Estudo aponta falta de jornalismo rural em Joinville
Por Helena Bosse
Apesar de ser a cidade mais populosa do estado, Joinville possui espaço para a prática do jornalismo rural. Esta foi a conclusão a que chegou o acadêmico Leonardo Augusto Fernandes, após desenvolver sua pesquisa “A (In) visibilidade do meio rural no jornalismo de Joinville”, orientada pela professora Marília Crispi de Moraes. A apresentação para a banca avaliadora, composta pelas professoras Valdete Daufemback e Solange Engelmann, ocorreu na noite de terça-feira. O principal objetivo da monografia foi captar a percepção dos produtores e represantes de associações de Joinville sobre a abordagem jornalística de assuntos que interessam ao meio rural.
O acadêmico contextualizou a escolha do tema por meio de um resgate histórico que traçou uma linha desde a chegada dos imigrantes, passando pela onda migratória da década de 1970 até os dias atuais. Ele destacou que Joinville possui mais de 915 km² de área rural, embora apenas parte seja agricultável, e cerca de 18 mil pessoas vivendo no campo, 97% desse contingente formado por produtores da agricultura familiar. Leonardo também relatou a evolução dos veículos de comunicação rural que, inicialmente, visavam beneficiar às grandes companhias de insumos e máquinas agrícolas. Com o passar do tempo, o volume de informações e de pessoas interessadas ampliou a oferta de produtos jornalísticos voltados ao meio rural.
Em sua pesquisa, o estudante fez uma análise qualitativa, com entrevistas semiestruturadas a agricultores e lideranças rurais. Também houve pesquisa documental por meio da verificação das edições do jornal A Notícia no trimestre de setembro, outubro e novembro, a fim de verificar a frequência de temas rurais pautados e quais os assuntos abordados. Praticamente metade das publicações no período limitaram-se a informar cotações de produtos agrícolas.
Leonardo constatou que há a falta de conteúdo especializado e que a internet é um dos meios mais utilizados para buscar informações por esse público. “É perceptível que nem todos os entrevistados sabem o que é jornalismo, muito menos o que é jornalismo rural”, explicou. As entidades de classe também sentem necessidade de um veículo específico e, quando precisam divulgar algo, precisam ir até os veículos de comunicação.

Leonardo destacou o apoio da namorada Julia Nort durante toda a pesquisa
A professora Solange Engelmann disse que a pesquisa é importante, pois “traz uma fatia do jornalismo que é marginal na cidade”. Apontou correções sobre alguns conceitos, além de fazer contribuições para enriquecer a pesquisa, como, por exemplo, alguns marcos históricos a serem inseridos. Atentou também para a metodologia do estudo e elogiou as entrevistas feitas pelo acadêmico. Ela considerou que a análise qualitativa feita sobre as publicações do AN poderia ser mais explorada.
A professora Valdete Daufemback fez observações sobre o contexto histórico analisado pelo acadêmico e recomendou melhorar o recorte metodológico. Ela também ponderou que as entrevistas deveriam ter ocorrido no meio rural, no ambiente do agricultor. Valdete ainda alertou para a presença dos chamados “neorurais”, pessoas que decidiram deixar a cidade para viver no campo. Geralmente já possuem estabilidade econômica advinda de outros meios e passam a viver na área rural, mas sem a mesma relação com a terra vivida pelos agricultores tradicionais. Leonardo foi aprovado com nota 8,5.
