{"id":984,"date":"2018-10-30T16:23:50","date_gmt":"2018-10-30T18:23:50","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=984"},"modified":"2018-10-30T16:23:50","modified_gmt":"2018-10-30T18:23:50","slug":"machismo-ainda-afasta-mulheres-da-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2018\/10\/30\/machismo-ainda-afasta-mulheres-da-politica\/","title":{"rendered":"Machismo ainda afasta mulheres da pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<h5><em>Por Fernanda Pereira \/ Leticia Rieper \/ Raquel Ramos \/<\/em><em>Foto capa: Ag\u00eancia Nacional<\/em><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Das 513 cadeiras da C\u00e2mara Federal, 77 ser\u00e3o ocupadas por mulheres, na elei\u00e7\u00e3o anterior, foram 41. Apesar do acr\u00e9scimo de 51%, a quantidade ainda \u00e9 bem inferior \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos homens.\u00a0No Senado, o n\u00famero permaneceu o mesmo de 2010, com 7 parlamentares mulheres. Santa Catarina n\u00e3o elegeu representante feminina para o <strong>Senado<\/strong>, mas 4 candidatas estar\u00e3o na <strong>C\u00e2mara Federal<\/strong> a partir de 1\u00ba de janeiro. Antes eram apenas duas.<\/p>\n<p>Embora Joinville seja o maior col\u00e9gio eleitoral do Estado, n\u00e3o contar\u00e1 com nenhuma mulher na C\u00e2mara Federal nem na Assembleia Legislativa. O encontro promovido pelo<strong> Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Joinville<\/strong>, no m\u00eas de setembro, reuniu candidatas de Joinville e regi\u00e3o ao pleito de 2018, incluindo Ideli Salvatti do PT, \u00fanica mulher candidata ao Senado por Santa Catarina. Nenhuma das presentes obteve votos suficientes para se eleger.<\/p>\n<p>Uma das conquistas na luta pelo avan\u00e7o da inclus\u00e3o das mulheres nos pleitos eleitorais \u00e9 a Lei 9.504\/97, que obriga cada partido a ter 30% de vagas destinadas \u00e0s mulheres. O que se percebe, a cada elei\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma verdadeira corrida em busca de mulheres para se candidatarem. \u00a0A <strong>Lei de Cotas<\/strong> aumenta a presen\u00e7a feminina em cargos eleitorais, por\u00e9m, para se eleger, \u00e9 preciso enfrentar barreiras que ainda parecem intranspon\u00edveis para muitas.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2016, para <strong>C\u00e2mara de Vereadores<\/strong> de Joinville, as mulheres registraram o maior n\u00famero de candidatos com zero voto, segundo o TRE de Santa Catarina. No total, 13 candidatos tiveram vota\u00e7\u00e3o igual a zero e, destes, 8 eram mulheres. Sem o apoio dos partidos, sem estrutura, sem experi\u00eancia, e tudo isso acrescido do preconceito masculino, a Lei de Cotas, na opini\u00e3o das entrevistadas, pode ser tamb\u00e9m a causa de as mulheres liderarem as estat\u00edsticas de candidatos menos votados.<\/p>\n<p>A advogada <strong>Carla Odete Hofmann<\/strong> foi candidata a deputada federal pelo PSDB nas elei\u00e7\u00f5es de 2018. Ela analisa que, por conta das cotas, os partidos s\u00e3o obrigados a ter mulheres como candidatas nos pleitos eleitorais, numa propor\u00e7\u00e3o de uma mulher para cada tr\u00eas homens. Por\u00e9m, nem sempre isso se reverte em apoio financeiro e partid\u00e1rio. A ex-candidata de<strong> S\u00e3o Bento do Sul<\/strong>, cita o exemplo da C\u00e2mara Municipal de Sombrio, no sul do Estado, onde cinco vereadores tiveram o mandato cassado pela inclus\u00e3o de &#8220;mulheres laranjas&#8221;. \u201cS\u00f3 quando a mulher exigir do seu partido pol\u00edtico as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, assim como as oferecidas aos homens, elas poder\u00e3o\u00a0 concorrer com igualdade\u201d, explica Carla.