TCCs analisam coberturas jornalísticas locais e internacionais
Coberturas jornalísticas de eleições e de atentados terroristas foram os temas dos trabalhos de conclusão de curso apresentados na noite de terça-feira. A pesquisa de Rodrigo Santana analisou o conteúdo sobre política publicado pelos portais NSC Total e ND Mais no período de 30 de setembro e 6 de outubro de 2024, durante as eleições municipais. No total foram 21 publicações.

“A pesquisa fundamenta-se na hipótese do Newsmaking e no conceito de definidores primários”, explica Rodrigo. “Os resultados evidenciam o predomínio de fontes oficiais, a baixa pluralidade de vozes, o tom predominantemente neutro e a convergência das narrativas entre os portais.” Em todas as matérias analisadas, apenas uma ouviu fonte especialista e nenhuma ouviu cidadãos comuns.
A professora Marília Crispi de Moraes elogiou o estudante pela escolha do tema e por demonstrar que o problema da pluralidade não se resolve com quantidade, mas com notícias mais diversas. A avaliadora discordou, no entanto, de que os aspectos negativos da cobertura apontados pela pesquisa decorram exclusivamente do processo de produção. “Não ouvir especialistas, não ouvir lideranças comunitárias é uma escolha editorial sim. É querer evitar propositadamente o confronto de ideias”, apontou.
O professor João Kamradt também chamou atenção ao fato de que nenhuma matéria jornalística ouviu o leitor. “Isso merecia mais destaque na sua análise, poderia até ser o centro da sua conclusão.” Ele também sugeriu a leitura de fontes mais recentes para tratar de questões relacionadas às especificidades do jornalismo digital. Ambos os avaliadores e também a orientadora, Geórgia Santos, incentivaram Rodrigo a dar prosseguimento às pesquisas em um mestrado. O TCC foi aprovado com nota 9.
Depois do 11 de Setembro
Para uma sala cheia de amigos, familiares e colegas, a estudante Luana da Maia apresentou seu TCC “Cobertura Jornalística de Terrorismo: mudanças no modo de produção jornalística após o atentado de 11 de setembro de 2001”. Sob orientação do professor Hendryo André, a acadêmica entrevistou quatro jornalistas que atuaram como correspondentes internacionais cobrindo atos terroristas ou suas decorrências. “Enviei solicitação de entrevista a 41 profissionais e quatro me responderam”, contou.

Para o desenvolvimento do trabalho, Luana entrevistou Bianca Rothier, que cobriu o atentado ao jornal Charlie Hebdo, em 2005, na França; Toni Marques e Heloisa Villela, que cobriram os ataques terroristas de 11 de Setembro, e Júlio Cesar Lima, que esteve no Afeganistão e em outras áreas de conflito.
A professora Anna Carvalho destacou o esforço de pesquisa de Luana. “Sem dúvida, você escolheu um tema muito difícil. Trazer os depoimentos de repórteres que viveram essas coberturas é muito enriquecedor para a pesquisa”, avaliou.
Para a avaliadora Geórgia Santos, a aluna conseguiu transformar uma coincidência (Luana faz aniversário em 11 de setembro) em um motor de curiosidade. “Você colocou sua apuração de repórter a serviço da pesquisa acadêmica e o resultado certamente vai inspirar outros estudantes”, elogiou. Luana foi aprovada com nota máxima.
