Webdocumentário narra lutas de família indígena
No dia 23 de março de 2021, a família de Thaynã Santana Sampaio de Araújo e Dorval Pereira Tavares, casal indígena, da etnia Deni, foi surpreendida por uma ação de despejo, coordenada pela Secretaria do Meio Ambiente de Joinville (SAMA). A operação, marcada pela truculência policial e pelo preconceito, repercutiu na mídia local, e até fora do município. A casa não foi ao chão, mas a família ainda convive com o medo e com o preconceito. São 13 adultos e 22 crianças. Para contar essa história de luta, os estudantes Kevin Eduardo da Silva e Pedro Novais produziram um webdocumentário. “Vivemos Aqui” tem quatro episódios em vídeo, com duração de 7 a 10 minutos cada um.
Além dos vídeos, há textos e infográficos que complementam a narrativa. O trabalho contou com a orientação da professora Kérley Winques, direção de arte de Noah Rosa (estudante de Publicidade e Propaganda), programação de Lucas Leoni (estudante de Sistemas para Internet).

Na noite de quarta-feira, os estudantes apresentaram seu projeto experimental à banca avaliadora, formada pela antropóloga Maria Elisa Máximo e pela jornalista e documentarista Bárbara Elice Silva. “Finalizar a faculdade com esse projeto me deixa muito orgulhoso. Orgulhoso de tudo o que construímos junto aos Deni. O jornalismo é fundamental à sociedade, e ele precisa estar ao lado de histórias reais, pessoas reais. Reproduzir sempre a versão oficial, de quem tem poder, não deve ser a práxis da nossa profissão. A práxis é sujar as botas! E foi isso que o Pedro e eu fizemos”, explica Kevin.
A partir do webdocumentário, Bárbara e Maria Elisa fizeram uma profunda reflexão sobre a realidade dos povos indígenas no Brasil e sobre a dívida que a sociedade tem para com essas pessoas. “Para além do jornalismo em si, vocês realizaram uma verdadeira imersão etnográfica”, afirmou Bárbara. Maria Elisa também destacou que os estudantes realmente praticaram o jornalismo-denúncia, expondo uma realidade que é tão negligenciada pela mídia joinvilense.
Emocionada, a professora Kérley também enfatizou: “vocês praticaram o jornalismo que realmente se espera, o jornalismo do qual sentimos orgulho”. O projeto foi aprovado com nota 10 e recomendação de que seja inscrito em premiações.