<\/p>\n<h3>Falta de respeito<\/h3>\n<p>Da mesma forma, <strong>Juc\u00e9lia de Aguiar Mendes<\/strong>, do Partido dos Trabalhadores, candidata a vereadora em 2016, diz que &#8220;se a mulher recebeu voto zero, se nem ela mesma votou em si pr\u00f3pria, a explica\u00e7\u00e3o pode estar no fato de inclu\u00edrem o nome dela na lista de candidatos sem que a pr\u00f3pria mulher tenha conhecimento&#8221;. Juc\u00e9lia passou pela experi\u00eancia de ver seu nome numa lista de &#8220;pr\u00e9-candidatas&#8221; sem ter sido consultada. &#8220;Isso \u00e9 um descaso, uma falta de respeito para com a mulher e precisamos combater&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DOzkc3Rea20\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Quem tamb\u00e9m lamenta \u00e9 a vereadora <strong>Tania Regina Larson<\/strong>, candidata \u00e0 Deputada Estadual pelo Solidariedade. Tania n\u00e3o se elegeu, por\u00e9m continua cumprindo o mandato na C\u00e2mara de Vereadores de Joinville. Ela reafirma a opini\u00e3o de Juc\u00e9lia, de que os partidos inscrevem mulheres sem que elas tenham conhecimento e faz refer\u00eancia a uma pessoa que se candidatou na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o em troca de favores, pela necessidade de o partido preencher as cotas.<\/p>\n<p>A vereadora conta que \u00e9 muito comum pessoas se iludirem na pol\u00edtica. &#8220;Usam-na para ganhar tanques de gasolina e at\u00e9 cestas b\u00e1sicas&#8221;. Ela destaca a necessidade de valoriza\u00e7\u00e3o da mulher na pol\u00edtica:\u00a0 \u201cA mulher tem que se valorizar, tem que acreditar no potencial dela\u2019\u2019.<\/p>\n<p>A vota\u00e7\u00e3o zerada nas urnas tamb\u00e9m pode representar uma forma de protesto contra a falta de apoio do partido, conforme explica<strong> Tatiane Steil<\/strong>, que foi uma dessas mulheres de voto zero nas elei\u00e7\u00f5es municipais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/I7BITa8PNxo\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>O <strong>machismo<\/strong> \u00e9 uma das causas da dificuldade do envolvimento de mulheres na pol\u00edtica, ambiente ainda dominado pelo sexo masculino, al\u00e9m da posi\u00e7\u00e3o de supremacia dos homens nas religi\u00f5es. Esse foi o tema que Janice Mendes desenvolveu no seu trabalho de conclus\u00e3o de curso de Direito. Na pesquisa, ela investigou os agentes causadores da exclus\u00e3o da mulher na pol\u00edtica. Como resultado, ela aponta dois fatores: a cultura de que pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 &#8220;coisa para mulher&#8221;, mesmo conceito perpetuado por muitas religi\u00f5es. &#8220;\u00c9 preciso cada vez mais enfrentar essas ideias retr\u00f3gradas. Para haver um avan\u00e7o \u00e9 necess\u00e1rio estar inserida no processo eleitoral&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo com a participa\u00e7\u00e3o da mulher cada vez maior no mercado de trabalho, com a igualdade garantida pela Constitui\u00e7\u00e3o, <strong>Carla Hoffmann<\/strong> diz que a mulher ainda n\u00e3o se efetivou nos cargos pol\u00edticos porque a maioria dos homens n\u00e3o a quer na vida p\u00fablica. &#8220;O mundo masculino n\u00e3o enxerga a mulher com capacidade de decidir e com possibilidade real\u00a0de participa\u00e7\u00e3o nas carreiras pol\u00edticas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Carla narra um exemplo dessa postura machista, vivida logo ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o do resultado eleitoral, quando os homens tamb\u00e9m candidatos dirigiam-se a ela e diziam querer sua participa\u00e7\u00e3o como vice na chapa no pleito de 2020 para Prefeitura Municipal de S\u00e3o Bento do Sul Ela observa que, mesmo como quem faz um elogio, eles sempre colocam a mulher numa posi\u00e7\u00e3o inferior a deles, ou seja, como &#8220;vice&#8221;. Com educa\u00e7\u00e3o, ela se voltou a um deles e afirmou: &#8220;Obrigada, mas sou eu que quero voc\u00ea como vice na minha chapa&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6EYmLGjSQe0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>De