{"id":934,"date":"2018-10-24T17:32:10","date_gmt":"2018-10-24T19:32:10","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=934"},"modified":"2018-10-24T17:32:10","modified_gmt":"2018-10-24T19:32:10","slug":"ciclistas-enfrentam-desrespeito-e-agressoes-no-transito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2018\/10\/24\/ciclistas-enfrentam-desrespeito-e-agressoes-no-transito\/","title":{"rendered":"Ciclistas enfrentam desrespeito e agress\u00f5es no tr\u00e2nsito"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-899\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Arte.jpg\" alt=\"\" width=\"786\" height=\"154\" \/><\/p>\n<h4><em>Por Taynara Reinert<\/em><\/h4>\n<p>Na cidade, a <strong>bicicleta<\/strong> ocupa um pequeno espa\u00e7o quando comparado ao carro, que obstrui ruas e avenidas. Quando mais utilizada que o autom\u00f3vel, a bicicleta torna mais livres os espa\u00e7os urbanos, o que resulta em mais fluidez no <strong>tr\u00e2nsito<\/strong>, menos congestionamentos e mais \u00e1reas dispon\u00edveis para caminhar, correr e pedalar, entre outras atividades. \u00c9 o que afirma Giselle Noceti Ammon Xavier, Coordenadora do <strong>Grupo Ciclobrasil<\/strong>, Extens\u00e3o e Pesquisa em Mobilidade Sustent\u00e1vel Cefid\/Udesc e Fundadora da Viaciclo, Associa\u00e7\u00e3o dos Ciclousu\u00e1rios da Grande Florian\u00f3polis, em artigo escrito para a Revista Eletr\u00f4nica dos P\u00f3s-Graduandos em Sociologia Pol\u00edtica da UFSC.<\/p>\n<p>Joinville est\u00e1 \u00e0 frente da m\u00e9dia nacional no que se refere ao uso da bicicleta, mas, mesmo assim, o n\u00famero de autom\u00f3veis s\u00f3 aumenta. As informa\u00e7\u00f5es apresentadas no documento <strong>Joinville Cidade em Dados<\/strong> 2018 apontam que, nos \u00faltimos 17 anos, a quantidade de motocicletas quadruplicou e a de autom\u00f3veis quase triplicou.<\/p>\n<p>Os benef\u00edcios proporcionados pela bicicleta s\u00e3o diversos e os mais mencionados popularmente abrangem sa\u00fade, economia, melhores condi\u00e7\u00f5es sociais e ambientais. Segundo os dados do estudo Impacto Social do Uso da Bicicleta, realizado pelo <a href=\"http:\/\/cebrap.org.br\/\">Centro Brasileiro de An\u00e1lise e Planejamento<\/a> (Cebrap), com patroc\u00ednio do banco Ita\u00fa, utilizar \u00a0uma bicicleta na cidade de S\u00e3o Paulo como meio de transporte economizaria R$ 451,00 ao m\u00eas, 90 minutos por semana e reduziria em at\u00e9 10% as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono que, em excesso, \u00e9 o principal g\u00e1s respons\u00e1vel pelo efeito estufa. Imagine ent\u00e3o como seria ben\u00e9fico para a cidade de Joinville expandir a ideia da bicicleta como<strong> mobilidade urbana<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que os governantes propiciem a inser\u00e7\u00e3o de uma mobilidade mais sustent\u00e1vel, justa e com seguran\u00e7a. \u201cQuando uma cidade \u00e9 feita para o uso dos motorizados e isso \u00e9 incentivado, quem opta por outra forma de transporte \u00e9 desrespeitado e muitas vezes culpabilizado, n\u00e3o levando em conta a diferen\u00e7a de \u2018poder\u2019 exercido no tr\u00e2nsito e o risco de vida a que ciclista e pedestre est\u00e3o expostos por conta de pequenas a\u00e7\u00f5es dos motoristas\u201d, exp\u00f5e a <strong>ciclista<\/strong> Carolina Sato.<\/p>\n<h3>Sempre na defensiva<\/h3>\n<p>Os desafios di\u00e1rios do tr\u00e2nsito joinvilense levam o <strong>cicloativista<\/strong> Altamir Andrade a pedalar defensivamente. Mesmo com a amplia\u00e7\u00e3o das <strong>ciclofaixas<\/strong> na cidade, outra quest\u00e3o atinge diretamente quem pedala: a agressividade dos motoristas. Altamir afirma que em qualquer pedalada de dez minutos j\u00e1 sofre agress\u00f5es verbais de desrespeito, imprud\u00eancia ou viol\u00eancia de motoristas e motociclistas. \u201cContinua sendo marcante ser chamado de vagabundo, apesar de estar me locomovendo com bicicleta para o trabalho. \u00a0Sou xingado por motoristas violentos quando ocupo a faixa de ve\u00edculos onde n\u00e3o h\u00e1 ciclofaixas ou <strong>ciclovias<\/strong>\u201d, relata.