Acadêmico apresenta banca sobre representatividade negra no jornalismo de Santa Catarina
Por Fernanda Eliza da Silva
Com o título “Representatividade Negra no Jornalismo Catarinense: uma análise das grandes reportagens do Caderno Nós, Diário Catarinense”, Jeferson França foi o quarto acadêmico de jornalismo a apresentar sua monografia na quarta-feira (11). A banca avaliadora foi composta pela orientadora Maria Elisa Máximo e os avaliadores: Marco Aurélio Braga, jornalista e secretário de Comunicação da administração municipal, e a professora e historiadora Valdete Daufemback.
Jeferson começou sua defesa promovendo uma reflexão e questionando quantos negros havia no local. “Quero que perguntem a si mesmos se somos todos iguais ou se há aí um desnível”, disse. Havia mais pessoas brancas do que negras no recinto. Após o questionamento, o estudante continuou sua apresentação e explicou que a intenção da pesquisa é entender como os negros e sua cultura estavam inseridos nas reportagens e se havia um apagamento dessas histórias e a presença do racismo.
Durante sua fala, Jeferson também falou sobre o negro no Brasil, em Santa Catarina e sobre o sentido de raça, como isso pode ser alterado, dependendo dos contextos. Também abordou a construção do racismo.
Sobre a teoria jornalística, ele citou o surgimento da imprensa, o negro e sua inserção na mídia e o recorte estadual. Jeferson explicou que o Caderno Nós foi escolhido por conta do aprofundamento das reportagens, se comparadas às notícias.
Foram analisadas oito reportagens e a presença do negro em suas narrativas, lugar de fala, como fonte central ou secundária, além das observações de fotos e vídeos. Nas considerações finais da apresentação, o estudante reforçou a importância da discussão como forma de evitar que esse apagamento da história e da narrativa das vivências negras não se repita.
O convidado externo Marco Aurélio Braga foi o primeiro a comentar o trabalho. Ele disse que Jeferson cumpriu os objetivos propostos, deu atenção a essa história. Marco ainda lembrou que hoje, comparado a 20 anos atrás, há mais representatividade negra no jornalismo.
O jornalista comentou sobre como algumas frases escritas no trabalho incitaram nele a reflexão sobre esses silenciamentos da história do negro em Joinville e o fizeram relembrar de vários exemplos desses apagamentos. Sobre a análise, Marco comentou uma por uma e fez algumas observações de problemas técnicos que poderiam ter sido encontradas no caminho da produção dessas reportagens. Além disso, ele também fez uma crítica à prática jornalística na atualidade, como a falta de sensibilidade para se pensar matérias mais aprofundadas, como pede uma reportagem.
A professora Valdete começou sua avaliação emocionada. “Me tocou muito o seu trabalho”, declarou. A historiadora ressaltou o apagamento da história negra, principalmente em Joinville, e deu alguns exemplos sobre a vivência negra na cidade. “Eu gostei muito de como você escreve, na primeira pessoa, assumindo seu lugar de fala, um negro escrevendo esse trabalho”, ressaltou. Além disso, a avaliadora incentivou Jeferson a prosseguir pesquisando o tema. O trabalho foi aprovado com nota 9,5.

1 Comment
Parabéns , pelo tema abordado realmente essa questão do racismo ainda é muito presente como vc citou quantos formandos negros tinham eu sentia isso na escola só tinha eu de negra..
Que bom vc venceu.!
Que Deus abra as portas .