TCCs abordam futebol e arte na primeira noite de bancas
Os estudantes de Jornalismo Cauê Claro e Luíza Rodrigues apresentaram seus trabalhos de conclusão de curso na noite de segunda-feira (6/7). Na websérie Cobras da Bola, Cauê mostra como o jornalismo esportivo, em especial o futebol, pode ter uma abordagem aprofundada e servir como forma de discutir a sociedade brasileira. Nos dois episódios apresentados à banca avaliadora, o estudante contou as histórias do goleiro Barbosa – marcado pela derrota da seleção brasileira para o Uruguai, na final da Copa do Mundo de 1959 – e do jogador Reinaldo Lima, perseguido por seu posicionamento em favor da democracia durante o período da ditadura militar.

A professora Anna Carvalho destacou a discussão de temas importantes, como racismo e democracia, no trabalho de Cauê. “Você mostra que fazer jornalismo esportivo vai muito além de apenas entender de futebol”. O professor Sandro Galarça apontou que o material produzido na websérie não se trata de jornalismo investigativo, pois não se apoia em fontes primárias de informação, ao contrário da classificação proposta por Cauê. Ainda assim, envolveu pesquisa aprofundada. “Certamente você deve dar continuidade a essa série. Há muitas histórias para contar no futebol”, incentivou. O TCC foi aprovado com nota 8,9.
Da coincidência à reportagem
E se, durante uma viagem, uma estudante de jornalismo tivesse conhecido um possível ajudante do misterioso Banksy, o artista de rua e ativista político mais famoso do planeta? Poderia ser o argumento de um filme de ficção, mas a acadêmica Luíza Rodrigues da Costa Gomes transformou essa suspeita em uma grande reportagem multimídia, escrita em primeira pessoa e repleta de recursos do jornalismo literário.

“O mundo passou 25 anos tentando desmascarar Banksy, e a Reuters chegou perto. Eu, diante de um chaveiro com dois elefantes, escolhi o contrário: não encerrar o enigma, mas circunscrevê-lo”, afirma Luiza na reportagem Duas Rotas até Banksy, disponível no site do Primeira Pauta. Ela também entrevistou Ulrich Blanché, pesquisador de pós-doutorado em História da Arte na Universidade de Heidelberg (Alemanha), que estuda Banksy há mais de vinte anos, e Will Ellsworth-Jones, jornalista britânico, autor de “Banksy: The Man Behind the Wall”.
O trabalho de Luíza recebeu muitos elogios do avaliador Sandro Galarça. “Você teve a coragem de partir de algo do qual não tinha comprovação, e a coragem faz parte do bom jornalista”, afirmou. A reportagem ainda provocou um fato raro em se tratando do professor Galarça: a aprovação do uso da primeira pessoa no texto. “Seu texto demonstra, de fato, o quanto um autor se constitui como resultado daquilo que lê”, enfatizou o professor.
O professor Hendryo André comentou já de início: “você escreveu a reportagem que eu gostaria de ter escrito”. Ele descreveu o trabalho como um texto “maravilhoso, imersivo e fluido”. O avaliador fez algumas recomendações de ajustes, como disponibilizar as entrevistas na íntegra em html e não em pdf, a fim de melhorar a leitura em smartphones. Luíza foi aprovada com nota dez. Ela e Cauê tiveram orientação da professora Geórgia Santos.