maneira em geral, as mulheres entrevistadas nesta reportagem t\u00eam pensamentos similares em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 representatividade feminina dentro da pol\u00edtica. &#8220;A mulher hoje, aquela que \u00e9 l\u00edder, que luta por bandeiras, tem que botar o seu nome na pol\u00edtica, n\u00e3o somente por cota, mas sim pelo trabalho e para defender os direitos das mulheres\u2019\u2019, diz Tania Larson. Ela lamenta pelos coment\u00e1rios <strong>machistas<\/strong> recebidos em sua rede social: \u00a0\u201cMuitos homens ainda n\u00e3o valorizam a mulher e a gente tem que come\u00e7ar a mudar este quadro\u2019\u2019.<\/p>\n<p>Da mesma forma, <strong>Tatiana Barreto<\/strong>, que se candidatou \u00e0 Deputada Federal e \u00e9 filiada ao PSL, entende que a dificuldade da mulher para se inserir na pol\u00edtica \u00e9 igual em todos os partidos pol\u00edticos. &#8220;A mulher tem que bater de frente porque o homem tem o pensamento da domina\u00e7\u00e3o do seu territ\u00f3rio e a mulher tem a ideia pr\u00e9-estabelecida de que pol\u00edtica \u00e9 coisa de homem&#8221;, diz Tatiana. Ela recorre ao nome de Margareth Tatcher como exemplo de que essa cultura tem que mudar no Brasil, como aconteceu na Inglaterra. Tatcher, conhecida como a Dama de Ferro, foi primeira mulher a assumir o cargo de primeira-ministra do governo brit\u00e2nico, em 1979. Ela permaneceu no cargo por 11 anos.<\/p>\n<p>Bombeira volunt\u00e1ria e profissional de Assist\u00eancia Social no combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher, Tatiana se sente preparada para exercer, com efici\u00eancia, um cargo eletivo. &#8220;Eu sei, pela pr\u00e1tica, a necessidade que a mulher tem quando sai de uma delegacia e vai para a realidade da sua casa, dos reflexos na sa\u00fade e no seu psicol\u00f3gico&#8221;, afirma ela, que \u00e9 tamb\u00e9m estudante de Nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Atuar na pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 se candidatar a cargo eletivo&#8221;, explica <strong>Estela Menezes<\/strong>. As mulheres precisam tamb\u00e9m evoluir como eleitoras. Estela se mostra indignada quando ouve algumas dizerem que votam em um ou outro candidato porque \u00e9 bonito ou charmoso, sem analisar o seu verdadeiro potencial de governante ou legislador. &#8220;Nestas elei\u00e7\u00f5es de 2018&#8221;, constata a ex-candidata, &#8220;os eleitores de um modo geral deixaram de votar em grandes nomes com propostas honestas, para votar em quem tinha chance de se eleger conforme as pesquisas. O que vemos hoje \u00e9 a raiva e o \u00f3dio predominando nas campanhas\u201d, destaca a representante do Podemos.<\/p>\n<p>Ela enxerga a mulher com capacidade at\u00e9 maior que a do homem para exercer cargo eletivo e percebe que j\u00e1 passaram a ter mais confian\u00e7a e a votar mais nas pr\u00f3prias mulheres. &#8220;Eu percebi isso na campanha que eu fiz. Trabalhei apenas cinco dias com material oficial do partido e, apesar do pouco tempo, consegui 200 votos&#8221;. Apesar da quantidade de votos, ela considera que teve um resultado bom, pois trabalhou &#8220;sem dinheiro, sem material, a p\u00e9, no antigo estilo pol\u00edtico corpo a corpo, sem nenhuma estrutura, focada no bairro Costa e Silva&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi a primeira elei\u00e7\u00e3o em que Estela se candidatou, mas saiu mais satisfeita do que na anterior. Percebeu que est\u00e1 mais conhecida do que na primeira, por\u00e9m s\u00f3 voltar\u00e1 a concorrer se o partido lhe oferecer condi\u00e7\u00f5es. \u201cS\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel vencer uma elei\u00e7\u00e3o com estrutura e apoio partid\u00e1rio&#8221;, explica. Ela est\u00e1 convencida de que \u00e9 &#8220;conversando nas ruas com o eleitor que se ganha o