Série de ‘Off Campus’ abraça clichê com romance universitário e muita química
Por Camila Bosco
Nessa última quarta-feira (13 de maio), a plataforma de streaming Amazon Prime estreou a nova série do romance adolescente que promete aquecer os corações com uma pitada de jogos de hóquei, drama e romance.
Baseado na saga de livros de “Amores Improváveis”, Off Campus é uma trama que traz uma dose de clichê adolescente, quando o novo capitão do time de hóquei Garrett Graham (interpretado por Belmont Cameli) se depara com seu posto no time sendo ameaçado devido às notas baixas na universidade, ele então procura por Hannah Wells (Ella Bright) a nerd que pode ajudá-lo com os estudos. Como forma de convencê-la, ele propõe um acordo, se Hannah o ajudar com os estudos ele irá ajudá-la a conquistar Justin Kohl (Josh Heuston), grande paixonite da estudante.
A “farofa” (termo usado para referir-se que o livro não é uma obra-prima de alta literatura, mas é divertido e cumpre o papel de entreter) acompanha um tempero de cenas quentes que prometem levar os espectadores de um bom romance à loucura.
Os fãs dos livros da autora Elle Keneddy podem ficar tranquilos, a nova adaptação dos livros da escritora canadense cumpre o que promete. Depois do sucesso da série O Verão que Mudou Minha Vida, a Amazon Prime arrisca em trazer mais uma adaptação que vai prender o público.
É de relevância destacar que por ser uma adaptação literária, a série Off Campus não leva todas as camadas da literatura para as telas, sendo necessário entender que cabe a série mostrar a essência da atuação dos personagens. Nesse quesito, a obra não perde a essência dos romances. A química entre os atores funciona perfeitamente, é como ver os próprios personagens fora das páginas.
Ah, caso você se pergunte se é necessário ler os livros ou saber sobre hóquei para acompanhar a série, pode ficar tranquilo pois o espírito da trama deixa tudo muito claro ao espectador.
🚨Atenção Spoilers abaixo: CONSIDERAÇÕES ENTRE LITERATURA E AUDIOVISUAL🚨
Como uma boa leitora dos livros de Elle Kennedy preciso afirmar que caso você seja como eu, para assistir Off Campus é necessário desapegar-se levemente (e talvez até tristemente) das muitas páginas escritas pela canadense. Isso porque, como uma boa adaptação, muitas mudanças acontecem e foram necessárias para manter um roteiro firme e coeso da história audiovisual.
Entre os gatilhos sobre violência doméstica e de abuso sexual, o roteiro de Off Campus acerta em aprofundar-se nos conflitos, diferente dos traumas dos personagens sendo tratados de modo mais raso na literatura. Através de pequenos lapsos de memória, é possível sentir-se junto ao personagem e entender cada situação.
O roteiro utiliza a figura de Phil Graham para explorar o trauma e a insegurança por trás da fachada de capitão do time. A visita de Hannah à casa da família Graham é o divisor de águas, o quarto de infância do namorado virou um santuário para o ex-jogador Phil Graham. Ela enxerga as cicatrizes deixadas nele pela violência e pela perda da mãe. É uma das cenas em que os atores demonstram a fraqueza de seus personagens.
Por outro lado da história, fico contente que a série apresente um aprofundamento maior da relação entre Hannah e Justin, diferente dos livros em que ele é apenas um figurantes, na série Justin Kohl ganha destaque ao aparecer como o personagem que auxilia Hannah a participar do festival de música. No entanto, um detalhe importante de observar é que por mais que ambos gostem de cantar, a música não os une como previsto, a série demonstra que nem sempre uma paixão em comum irá unir um casal que não está determinado. Dessa forma, os protagonistas continuam sendo Hannah e Garrett, que fogem do triângulo amoroso que parecia estar criando raizes.

No que se refere ao grupo de amigos de Graham, a série toma liberdades estratégicas. Um exemplo é a escolha de Hannah de beijar John Logan (Antonio Cipriano), e não Dean DiLaurentis (Stephen Kalyn) como ocorre na obra original. Essa alteração é claramente um recurso do roteiro para já estabelecer o arco dramático de Logan, preparando o público para o protagonismo do jogador nas temporadas futuras, criando uma ponte com o desenvolvimento do jogador que tentará esquece-lá.
Ainda sobre a quantidade de referências à outros livros do universo da saga, tais como a citação do nome da personagem Grace Ivers, que viverá um romance com jogador John Tucker em A Conquista, no quarto volume da série de livros. Enquanto isso, o que nos livros acontece apenas no terceiro livro (em “O Jogo”) a relação de Allie Hayes (por Mika Abdalla) e Dean Di Laurentis começam a dar os primeiros passos de um romance prestes a surgir já na primeira temporada, o que levanta questionamentos de como serão as próximas temporadas da série: Como será o desenvolvimento de um casal que não deveria surgir neste momento?.
Não é difícil concordar que a química fervente entre entre os atores quase transforma o espectador no figurante da história, curioso e movido pelos próximos eventos, querendo mais episódios para ver a reação dos amigos do casal.
Confesso que, como leitora, os primeiros episódios foram um desafio. O apego à história original cria uma resistência natural às mudanças, mas, com o passar dos capítulos, percebi que essas alterações eram necessárias para alinhar a trama com a atualidade, assim como o audiovisual pede. A famosa cena final – que diga-se de passagem, recebeu muitos vídeos virais no TikTok e Instagram – em que Hannah descobre Garrett Graham baixou uma regra no campus em que nenhum outro garoto poderia se envolver com ela…não acontece na série. Nesse meio tempo percebi as reações nas redes sociais em que alguns fãs ficaram chateados com essa exclusão por imaginar ser algo marcante, mas acredito fielmente que essa alteração foi uma boa escolha. Talvez seja melhor entender que essa situação fazia sentido em 2015 quando o livro foi lançado (principalmente considerando que foi lido por adolescentes na época) mas não nos dias atuais, o que poderia comprometer o desenvolvimento do personagem ao colocá-lo como uma figura um tanto quanto possessiva e tóxica.
Ao subir os créditos finais, fica aquele gostinho de quero mais. A sensação é de que ainda há muita história para Garrett e Hannah viverem. Quase não tivemos tempo de vê-los desfrutando de cenas longas como um casal estabelecido devido a rapidez de todos os eventos, talvez se tivéssemos mais episódios seria possível desfrutar a ideia. Apesar disso, quem conhece as páginas de Elle Kennedy sabe que ainda falta muito chão (e muito gelo também!) para ser percorrido.
Pessoalmente, acredito que Off Campus pode ser associado ao termo “prazer culposo” (conhecido pelo equivalente em inglês, guilty pleasure) Mas o que isso significa? Bom…Sabe aquela série clichê que você maratona em um fim de semana, o reality show caótico bobinho que vicia ou aquela música pop chiclete que você só canta no chuveiro? A obra te diverte genuinamente, te prende do início ao fim e te faz esquecer dos problemas por alguns minutos. É puramente prazeroso e divertido.

