Estudantes de escola de Joinville enfrentam desafios no período noturno
Rotinas de trabalho, itinerários e estudos pré-vestibular pressionam alunos na preparação para o Enem
Por: Estudantes do Terceirão noturno da E.E.B. Profª Juracy Maria Brosig.
A poucos dias do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), que ocorre dia 13 e 20 de novembro, estudantes que trabalham, fazem cursos durante o dia e estudam de noite em escola pública manifestam suas dificuldades e frustrações com o ensino básico brasileiro.
Na visão de Amanda Romanovicz, de 18 anos, estudante da Escola de Educação Básica Professora Juracy Maria Brosig, os maiores problemas enfrentados são horários, qualidade de ensino e organização. “Eu acho que os professores poderiam encontrar maneiras diferentes de aplicar atividades para alunos do período noturno.”
Natiele dos Santos Novacoski, de 18 anos, também estudante, explica a rotina de estudos e quais os desafios que enfrenta. Assista ao vídeo:
A respeito da dificuldade em relação aos horários de entrada na escola, a reportagem buscou entender de onde vêm as diretrizes para esta iniciativa da direção. Escute o material radiofônico produzido:
Charles Nosol Bazzanella é professor de química da rede estadual de ensino. Para ele, o maior desafio do ensino noturno é a ausência dos estudantes em sala de aula, o que dificulta a sequência didática. “Temos aulas, geralmente, nas segundas e sextas, quando os alunos faltam com mais frequência por exaustão do trabalho.”
O professor de História, Denilson Wessling, pensa da mesma maneira.
Apesar das dificuldades, os estudantes de ensino médio que pretendem seguir para o ensino superior deverão fazer o Enem. Em redes sociais, usuários expressam ansiedade com tom de humor.
No período de 2010 a 2021, conforme Indicadores Educacionais de Santa Catarina, o número de matrículas no ensino médio cresceu 7,38%. Por outro lado, as taxas de reprovação e abandono de estudantes do ensino médio no estado são piores em escolas públicas e estaduais.

No contexto internacional, a educação brasileira é uma das piores. O Estado ocupa a 59ª posição entre 63 países avaliados no ranking global. É o que aponta o relatório IMD World Competitiveness, realizado pelo International Institute of Management Development (IMD), sediado na Suíça.
Contextualização
Esta reportagem multimídia é resultado de uma oficina realizada na Escola de Educação Básica Professora Juracy Maria Brosig, localizada no bairro Paranaguamirim. Os autores deste material foram os próprios alunos dos terceiros anos do período noturno, orientados pelos estudantes da sexta fase de Jornalismo da Faculdade Ielusc, Luiz dos Anjos, Marcelo Antunes do Amaral e Otávio Laurindo.