voto&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ERRlQ9sdp-8\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica est\u00e1 tamb\u00e9m nos trabalhos volunt\u00e1rios, associa\u00e7\u00f5es de moradores ou ONGs. Na opini\u00e3o de Carla Hofmann, mulheres que fazem esse trabalho come\u00e7am a ter consci\u00eancia dos problemas e promovem uma participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pela vontade de mudan\u00e7a. &#8220;\u00c9 com o poder do cargo eletivo que a mulher vai participar efetivamente das decis\u00f5es. A muni\u00e7\u00e3o \u00e9 muito maior, com possibilidade maior de a\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Tania tamb\u00e9m acredita na import\u00e2ncia das experi\u00eancias aplicadas em trabalhos na comunidade de base para uma candidatura de sucesso. \u201cDesenvolver atividades no bairro, associa\u00e7\u00f5es beneficentes, igrejas \u00e9 importante para o candidato se tornar conhecido. \u00c9 um trabalho que pode levar anos para ser reconhecido. Tem que plantar pra colher na l\u00e1 na frente&#8221;. Ela cita a import\u00e2ncia de buscar um suporte para a elei\u00e7\u00e3o, um grupo para fortalecimento, n\u00e3o de politicagem, mas sim de ajuda \u00e0 comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yQy10GUmEkY\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9N2eH1E5F7M\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h3><strong>Um s\u00e9culo de luta pelos direitos pol\u00edticos<\/strong><\/h3>\n<p>As mulheres conquistaram o direito ao voto em 1932, durante o Governo de Get\u00falio Vargas. Mas nem todas podiam votar, apenas as casadas, com autoriza\u00e7\u00e3o do marido, ou as vi\u00favas e solteiras que tivessem renda pr\u00f3pria. Em 1934, as restri\u00e7\u00f5es do voto feminino foram retiradas da legisla\u00e7\u00e3o eleitoral e, em 1946, finalmente, a obrigatoriedade do voto foi estendida para todas as mulheres.<\/p>\n<p>A luta pela democracia da ala feminina \u00e9 anterior a essas datas, afinal elas tamb\u00e9m queriam o direito \u00e0 cidadania, em uma \u00e9poca na qual a mulher era considerada como um ser de \u00a0segunda classe, tendo a decis\u00e3o de seus atos tomadas pelos homens.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-985\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/infogr\u00e1fico-mulheres-na-pol\u00edtica.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"1376\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa contextualiza\u00e7\u00e3o faz parte de uma hist\u00f3ria muito recente do Brasil. Mesmo com todas essas conquistas, ainda \u00a0s\u00e3o necess\u00e1rias mudan\u00e7as para que elas consigam ocupar mais espa\u00e7o na pol\u00edtica brasileira. Passados 86 anos\u00a0 da libera\u00e7\u00e3o do voto feminino, a mulher \u00e9 maioria entre os eleitores, 52% , mas \u00e9 minoria em representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, somente 13% no Senado e 15% na C\u00e2mara Federal.<\/p>\n<p>A cultura machista \u00e9 apontada pela maioria das mulheres como o principal problema para a participa\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica. Mas a hist\u00f3ria mostra que o empoderamento e a mudan\u00e7a de comportamento da pr\u00f3pria mulher \u00e9 que fizeram com que as barreiras pudessem ser ultrapassadas e o homem passasse a enxerg\u00e1-las como pessoas importantes no processo pol\u00edtico e eleitoral do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A lei \u00a09.504\/97, em seu artigo 10, par\u00e1grafo terceiro, \u00a0determina que: cada partido ou coliga\u00e7\u00e3o preencher\u00e1 o m\u00ednimo de 30% e o m\u00e1ximo de 70% para candidaturas de cada sexo. Mesmo com essa legisla\u00e7\u00e3o, o principal desafio das legendas \u00e9 atrair mulheres que se filiem e estejam dispostas a lan\u00e7ar suas candidaturas.