O que os estudantes de Jornalismo querem ser quando crescer?
Em um mercado cada vez mais diversificado, futuros jornalistas ampliam a visão sobre áreas de atuação.
Por: ELLEN SABRYNE GERBER

Quando ingressou no curso de Jornalismo, Julia Balsanelli, aluna da 7ª fase, imaginava um futuro na reportagem esportiva. A ideia era trabalhar próxima dos gramados, acompanhando competições e atuando diante das câmeras. Com o passar da graduação, porém, novos caminhos profissionais passaram a chamar sua atenção.
“Não sabia que existiam tantas áreas de atuação. Quando entrei, até me surpreendi com tantas vertentes que o jornalismo tem”, afirma.
A descoberta da estudante acompanha uma transformação observada no próprio mercado de trabalho. De acordo com a pesquisa Perfil do Jornalista Brasileiro, realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), 34% dos jornalistas brasileiros atuam fora da mídia tradicional. Entre as principais áreas estão a assessoria de imprensa, a comunicação corporativa, a comunicação pública e a produção audiovisual.
No caso de Julia, a mudança de perspectiva começou durante um estágio na Prefeitura de Itapoá.“Comecei a tomar gosto pela assessoria de imprensa e depois, quando tivemos essa disciplina na faculdade, isso só confirmou o meu interesse”, conta.
Hoje a estudante vê na área uma possibilidade de carreira tão atraente quanto a reportagem. “Me atrai a estabilidade. Pensando em outras áreas da minha vida, acredito que a assessoria me daria mais tempo para isso. Também gosto de política e gostaria de trabalhar como assessora em uma prefeitura ou câmara.”
Além da Redação

A percepção de que o jornalismo oferece possibilidades muito além das redações foi tema da primeira noite do Jornalismo Muda o Mundo, na última terça-feira (16). Com o tema “Além da Redação”, o evento promovido pela 5ª fase do curso de Jornalismo reuniu cerca de 70 estudantes para discutir diferentes trajetórias profissionais dentro da comunicação.
Entre as convidadas para o painel “Do outro lado da pauta”, estava Carolina Winter, jornalista formada pelo IELUSC e atualmente executiva de Expansão na Primeira Via Comunicação Integrada. Para iniciar a conversa, ela propôs uma interação com o público, perguntando quais funções os estudantes associavam ao trabalho de um jornalista além da redação.

Ao compartilhar sua trajetória profissional, Carolina mostrou que a carreira pode passar por diferentes áreas. Antes de atuar na comunicação empresarial e na expansão de negócios, trabalhou como repórter, assessora de imprensa e investiu em formações voltadas ao desenvolvimento humano. Segundo ela, cada etapa contribuiu para o desenvolvimento de habilidades que seguemsendo valiosas em qualquer área da comunicação.
“Quanto mais tecnologia se incorpora ao processo, maior é o valor das nossas competências humanas”, afirmou. Para a jornalista, competências como escuta, empatia, curiosidade e capacidade de relacionamento tendem a se tornar ainda mais importantes em um cenário marcado pelas transformações tecnológicas.
Carolina também incentivou os estudantes a explorarem diferentes possibilidades ao longo da carreira. “Existem muitos caminhos possíveis para quem escolhe o jornalismo, desde que seja um eterno curioso e corajoso para novos conhecimentos”, destacou.
Ao refletir sobre sua própria trajetória, resumiu a influência da profissão em sua vida: “O jornalismo muda o mundo, mas o jornalismo muda a gente também”.
Outra convidada do painel foi Graziéli Bottari, produtora da NSC TV. Formada há mais de dez anos e especialista em Assessoria de Comunicação e Marketing, ela contou que ingressou no curso sonhando em ser repórter, mas encontrou nos bastidores uma forma diferente de fazer jornalismo.
“Na produção a gente não é percebido muitas vezes, mas nada sai sem passar pelo produtor”, destacou.

Durante a conversa, Graziéli explicou que o trabalho envolve descobrir pautas, convencer fontes a conceder entrevistas, lidar com imprevistos variados e garantir que as histórias cheguem ao público da melhor forma possível.
A produtora também destacou o impacto social da profissão ao relembrar reportagens que contribuíram para campanhas de conscientização e mobilização da sociedade.
“A gente acha que só fazendo grandes reportagens muda o mundo, mas é muito além disso. A gente dá voz para muita gente que não tem”, afirmou. Ao final, deixou um conselho aos estudantes: “Não se apaixonem pelo cargo, mas pelo jornalismo em si.”
O jornalista que cada um quer ser
A caloura Eloisa Paiano, de 18 anos, também afirma ter ampliado sua visão sobre a profissão desde que ingressou na graduação. Inicialmente interessada apenas no radiojornalismo, hoje ela considera outras possibilidades dentro da área.
“O contato com os profissionais convidados ajudou a compreender melhor o dia a dia e as habilidades necessárias para cada área”, afirma. “Frequentemente penso em trabalhar com assessoria de comunicação, algo que quando entrei no curso nem entendia direito o que era.”
Para ela, a principal descoberta foi perceber que o jornalista não precisa permanecer na mesma função durante toda a carreira. “O que mais me surpreendeu foi perceber que um jornalista pode experimentar e vivenciar diferentes possibilidades dentro do jornalismo ao longo da sua trajetória.”
