Aula inaugural de jornalismo discute carreira, a importância da criação de repertório e o futuro da profissão
A jornalista Beatriz de Araujo Cavenaghi conduziu, na noite de ontem, a aula inaugural do curso de Jornalismo e trouxe reflexões acerca da profissão de jornalista.
Por Isabele Meurer
“Qual universo te encanta?”. Essa foi a pergunta que permeou a aula inaugural do curso de Jornalismo, na noite de ontem, 19. A jornalista Beatriz de Araujo Cavenaghi convidou todos a refletirem sobre a carreira do jornalista na atualidade e os caminhos possíveis para o futuro, além de provocar os acadêmicos para que, desde já, comecem a experienciar situações diversas, relacionados diretamente ao jornalismo ou não. “É importante pensar em qual universo nos encaixamos e usar as ferramentas do jornalismo para contar história, traduzir e ler contextos”, comentou Beatriz.
A noite iniciou com homenagens e muita emoção. O jornalista e comunicador Nathan Honczaryk Farias, a jornalista Sara Lins e a professora mestra e jornalista, Letícia de Castro, egressos de Jornalismo do Ielusc, relembraram momentos marcantes de Beatriz Cavenaghi como professora da Instituição, onde atuou entre 2013 e 2021. Destacaram a participação de Beatriz como uma das idealizadoras do evento “Jornalismo muda o mundo”, que faz parte hoje do calendário anual do curso.

Beatriz de Araujo Cavenaghi é jornalista, mestre em Jornalismo e doutora em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), além de sommelier de vinhos.
A jornalista, a partir de ampla experiência, possibilitou um momento de troca de conhecimento e descobertas, intitulado por ela como: “Caminhos do jornalismo: do estúdio de TV à taça de vinho”. Beatriz ressaltou o quanto o jornalista, hoje, precisa estar preparado e instrumentalizado para aumentar o campo de atuação. A criação de repertório foi fala recorrente durante a noite, pois, segundo ela, é importante que o acadêmico, ao iniciar o curso de jornalismo, saiba que, quanto mais diversificadas forem as experiências e conhecimentos que adquirir, mais vastas serão as oportunidades de atuação. “O campo do jornalismo só é restrito para quem tem repertório limitado.”, lembrou Bea, como é conhecida.
No decorrer da noite, a palestrante passou por temas como, o bom uso da inteligência artificial (IA), que, para a jornalista, deve servir como ferramenta de otimização do tempo e rotina, além de auxiliar em pesquisas e ampliação de repertório. “Quem ainda usa IA apenas para escrever e melhorar texto está perdendo tempo”, destacou. Além disso, ressaltou a necessidade do jornalista não ficar limitado ao mercado tradicional, como TV, Rádio e redações. Ainda que seja uma possibilidade, para ela, está cada vez mais difícil conseguir espaço nessa área, além de, nem sempre ser a melhor opção no que diz respeito à qualidade de vida e gestão de tempo e carreira.
Durante a fala, Beatriz compartilhou como foi o início de sua trajetória como jornalista, desde estágios na faculdade, em jornais comunitários e um concurso de contos, do qual foi vencedora. Tudo isso, segundo ela, possibilitou a criação de repertório, obtenção de traquejo jornalístico e capacidade de “ler” os bastidores, habilidades que foram fundamentais para ocupar outros espaços no futuro.
Sobre as primeiras experiências, na TV Justiça, Band TV, em quem apresentou uma programa de variedades, na TV Câmara e como radialista na Rádio Atlântida, destacou o quanto pôde aprender e entender melhor aquilo que realmente gostava de fazer.

Hoje, Beatriz faz gestão de comunicação institucional para a Associação de Magistrados Catarinenses (AMC) e para a Escola Superior de Magistratura do Estado de Santa Catarina (ESMESC). Também ministra aulas de degustação de vinhos para grupos, fruto do conhecimento como sommelier de vinhos.
Ao final da aula, os acadêmicos fizeram perguntas sobre as experiências da professora e jornalista, pediram conselhos sobre como proceder em determinadas situações da profissão e compartilharam trajetórias e vivências. Além disso, a partir das provocações da aula, surgiu a ideia, entre os acadêmicos, de fazerem uma viagem cultural para São Paulo, como forma de ampliar o repertório de conhecimentos e experiências.