<\/p>\n<figure id=\"attachment_936\" aria-describedby=\"caption-attachment-936\" style=\"width: 847px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-936 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Bike-Altamir-V.jpeg\" alt=\"\" width=\"847\" height=\"508\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-936\" class=\"wp-caption-text\">Altamir j\u00e1 foi v\u00edtima do desrespeito de motoristas e at\u00e9 sofreu agress\u00e3o f\u00edsica no tr\u00e2nsito\/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entre as agress\u00f5es que marcam Altamir at\u00e9 hoje est\u00e1 o epis\u00f3dio em que uma mulher parou na ciclofaixa e, quando ele reclamou com gestos, ela jogou o carro propositalmente em cima dele. Al\u00e9m de se machucar, Altamir ainda teve preju\u00edzo em sua bicicleta. A motorista? Essa seguiu em disparada e fugiu.<\/p>\n<p>Outra situa\u00e7\u00e3o marcante para ele ocorreu recentemente. Um carro n\u00e3o lhe deu prefer\u00eancia na ciclofaixa e quase o atropelou. Como rea\u00e7\u00e3o ao susto, Altamir disparou um grito: \u201cIdiota!\u201d. O motorista saiu do carro acompanhado da esposa e ambos o agrediram. Altamir caiu da bicicleta, ent\u00e3o o agressor a levantou e a jogou contra Altamir \u201cEle gritava que eu estava louco, que eu poderia ter provocado um acidente por n\u00e3o parar para o carro passar e que eu poderia ter destru\u00eddo a vida dele se ele tivesse me matado num atropelamento. Uma total invers\u00e3o.\u201d Depois do susto, ele foi socorrido por pessoas que assistiram \u00e0 cena e, chocadas, vieram a seu encontro. \u201cCena das mais incr\u00edveis vividas em minha vida\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Por situa\u00e7\u00f5es como essas \u00e9 que Altamir pede que as pessoas respeitem o <strong>C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro<\/strong>, atentando-se sempre para a prioridade de respeitar o mais fraco, ou seja, pedestres primeiro, em segundo os ciclistas e ent\u00e3o os demais.<\/p>\n<h3>Ass\u00e9dio e medo no cotidiano das mulheres<\/h3>\n<p>Carolina tamb\u00e9m reclama da falta de respeito de motoristas de autom\u00f3veis e de \u00f4nibus que costumam cortar a frente dos ciclistas ou dar a famosa \u201cfina\u201d, ou seja, quando passam muito perto das bicicletas, sem entender que isso desestabiliza quem est\u00e1 pedalando. Mas uma cena espec\u00edfica a marcou. Ela estava voltando para casa de bicicleta, por volta da meia-noite, e um carro a perseguiu urrando palavras abusivas e a acompanhando devagar. \u201cEu fiquei com muito medo. Felizmente consegui chegar em casa sem que nada acontecesse, pois o carro acabou seguindo seu caminho.\u201d Ela come\u00e7ou a se locomover com a bicicleta por influ\u00eancia do pai, que sempre a utilizou, mas sua escolha tamb\u00e9m foi baseada na mobilidade em si \u201cTamb\u00e9m por ser mais pr\u00e1tico que o uso de transporte coletivo e mais barato.