<\/p>\n<h3>TRE investiga candidaturas de &#8220;laranjas&#8221;<\/h3>\n<p>Marcos Aur\u00e9lio Fernandes, presidente do diret\u00f3rio municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) em Joinville, reconhece que houve evolu\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o eleitoral, mas que ampliar o quadro de mulheres candidatas ainda \u00e9 um desafio para os partidos. \u00a0Al\u00e9m disso, ele afirma que \u00e9 importante debater esse assunto, principalmente no cen\u00e1rio atual da pol\u00edtica. \u201cMesmo com as leis estimulando, h\u00e1 um questionamento, esse \u00e9 um debate do momento, a participa\u00e7\u00e3o da mulher na pol\u00edtica. Ao mesmo tempo, tem candidato \u00e0 presid\u00eancia da rep\u00fablica que n\u00e3o respeita isso.\u201d O ex-vereador tamb\u00e9m comenta que o pa\u00eds avan\u00e7ou muito em termos de legisla\u00e7\u00e3o eleitoral para mulheres, pois, al\u00e9m da cota de candidaturas, a nova legisla\u00e7\u00e3o sobre o fundo partid\u00e1rio tamb\u00e9m cria regras para que um percentual de 30% dos recursos obrigatoriamente \u00a0sejam gastos com candidatura femininas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_987\" aria-describedby=\"caption-attachment-987\" style=\"width: 4032px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-987 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Marquinhos-do-PT.jpeg\" alt=\"\" width=\"4032\" height=\"3024\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-987\" class=\"wp-caption-text\">Marquinhos, presidente do PT em Joinville, destaca import\u00e2ncia de lideran\u00e7as femininas no partido<\/figcaption><\/figure>\n<p>Marquinhos refor\u00e7a a import\u00e2ncia da fiscaliza\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o para que as mulheres n\u00e3o sejam usadas s\u00f3 como candidatas \u201claranjas\u201d, isso \u00e9, \u00a0quando s\u00f3 colocam o nome como candidata, mas, na realidade fazem campanha para angariar votos aos homens. \u201cO TRE, em Santa Catarina, vem agindo atrav\u00e9s de den\u00fancias de que, em alguns munic\u00edpios, houve coliga\u00e7\u00f5es nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2016 que colocaram mulheres somente para cumprir a cota. A den\u00fancia conseguiu provar que essas mulheres n\u00e3o fizeram campanha para elas, ou seja, comprova que estavam s\u00f3 para ludibriar, enganar a justi\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>O partido dos trabalhadores tem grande participa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica j\u00e1 de longa data. Em Santa Catarina, uma das precursoras \u00e9 Luci Teresinha Choinacki. Filiada ao partido desde 1982, ela foi eleita deputada estadual em 1986 e \u00fanica mulher na assembleia naquele ano. Foi deputada federal por quatro mandatos, (1990, 1999, 2003 e 2011). Para a regi\u00e3o norte catarinense, a refer\u00eancia do partido \u00e9 Ideli Salvatti, l\u00edder oper\u00e1ria e com hist\u00f3rica pol\u00edtica \u00a0na educa\u00e7\u00e3o e nas pastorais, foi eleita para\u00a0 assembleia legislativa de SC em 1995 e 1998. Em 2002, foi eleita a primeira senadora de Santa Catarina e, no governo Dilma, assumiu o Minist\u00e9rio da Pesca e Agricultura, cargo que ocupou at\u00e9 2011. Na esfera Nacional, o PT \u00e9 o \u00fanico partido que elegeu e reelegeu uma presidenta da rep\u00fablica por dois mandatos consecutivos. Dilma Rousseff assumiu o cargo logo ap\u00f3s o t\u00e9rmino do mandato do ex-presidente Lula e saiu em 2016 por meio de um processo de impeachment.