Memória local: conheça a Associação de Moradores do Vila Nova na série especial da Revi
Criada em meados de 1980, a Amavi mantém atuação ativa na comunidade, promovendo ações sociais, representatividade junto ao poder público e fortalecendo o espírito coletivo do bairro
Local que cresceu junto com a organização comunitária, o bairro Vila Nova surgiu no início da década de 1980 e, pouco tempo depois, seus moradores perceberam a necessidade de organização coletiva. Foi nesse contexto que nasceu a Associação de Moradores do Bairro Vila Nova (Amavi).
“A associação foi criada logo após o surgimento do bairro, quando alguns moradores sentiram a necessidade de reunir a comunidade para buscar melhorias e criar um espaço que pudesse ser utilizado por todos”, explica o atual presidente, Jackson Seidel.
Segundo ele, desde o início o objetivo era claro: fortalecer o bairro e atuar como ponte entre a população e o poder público. “Claro que envolve a questão política, no sentido de ser um elo de ligação entre a comunidade e os órgãos públicos”, destaca.
Das primeiras reuniões à consolidação
As primeiras reuniões da associação aconteceram na então recém-criada Escola Valentim da Rocha, hoje localizada ao lado do Terminal do Vila Nova. Anos depois, os encontros passaram a ocorrer na Igreja Católica da rua Joaquim Girardi.
“Houve a intenção de estabelecer uma sede própria, mas por diferenças de ideias na época isso acabou não se concretizando”, relembra Jackson.
Atualmente, a associação mantém toda a documentação regularizada e possui os títulos de utilidade pública municipal e estadual. O reconhecimento é concedido às entidades que comprovam regularidade jurídica, prestação de contas em dia e atuação de interesse coletivo.
Na prática, o certificado de utilidade pública estadual permite que a associação esteja apta a pleitear recursos por meio de emendas parlamentares junto a deputados estaduais e federais. Esses recursos podem ser destinados, por exemplo, à reforma da própria sede, à melhoria de espaços comunitários como creches e praças, entre outras demandas do bairro. O reconhecimento, portanto, amplia a possibilidade de captação de investimentos para projetos locais.
O que segundo a liderança da instituição, reforça a seriedade do trabalho feito na Amavi.

A presidência está em seu quarto mandato sob a liderança de Jackson Seidel, eleito por meio de processo aberto à comunidade a cada dois anos. A diretoria é composta por moradores engajados, incluindo sua esposa, que exerce a função de secretária.
Segundo o presidente, a Amavi é uma das poucas associações do bairro, e da cidade, que seguem em funcionamento contínuo e com a documentação em dia, fator que contribui para a credibilidade da entidade. “Somos uma das únicas associações que ainda estão em funcionamento e com toda a documentação regularizada”, destaca.
Ações sociais e apoio à comunidade
Instituição sem fins lucrativos, a Amavi utiliza um espaço cedido pela Prefeitura para suas atividades. A manutenção do local ocorre por meio de eventos destinados à arrecadação de recursos para custear despesas como água e energia elétrica.
Entre as principais iniciativas está o projeto Lacre Solidário, que mobiliza moradores em torno da arrecadação de lacres de latinhas.
“Hoje quem faz essa troca para nós é o Rotary Club aqui de Joinville. É uma forma simbólica de desenvolver o projeto, mas o que realmente importa é o valor que esses lacres geram”, explica Jackson.
Segundo ele, os lacres arrecadados poderiam ser vendidos diretamente a recicladores, com o valor revertido para a compra de equipamentos como cadeiras de rodas, muletas, camas hospitalares e outros materiais. No entanto, a parceria com o Rotary facilita o processo, já que a entidade realiza a venda em maior volume e consegue adquirir os equipamentos por valores mais acessíveis.
“A cada quantidade arrecadada, conseguimos trocar por materiais hospitalares. Esses equipamentos depois são emprestados gratuitamente à comunidade por um período determinado”, detalha.
Além de viabilizar a aquisição dos itens, o projeto também fortalece o engajamento local. A associação mantém pontos de coleta na sede e em estabelecimentos parceiros, o que incentiva a participação dos moradores e amplia o alcance da iniciativa.
A associação também disponibiliza o espaço para a realização de encontros de casais promovidos por grupos religiosos da comunidade. Atualmente, dois grupos utilizam a sede duas vezes por semana para reuniões voltadas ao fortalecimento do matrimônio e à orientação familiar.

Os encontros seguem uma dinâmica comum em diversas igrejas, oferecendo apoio a casais que desejam fortalecer o relacionamento ou enfrentar conflitos. Como nem sempre as igrejas dispõem de local ou horários disponíveis, a associação cede o espaço como forma de apoio comunitário. Um dos integrantes da diretoria também atua na organização dos grupos.
Além dessas atividades, a entidade realiza reuniões mensais abertas para encaminhamento de demandas da população e presta apoio a ações beneficentes promovidas no bairro.
Projetos e perspectivas
Entre os planos da atual gestão estão o aumento da participação da comunidade nas reuniões e ações promovidas, além da reforma e manutenção da sede. Atualmente a Associação de Moradores do bairro se encontra na Rua Leopoldo Beninca, nº255, em um espaço cedido pela prefeitura.
“Queremos ampliar a participação da comunidade e melhorar nosso espaço, inclusive com a aquisição de uma TV ou projetor para usar nas reuniões”, projeta o presidente.
Com mais de 40 anos de atuação, a Associação de Moradores Vila Nova mantém seu compromisso com a representatividade e o desenvolvimento comunitário. Ao investir na participação popular e na melhoria de sua estrutura, a entidade reforça seu papel histórico como instrumento de articulação entre moradores e poder público, consolidando-se como referência de organização comunitária no bairro.
