Futebol e solidariedade: conheça o projeto social ‘Jogando com Fé’
Em situações de vulnerabilidade social, a solidariedade e o futebol entram em campo para ajudar diversas pessoas e famílias. O ‘Jogando com Fé’ é um projeto social criado no ano de 2015, no bairro João Costa, por Luis Fernando Alonso de Cysne, conhecido como Nandinho.
Pertencente a uma família praticante do catolicismo, Nandinho tem experiência com auxílio em pastorais e também com pessoas que passam por dificuldades. Porém, em um certo dia, sua família se viu no lugar daquelas que tanto ajudaram. Um primo dele necessitou fazer uma cirurgia de uma doença rara na cabeça, no valor de R$ 40 mil. “Ali a gente sentiu na pele o que é precisar do povo”, comentou Fernando.
Se passaram dois anos, e em uma ida ao supermercado, ele se deparou com uma caixinha de arrecadação para uma criança com leucemia. Nesse momento, ele teve a ideia de reunir pessoas conhecidas e realizar um futebol para arrecadar doações para o menino. Contactando conhecidos, Fernando conseguiu dinheiro para o churrasco do evento, aluguel da quadra e claro, as doações para o menino com os que participaram. “Quando ele chegou no evento, foi um momento muito forte e emocionante. Até quem não estava junto no evento se emocionou e após, contribuiu também” disse Nandinho. Naquele momento ele sentiu um chamado. Após esse evento, já vieram outros, não apenas de futebol, mas pagodes, rifas e bingos.
Durante dois anos, ele foi realizando diversos eventos sociais com foco em arrecadar fundos para ajudar outras pessoas. Em 2017, vendo ao seu redor diversas ONGs (Organização Não Governamental), decidiu dar um nome ao seu projeto, surgindo o ‘Jogando com Fé’. Nesse momento também houve a criação do grupo no Whatsapp, onde hoje possui 68 voluntários. É por ali que chegam as demandas e pedidos de ajuda, espalhados não somente por Joinville, mas por Araquari e Balneário Barra do Sul também. Todos se desdobram como podem para auxiliar nos trabalhos.

O projeto atende diversos casos, como: pessoas com doenças, famílias que não conseguem trabalhar por conta que necessitam cuidar de alguém que está passando por algum tratamento de saúde. Além de pessoas desempregadas, que estão afastadas do trabalho por algum tipo de incapacidade ou até mesmo que precisam de ajuda financeira no esporte para disputa de competições. Todos os pedidos são analisados e, em alguns casos, até realizada uma entrevista para entender o propósito e se de fato há aquela necessidade.
Esses auxílios chegam por meio de cestas básicas, dinheiro, fraldas, roupas e também equipamentos, como cadeiras de rodas e camas hospitalares. Isso tudo, sendo de propriedade do projeto, sendo possível emprestar gratuitamente. Questionado sobre algum caso que tenha o marcado, ele afirmou: “Nesse meio a gente fica meio frio, calejado, pois são muitas situações de saúde. A prioridade do projeto é o auxílio para quem está passando por problemas de saúde. Nada mais me surpreende, já vi muitas coisas tristes.”

Segundo o fundador, os eventos não seguem uma agenda estipulada, eles vão surgindo conforme aparecem necessidades da comunidade. Com os resultados desses futebóis, feijoadas, rifas, há uma análise dos casos mais críticos, e aí ocorre a distribuição do arrecadado. Com anos de projeto, diversas parcerias ajudam nos eventos, sendo com a disponibilização de quadras, campos ou espaços gratuitamente. Outros com pães e linguicinha.
Nos últimos anos, o projeto também comercializa produtos próprios, como camisas, bonés e meias. Toda arrecadação de vendas vão para as ações. Segundo ele, nunca imaginou tomar essa proporção: “Hoje eu sinto que não vivo sem, quero fazer até meu último dia de vida. É meu estilo e filosofia de vida, não imaginei que chegaria nesse tamanho.”
Fernando comentou sobre uma grande surpresa durante a pandemia, um dos momentos mais difíceis da nossa atual sociedade. Segundo ele, foram mais de 400 cestas básicas doadas. “O momento da pandemia foi o que mais arrecadamos. O povo viu que estava difícil para todos”, comentou.

Junto a comunidade
Além das ações de solidariedade e auxílio a pessoas necessitadas, o projeto também contempla atividades para comunidade. O único ativo no momento é a escolinha de futebol, porém já houveram cursos de gestantes, aulas de capoeira e até curso de inteligência artificial. “O projeto começou a pensar não só nas ajudas emergentes ou assistencialismo, mas também em gerar conhecimento e estudo para as crianças de baixa renda da comunidade”, comentou Nandinho. A escolinha de futebol, que dura até hoje, surgiu em 2021, na Associação de Moradores da Santa Izabel. Hoje, se encontra na quadra da Escola Municipal João Costa, com 45 alunos. “Hoje o futebol se tornou caro, nem todos os pais tem condições de colocar o filho em uma escolinha […]Cobramos o boletim, educação, para ter disciplina. Um exemplo foram dois alunos suspensos por um mês, pois chegou até nós que se envolveram em uma briga.”

Planos futuros
Para o futuro, Nandinho sonha com uma sala própria para o projeto, podendo dar uma estrutura para a comunidade, ofertando cursos básicos como de elétrica, aula básica de inglês, reforço de matemática. “Isso faz a diferença. Se a gente conseguir captar 80 crianças, 10 tu conseguir mudar a vida, já é uma grande vitória”, afirma o fundador. O projeto já chegou a pensar em se tornar uma ONG regularizada na prefeitura da cidade, porém esbarra na burocracia e gastos.
Para doações e parcerias:
Contato: 47 996341822
Instagram: @jogandocomfejlle
