem todas as faculdades de fonoaudiologia oferecem Libras na grade curricular, algo que, na opini\u00e3o dela, \u00e9 muito importante. Vanessa completa dizendo que, assim como ocorre com qualquer idioma, aprender Libras exige muito estudo e pr\u00e1tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando tinha nove anos, Lu\u00edza Grilli recebeu o diagn\u00f3stico de\u00a0S\u00edndrome de Meni\u00e9re.\u00a0Os sintomas incluem uma sensa\u00e7\u00e3o de tontura, perda auditiva, zumbido e press\u00e3o nos ouvidos. 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