<\/p>\n<h3>De olho na renova\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>M\u00e9ruli Peres Furquin, 30 anos, \u00e9 empres\u00e1ria e atualmente ocupa o cargo de vice-presidente do diret\u00f3rio municipal do Partido Social Liberal (PSL), em Joinville. Desde os quinze anos passou a acompanhar a pol\u00edtica em S\u00e3o Francisco do Sul, cidade em que morava na \u00e9poca. Chegou a participar das reuni\u00f5es da juventude do PT, por influ\u00eancia do pai. \u201cMas l\u00e1 vi coisas que n\u00e3o condizem com aquilo que eu acredito. Depois, com a maturidade, fui vendo que o modelo socialista que o PT adota n\u00e3o \u00e9 referencial, ainda mais por tudo que aconteceu\u201d, comenta. Continuou acompanhando os fatos pol\u00edticos e, nos \u00faltimos cinco anos, em especial, a hist\u00f3ria de Jair Bolsonaro. \u201cEle, me despertou conceitos e princ\u00edpios que eu tenho e que eu acho que \u00e9 o correto para a sociedade\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_986\" aria-describedby=\"caption-attachment-986\" style=\"width: 4032px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-986 size-full\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/M\u00e9ruli.jpeg\" alt=\"\" width=\"4032\" height=\"3024\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-986\" class=\"wp-caption-text\">Vice-presidente do diret\u00f3rio do PSL em Joinville, M\u00e9ruli Furquin interessa-se pela pol\u00edtica desde a adolesc\u00eancia<\/figcaption><\/figure>\n<p>A empres\u00e1ria diz que, no in\u00edcio, recebeu repres\u00e1lias, principalmente na igreja que frequenta, coment\u00e1rios de que mulher n\u00e3o tinha que estar envolvida com pol\u00edtica, mas, atualmente, percebe a mudan\u00e7a de comportamento dessas pessoas. \u201cElas admiram e incentivam, falam: \u2018voc\u00ea tem que continuar, a gente precisa de algu\u00e9m que nos represente\u2019\u201d, afirma. M\u00e9ruli comenta que, no partido, a maioria ainda \u00e9 homem, mas \u00e9 ela quem conduz as reuni\u00f5es. \u201cEles respeitam, s\u00e3o bem parceiros, n\u00e3o tem nenhum tipo de retalia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A militante do PSL afirma que a mulher representa renova\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica e que ela tamb\u00e9m quer fazer parte disso. \u201cEu, como mulher, quero representar uma limpeza, justi\u00e7a, at\u00e9 onde eu puder, quando ver que n\u00e3o d\u00e1 mais, que est\u00e1 dif\u00edcil, eu n\u00e3o vou atrelar a minha imagem a essas pessoas\u201d. Para M\u00e9rulli, no cen\u00e1rio pol\u00edtico atual, a principal refer\u00eancia feminina \u00e9 Janaina Paschoal (PSL), candidata pelo estado de S\u00e3o Paulo, eleita deputada estadual com vota\u00e7\u00e3o recorde em todo Brasil. \u201cEla \u00e9 uma mulher de fibra, de garra, que teve uma vota\u00e7\u00e3o como deputada estadual fora de s\u00e9rie. Fala aquilo que pensa\u201d. Em Santa Catarina, a empres\u00e1ria aponta Ana Caroline Campagnolo (PSL) como uma mulher de destaque. De Itaja\u00ed, aos 26 anos, foi eleita em 2018 como Deputada Estadual por Santa Catarina. A deputada eleita\u00a0Ana Caroline Campagnolo j\u00e1 enfrenta um inqu\u00e9rito civil, movido pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es de rep\u00fadio de entidades ligadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e da OAB-SC, porque no dia da elei\u00e7\u00e3o presidencial publicou um post em redes sociais incitando estudantes a utilizarem celulares para gravar o que ela chama de &#8220;doutrina\u00e7\u00e3o&#8221; de professores em sala de aula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fernanda Pereira \/ Leticia Rieper \/ Raquel Ramos \/Foto capa: Ag\u00eancia Nacional &nbsp; Das 513 cadeiras da C\u00e2mara Federal, 77 ser\u00e3o ocupadas por mulheres, na elei\u00e7\u00e3o anterior, foram 41. Apesar do acr\u00e9scimo de 51%, a quantidade ainda \u00e9 bem inferior \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos homens.\u00a0No Senado, o n\u00famero permaneceu o mesmo de 2010, com 7 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":989,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20,127,188],"tags":[260,200,261,187,185],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=984"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}