\u201d<\/p>\n<p>Na sua adolesc\u00eancia, a bicicleta representava mais do que mobilidade, o que refor\u00e7ou o elo. \u201cFoi um s\u00edmbolo de independ\u00eancia, pois sempre achei que ela me proporcionava autonomia para ir e vir aos locais. Esse sentimento me ajudou a manter o v\u00ednculo com a bicicleta que se perpetua at\u00e9 hoje\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<figure id=\"attachment_937\" aria-describedby=\"caption-attachment-937\" style=\"width: 786px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-937 size-large\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Bike-ciclofaixa-1024x795.jpg\" alt=\"\" width=\"786\" height=\"610\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-937\" class=\"wp-caption-text\">Flagrante de desrespeito: caminh\u00e3o ocupa espa\u00e7o destinado aos ciclistas\/ Foto: Altamir Andrade<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tal independ\u00eancia causa inc\u00f4modo a algumas pessoas, que agem de forma opressiva, principalmente sobre as mulheres. Pesquisa feita pelo Instituto YouGov em 2016 mostra que 86% de 503 mulheres brasileiras ouvidas por todas as regi\u00f5es do pa\u00eds sofreram ass\u00e9dio em p\u00fablico em suas cidades. Os tipos de ass\u00e9dios s\u00e3o diversos e o mais habitual \u00e9 o assobio (77%), seguido por olhares insistentes (74%), coment\u00e1rios de cunho sexual (57%) e xingamentos (39%). Metade das mulheres entrevistadas afirmam que j\u00e1 foram seguidas nas ruas, 44% tiveram seus corpos tocados, 37% presenciaram homens se exibindo para elas e 8% foram estupradas em espa\u00e7os p\u00fablicos. \u201c\u00c9 bem dif\u00edcil, quando voc\u00ea \u00e9 uma mulher andando de bicicleta seus problemas s\u00e3o maiores por conta do ass\u00e9dio e do machismo. Al\u00e9m de me preocupar com a viol\u00eancia do tr\u00e2nsito, eu tenho que pensar na viol\u00eancia de g\u00eanero e como de alguma forma eu sou fetichizada por ser mulher andando de bike.\u201d Absurdos como esses fazem muitas mulheres, como Carolina, terem que se preocupar com a roupa que v\u00e3o vestir ao pedalar. \u201cEscolho sempre na roupa mais discreta poss\u00edvel, pois eu n\u00e3o quero ser notada enquanto pedalo.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com Carolina, \u00e9 comum que mulheres se vistam de forma mais masculina para n\u00e3o serem identificadas como uma mulher e, assim, evitar abuso. Ela mesma j\u00e1 foi foi v\u00edtima de abuso verbal e comentou ter ouvido coisas como \u201cgostosa\u201d, \u201cvem pedalar em mim\u201d, o que para ela e tantas outras mulheres gera indigna\u00e7\u00e3o e sentimento de impot\u00eancia. Mas Carolina resiste e se mant\u00e9m firme na sua escolha pela bicicleta \u201cO projeto de incentivo\u00a0\u00e0 compra de motorizados \u00e9 uma quest\u00e3o pol\u00edtica e os resultados disso podemos ver todos os dias com um transporte p\u00fablico caro e ineficiente, polui\u00e7\u00e3o e um tr\u00e2nsito ca\u00f3tico que mata milhares pelo pa\u00eds. Ent\u00e3o, pra mim, a bicicleta tem um papel de liberta\u00e7\u00e3o, de invers\u00e3o de uma l\u00f3gica pr\u00e9-estabelecida que, se incentivada, traria frutos muito significativos para o mundo todo.\u201d<\/p>\n<p>Ela refor\u00e7a o recado para que as pessoas andem de bicicleta, afinal \u00e9 estando no lugar do outro \u2013 no caso, do ciclista &#8211; que se promove a empatia para o processo de mudan\u00e7a e melhoria. \u201c\u00c9 preciso mais apoio e incentivo do Estado para melhorar estruturas no tr\u00e2nsito e na cultura, nosso tr\u00e2nsito \u00e9 doentio e violento e isso reflete o que somos e as rela\u00e7\u00f5es de poder que estabelecemos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revidigital.com.br\/bicicleta-e-meio-de-transporte-de-11-dos-joinvilenses\/\">Bicicleta \u00e9 meio de transporte de 11% dos joinvilenses<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revidigital.com.br\/cicloativismo-defende-mundo-com-menos-automoveis\/\">Cicloativismo defende mundo com menos autom\u00f3veis<\/a><\/p>\n<p>Foto capa: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Taynara Reinert Na cidade, a bicicleta ocupa um pequeno espa\u00e7o quando comparado ao carro, que obstrui ruas e avenidas. 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