Ex-bailarina do Bolshoi ensina balé clássico na Índia
Perfil por Lara Bianca Costa Oliveira e Maira Silveira.
“Eu não estou com medo.” Foi isso que Thaís Ribeiro disse, aos 10 anos, quando foi aprovada para estudar na Escola do Teatro Bolshoi, em Joinville. Ela nunca havia feito aulas de balé antes. Hoje, quinze anos depois, ela leciona dança na única escola de balé do Rajastão, na Índia.
A bailarina acompanhava a escola de balé Grand Ballon nas redes sociais desde 2022 e, em 2024, foi convidada para ser professora na instituição. Determinada, aceitou a proposta. Ciente da escassez do ensino de balé na região, Thaís precisou arcar com os custos da viagem, mesmo após receber o convite. Como o trabalho já estava garantido, decidiu aceitar os riscos, encarar a distância e aceitar o desafio, mesmo sem ter nenhum contato na cidade indiana.
“Quando eu era mais nova, ouvia músicas indianas e pensava: ‘meu Deus, quero muito conhecer esse lugar.’ Essa ideia ficou adormecida por anos, até que surgiu essa oportunidade”, conta. Essa circunstância se juntou a outra meta de sua vida: ensinar.
Thaís conseguiu seu diploma aos 19 anos, mas desde os 13 já acalentava a vontade de ser professora de dança. “Nunca consegui me ver em um escritório, por exemplo, sempre me vi em uma escola de balé.” Desde os 16 anos ela se dedica inteiramente ao estudo da dança clássica com foco no ensino em vez de seguir a carreira como bailarina profissional.
A pequena Thaís já tinha feito aulas de ginástica artística, canto, flauta, bordado e, surpreendentemente, foi aprovada no processo seletivo do Bolshoi em 2010, mesmo sem ter feito nenhuma aula de balé. “No começo, eu não tinha muita noção do que exatamente era o Bolshoi, nem como a seleção para entrar na escola era tão competitiva. Isso me deixou tranquila durante todo o processo e me ajudou a passar nos testes”, analisa a bailarina.
A vida no Oriente

Atualmente Thaís Ribeiro mora na Índia, junto com o seu marido, Adriano Pedro, 26, que também é bailarino.
“A ida para a Índia nunca foi um desejo meu, fui totalmente influenciado pelo sonho da Thaís”, revela Adriano. Apesar da dificuldade de aprender um novo idioma, ele não se arrepende de ter embarcado na ideia da amada. “A distância da família é algo que pesa bastante, mas, graças à tecnologia e às facilidades de hoje, como chamadas de vídeo e mensagens no WhatsApp, tudo acaba ficando mais leve.”
Para Thaís, a vida na Índia é um sonho realizado. “Ver minhas alunas aprendendo, entendendo o balé e percebendo que elas também podem se tornar bailarinas é extremamente gratificante”, relata.
Em julho de 2025, ela esteve presente no 42° Festival de Dança de Joinville e aproveitou a oportunidade para rever os familiares pessoalmente. “Minha família sempre vibrou junto comigo e participou de tudo, e isso realmente fez diferença.” Por isso, apesar dos desafios, Thaís Ribeiro segue corajosa atrás dos seus sonhos.
